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segunda-feira, maio 19, 2008

verde


Verde
Depois de ter pago a correspondente taxa moderadora, foi assim que o PM foi triado no Serviço de Urgência Polivalente do Hospital de Santo António.
Não terá sido aconselhado a recorrer ao seu Médico de Família, porque se encontrava muito distante da USF onde está inscrito, mas terá esperado cerca de 6 horas para ser atendido por um médico indiferenciado que perante um síndrome gripal o medicou com um antibiótico (?).
Terá chegado, mesmo assim, bem a horas de participar num encontro partidário em Braga. em perfeita forma física, não fosse o antibiótico que lhe foi prescrito.
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domingo, março 30, 2008

à atenção de Ana Jorge


A ministra da Saúde, Ana Jorge, garantiu hoje que o mapa da rede de urgências hospitalares «é para cumprir». DD

E bem a propósito deste tema recorrente, retirei daqui, este texto escrito pelo Dr. Jaime Teixeira Mendes.

A revolta da Maria da Fonte, seguida da revolução da Patuleia ou Pata ao Léu, começou na Povoa do Lanhoso com uma contestação às primeiras leis de saúde pública publicadas em Portugal pelo governo de Costa Cabral.

Visto à distância de 200 anos, as leis eram correctas e progressistas para o avanço necessário de um país atrasado pela monarquia absolutista.

Quais eram essas leis?
Cito o conto jocoso atribuído a António Feliciano de Castilho, cabralista nesses tempos: “Crónica Certa e muito verdadeira de Maria da Fonte escrevida por mim que sou seu tio O Mestre Manuel da Fonte Sapateiro no Peso da Régua dada à Luz por um cidadão demitido que tem tempo para tudo”. Escrito em linguajar do Norte da época.
Cito: “… chamada a lei de saúde púbrica, que no principio cudavam alguns vezinhos meus, que seria pra mandar que todos tevessem sempre saúde* mas eu logo le disse que non podia ser, e non era. Parece que dizia a lei de saúde púbrica, que os defuntos se non haverem de interrar senon nos cavadelos (cemitérios) por non ser bonito fazer-se de egreja monturo, que às vezes cheiram elas a carniça podre que nem o açougue cá da vila, que tem por dezer que são cousas munto ruins para a saúde corporal dos corpos da gente, que dali se jaressem muntos germos de infermedades e maleitas, que non têm cura."
Mas a lei ia mais longe: “… non poderem os boticairos ** vender um bocado de resgalgar (veneno) prós ratos sem receita, nem os vendeiros vender vinho sem ser aprovado e as casas de comer non poderem cozinhar em coisas que fezessem azenhabre (azebre) e os comestiveles das tendas serem inzeminados, a ver se eram sãos, e oitas mais que nunca se viram em parte nenhuma*** Mas contudo o que mais alanzoação causou, foi dezer a desanvergonhada da lei, que as mulheres do fado seriam muito bem revistadas toda-las semanas pólo porvedor da saúde, e que ainda em riba le haveram de pagar ****."

O que é facto é que foram estas as causas próximas da revolta popular da Maria da Fonte que, apoiada numa santa aliança que vinha dos setembristas (liberais radicais), dos jesuítas e dos miguelistas, derrubaram o governo de Costa Cabral.

Não é preciso muita imaginação para se ver uma certa semelhança entre a reforma das urgências e o encerramento das Maternidades, nas terras do interior, e as medidas de saúde pública impostas por Costa Cabral há 200 anos. A História diz-nos que o governo cabralista era ditatorial e prepotente, e para o progresso do país agravava os impostos e criava novos, enquanto os jornais escreviam que os Cabrais já tinham 8 milhões contados. Claro que aqui não existe nenhuma semelhança com o governo de Sócrates.

Estes são exemplos que os governantes não podem esquecer.
As medidas, mesmo parecendo boas e tendo o aval dos Srs. “excelentes técnicos”, não se podem fazer contra o povo nem, acrescento eu, a mau grado dos seus executantes.
O governo, contudo, parece não aprender e do alto da sua arrogância de maioria absoluta insiste no erro. Já lá vai um ministro, atenção que se podem seguir outros.

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Notas
*Ontem como hoje nunca se explicam as reformas ao bom povo
**Sempre os farmacêuticos a quererem vender sem receita médica
***Acção da ASAE
**** Esta o Correia de Campos esqueceu

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sábado, março 08, 2008

and so it goes


Enquanto a confiança no SNS assim se constrói, assim nos vamos habituando (também) e assim, ao mesmo tempo, se considera melhor proteger os serviços públicos do sector da saúde…


E como "em terra de cegos, quem tem um olho é rei", assim se vão aproveitando os valiosos despojos "criminosamente" abandonados, porque de ser humanos estamos a tratar.


"O Atendimento Médico Permanente (AMP) do Hospital Privado de Aveiro (Cliria), com que o Grupo Espírito Santo Saúde iniciou a sua actividade na cidade, registou 27 mil atendimentos em 2007.
O responsável admite que o fenómeno possa estar relacionado com o acesso dificultado ao Serviço Nacional de Saúde.”


Mais provas? Para quê?


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segunda-feira, março 03, 2008

o dedo na ferida


À atenção da futura discussão do diploma das carreira médicas, da Ordem dos Médicos e do Ministério da Saúde:


"...com áreas de tratamento de doentes emergentes (felizmente) cada vez mais organizadas, e com áreas de tratamento de doentes urgentes cada vez mais desorganizadas, com profissionais tantas vezes sem diferenciação, e outras tantas sem vínculo, fazendo o que a maior parte dos médicos não aceita fazer e fazendo muitas vezes menos bem. Na verdade, é neste local (crítico) que se joga o sucesso organizativo de um serviço de Urgência. É aqui, por exemplo, que escapam os diagnósticos menos evidentes ou que se dão as altas que vão condicionar maior número de reinternamentos."


Proposta:


"Por um lado, uma aposta clara no internista como gestor do doente internado, por outro, uma aposta igualmente clara no urgencista como gestor do doente do serviço de Urgência. Seremos, assim, capazes de melhorar os cuidados prestados quer num lado quer no outro, e significa que estamos a pensar a Saúde de uma forma centrada no utente, condição absolutamente necessária para que existam verdadeiros ganhos." link
Dr. Nelson Pereira, Ex-director clínico do INEM in TM
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Poderá ser assim?
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segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Serviço de Urgência em "part time" em Fafe?


Perante a inevitabilidade, que se previa, de não vir a dispor o CHAA de médicos de Medicina Interna em número suficiente para assegurar o atendimento diário dos doentes no SU da Unidade de Fafe, pelos motivos que aqui eu descrevi, posso dizer que me enganei redondamente quando afirmei que:

Como uma boa avestruz que se preza, enterra a ARS do Norte e o CA do CHAA, uma vez mais, a cabeça na areia.

Ameaçados com as palavras de José Sócrates, escondem às populações de Fafe, Cabeceiras e Celorico de Basto um problema, e criam um ainda maior problema para elas, quando há muito tempo lhe deviam ter dado solução.

O que a ARS do Norte acorda com o CA do CHAA, como solução para o SU de Fafe, é “manter a mesma filosofia anterior, com Médicos Hospitalares e Médicos de Clínica Geral” (…) “até que a ARS do Norte tome a decisão final que contemple a transformação do SU desta Unidade de Fafe num verdadeiro SUB, conforme está estabelecido” desde Março de 2007…

O princípio estaria correcto, não significasse isto, que já a partir do dia 6 de Fevereiro, em dois dos cinco dias úteis da semana e nalguns dias de fim-de-semana, o SU da Unidade de Fafe irá manter a sua actividade sem Médico de Medicina Interna durante as 24 horas e nalguns dias só com um cirurgião ou com um ortopedista e dois clínicos gerais, situação que deverá merecer da Ordem dos Médicos uma posição clara na defesa dos médicos e dos doentes, baseada no estipulado no art.º 6º do seu Estatuto: a) Defender a ética, a deontologia e a qualificação profissional médicas, a fim de assegurar e fazer respeitar o direito dos utentes a uma medicina qualificada.

Mas para que não sejam responsabilizados os mentores de tal “decisão”, se algo anormal porventura ocorrer, nomeia o CA um Médico Hospitalar dos mais graduados (cirurgião ou ortopedista) para exercer as funções de Chefe de Equipa até às 0 horas, já com a certeza de que a partir desta hora (terminado o período de trabalho do cirurgião e/ou do ortopedista), sozinhos irão ficar dois Médicos de Clínica Geral a assegurar o atendimento dos doentes, agora sim, num Serviço de Urgência correctamente definido como Básico (até às 9 horas do dia seguinte) a quem, não se sabe, irá competir a responsabilidade de o “gerir”.

Será esta, outra das “anormalidades” desta “decisão”, ao definir, com esta metodologia, uma nova modalidade de Serviço de Urgência, nunca vista em parte alguma…

Um Serviço de Urgência em “part time”!!!

É que às 9 horas do dia seguinte,lá estará a funcionar, novamente, o Serviço de Urgência (não Básico) “até que esta ARS do Norte tome a decisão final que contemple a transformação do SU desta Unidade num verdadeiro SUB, conforme está estabelecido” há já 10 longos meses.

Porventura, só lá para 2009, a avestruz (se fôr a mesma) desenterre a cabeça da areia...
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sábado, janeiro 12, 2008

pensar "só" no perigo de vida


JP - A vossa proposta não contemplou o problema das situações agudas...
J. M. A. - Tivemos o cuidado de aferir o conceito que resolve isto: o da consulta aberta. Acordámos isto com a Unidade de Missão dos Cuidados de Saúde Primários. Do ponto de vista do cidadão, urgência é ter que ir ao médico depressa. Mas a rede de urgências foi pensada para os que estão em perigo de vida.
José Manuel Almeida em entrevista publicada no JP de 12-01.2007

Efectivamente, a verdade é dita nesta resposta:
Realço: “a rede de urgências foi pensada para os que estão em perigo de vida”.

Esta resposta de JMA já por demais repetida, realça uma vez mais a verdade dos fundamentos que presidiram à elaboração desta rede de urgências. A necessidade dos “doentes que estão em perigo de vida”, serem socorridos em tempo útil nos SUB, nos SUMC e nos SUP após uma correcta referenciação pelo CODU e um atempado atendimento de proximidade com VMERs ou SIVs.

E os outros?

... os que com uma luxação do ombro, com uma suspeita de fractura do punho ou com um derrame articular de grande volume; com uma simples dor abdominal ou com uma ferida extensa na coxa; com uma aparente e inofensiva dor torácica ou com uma temporária alteração do ritmo cardíaco, uma tosse com expectoração hemoptoica ou uma ascite de grande volume?
… os que não estando em perigo de vida sofrem e necessitam, não tanto como os outros, é certo, de um atempado diagnóstico e tratamento das suas doenças agudas, a serem realizados por profissionais com a diferenciação necessária que não de MGF, apontados que estão estes, para actuarem no âmbito dos CSP em consultas abertas.


Para estes doentes, deverão os membros da CTAPRU e o Ministro da Saúde, retirar os perto de 40 SUBs, espalhados de norte a sul, como locais de atendimento.
Isto porque nestes serviços irão estar profissionais médicos indiferenciados (com a não prometida mas esperada formação em suporte avançado de vida), que sem preparação para tratar as patologias agudas destes doentes, se verão na obrigação de os encaminhar, depois de devidamente estabilizados e documentados em termos analíticos, radiológicos ou electrocardiográficos, para os 27 SUMCs e 14 SUPs distribuídos pelo país.


... e aí depois, engrossarão a lista dos verdes, amarelos e laranjas à espera de serem tratados.

É que o tempo do "saudoso" Dr.João Semana já lá vai.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

o SUB e a SIV de Fafe

Assinatura de protocolo entre a ARS do Norte e o Presidente da Camara de Fafe em 25 de Fevreiro de 2007


Ficarão?
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Depois de longos e fundamentados estudos realizados por uma denominada Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação de Urgências (da qual mais não se ouviu falar), inicia-se em finais de 2006 a discussão pública do relatório por ela apresentado.

Conclui-se, em Janeiro de 2007, o que o relatório já apontava:
“O Serviço de Urgência do Hospital de S.José de Fafe é para encerrar”.

Várias posições “contra” se fizeram ouvir, mas o encerramento era inevitável.
Em Fevereiro, pelo acordo assinado entre a ARS do Norte e a autarquia de Fafe, já não é para encerrar mas para passar a ser um Serviço de Urgência Básico a inaugurar no dia 25 de Abril de 2007, já sem as especialidades hospitalares a colaborarem neste serviço.

Em Março, constitui-se o Centro Hospitalar do Alto Ave (Hospital de Fafe e de Guimarães).

No início de Abril disponibilizam-se os médicos da Unidade de Fafe, para continuarem a colaborar no atendimento e tratamento dos doentes das áreas de Medicina Interna, Cirurgia e Ortopedia, enquadrados no âmbito de um futuro SUB já que a assistência aos doentes internados, destas especialidades, exige a presença dos mesmos profissionais no Hospital.
“Ouvidos moucos” existiram, por parte da ARS do Norte e da Administração do CHAA, a esta proposta fundamentada e por escrito apresentada pelos médicos da Unidade de Fafe.

Mas tudo continuou como sempre.
Como sempre não…

É que nem com a constituição de 3 USF na região nem com esforços da ARS do Norte, da Administração do CHAA, do Director do CS de Fafe e dos coordenadores das USF locais, a afluência de doentes ao SU da Unidade de Fafe não diminuiu, tendo até paulatinamente aumentado, mês após mês, atingindo actualmente os 150 doentes/dia.

Chegados a finais de Outubro e com uma pressa algo estranha a ARS deseja que a partir do dia 1 de Novembro o SUB seja finalmente inaugurado e as especialidades médicas hospitalares deixem de ter participação activa no Serviço de Urgência de Fafe…

Mas nem o CHAA tinha assegurado o laboratório a funcionar 24 horas, nem teria garantida a participação de dois médicos indiferenciados para, nas 24 horas, assegurarem a assistência com a qualidade desejada, nem tão pouco a SIV (ambulância de Suporte Imediato de Vida) estava ainda disponibilizada pelo INEM.
E mais grave ainda… não estava nem está ainda assegurada, em termos físicos nem humanos, a resposta a dar ao acréscimo de trabalho decorrente do envio de doentes de Fafe, Cabeceiras e Celorico de Basto para serem observados e tratados pela Ortopedia, Medicina Interna e Cirurgia Geral no SU da Unidade de Guimarães.

E então, novo aparente recuo…

“Só poderão ser dispensadas as participações das especialidades médicas hospitalares actualmente a actuar no SU da Unidade de Fafe (Medicina Interna, Ortopedia e Cirurgia) quando estiverem reunidas as seguintes condições:
1. Realização de consultas de outras especialidades, na Unidade de Fafe, por parte de Assistentes Hospitalares da Unidade de Guimarães;
2. Colocação duma SIV na Unidade de Fafe, em Cabeceiras e Celorico de Basto
3. O Laboratório a funcionar 24 horas
4. Preparação dos médicos, a prestar serviço no SUB, em Suporte Avançado de Vida”
Isto foi afirmado, por escrito, pela ARS do Norte a meados de Novembro.

Aparente recuo, digo eu, mas que se revela não o ser, já que a intenção declarada da ARS do Norte é a do esvaziamento progressivo do movimento assistencial por parte das especialidades Hospitalares disponíveis na Unidade de Fafe, que muito contribuem para a redução da afluência ao SU da Unidade de Guimarães, esta já sobrecarregada.
Assim, a pouco e pouco, sem grandes “alaridos”, a população não vai sentindo a perda da assistência médica na sua cidade e os profissionais do SU de Guimarães não chegarão a sentir a sobrecarga a que, lentamente também, vão estando a ser sujeitos.
E o primeiro passo está assim a ser dado para que no futuro, nem um SUB em Fafe tenha razão de existir.

E como o está a fazer a ARS do Norte, com a concordância do Presidente do CA do CHAA e a mudez do Presidente da autarquia?

1. Utilizando abusivamente os conceitos que nortearam a institucionalização da já de si “polémica” Triagem de Manchester, todos os doentes a quem é atribuída a cor “azul” são aconselhados pelo administrativo do SU de Fafe a dirigirem-se à USF a que pertencem ou ao Centro de Saúde da cidade para aí serem observados.
2. Os doentes, que aos Cuidados Primários tenham recorrido por sua própria iniciativa e que venham a necessitar de uma observação urgente por Medicina Interna, Cirurgia e Ortopedia, serão referenciados não para o SU da Unidade de Fafe, como até à data tem sido habitual, mas directamente para o da Unidade de Guimarães, obrigando os doentes e acompanhantes a deslocações desnecessárias e a tempos de espera bem mais longos.
3. E porque na realidade, a SIV de Fafe já lá está desde o dia 1 de Dezembro havia que sobre a actividade desta, actuar também…

(Bem bonita, a ambulância e muito simpáticos (sem qualquer ironia) os profissionais que com esmerado cuidado cuidam do pó, do arranjo interior e dum bom posicionamento da dita viatura, para com rapidez, quando chamados, poderem partir. Talvez por ser no 1º de Dezembro, também primeiro dia de actividade desta SIV em Fafe, nem o Sr. Motorista (professor desempregado) nem o Sr. Enfermeiro (recém-formado em enfermagem) puderam dar mostras da importância em ali estarem disponíveis, dia após dia, em turnos revezados de 12 horas.)

Como para o bem e para o mal sempre se arranjam soluções, este é um exemplo que muitas vezes se irá repetir:

O CODU acciona hoje a SIV de Fafe para ir socorrer um sinistrado numa freguesia a 5 km da Unidade de Fafe.
Por apresentar uma pequena fractura do punho (acidente de trabalho), encaminha o doente para a Unidade de Guimarães (a cerca de 25 km do sinistro) para ali ser observado e tratado por Ortopedia sem que, na sua deslocação para aquela Unidade do Centro Hospitalar do Alto Ave, não pudesse evitar a passagem novamente diante da Unidade de Fafe, onde a SIV está sedeada e onde o mesmo tratamento ortopédico poderia ter sido realizado pelos profissionais de Ortopedia destacados no ainda SU desta Unidade.
Oito horas depois, chega a Fafe, transferido de Guimarães, este mesmo sinistrado, para no Serviço de Ortopedia de Fafe ficar internado e vir a ser submetido a tratamento cirúrgico em actividade cirúrgica programada... e finalmente, já perto das 19 horas, também poder vir a ter direito a uma cama hospitalar, a um sossego e a um jantar, já que nem ao almoço, neste longo dia para ele, teve direito a ter.

Treino da tripulação para melhor ficar a conhecer a topografia da região ou vontade declarada de gastar, mal gasto, o dinheiro de todos nós.

Experiências que podem sair bem caras a muitos e a todos nós também…
Assim, deste modo também, se vai também gerindo os parcos dinheiros do SNS.
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quinta-feira, novembro 08, 2007

como moderar a afluência de doentes ao SU

Ideias para a redução da afluência de doentes ao Serviço de Urgência de Fafe, para assim não dar mais dores de cabeça ao CA do CHAA e à ARS do Norte (e outros que as aproveitem, também) :
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quarta-feira, novembro 07, 2007

o Serviço de Urgência em Fafe


Tem sido assim a política de saúde do nosso Governo….

Primeiro definem-se objectivos.
Depois solicitam-se estudos que fundamentem os objectivos.
A seguir, definem-se prazos para serem cumpridos os objectivos, agora já bem fundamentados nos estudos.

Mas…
Perante as realidades objectivas e/ou as pressões de interesses instalados, avança ou recua nas decisões, sem nunca pôr em causa os pareceres técnicos, que por serem "cientificamente correctos" estão imunes à crítica.

O que se passou então em Fafe?

Após o estudo da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação de Urgências, o SU do então Hospital S.José de Fafe era para ser extinto, por razões bem explícitas no relatório final da Comissão.

Através de demonstrações públicas várias (movimentos cívicos, Conselho Consultivo e médicos do Hospital), denunciadoras dos pressupostos errados que conduziram a tal decisão, posteriormente, com base nos famigerados “protocolos” com as autarquias, um destes também assinado pelo Presidente da Autarquia de Fafe, considera o MS e a ARS do Norte haver lugar, não ao encerramento do SU, mas à sua reconversão em Serviço de Urgência Básico, a ser inaugurado no dia 25 de Abril de 2007, com uma ambulância SIV, 2 médicos e dois enfermeiros, RX e química seca, tal como “protocolarmente” assim ficou definido:

“a partir do próximo dia 25 de Abril, o Hospital de S.José de Fafe assegurará um Serviço de Urgência Básico, cujos recursos deverão ser adequados à procura de cuidados, sem recorrer ao tempo normal dos médicos de família com vinculação aos centros de saúde da região e sem comprometer a sua prestação de serviço nos centros de saúde. Esta situação será reapreciada no contexto do futuro Centro Hospitalar Guimarães-Fafe.”

Constitui-se em 1 de Março de 2007, o Centro Hospitalar do Alto Ave, EPE (CHAA) que aglutina os Hospitais Senhora da Oliveira, EPE e S.José de Fafe, SPA, como Unidades Hospitalares deste Centro.

Preocupações demonstraram os profissionais da agora Unidade de Fafe, pela “decisão” adoptada. Mas com ela terá ficado “satisfeito” o Presidente da Câmara e alguns dos seus autarcas, na convicção de que os serviços clínicos assistenciais iriam melhorar, como o prometia a ARS do Norte, “deliciados” que ficaram também, com a promessa da construção dum novo Hospital na sua cidade.

Os meses foram passando mas tudo ficou na mesma…

O Serviço de Urgência Básico não foi “inaugurado” no dia 25 de Abril nem tão pouco, ao longo destes mais de seis meses, o CA do Centro Hospitalar, o Presidente da Câmara de Fafe e a ARS do Norte se preocuparam em fazer cumprir o protocolo assinado.
Mas o novo Hospital esse é quase (para alguns) uma certeza…

Mas há que repensar. Voltar ao assunto.
Particularmente pela mão da ARS do Norte que a tal direito assiste.
Mas primeiro há que reduzir substancialmente a afluência diária de doentes, ao ainda Serviço de Urgência de Fafe, que atinge uma média de 150.

Mas, nem com reuniões com responsáveis do CS e USF locais, para alertar da necessidade dos Cuidados Primários colaborarem nessa redução, nem com um apelo à autarquia para melhorar a sinalética na cidade referenciando melhor esses locais de atendimento, nem (pasme-se) com uma deliberação do CA do CHAA (só para a Unidade de Fafe) que “impede” que os doentes classificados como “azuis”, pela triagem de Manchester, possam ser atendidos no SU, a afluência diminuiu, mantendo-se nos mesmos níveis “preocupantes”, assim como preocupantes são, os níveis existentes no SU da Unidade de Guimarães.

E então o que se espera?

Depois da desmotivação criada nos profissionais da Unidade de Fafe com a actuação autista do CA do CHAA, parecem agora a ARS do Norte e o CA do CHAA querer que continue tudo na mesma, pedindo aos profissionais médicos da Unidade de Fafe que continuem com o seu voluntarismo, a sua dedicação e o seu esforço para garantir que tudo fique na mesma, até ver…

Será assim?
Ou será que tudo na mesma, não irá ficar?

É que a Unidade de Fafe, há já muitos anos, escandalosamente deficitária em profissionais médicos, vê-se agora ser despojada de alguns desses profissionais para exercerem actividade no SU, com autorizações concedidas pelo CA do CHAA de pedidos de transferência para outras instituições de saúde, com a oferta de contratos administrativos de provimento de miséria que afasta quem iria valorizar (pelo seu profissionalismo) a instituição (mesmo contra o parecer dos Directores de Serviço em causa) e ainda pelo pedido de dispensa de realizar essa actividade no SU, por já terem, alguns deles, atingido os 55 anos de idade.

Assim sendo, difícil será ficar tudo na mesma.

É isto que a ARS do Norte não iria ter, tivesse ela feito bem “as contas”.
Ou terão sido estas “as contas” que a ARS fez, para alcançar o que não queria ter?
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terça-feira, outubro 30, 2007

os Serviços de Urgência Básicos

Serviço de Urgência, de José Perez


"O facto de, no INEM, estarmos a realizar um esforço de sinal positivo, num contexto nacional de contracção dos efectivos da administração pública, documenta bem a importância que o Governo atribui ao INEM."
"A actividade de urgência e emergência está a sofrer um profundo alargamento e extensão em todo o país», o ministro disse que o novo espaço do INEM, em Coimbra, permite uma «melhoria da qualidade da assistência» e uma «melhor acessibilidade a estes cuidados», promovendo ainda a «equidade no acesso» e a «racionalização dos recursos."

Correia de Campos na inauguração das novas instalações regionais do INEM, em Coimbra. DD


Entretanto, ter-se-á esquecido Correia de Campos e os seus conselheiros, de que os Serviços de Urgência Básicos (SUB) propostos para entrar em funcionamento até ao fim deste ano, não tendo ainda disponíveis as “salvadoras” ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV ) nem tão pouco os seus tripulantes (enfermeiro e motorista) assegurados por concurso, vão ter os tais dois médicos aconselhados pelo Dr. António Marques - Coordenador da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências (desaparecido da cena pública há já largos meses), com uma preparação indiferenciada, sem qualquer prática em suporte básico nem tão pouco avançado de vida ou qualquer experiência em atendimento básico de urgência.
“Fornecidos” (outsourcing) por empresas privadas (PGA no Norte) a custos elevados já estão a assegurar o atendimento dos doentes nos actuais Serviços de Urgência Médico Cirurgicos (SUMC) e Polivalentes (SUP) e preparam-se para o fazer, da mesma forma, nos SUB, mas neste caso sózinhos, sem qualquer apoio diferenciado.

São eles (felizmente poucos e a não chegarem para as encomendas), médicos em fase final de carreira ou já reformados, emigrantes à procura de emprego e “desempregados” que não conseguiram entrar nos Cuidados de Saúde Primários ou realizar contratos com os HH EPE, vá-se lá saber porquê.
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“Correm”, do turno da tarde do SUB “A”, para a da noite do SUMC “B”, ou do da noite do SUMC “B”, para o da manhã do SUB “D” ou SUP "E".
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Dias e dias a fio, horas e mais horas por semana, Euros e mais Euros arrecadados.
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Uma correria.
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E quem controla isto?.
Ainda há quem considere não serem as Carreiras Médicas importantes!
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