Porque era já insustentável, para o Conselho de Administração CHAA, aguentar mais tempo em manter no segredo os verdadeiros desígnios subjacentes à criação do Centro Hospitalar, já na altura evidenciados pelos negociadores do Business Plan para a sua constituição - os Presidentes do CA dos então Hospitais Senhora da Oliveira e S.José de Fafe – que actualmente exercem funções de Presidente do CA e de Director Clínico do CHAA, respectivamente - sempre coadjuvados e orientados pelos ainda actuais membros da ARS do Norte.
E se alguma dúvida existia… ela hoje desapareceu.
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A implosão do velhinho Hospital de Fafe começou.
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Começou hoje, com o Serviço de Ortopedia e "amanhã" continuará com os de Cirurgia Geral, de Medicina Interna e de Medicina Física e Reabilitação.
... mas as paredes, neste caso, irão ficar... para poderem servir de testemunho numa futura avaliação da gestão deste CA do CHAA.
Como legenda da foto que acompanha anotícia, o jornalista escreveu: “A ministra esteve presente na assinatura de um protocolo que nos próximos três anos vai permitir manter palhaços e músicos a animar os doentes nos hospitais”.
… mas a notícia desenvolve-se em torno das conhecidas e repetidas declarações de “preocupação” pela falta de médicos nos Hospitais Públicos. Não se estranha tal preocupação porque duma realidade se trata, perspectivada que o era há já umas boas dezenas de anos. O que é estranho é que tantos estudos já realizados, tantos grupos de trabalho e comissões já constituídas, tantos pareceres técnicos já emitidos sobre outros tantos temas ou assuntos referentes à saúde, ainda nenhum grupo de trabalho tenha sido constituído nem nenhum estudo tenha sido realizado por forma a que este ou qualquer outro Ministro da Saúde, à pergunta de quantos médicos faltam em Portugal, não continue repetidamente a responder “ser difícil de o dizer”.
Mais um Elefante Branco na saúde, assim considerado como “objecto ou negócio de conservação muito dispendiosa, sendo o seu rendimento de pouca ou nenhuma utilidade”?
Consiste vai informatizar IPO do Porto O Instituto de Oncologia (IPO) do Porto vai ser informatizado pelaConsiste, empresa criada pela Associação Nacional de Farmácias (ANF)para desenvolver tecnologias de informação. De acordo com notícia divulgada pelo semanário Sol, a Consiste ganhou o concurso público aberto pelo IPO do Porto para a compra e instalação de uma solução global de informatização. A solução inclui a gestão dos processos clínico, administrativo e de facturação, a gestão de recursos humanos e de toda a área financeira, do arquivo e do centro de formação, e de toda a informação estatística e de apoio à decisão.O facto permite uma estreia de uma empresa da ANF num hospital público e para tal contribuiu o desconto concedido ao hospital de «cerca de 60% sobre a sua proposta inicial», ganhando a concorrentes como a Alert ou a Siemens.
TEMPO MEDICINA ONLINE de 2008.04.020814PUB4F0508TM13E
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(O sublinhado e o link são da responsabilidade do blog)
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Aguarda-se que esta empresa, com interesses declarados no sector das tecnologias da informação, não se apresente “Em remodelação”,como paradoxalmente se encontra de momento a suapágina na Internet e, já agora, que não descure a procura de módulos de ligação aos já suficientes softwares ainda “eternamente incompatíveis”, em utilização pelos Serviços de Saúde Públicos.
Preenchidas só dez das 115 vagas para médicos em unidades carenciadas do interior.Público
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Será com este valor hora-trabalho (11,88 €) que alguém consegue cativar o jovem profissional médico especialista, para em qualquer Hospital Público (EPE ou SPA, do interior ou dos grandes centros populacionais do país) dar inicio à sua actividade como sénior, quando, frequentes ameaças à extinção progressiva do sector público administrativo e a já crónica indefinição da necessária reestruturação das Carreiras Médicas se associam a propostas de regimes remuneratórios, “oferecidos” por Hospitais EPE, que podem atingir os 50 €/hora?
Que as diferentes empresas do sector privado da saúde o decidam fazer (porque a livre concorrência do mercado assim o permite), estão no seu direito. Mas que a mesma entidade empregadora (o Estado) o faça desta forma, quantas vezes especulativa e doentiamente concorrencional com o próprio sector público, criando gritantes disparidades remuneratórias dentro do mesmo grupo profissional e do mesmo Serviço, com competências e experiência profissional bem diferentes, é inadmissível.
“A ministra da Saúde, Ana Jorge, responsabiliza o Hospital de Santa Maria pela falta de anestesistas naquela unidade hospitalar.” RFM
E de quem é a responsabilidade, quando tudo tem sido feito para que o Serviço de Medicina Interna da Unidade de Fafe do Centro Hospitalar do Alto Ave acabe por ficar, actualmente, só com três médicos de Medicina Interna a exercer funções assistenciais na Unidade, inviabilizando assim frequentemente a realização de cirurgias programadas e colocando na dependência de médicos de Clínica Geral a vigilância e o atendimento Urgente a todos os doentes internados e aos que ao SU recorrem por doenças agudas e graves do foro da Medicina Interna?
E de quem é a responsabilidade quando se permitem contratações de profissionais para desenvolver actividade em Serviços já com quadros de médicos declaradamente subaproveitados, quando outros Serviços, do mesmo Centro Hospitalar, continuam com índices de produtividade francamente elevados e permanecem, desde há muito, deficitários de profissionais médicos?
E quem parece fazer “ouvidos moucos” a frequentes alertas, por parte das direcções de Serviço, referentes à preocupação sentida pela degradação das condições assistenciais oferecidas aos doentes da área de influência da Unidade de Fafe do CHAA, malgrado o esforço dos seus profissionais?
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Que se cozinha às escondidas?
Depreende-se a ementa, mas omelhor será perguntar ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Alto Ave e à ARS do Norte !!!
Duas semanas passaram. 14 dias de repouso aqui no Raio.
Mas o alheamento não existiu, assim como não deixou de existir a preocupação por esta aparente acalmia da política do actual Ministério da Saúde.
Porque, nos bastidores se pressente que tudo na mesma continua, pela forma como aqui é dito. Dito duma forma genérica, mas também como um retrato fiel do que se passa no Centro Hospitalar do Alto Ave.
Um Centro Hospitalar com um CA que persiste, um ano decorrido da sua constituição, numa atitude não dialogante, reveladora dum profundo desinteresse pela resolução dos principais problemas assistenciais, já velhos alguns e novos outros, existentes nas duas Unidades do Centro Hospitalar (Fafe e Guimarães);
Que, com o êxodo dos seus profissionais, aceita que a degradação da qualidade e quantidade assistencial se instale, quando propostas alternativas existem por forma a não serem questionáveis, quanto o estão a ser, a segurança dos profissionais que nele laboram e dos doentes internados, bem como as reais necessidades assistenciais das populações desta extensa área geográfica que atende.
Que orienta a política de contratação de profissionais médicos (para áreas notoriamente carenciadas) baseada em conceitos rígidos de contenção de custos, inviabilizando qualquer tentativa negocial com os candidatos e a consequente resolução dos problemas;
Que com dois pesos e duas medidas “satisfaz” e promove (sem uma correcta avaliação das necessidades) a contratação de profissionais para as áreas de gestão e de serviços clínicos por valores contratuais desconhecidos para alguns e bem diferentes (pela positiva) dos “oficialmente” praticados para outros;
Que contratualiza a actividade assistencial sem antecipadamente ouvir os responsáveis dos serviços ou com eles discutir e analisar os planos de actividade;
Que sub-repticiamente vai preparando (pela condenação à exaustão) a extinção de serviços clínicos imprescindiveis e que muito têm contribuído para a prestação de cuidados assistenciais à população de Fafe, Cabeceiras e Celorico de Basto, Guimarães, Vizela e Felgueiras, sem que demonstre qualquer preocupação pela limitada resposta da capacidade física e humana instalada para atender uma população de mais de 350.000 habitantes;
Que ostensivamente oculta e não permite clarificar “passados entendimentos” que perpetuam (ainda nos dias de hoje) a sempre criticável promiscuidade entre os sectores público e privado no interior do CHAA;
E tudo isto (e muito mais) se vai “cozinhando”, se vai gerindo, se vai permitindo, por forma a contribuir, com esta pequena/grande fatia, para que o nosso SNS, em tempos considerado como dos melhores Serviços Nacionais de Saúde da OMS, permaneça ameaçado de morte.
Enquanto a confiança no SNS assim se constrói, assim nos vamos habituando (também) e assim, ao mesmo tempo, se considera melhor proteger os serviços públicos do sector da saúde…
E como "em terra de cegos, quem tem um olho é rei", assim se vão aproveitando os valiosos despojos "criminosamente" abandonados, porque de ser humanos estamos a tratar.
"O Atendimento Médico Permanente (AMP) do Hospital Privado de Aveiro (Cliria), com que o Grupo Espírito Santo Saúde iniciou a sua actividade na cidade, registou 27 mil atendimentos em 2007. O responsável admite que o fenómeno possa estar relacionado com o acesso dificultado ao Serviço Nacional de Saúde.”
MINISTÉRIOS DAS FINANÇAS E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DA SAÚDE Despacho n.º 6660/2008 Tendo sido presente para apreciação o relatório final da negociação competitiva com dois concorrentes relativo ao procedimento prévio à contratação para a Concepção, Projecto, Construção, Financiamento, Conservação e Exploração do Hospital de Braga em regime de parceria público-privada (PPP), com a ponderação das observações feitas em sede de audiência prévia pelos concorrentes, considera-se que o mesmo se encontra em condições de ser aprovado nos termos do disposto no n.º 5 do artigo 41.º do respectivo Programa de Procedimento. Verificam -se ainda, reunidos os pressupostos das parcerias público privadas, em especial os previstos nos artigos 6.º e 7.º do Decreto -Lei n.º 86/2003, de 26 de Abril, republicado em anexo ao Decreto -Lei n.º 141/2006, de 27 de Julho, mantendo -se, igualmente, o interesse público no projecto, bem como o modelo da parceria escolhida. Os custos e riscos decorrentes da parceria têm a devida inscrição orçamental, no mapa XVII, do Orçamento de Estado para 2008, aprovado pela Lei n.º 67 -A/2007, de 31 de Dezembro, garantindo a necessária suportabilidade financeira da parceria. Nesta fase negocial, verifica-se que a proposta classificada em primeiro lugar evoluiu de uma situação em que o valor actualizado líquido dos pagamentos do Estado (VAL) era inferior ao Custo Público Comparável em cerca de 167 223 milhares de euros, ou seja em cerca de 14 %, para a existência de uma poupança potencial de cerca de 33 %. Com efeito, o VAL associado à proposta do concorrente Agrupamento Escala Braga ascende, no final da fase de negociação competitiva, a 794 519 milhares de euros, ou seja, é inferior ao custo público comparável em cerca de menos 391 785 milhares de euros. Estes valores encontram -se actualizados a preços de Janeiro de 2006. Nestes termos, o processo encontra -se em condições de prosseguir com vista à finalização da minuta de contrato com o concorrente classificado em primeiro lugar, Agrupamento Escala Braga, sem prejuízo da verificação, no momento da adjudicação, de todos os pressupostos e requisitos de que depende a constituição da parceria de acordo com o disposto no Decreto -Lei n.º 86/2003, de 26 de Abril, republicado em anexo ao Decreto -Lei n.º 141/2006, de 27 de Julho. 20 de Fevereiro de 2008. — O Ministro de Estado e das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos. — A Ministra da Saúde, Ana Maria Teodoro Jorge.
A propósito deste despacho, publicado em DR em 7 de Março, encontrei aqui este “excelente” trecho literário, da autoria da Câmara Socialista de Braga, no qual o seu presidente, há muitos mandatos repetente, se regozija pelo alcançado desejo já por ele frequentes vezes manifestado desde o início da década de 80.
"A evolução para a contratualização desta parceria publico-privada põe igualmente fim, assim se espera, às eternas vozes da desgraça, cujo verbo varia consoante se sentem implicadas no processo: quando a decisão competia a alguns dos seus pares, emudeciam; quando a decisão competia a outrem, o ruído era tão assíduo quanto evidenciador de regozijo, como se a demora lhes aduzisse dividendos eleitorais.Ultrapassada aquela que se considera uma das fases mais difíceis deste processo, a Presidência da Câmara Municipal de Braga faz, assim, questão de se antecipar a essas vozes na manifestação de sincera satisfação pelo cumprimento dos prazos anunciados.Não sendo necessário repeti-lo, julga-se por bem sossegar ainda as mesmas vozes – as mesmas de sempre, embora com variações de timbre – de que, no que implica com o Município de Braga, os compromissos assumidos serão consumados no tempo adequado e sempre que o evoluir do processo o justifique, como outra coisa não seria de esperar."
Câmara Municipal de Braga, 7 de Março de 2008
P’ O Gabinete da Presidência,
(João Paulo Mesquita, adj.)
De facto, cerca de 25 anos para se conseguir, finalmente, o tão desejado, é obra… Mas obra das Parceria Publico Privadas, obra da entrega do sector Hospitalar da Saúde à exploração privada, obra deste Governo "socialista". Resta saber se os tão bem estudados benefícios económicos decorrentes da entrega do projecto ao “Agrupamento Escala Braga” (Grupo Mello Saúde) e as poupanças dela decorrentes, irão ter parecer favorável do “crítico” Tribunal de Contas e se ao cidadão, que venha a necessitar dos serviços clínicos prestados por este Agrupamento, não vai competir pagar o que o Estado diz estar a poupar com este “negócio de milhões”.
Uns, mantêm-se calados, gerindo “de rédea curta, espartanamente e fazendo poucas ondas”, como se de anjinhos se tratassem, para caírem nas boas graças do actual poder, outros, aguardam ansiosamente que alguém os demita, enquanto que outros têm a hombridade de pedir a demissão.
Administradores do Pedro Hispano e CHLO demitem-se José Miguel Boquinhas, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO), deverá deixar o Serviço Nacional de Saúde. Contactado pelo «TM», o dirigente respondeu com um «não confirmo nem desminto» e remeteu mais explicações para esta semana. Mas o nosso Jornal sabe que o médico deverá sair para aceitar um convite do grupo HPP — Hospitais Privados de Portugal. No Norte, três administradores da Unidade Local de Matosinhos demitiram-se, alegadamente por razões pessoais, segundo conta o Público de 29 de Fevereiro. Nuno Morujão, o presidente do conselho de administração, assim como o director clínico, Joaquim Pinheiro, e o vogal executivo, António Neto Rodrigues, mantêm-se, no entanto, em funções, pelo menos até ao final do mês de Março. Até à hora de fecho desta edição o Ministério da Saúde disse não estar em condições de falar sobre estas demissões.
TEMPO MEDICINA 1.º CADERNO de 2008.03.03 0812811C24308MF09G
Sobre um assunto que as Carreiras Médicas, como garante da qualidade técnico-científica, deverão “legislar”, por se tratar de assunto actual e do futuro…
Um testemunho:
"Não integrando, presentemente, por questões institucionais que me ultrapassaram, a equipa de transplantação hepática dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), o facto de ter participado em cerca de 10% dos transplantes ali efectuados permite-me ter uma opinião algo fundamentada acerca do que tem vindo a passar-se, sendo que já por diversas vezes, noutros locais e perante outras entidades, expressei a minha preocupação pela forma como estava a ser desenvolvido aquele programa..." Dr.Carlos Alberto Godinho C. Mesquita
e uma opinião:
"Começo por chamar a atenção para um primeiro aspecto particularmente negativo: uma forma de estar e actuar num hospital público à margem de tudo o que é normal no âmbito da carreira hospitalar, traduzida, em última análise, por uma sistemática exclusão da generalidade dos internos de Cirurgia e dos cirurgiões mais novos, quando o desejável seria, precisamente, o contrário, até porque a idade média do grupo de colegas que integra a equipa ronda os 55 anos e até já foi mais elevada.
Não posso, em segundo lugar, deixar de concordar com os que consideram estar a causa de tudo isto nos chamados incentivos à transplantação, que não andarão longe dos cinco milhões de contos em 15 anos, distribuídos com base no princípio do pagamento por acto e de acordo com critérios que sempre escaparam ao conhecimento do comum dos mortais.
Não me parece que algo justifique, hoje em dia, num hospital público e face à grave situação que o País atravessa, que os transplantes continuem a ser pretexto para pagar a um pequeno grupo de forma principesca e milionária."Dr.Carlos Alberto Godinho C. Mesquita
E mais "surpresas" poderiam aparecer, com a actual…
Política de encerramento de Serviços. Política de Parcerias Público Privadas Política do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC). Política de privatização de Serviços Hospitalares. Política de fornecimento de serviços ("outsourcing”). Política do Medicamento e Farmácias. Política de fornecimento de equipamentos e consumíveis. Política de contratação de Quadros de Gestão Intermédia. Política de gestão de pessoal. Etc., etc., etc.. . . .
É esta Senhora Deputada da AR, do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, que opina e é proponente, sobre o que deve ou não deve ser feito, o que está ou não está aconselhado, o que os profissionais da saúde sentem e o que os doentes necessitam, quando sobre o acompanhamento dos doentes internados se pretende legislar…JN
Depois do Relatório doTribunal de Contas sobre a situação económico financeira do SNS, ter criticado as contas do SNS referentes ao ano de 2006, não há como “corrigir os critérios contabilísticos usados” e apresentar já antes do Natal, números que contrariam a tão criticada mas também a tão defendida actual gestão do SNS.
Não há como ter um bom Pai Natal...
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Segundo a ACSS, porque:
“os prejuízos dos hospitais de estatuto público administrativo (SPA) aumentaram 5000% no terceiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2006”, eenquanto “o número de hospitais de gestão empresarial com resultados líquidos positivos mais do que duplicou (de quatro para nove) neste período, embora apenas mais um tenha conseguido esse resultado em relação ao último semestre.”DN
Todos os dias, a formiga chegava cedinho à oficina e desatava a trabalhar. Produzia e era feliz.
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O gerente, o leão, estranhou que a formiga trabalhasse sem supervisão. Se ela produzia tanto sem supervisão, melhor o faria se supervisionada.
. Contratou uma barata, que tinha muita experiência como supervisora e fazia belíssimos relatórios.
. De seguida, a barata precisou de uma secretária para a ajudar a preparar os relatórios e contratou uma aranha que além do mais, organizava os arquivos e controlava as ligações telefónicas. O leão ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com índices de produção e análise de tendências, que eram mostrados em reuniões específicas para o efeito.
Foi então que a barata comprou um computador e uma impressora laser e admitiu a mosca para gerir o departamento de informática. A formiga de produtiva e feliz, passou a lamentar-se com todo aquele universo de papéis e reuniões que lhe consumiam o tempo!
O leão concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga operária trabalhava.
O cargo foi dado a uma cigarra, cuja primeira medida foi comprar uma carpete e uma cadeira ortopédica para o seu gabinete. A nova gestora, a cigarra, precisou ainda de computador e de uma assistente (que trouxe do seu anterior emprego) para a ajudar na preparação de um plano estratégico de optimização do trabalho e no controlo do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se mostrava mais enfadada.
Foi nessa altura que a cigarra, convenceu o gerente, o leão, da necessidade de fazer um estudo climático do ambiente.
Ao considerar as disponibilidades, o leão deu-se conta de que a Unidade em que a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico e sugerisse soluções.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e fez um extenso relatório, em vários volumes que concluía:
"Há muita gente nesta empresa".
Adivinhem quem o leão começou por despedir? A formiga, claro, porque "andava muito desmotivada e aborrecida".
Os personagens desta fábula são fictícios.
Qualquer semelhança com pessoas ou factos reais das ARS, IP, dos Hospitais, EPE e da Função Pública em geral, é pura coincidência.
Até porque, segundo Rui Raposo, Presidente do Hospital Fernando Fonseca (não EPE mas SA), "o problema do Serviço Nacional de Saúde não é a qualidade dos seus profissionais(formigas) mas asuagestão (cigarra)."
"Não vou enjeitar liminarmente que possa haver alguma responsabilidade dos profissionais de saúde na alta incidência de infecções hospitalares em alguns hospitais. Porém, é fundamental denunciar a incrível falta de condições para uma mais efectiva prevenção destas infecções, situação agravada pela cega determinação em colocar os hospitais a dar lucro, sem que se perceba muito bem o que isso quer dizer, não obstante os impressionantes cortes orçamentais.
Frequentemente, até o papel descartável para limpar as mãos já falta nos hospitais, o que obriga os profissionais de saúde a secar as mãos a toalhas que ficam rapidamente encharcadas e se transformam em verdadeiros meios de cultura e reprodução de bactérias, o que pode tornar ainda mais perigoso para os doentes o acto de lavar as mãos dos profissionais de saúde!
Esta é a indesmentível realidade actual.
Para prevenir as infecções deveria existir um lavatório adequado à entrada de cada enfermaria e quarto de hospital, mas não existe. Seria necessário existir uma embalagem com spray antisséptico acoplado à cama de cada doente, mas não existe. Seria necessário aprimorar a higiene e limpeza hospitalares, mas o ministro propõe-se despedir milhares de funcionários. Seria necessário restringir, controlar e educar os visitantes dos doentes, que também deveriam lavar as mãos, mas à hora das visitas os hospitais parecem verdadeiras feiras. Seria necessário que o papel descartável nunca acabasse, mas ele esgota! Etc., etc., etc.
Isto para já não falar das instalações envelhecidas, desadequadas e degradadas e da sobrelotação de camas (onde há três deveria haver apenas duas, onde há seis deveria haver apenas quatro…)."
"Centros de saúde com 40 ou 50 médicos é "um erro"
Noutra área, o palestrante teceu críticas "às grandes catedrais da Saúde”, ou seja, centros de saúde com 40 ou 50 médicos, que classificou como "um erro enorme e grave" que foi cometido no passado, resultado de uma cópia do "modelo concentracionista" dos hospitais."
O palestrante, não é alguém que critica o regresso ao “modelo concentracionista” dos Hospitais da década de 60 do século passado (autenticas catedrais da Saúde, cheias de ciência, detentoras exclusivas do ensino médico, pré e pós graduado, catastroficamente geridas) que localizadas nas grandes cidades periféricas do país pobre e atrasado da altura, obrigavam a que qualquer doente residente nas “saudáveis cidades” distantes do interior, para bem longe da sua família tivesse que ser deslocado, para nelas ser tratado da sua doença, houvesse vaga e chegasse lá ainda a tempo.
O palestrante, não é quem critica, a actual política de saúde Hospitalar do Ministério da Saúde, que com argumentos de defesa da qualidade, da experiência e da segurança dos doentes, concentra serviços Hospitalares e extingue outros, escondendo ou subvalorizando verdadeiros intentos economicistas na área da saúde.
O palestrante, não é quem critica o subaproveitamento dos profissionais da saúde nos grandes Hospitais e da capacidade física instalada, que “ocupados” com a desgastante e consumidora actividade nos Serviços de Urgência, “justificam” quadros médicos volumosíssimos, conduzindo a que nas restantes actividades andem a vaguear pelos corredores à procura de oportunidade para observar, tratar um doente ou afincada e por vezes desesperadamente a “lutar” para curriculum fazer.
O palestrante, não é que quem valoriza a importância que tiveram os Hospitais da periferia e interior do país, que nas últimas décadas abriram as suas portas à diferenciação técnico-científica no exercício da medicina com a colocação de dedicados, esforçados e interessados jovens profissionais, contribuindo assim, talvez modestamente, para o repovoamento do interior e para uma melhoria significativa dos níveis de saúde das populações locais.
O palestrante, não é quem defende os serviços clínicos da Unidade Hospitalar em que trabalha (recentemente constituída em Centro Hospitalar), reconhecidamente produtiva pela tutela ao longo dos seus 20 anos de existência e que pelo conceito “concentracionista” actualmente em voga, se prepara o seu progressivo esvaziamento até ao seu encerramento, com argumentos de falta de profissionais médicos.
O palestrante, não é quem critica a actual política de empresarialização dos Hospitais Públicos ou a sua criação ou reestruturação em ”parcerias público-privadas” em que o lucro é exigido e o princípio de “bem social” que deveria ter a “Saúde” é excluído da sua prática efectiva, exigindo para tal a concentração e o despovoamento dos serviços dos Hospitais mais pequenos que com eles estejam a competir.
O palestrante, não é quem critica a entrega da população, expurgada dos seus serviços assistenciais hospitalares, à cobiça de empresas privadas que com a ajuda do palestrante e dos seus seguidores convictos, lhes vão dando alimento para, com lucros avultados, “tratarem” da saúde dos seus co-cidadãos.