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terça-feira, dezembro 25, 2007

a tradição, o mito ou a realidade na defesa de direitos elementares



O Menino Jesus de Trás-os-Montes
Com cartola, traje de oficial de cavalaria e espada a tiracolo, o povo «baptizou-o» como Menino Jesus da Cartolinha
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Ainda hoje o mistério perdura.
Quem é, de onde veio e onde se meteu depois esse menino, desinquieto, irritado e enigmático, que comandou o povo de Miranda do Douro contra os invasores espanhóis nas guerras da Restauração? Que existiu, existiu - assegura a memória do povo ao longo das gerações. Mas quem era ele afinal?
Seria mesmo o Menino Jesus?

A tradição popular diz que sim. E hoje o "Menino Jesus da Cartolinha" impõe-se como um desses símbolos inapagáveis do imaginário transmontano. Um autêntico mito para os mirandeses.
Quem o quiser ver pode encontrá-lo na catedral de Miranda do Douro. Ali continua, imponente, com a sua elegante cartola, vestes de oficial de cavalaria, espada a tiracolo e uma condecoração ao peito. E com ele também um guarda-roupa invulgar, consoante as "modas" no rolar dos tempos: desde uma capa-de-honras mirandesa, fardas, coletes, chapéus de todos os estilos, meias e meiotes de lã, camisas de finos bordados, até um variado conjunto de botas e tamancos de pau. Tudo promessas de devotos que ali vão num ritual secular.

Quanto à cartola, ou "cartolinha" no uso do povo, poucos hoje saberão que se trata, afinal, de um adereço artificial. O menino, que começou por ser conhecido como o "Menino do Chapeuzinho", o que usava na origem era nada mais que um simples chapéu de palha. Ainda hoje é possível ver na cabeça - assegurou-nos fonte credível - umas minúsculas perfurações que demonstram que outrora o menino usou cabeleira, entretanto arrancada para lhe assentar a cartola.

Na verdade, segundo a lenda - e que vale o que todas as lendas valem -, no tempo das guerras da Restauração, Miranda do Douro esteve dias e dias cercada pelas tropas espanholas, ao ponto de, sem mantimentos nem munições para resistir, nada mais restar do que render-se definitivamente ao domínio invasor. E eis senão quando um menino de chapéu de palha, desconhecido, irrompeu pelas ruas gritando contra os espanhóis e apelando à revolta dos populares. Tal foi o bastante para que o povo ganhasse o alento que lhe faltava. Num ápice todos saíram à rua - uns com enxadas, ancinhos e forquilhas, outros com paus, cutelos e machados - unindo-se às tropas fragilizadas da restauração. E assim conseguiram afugentar e vencer os invasores. No final, o povo procurou o tal menino, travesso, refilão, o do chapeuzinho de palha. Queria louvá-lo. Vitoriá-lo. Mas quê? Onde estava? Quem era ele? Ninguém sabia. Tinha, pura e simplesmente, desaparecido.

O povo acreditou então que havia sido o Menino Jesus que ali caíra, por milagre, para salvar a cidade. E logo mandou esculpir a imagem que passou a ser venerada na catedral. Entretanto, uma jovem que, na mesma batalha, havia perdido o noivo, um oficial das tropas portuguesas, resolveu oferecer o traje militar ao menino. E daí nasceu a tradição da dádiva de roupas. Muitos anos depois, porque alguém achou que o chapéu de palha não condizia com a nobreza do traje, e tão-pouco com o "estatuto" de um comandante, colocaram-lhe então a cartolinha. E que bem que lhe fica!

(Artigo publicado no Jornal de Notícias, edição de 24 de Dezembro de 2000, transcrito de BragancaNet)

segunda-feira, novembro 05, 2007

apelo

"O grito"
Edvard Munch
Apelo
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"Este mail é enviado (se chegar ao destino) de uma pequena comunidade rural do Alto Alentejo - vila e concelho de Avis, a sede com cerca de 2 000 habitantes, para muitos dos quais a Internet é um meio de comunicação por excelência, quer nas suas vertentes de lazer, profissional ou de serviço público.
A grande empresa que é a Telepac, com o SAPO, desde início de Outubro que mantém o serviço de Internet inoperacional ou melhor com uma operacionalidade que poderá rondar os 10%. Não será por negligência, nem por incúria, mas por certo, por desrespeito para com o interior do país, onde apenas existem centenas de assinantes e não milhares ou milhões como nas grandes cidades.
O subscritor, que trocou a cidade pelo campo há mais de 25 anos, e todos os outros habitantes de Avis, têm com a Internet, a vida ao seu lado.
Por favor, ajude-nos a que este apelo chegue aos ouvidos dos administradores da TELEPAC e ultrapasse a barreira do Call Center, verdadeiro empecilho quando o problema é regional e não localizado na nossa mesa de trabalho.
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João Adélio Marinho Trocado Moreira (joao.adelio@mail.telepac.pt)
Médico de família e director do Centro de Saúde de Avis
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P.S.

Podem ser acrescentados subscritores, se o desejarem.

P.S.

O objectivo é reenviarem para toda a lista de contactos, sempre em Bcc para que os endereços de e-mail não sejam usados para fins obscuros."
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Este apelo, publicado pelo Médico Explica Medicina a Intelectuais, é o apelo que todos os que vivem afastados dos grandes centros deverão fazer e exigir, quando são despojados dos mais elementares direitos que ao Estado competiria garantir, sabendo que de outros, por de elementares aparentemente nada terem, jamais terão possibilidade de vir a usufruir.
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Apelo de todos estes cidadãos, assim como dos “outros”, exigindo o não ser permitido que, cidadãos iguais, pelo mesmo Estado, sejam tratados de maneira diferente, só pelo facto de os votos ou de os lucros económicos não justificarem “investimento” nas pessoas ou nas zonas onde residem.
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E não só da Internet estou a falar...
Internet que, através da PTComunicações e da Telepac, passou a ser-me “oferecida” desde Junho deste ano, sustentadamente, a uma velocidade inferior ao máximo duma ligação analógica. Isto a 6 Km da 3ª maior cidade do país, numa freguesia com menos de 200 eleitores…
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Se a procura do legítimo lucro é aceitável quando de empresas privadas se trata, destas mesmas empresas agora privadas (mas outrora públicas) a quem foi “oferecido” o concessionamento exclusivo do fornecimento de serviços (outrora públicos também), já menos aceitável se pode considerar.
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Mas quando o nosso Governo, como grande empresa pública que ainda é, procede de forma idêntica quando em sectores, “ainda com alguma exclusividade”, prestadores de serviços como os de saúde, de educação, de segurança, de justiça ou de administração publica, encerra serviços, reduz a sua diversidade de oferta ou os deslocaliza para zonas mais rentáveis em termos económicos…
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...que moral terá para exigir ou impor aos concessionários, por ele escolhidos, que tenham uma actuação diferente para com os cidadãos agora considerados seus “clientes forçados e certos” e já não cidadãos, como o são os da água e saneamento, da energia e electricidade, dos transportes e comunicações, e o mais que ainda virá… ?

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