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terça-feira, julho 29, 2008

a dedicação exclusiva dos médicos

In Público

"O Governo quer impor aos médicos dedicação exclusiva ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), sem possibilidade de opção por um regime de trabalho parcial com o privado."

"Bastonário considera inviável exclusividade dos médicos no serviço público"
Público

Porque há carência de médicos;
Porque é inconstitucional;
Porque é uma medida destrutiva do SNS;
Porque não é do interesse dos médicos e dos portugueses…

Não será acima de tudo, porque não dá jeito?
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sábado, maio 17, 2008

os aplausos de Pedro Nunes





“Portugal tem capacidade instalada para resolver o problema (oftalmologia), sem necessidade de recurso a países terceiros, desde que os serviços portugueses sejam devidamente financiados e organizados". Pedro Nunes

Se “Portugal tem capacidade instalada para resolver o problema” e se os serviços do SNS existem e são financiados para produzirem, porque não aponta Pedro Nunes o dedo para a necessidade da organização desses mesmos serviços públicos (SNS) por forma a produzirem, em tempo laboral normal, um “mínimo exigível” comparável com o que é produzido, pelos mesmos profissionais médicos, quando em serviços de saúde privados?

Porque fala Pedro Nunes no “financiamento devido” dos serviços portugueses e aplaude este programa que financia remuneratoriamente só alguns, quando muitos outros profissionais, não só médicos oftalmologistas mas também outros colegas também médicos, técnicos, enfermeiros, auxiliares, administrativos e até gestores, que de forma mais ou menos directa, mais ou menos indirecta, dão o seu contributo para que o doente, neste caso denominado de “cirúrgico”, seja tratado?

Porque aplaude Pedro Nunes, uma medida que penaliza os profissionais que cumprem no SNS o “mínimo exigido” e que protege e premeia quem, no mesmo SNS, “nada faz”, ou antes, tudo faz para perpetuar as listas de espera?

Porque Pedro Nunes bem sabe (e eu também) e publicamente o afirma, que medidas como esta (ditas de excepção, mas que tendem a perpetuar-se – ver PPA, PERLE, PECLEC e Produção Adicional-SIGIC), não vão resolver o problema.
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Pois claro.
O pugnar pelo reforço do SNS e pela dignificação das Carreiras Médicas, fica para outro Bastonário.
Para Pedro Nunes não!
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sábado, maio 03, 2008

carreiras médicas


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Se «pouco importa que o médico seja especialista ou chefe de serviço» link, então, porque não comprar Hospitais em supermercados? link

sábado, abril 19, 2008

palhaços e música



Ministra da Saúde está preocupada com a falta de médicos


Como legenda da foto que acompanha a
notícia, o jornalista escreveu:
“A ministra esteve presente na assinatura de um protocolo que nos próximos três anos vai permitir manter palhaços e músicos a animar os doentes nos hospitais”.



… mas a notícia desenvolve-se em torno das conhecidas e repetidas declarações de “preocupação” pela falta de médicos nos Hospitais Públicos.
Não se estranha tal preocupação porque duma realidade se trata, perspectivada que o era há já umas boas dezenas de anos.
O que é estranho é que tantos estudos já realizados, tantos grupos de trabalho e comissões já constituídas, tantos pareceres técnicos já emitidos sobre outros tantos temas ou assuntos referentes à saúde, ainda nenhum grupo de trabalho tenha sido constituído nem nenhum estudo tenha sido realizado por forma a que este ou qualquer outro Ministro da Saúde, à pergunta de quantos médicos faltam em Portugal, não continue repetidamente a responder “ser difícil de o dizer”.
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domingo, abril 13, 2008

carreiras médicas


«a saúde e a formação médica nos hospitais públicos não podem estar baseadas em assalariados a prazo», para os quais a «motivação será apenas ganhar mais dinheiro» Carlos Costa Almeida (TM)

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"há «hospitais privados a quererem investir na formação», ao mesmo tempo que hospitais públicos estão a «querer reduzir» essa função por causa dos custos." Rui Guimarães (TM)
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segunda-feira, março 31, 2008

as regras doentias do mercado

Preenchidas só dez das 115 vagas para médicos em unidades carenciadas do interior. Público
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Será com este valor hora-trabalho (11,88 €) que alguém consegue cativar o jovem profissional médico especialista, para em qualquer Hospital Público (EPE ou SPA, do interior ou dos grandes centros populacionais do país) dar inicio à sua actividade como sénior, quando, frequentes ameaças à extinção progressiva do sector público administrativo e a já crónica indefinição da necessária reestruturação das Carreiras Médicas se associam a propostas de regimes remuneratórios, “oferecidos” por Hospitais EPE, que podem atingir os 50 €/hora?

Que as diferentes empresas do sector privado da saúde o decidam fazer (porque a livre concorrência do mercado assim o permite), estão no seu direito. Mas que a mesma entidade empregadora (o Estado) o faça desta forma, quantas vezes especulativa e doentiamente concorrencional com o próprio sector público, criando gritantes disparidades remuneratórias dentro do mesmo grupo profissional e do mesmo Serviço, com competências e experiência profissional bem diferentes, é inadmissível.
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segunda-feira, março 03, 2008

o dedo na ferida


À atenção da futura discussão do diploma das carreira médicas, da Ordem dos Médicos e do Ministério da Saúde:


"...com áreas de tratamento de doentes emergentes (felizmente) cada vez mais organizadas, e com áreas de tratamento de doentes urgentes cada vez mais desorganizadas, com profissionais tantas vezes sem diferenciação, e outras tantas sem vínculo, fazendo o que a maior parte dos médicos não aceita fazer e fazendo muitas vezes menos bem. Na verdade, é neste local (crítico) que se joga o sucesso organizativo de um serviço de Urgência. É aqui, por exemplo, que escapam os diagnósticos menos evidentes ou que se dão as altas que vão condicionar maior número de reinternamentos."


Proposta:


"Por um lado, uma aposta clara no internista como gestor do doente internado, por outro, uma aposta igualmente clara no urgencista como gestor do doente do serviço de Urgência. Seremos, assim, capazes de melhorar os cuidados prestados quer num lado quer no outro, e significa que estamos a pensar a Saúde de uma forma centrada no utente, condição absolutamente necessária para que existam verdadeiros ganhos." link
Dr. Nelson Pereira, Ex-director clínico do INEM in TM
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Poderá ser assim?
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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

carreiras médicas


Passados e "enterrados" que foram há muito, com o diploma das Carreiras Médicas, os conceitos individualistas do acto médico e com elas se garantiu a qualidade dos serviços de saúde ao longo destes anos; numa altura em que “resistência” e “desinteresse” se manifestam, por parte dos órgãos do poder, dos profissionais médicos e de algumas das suas associações de classe, em ser iniciado o processo de revisão do já velhinho DL 73/90, este artigo de opinião, escrito por Mário Jorge Neves, é um importante contributo para a definição ideológica de como devem ser entendidos, nos dias de hoje, o trabalho médico e a gestão dos serviços de saúde, a produtividade médica e a qualificação dos recursos humanos, enquadrados numa mudança organizacional destes mesmos serviços que urge ser “reinventada” e instituída, decorridos que foram já 18 anos da última revisão.


As carreiras médicas como garantia da qualidade dos serviços de Saúde
Artigo de Mário Jorge Neves*

Perante a proximidade do processo negocial de revisão do diploma das carreiras médicas (Dec.-Lei 73/90), tendo em conta as novas disposições da lei geral da revisão de carreiras, vínculos e remunerações da administração pública, torna-se indispensável desenvolver todos os esforços reivindicativos e negociais na salvaguarda da sua matriz identificadora, procurando torná-las mais adequadas às novas realidades e aos novos desafios que se colocam à organização do trabalho médico.

Importa, desde já, ter bem presente que a defesa das carreiras médicas implica a sua adequação à evolução da realidade envolvente e a recusa de perspectivas de abordagem que as concebam como um «edifício» cristalizado e imutável, o que se traduziria, inevitavelmente, no seu definhamento irreversível e completa destruição.

As carreiras médicas, independentemente da forma como foram sendo geridas ao longo dos anos e das suas naturais limitações, têm constituído um instrumento decisivo para a garantia da qualidade do exercício profissional e, como consequência, para a melhoria contínua da qualidade da prestação dos cuidados de saúde.

Em termos do contexto geral, importa ter em conta que o sector da Saúde apresenta múltiplas particularidades que o tornam uma realidade complexa, onde as soluções dos problemas não são susceptíveis de generalizações ou de importações de outros sectores de actividade.
Os serviços de Saúde apresentam características que os colocam numa situação diferenciada e com alguns atributos de excepção, nomeadamente: geram produtos não materiais; não podem ser armazenados ou transportados; não são, ou são pouco, susceptíveis de racionalidade técnica; e a sua produtividade é de difícil medida.

Embora tenhamos assistido a insistentes esforços que vários sectores políticos e económicos têm desenvolvido para transportar modelos de gestão da indústria para o sector da Saúde, a experiência mostra a completa falência dessas medidas.
As dificuldades daí decorrentes são amplamente conhecidas e consistem, no essencial, no facto de os cuidados de saúde serem perecíveis, de haver a intervenção directa do doente no processo da prestação, na simultaneidade entre a prestação e o consumo, e na dificuldade de padronização e do controlo da qualidade.

Diversas abordagens técnicas têm considerado que os serviços de saúde se prestam pouco à mecanização e colocam a tónica na optimização dos recursos com vista a aumentar a produtividade e na melhoria da organização do processo do trabalho.
Não obstante existirem algumas semelhanças com o sector produtivo no que se refere à organização do processo do trabalho, a incorporação tecnológica na Saúde não produz economia da força de trabalho, mas, pelo contrário, passa a solicitar novas ocupações, configurando o sector da Saúde como de mão-de-obra intensiva.
Por outro lado, a decomposição do trabalho em tarefas parciais torna-se a característica fundamental na produção em Saúde.
Assim, a divisão do trabalho na Saúde apresenta as seguintes particularidades:
— Horizontalidade na articulação dos vários serviços;
— Trabalho dividido entre médicos e outros sectores profissionais;
— Verticalidade, que subdivide o trabalho dentro de uma unidade de produção, integrando tarefas hierarquizadas no mesmo campo técnico.
No caso concreto de um hospital, verificamos que a produção de serviços é composta por actividades complexas, muito diversificadas, onde vários estratos profissionais com formações técnicas muito diferentes se movimentam em torno dos doentes.

Existem autores, como Chillingerian e Sherman, que conceptualizaram o processo de produção na Saúde, considerando que o médico, face ao seu doente, constitui uma «firma virtual temporária» para o tratar.

O trabalho na Saúde abandonou o âmbito individual e passou a processar-se na base de equipas, reunindo um universo crescente de trabalhadores que produzem em cooperação.

De tudo isto, emerge a questão da produtividade na Saúde e a forma rigorosa como deve ser abordada.
A produtividade neste sector, dadas as suas características particulares, dificilmente pode ser medida como um todo, tornando difícil a procura de soluções para efectuar a desagregação de todas as actividades.
Recorrendo a uma simplificação conceptual, poder-se-á definir a produtividade nos serviços de saúde como a razão entre os serviços prestados e o número de funcionários e equipamentos utilizados.
A produtividade não pode, deste modo, ser discutida isoladamente, mas no contexto do desenvolvimento da Saúde e dos recursos humanos, e deve estar relacionada com os custos, as metas e os resultados, tendo em conta o trabalho produzido e a sua finalidade.
A produtividade em Saúde agrega, além dos aspectos quantitativos, aspectos qualitativos que envolvem as dimensões individuais, as dimensões de um determinado grupo populacional e o seu contexto ao longo do tempo.
Por exemplo, determinadas acções preventivas só podem ser avaliadas pelo controlo da incidência de doenças ou de complicações relativas a certos quadros clínicos, após períodos prolongados de observação.
Nos serviços de saúde, o próprio conceito de produto pode ser de difícil definição, dado que a actividade comporta diversificados processos de trabalho que incluem, simultaneamente, acções que podem permitir uma padronização e outras em que isso é muito difícil de estabelecer.
Na actividade médica, por exemplo, e ao contrário das cadeias de produção, não é possível garantir que todos os procedimentos técnicos sejam repetidos sempre da mesma maneira e com o mesmo tempo de duração.

É absolutamente evidente que os serviços de saúde só podem cumprir os seus objectivos se possuírem recursos humanos adequadamente qualificados.
Para muitos «gestores» que tem pululado no sector da Saúde, o verdadeiro problema com que se confrontaram, ou confrontam, é que não conseguem inventar serviços que funcionem sem recursos humanos.
Se isso fosse possível, estes «gestores» conseguiriam resolver todos os problemas e apresentar resultados francamente positivos da sua acção.
Mas a questão decisiva e incontornável é que os recursos humanos são a componente crítica de uma organização, sem a qual não podem realizar-se as tarefas e os objectivos que lhe são inerentes.
Embora todos tenhamos já lido abundantes referências bibliográficas que consideram os recursos humanos como o património mais valioso de uma organização, a experiência quotidiana mostra que este património é sistematicamente vilipendiado e alvo de medidas desestabilizadoras que visam, muitas vezes, disfarçar a incompetência dos gestores e as suas incorrectas opções de organização do trabalho.

As organizações são constituídas por pessoas que desempenham actividades organizadas, em situações concretas e dentro de um contexto determinado.
Sem uma adequada gestão dos recursos humanos da Saúde, sem profissionais motivados, participativos e envolvidos nos objectivos de cada instituição, não é possível atingir desempenhos globais que solucionem os problemas de saúde dos cidadãos. E com recursos humanos desestabilizados por medidas lesivas dos seus direitos e interesses, qualquer tentativa de reforma está irremediavelmente condenada ao fracasso.
Os profissionais de saúde não são simples factores de produção, mas seres vivos que sentem, que pensam e que querem obter a justa satisfação e recompensa pelo seu trabalho.
Não temos qualquer dúvida em afirmar que uma instituição de saúde que não trata bem os seus recursos humanos, também não consegue tratar bem os doentes.

Neste sector, em que os ritmos da evolução do conhecimento científico e técnico se processam em graus elevados, impondo uma contínua actualização formativa, a precarização e a indiferenciação profissional assumem uma acrescida gravidade. É uma actividade que tem como objectivo supremo tratar os doentes e salvar vidas humanas, e onde essa indiferenciação conduz a um substancial aumento do grau de probabilidade de estabelecimento de diagnósticos errados com todas as suas dramáticas implicações.
Mesmo numa perspectiva economicista, está amplamente demonstrado na bibliografia internacional que a inadequada formação técnico-científica se traduz em custos muito elevados a nível de meios complementares de diagnóstico e de consumo de medicamentos.

Como prolongamento lógico e incontornável dos recursos humanos, colocam-se múltiplas questões a nível da mudança organizacional e da gestão dos serviços de saúde.
Nestes serviços, as coordenadas de todo o processo de melhoria e de revitalização deverão orientar-se para a desconcentração organizativa e funcional e para a procura de soluções eficientes, mediante fórmulas inovadoras de gestão.
A inovação só pode ser alcançada quando são estimuladas a formação e aprendizagem contínuas, sendo certo que a ausência de inovação é uma das razões principais da decadência das organizações.
Assim, existe a necessidade de integrar tarefas, de coordenar actividades, de redefinir a estrutura e a organização do trabalho e de tomar decisões estratégicas para que os fluxos de valor mais crítico se aproximem, de forma mais eficaz, das necessidades da organização no cumprimento dos seus objectivos institucionais e sociais.

É um dado inquestionável que o sector da Saúde tem sido objecto, durante as últimas décadas, de uma permanente revolução tecnológica com a introdução sucessiva de novos e cada vez mais sofisticados meios técnicos, bem como um desenvolvimento contínuo do conhecimento científico a nível diagnóstico e terapêutico.
Como a experiência histórica demonstra, de forma clara e objectiva, todas as revoluções tecnológicas determinaram sempre uma mudança radical nos modos de organização da produção e do trabalho.
No caso concreto do nosso país, estes modos de organização mantêm-se quase intactos há várias dezenas de anos, contrariando as imperiosas necessidades de acompanhamento das novas realidades e das novas exigências de respostas na prestação dos cuidados de saúde.

Apesar de estes aspectos serem amplamente conhecidos, aquilo a que temos assistido é à ausência de quaisquer medidas de reestruturação organizativa e à focalização exclusiva dos esforços do poder político na alteração do estatuto jurídico, cujos objectivos reais só podem dirigir-se no sentido de criar condições para a posterior privatização dos serviços públicos de saúde, particularmente no que se refere aos hospitais.

Neste contexto geral, as próximas negociações constituem um processo de nuclear importância para a generalidade dos médicos, mesmo para aqueles que já se encontram no topo das carreiras, dado que ninguém deixará de ser abrangido pelas futuras disposições.

Aqueles que anteriormente justificavam a sua indisponibilidade em participar em acções reivindicativas considerando que estavam inseridos há largos anos nas carreiras e que, fruto de direitos adquiridos, as medidas lesivas não os atingiriam, já compreenderam, com as alterações penalizadoras ao enquadramento das reformas e à perda de vínculo público previsto na nova legislação aprovada na Assembleia da República, que esses direitos são uma miragem que se esfumará no momento em que um qualquer governo decida alterar os respectivos diplomas.

Para os colegas mais novos que se encontram com contratos individuais e impossibilitados de qualquer progressão profissional, existe já a garantia de no futuro diploma ficarem inseridos nas carreiras, fruto das disposições existentes na referida lei da Assembleia da República, conseguidas devido ao empenhamento reivindicativo e negocial das frentes sindicais da administração pública.

Para que as carreiras médicas sejam preservadas e revalorizadas no futuro diploma é indispensável que a generalidade dos médicos não esteja alheada do curso do processo negocial e se disponha a ter um papel activo na influenciação dos seus resultados concretos.

*Presidente da Federação Nacional dos Médicos (FMAM)
TEMPO MEDICINA 1.º CADERNO de 2008.02.18
0812791C26108JMA05C
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sábado, fevereiro 09, 2008

os incentivos, os Hospitais Públicos e as Carreiras Médicas


Sobre um assunto que as Carreiras Médicas, como garante da qualidade técnico-científica, deverão “legislar”, por se tratar de assunto actual e do futuro…


Um testemunho:

"Não integrando, presentemente, por questões institucionais que me ultrapassaram, a equipa de transplantação hepática dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), o facto de ter participado em cerca de 10% dos transplantes ali efectuados permite-me ter uma opinião algo fundamentada acerca do que tem vindo a passar-se, sendo que já por diversas vezes, noutros locais e perante outras entidades, expressei a minha preocupação pela forma como estava a ser desenvolvido aquele programa..." Dr.Carlos Alberto Godinho C. Mesquita


e uma opinião:

"Começo por chamar a atenção para um primeiro aspecto particularmente negativo: uma forma de estar e actuar num hospital público à margem de tudo o que é normal no âmbito da carreira hospitalar, traduzida, em última análise, por uma sistemática exclusão da generalidade dos internos de Cirurgia e dos cirurgiões mais novos, quando o desejável seria, precisamente, o contrário, até porque a idade média do grupo de colegas que integra a equipa ronda os 55 anos e até já foi mais elevada.

Não posso, em segundo lugar, deixar de concordar com os que consideram estar a causa de tudo isto nos chamados incentivos à transplantação, que não andarão longe dos cinco milhões de contos em 15 anos, distribuídos com base no princípio do pagamento por acto e de acordo com critérios que sempre escaparam ao conhecimento do comum dos mortais.

Não me parece que algo justifique, hoje em dia, num hospital público e face à grave situação que o País atravessa, que os transplantes continuem a ser pretexto para pagar a um pequeno grupo de forma principesca e milionária." Dr.Carlos Alberto Godinho C. Mesquita


quinta-feira, outubro 18, 2007

Carreiras Médicas e o Serviço Nacional de Saúde (II)


Retirei do TempoMedicina este artigo do colega Dr.Jaime Teixeira Mendes, candidato a presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, onde sob a forma de declaração de intenções e de forma bem clara, expõe o seu pensamento relativamente à importância das Carreiras Médicas como garante duma formação médica de qualidade, que proteja a sua continuidade ao longo do exercício profissional da medicina, que valorizem e controlem premanentemente o acto médico e assim contribuam para uma maior qualidade assistencial médica, no ambito do SNS e da medicina privada.

"A Lei do Serviço Nacional de Saúde, aprovada na Assembleia da República a 16 de Maio de 1978, concretizou o direito universal, geral e gratuito à saúde. Este acto, da maior importância para todos os portugueses, sem excepção, compreende todos os cuidados médicos: promoção da saúde, prevenção da doença, tratamento e reabilitação.

Em 1993, o SNS é alterado pelo Dec.-Lei n.º 11/93, continuando a ser universal e a garantir a prestação de cuidados globais, mas agora tendencialmente gratuito.
O fim da gratuitidade universal abriu caminho à introdução de novos sistemas de financiamento e à coabitação entre o público e o privado.

O aparecimento das taxas moderadoras, a gestão de hospitais em parcerias público/privado, o partenariado favorecendo mais o privado do que o público, associado a uma má gestão da maioria das administrações hospitalares, dirigidas por técnicos vindos de áreas que nada tinham a ver com a Saúde, levaram ao descrédito dos hospitais públicos e dos seus profissionais.

As consequências não se fazem esperar, levando a que muitos profissionais dos serviços públicos de saúde desmotivados, mal pagos e sem nenhum estímulo profissional, caíssem no absentismo, laxismo, individualismo e numa actividade privada extra-hospitalar desregrada.
O negócio da saúde passou a interessar os grandes grupos financeiros, bancos e companhias de seguros. Os cuidados diferenciados de saúde são caros e a maioria dos portugueses não está coberta pelos seguros privados.

Neste contexto, tudo se conjuga para que seja dada aos privados uma «ajuda»: praticando convenções com o Estado (ADSE, …) e criando a oferta de uma mão-de-obra barata de profissionais de saúde. Assim, de uma assentada procede-se à destruição das carreiras médicas e dos contratos colectivos de trabalho, reduzindo os quadros dos hospitais públicos e estimulando a saída de especialistas.

As instituições privadas de saúde têm um papel importante nos sistemas de Saúde, assim como a Medicina liberal. No entanto, devem existir regras claras de separação do público e do privado, para que os vícios criados ao longo dos anos de parasitismo do sistema de Saúde público pelos privados não se perpetuem.

As últimas direcções da Ordem não têm sido capazes de se opor eficazmente, nem de alertar os médicos para estes perigos.

Quando o candidato a bastonário, prof. doutor Carlos Silva Santos, me colocou o desafio de me candidatar à presidência do Conselho Regional do Sul, senti o dever cívico e moral de travar este combate na defesa do SNS constitucional, das carreiras médicas e dos hospitais públicos.
A equipa que comigo se candidata ao Conselho Regional do Sul tem bastantes provas dadas na defesa destes princípios.

A defesa das carreiras médicas é hoje o objectivo principal a preservar na defesa do Serviço Nacional de Saúde e da saúde da população.

Sem carreiras médicas não há formação, sem bons profissionais não há serviços de saúde que respondam às necessidades das populações.

Um médico demora muito tempo a formar e para isso precisa, em primeiro lugar, de bons formadores e boas condições de trabalho. No caso de um cirurgião, por exemplo, é internacionalmente aceite que demora, no mínimo, 10 anos a formar.
Os jovens médicos têm de ser ouvidos na Ordem e poder manifestar as suas preocupações. A instituição tem de se reorganizar, de molde a que eles possam neste processo desempenhar plenamente o seu papel.
Os colégios da especialidade (alguns em assembleia geral) já apresentaram, no passado, os programas de formação do internato que estão aprovados e a ser cumpridos na maioria dos serviços.

Contudo, a formação é um processo dinâmico e muitas queixas surgem, quer na capacidade dos serviços para essa função quer nos critérios de avaliação no exame final do internato.
Por outro lado, a tutela dificulta e impede a mobilidade inter-hospitalar a nível nacional e não apoia os estágios no exterior.
A actividade científica e a investigação clínica são muitas vezes desprezadas durante o internato.

A única preocupação reside em preencher as escalas de banco.

Mas as maiores apreensões dos jovens médicos surgem com a formação, depois de realizado o exame final de internato, porque o futuro será, para a maioria, a saída abrupta dos serviços hospitalares.

O estado da arte exige hoje uma formação contínua com avaliação de desempenho ao longo da vida profissional.

A Ordem dos Médicos, como parte integrante do SNS, tem a importante tarefa de atribuir a idoneidade aos serviços, públicos e privados, e da formação médica pré e pós-graduada.

Caso contrário, outras entidades a irão substituir… "

Dr. Jaime Teixeira Mendes
Candidato a Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos
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sexta-feira, outubro 12, 2007

Carreiras Médicas e o Serviço Nacional de Saúde


Quando em Maio/Junho deste ano o Bastonário da Ordem dos Médicos propôs às Direcções da FNAM e do SIM o início da realização de encontros para análise e discussão das Carreiras Médicas, esta proposta encontrou uma recusa por parte do Sindicato Independente dos Médicos que foi aqui por mim foi ironizada.

Saúdo hoje, passado o tempo de descanso estival, a mudança de posição dos dirigentes do SIM que se disponibilizaram para com a Ordem dos Médicos e a FNAM criarem sinergias de pontos de vista na defesa dum assunto que a todos os médicos em particular (públicos, privados e de ambos os sectores) e a todos os cidadãos em geral diz respeito, já que está em causa a garantia da continuação do exercício duma Medicina com qualidade que urge manter.

Estas palavras ditas:

«Embora respeitando a individualidade de cada estrutura, tenho a certeza de que a linguagem dos médicos será uniforme», afirmou. Carlos Arroz
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«Tudo aquilo que puder contribuir para o consenso entre os médicos é muito bem-vindo e saudado» Mário Jorge Neves
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«Houve uma consonância de posições muito significativa com o SIM, como aliás já havia com a Fnam» Pedro Nunes

«As Carreira Médicas não acabaram, há é uma situação nova. A política de recursos humanos do Governo basicamente assenta no fim dos vínculos e é preciso encontrar uma solução. Se o Governo, que tem maioria absoluta, decidiu assim, vai ser difícil reverter esta situação, que já existe hoje. Contudo, admito que é possível manter a estrutura das carreiras mesmo num quadro contratual diferente, isso já existe noutros países. As carreiras são a garantia, para os portugueses, de que os profissionais têm a formação devida. Acho que elas têm tanto mérito que dificilmente serão postas em causa, mesmo que seja necessário adaptá-las a um quadro em que o vínculo profissional seja de outra natureza.» João Semedo

«Temo um pouco pelo futuro das carreiras médicas, embora ache que é imprescindível que continuem. Mesmo com os contratos individuais, nos hospitais EPE, as carreiras podem manter-se. Mas é verdade que num hospital privado o patrão pode nomear o médico que quiser e é a subversão das carreiras. Depende da vontade que houver e acho que o Ministério da Saúde deve ter grande atenção e não permitir desvios das carreiras, que são a trave mestra do SNS. Deixar adulterar as carreiras médicas é um mau caminho para a qualidade da Medicina. Embora as carreiras tenham sido subvertidas, na prática, pelo tipo de concursos, pelos critérios de avaliação, em que houve uma subversão do aspecto clínico pela parte administrativa. Mas isso é fácil de corrigir.» Santana Maia

são palavras que gosto de ouvir já que indiciam a forte possibilidade de serem alcançados significativos pontos de convergência.

Colocados à parte interesses corporativistas ou político/ideológicos, só espero por parte do poder político a mesma seriedade e vontade em dignificar a actividade médica em Portugal por forma a garantir à população uma medicina de qualidade ainda melhor da que actualmente vem sendo praticada no âmbito dum Serviço Nacional de Saúde, nos dias de hoje alvo de tantas críticas, de adulteração dos seus princípios fundamentais e de reformas duvidosas quanto às suas consequências futuras.

O debate parece estar aberto …
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