segunda-feira, novembro 20, 2006

governo regional dos Açores transforma hospitais em EPE


"O Governo Regional dos Açores decidiu transformar em Entidades Públicas Empresariais (EPE) os três hospitais do arquipélago. A medida visa a introdução de critérios de gestão empresarial na administração das três principais unidades de saúde regionais. O objectivo é reduzir o défice e a sub-orçamentação no sector, que actualmente se cifra em cerca de 40 milhões de euros."

É esta a notícia do DN de hoje.

Pelos vistos o défice orçamental estaria a ser causado por administrações compostas por elementos do corpo clínico dos Hospitais de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta e para resolver o problema, o Governo Regional (que até não é do PSD) decidiu entregar a gestão das EPE a profissionais com formação naquela área.

Diz a notícia também, existirem outras medidas, para além desta, para combater o défice como:

. a emissão de “facturas amigáveis” (só para dar a conhecer ao “cliente” o que o SNS gastou com o seu tratamento),
. a introdução de taxas moderadoras, como aqui no Continente,
. a melhoria da gestão através dum Sistema de Informação da Saúde já adjudicado à empresa multinacional “INDRA” e que representa um investimento de 4,4 milhões de Euros,
. e mais não diz a notícia… mas deve haver mais medidas.

Tal como cá, apesar dos benefícios e ajudas recebidas pela insularidade, também o SNS dos Açores está doente.

E como as doenças são as mesmas… o tratamento proposto é o mesmo.

Boa Saúde, Açores.

E se resultar, avisem o pessoal do Continente.
P.S. Será que o post publicado ontem por SaudeSA, "Hospital c/Coquepite" , deu a ideia?

sobre as alterações ao DL 73/90


FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS

COMUNICADO
CONCLUÍDAS AS NEGOCIAÇÕES COM O MINISTÉRIO DA SAÚDE SOBRE AS ALTERAÇÕES PONTUAIS AO DL 73/90.

Na sequência do processo negocial desencadeado pelo Ministério da Saúde, foram concluídas as negociações, a 17/11/2006, com um resultado global bastante positivo, sendo possível afirmar que as carreiras médicas foram adequadamente salvaguardadas e que a essência do decreto-lei revogado (DL 92/2001) sobre o pagamento do trabalho extraordinário prestado na urgência volta a estar em vigor para parte do universo do número de horas deste tipo de trabalho.
A comparação entre a 1ª versão deste projecto ministerial e o texto final acordado permite verificar as seguintes questões fundamentais:
1- O projecto ministerial apresentou uma redacção sobre a concessão do regime de dedicação exclusiva em que os órgãos de gestão dispunham de poderes arbitrários, sem cumprimento de prazos, sem fundamentação das decisões, limitando-se a referir que seriam aprovadas “ de acordo com as necessidades dos serviços”.
O texto acordado mantém o prazo de 60 dias para a emissão da decisão, esta tem de ser “objectivamente fundamentada” e publicitada, bem como foram mantidos os 2 requisitos anteriormente estabelecidos no DL 412/99.

2- A inclusão de um pedido de dispensa do trabalho extraordinário para os médicos do regime das 35 horas, como suposta compensação pela revogação do DL 92/2001, foi objecto de intensa discussão, dado que as excepções previstas o anulam completamente.
A FNAM continuou a insistir na absoluta necessidade em manter o pagamento do mesmo valor/hora do trabalho extraordinário na urgência, na base das 42 horas semanais, independentemente do regime de trabalho.
Esta matéria manteve-se em discussão até á apresentação da última versão do projecto, tendo a FNAM apresentado várias propostas, incluindo a própria reentrada em vigor do DL 92/2001.
Face á insistência da FNAM na discussão deste assunto, foi encontrada uma solução de compromisso negocial, na base do pagamento das primeiras 7 horas, para os colegas do regime das 35 horas semanais, pelo valor/hora do seu respectivo regime de trabalho e de todas as horas extraordinárias seguintes pelo regime das 42 horas semanais.
A FNAM, na última reunião, ainda insistiu na contraproposta de o pagamento pela tabela máxima se processar a partir das 40 horas.
Esta discordância ficou registada na acta final das negociações
Simultaneamente, a delegação ministerial acabou por aceitar a exigência da FNAM em desencadear, dentro de algumas semanas, a discussão sobre o reconhecimento do serviço de urgência como serviço especial, sujeito a um acrescido desgaste e penosidade, e dotado de um enquadramento remuneratório específico.

3- Na carreira de clínica geral/medicina familiar a modalidade de pagamento do trabalho extraordinário referida anteriormente deixa de estar ligada somente ao trabalho de urgência ( SAPs, CATUS, etc..).
No caso dos colegas do regime das 35 horas semanais, todo o trabalho extraordinário, a partir da 7ª hora, é abrangido pela modalidade de pagamento das 42 horas semanais, tendo em conta a prioridade dada ao horário programado de funcionamento dos Centros de Saúde.
Nos Centros de Saúde onde funcionam SAPs ou serviços idênticos com outras designações, aplicam-se as mesmas regras remuneratórias do trabalho extraordinário previstas para a carreira hospitalar.

4- Na carreira hospitalar, o projecto inicial propunha que as 12 horas semanais de trabalho normal na urgência fossem convertidas em 24 horas de prevenção “ por conveniência de serviço”.
Por outro lado, tinha eliminado a designação de “ período semanal máximo “ quanto a estas 12 horas de trabalho normal, o que permitiria aos órgãos de gestão a arbitrariedade de poder afectar o número de horas semanais que entendessem ao serviço de urgência.
O texto acordado estabelece a manutenção do prévio acordo do médico para que se efectue esta conversão, bem como garante que também se mantenha o período máximo semanal de 12 horas de trabalho normal na urgência.

5- No projecto inicial, tinha sido eliminada a referência expressa ao período semanal máximo de 12 horas de trabalho extraordinário na urgência.
O texto acordado salvaguarda este período semanal máximo.

6- No projecto inicial, os médicos podiam ser obrigados a prestar trabalho extraordinário na urgência em outros estabelecimentos diferentes daquele onde estão colocados, sem qualquer referência a pagamentos de despesas de deslocação e alojamento.
No texto acordado, a prestação deste trabalho depende do acordo do médico e implica o pagamento das referidas despesas.

7- O projecto inicial possuía um ponto onde era prevista expressamente “ a criação de equipas cujo horário de trabalho semanal seja afecto total ou parcialmente ao serviço de urgência”.
No texto acordado este ponto foi eliminado.

Tendo em conta as questões referidas, consideramos que o balanço global deste processo negocial é claramente positivo e demonstra um enorme empenhamento negocial da FNAM na procura de soluções quanto á firme defesa das carreiras médicas.
Relativamente á questão do modelo de pagamento do trabalho extraordinário prestado na urgência, embora tenha sido encontrada uma solução de compromisso negocial, importa sublinhar que se trata de um assinalável êxito conseguir que um diploma revogado, há cerca de 3 meses, por decisão do Conselho de Ministros seja retomado parcialmente na sequência das insistentes e firmes propostas apresentadas pela FNAM.
Aproveitamos para chamar á atenção dos colegas que no princípio do próximo ano irá ser aberto pelo Ministério da Saúde um novo processo negocial em torno da revisão global do actual diploma das carreiras médicas.
Assim, a FNAM irá realizar iniciativas de discussão sobre esta matéria com todos os colegas interessados, tornando-se indispensável uma crescente mobilização em defesa das nossas carreiras.
A mobilização reivindicativa dos médicos irá demonstrar, mais uma vez, que qualquer reforma e melhoria dos serviços públicos de saúde só é possível de concretizar se tiver a participação e o apoio dos respectivos profissionais.
20/11/2006
A Comissão Executiva da FNAM

domingo, novembro 19, 2006

Congresso Nacional dos Hospitais


Francisco Ramos , Secretário de Estado da Saúde, na sessão de abertura do Congresso Nacional dos Hospitais abordou duma forma muito pragmática as preocupações e os objectivos do seu Ministério em relação ao SNS .
Um SNS com muitos "espinhos" mas também com muitas "rosas" propostas umas e já em desenvolvimento outras, para o tornar mais apelativo.

Mas no meio de tantas rosas e espinhos, ficou-me esta rosa com este espinho:
Afirma querer dar aos portugueses o garante da "defesa e o reforço de um sistema de saúde de acesso universal, sustentável no futuro e que garanta maior justiça social" e querer gerir "o equilíbrio orçamental dos hospitais pelo lado da despesa" ( o que se aplaude) mas nada é dito sobre o porquê das recém criadas taxas moderadoras e o agravamento das existentes e se isto também não é gerir pelo lado da receita/doente;

E este espinho com esta rosa:
Nada disse sobre o papel da iniciativa privada e a sua articulação com o SNS mas afirma querer o seu Ministério dar a importância devida à Rede de Cuidados Continuados, aos Cuidados Primários de Saúde com o investimento nas USF, às Vias Verdes, etc.

Antes pelo contrário, até parece que não lhe pretende dar assim tanta importância, já que é intenção "rever o modelo das parcerias público-privado" e "clarificar as ambiguidades que o anterior estatuto de SA (Sociedade Anónima) permitia sobre a eventual privatização dos hospitais".

Bem sei que falava para Administradores Hospitalares e abordava a problemática dos Hospitais Públicos mas enquanto representante de CC que não pôde estar presente (o que se estranha), ficava-lhe bem falar também sobre a importância (ou não importância) do sector privado. E não o fez...

Terá sido esquecimento ou propositado?

Fica talvez para outro Congresso...

Que nome lhe dar?

Aceitam-se propostas.

menos de 1000 mortos na estrada em 2006?

Ano de 2006 poderá ser o primeiro a registar menos de mil mortos na estrada
Comemora-se hoje mais um “Dia Mundial em Memória das Vítimas das Estradas
É de se ficar contente com esta notícia hoje publicada no PÚBLICO

Este ano (até dia 12 de Novembro), os acidentes de viação provocaram 708 mortos. Como a média de vítimas mortais por mês variou entre 60 e 88, é provável que o total anual não chegue às mil vítimas, o que será a primeira vez em Portugal desde que se produz estatística de sinistralidade (1975)

Vários factores foram apontados por Luís Escudeiro, da Associação Nacional de Segurança e Socorro Rodoviário como contributivos para esta redução:
A mediatização do tema da sinistralidade, as melhorias das estradas, o comportamento dos condutores, o fim da IP5 e não tanto a diminuição do numero de condutores…

Mas qual o papel que está a ter o INEM e as VMER na contribuição para a redução do número de mortos nas estradas?
Seria importante, que o INEM pudesse dar a conhecer dados relativos à mortalidade/morbilidade dos sinistrados por eles transportados aos serviços assistenciais já que se verifica pelos dados estatísticos do INEM ter sido a partir do ano de 2000 que este Instituto teve um maior incremento de equipamento, de actividade e formação.

Por certo que contribuíram também para a redução da mortalidade rodoviária e é neste campo que se vê de grande importância o seu reforço e implementação em todo o país.

Mas exige-se do INEM uma melhor articulação com o Serviço Nacional de Bombeiros (em termos de formação e de actuação), uma melhor coordenação interna, uma melhor definição de critérios e do local de actuação (em função dos meios disponíveis e da distância/tempo do local de socorro) e não menos importante, um melhor esclarecimento da população de “O que é e para que serve o INEM”. E agora ainda mais, quando se discute a "nova rede de Serviços de Urgência" nacional.

sábado, novembro 18, 2006

grandes unidades Hospitalares? Que futuro?


Segundo o enfermeiro-director do Hospital S.Teotónio, de Viseu, neste Hospital foi instalado um sistema de segurança único na Europa para todos os bebés e crianças internados nos vários serviços.


Todos os bebés e crianças passam a ser monitorizados nos seus movimentos no interior do Hospital, através de pulseiras electrónicas colocadas nos tornozelos e ligadas via rádio a uma central que comanda o encerramento de passagens para o exterior no caso da criança ultrapassar uma determinada área com a pulseira colocada bem como através de câmaras de vigilância.


Trata-se duma medida de segurança que é de louvar se não se esquecer a humanização que deve co-existir com esta medida.


Mas a necessidade quase que evidente desta e de outras medidas de controlo e de segurança dos doentes internados não deve pôr de lado uma análise, no que respeita aos custos/benefícios, sob o ponto de vista da gestão e assistencial, da concentração de serviços clínicos em grandes unidades hospitalares, como parece ser a actual política do Ministério da Saúde.


Recordo palavras de Adalberto Campos, gestor do maior Hospital do país que há tempos dizia que “gerir o Hospital de Santa Maria se assemelha à gestão de uma pequena cidade”. Poder-se-á dizer agora também que se assemelha à gestão dum grande “Centro Comercial” ou “Hipermercado” com controlo electrónico/informático de stocks, de entradas e saída dos clientes.

planeamento bem feito de Carmen Pignatelli



Negociações entre Carmen Pignatelli e Sindicatos Médicos para acordar alterações ao DL 73/90 sobre as Carreiras Médicas:

Cronologia:
Agosto de 2006 - Carmen Pignatelli promete enviar aos Sindicatos Médicos um Projecto Diploma de alteração ao Decreto-Lei nº 73/90 referente às Carreiras Médicas.
30 de Agosto – os Sindicatos recebem o referido
projecto.
21 se Setembro – FNAM emite parecer sobre o projecto a que se segue reunião inter-pares
03 de Outubro – Cármen Pignatelli apresenta
2ª versão
10 de Outubro –FNAM emite 2º parecer
19 de Outubro –
Reunião da FNAM com o Ministério da Saúde
24 de Outubro – Cármen Pignatelli envia
3ª versão
13 de Novembro – Cármen Pignatelli envia a 4ª e última versão
17 de Novembro – Reunião final e assinatura do documento

Quem ler esta cronologia fica com a sensação de ter sido difícil a negociação, tão vasto e importante é o Decreto-Lei nº 73/90 sobre Carreiras Médicas que se propunha alterar.
Apesar de no preâmbulo do documento se referenciar a necessidade da melhoria da acessibilidade aos cuidados de saúde primários através de vários considerandos, assim como às necessidades de atendimento urgente da população, desde o princípio das negociações se verificou que o que se propunha alterar era o regime de trabalho médico, o regime de “incompatibilidades”, “mobilidade” e a problemática das horas extraordinárias. Tão só.
Com o objectivo de poupar “uns tostões” com as horas extraordinárias dos médicos, essencialmente nos Serviços de Urgência Hospitalares, de pretensamente se aproveitar melhor os recursos humanos e de moralizar aquilo a que foi chamado de “trabalho médico mercenário”.

Mas com uma agravante, é que tudo isto que foi discutido e aprovado foi-o a “titulo transitório” já que o trabalho médico nos Serviços de Urgência “terá de ser objecto de novas regras, enquadradas por um modelo remuneratório que associa ao pagamento pela disponibilidade, uma remuneração adicional por contrapartida do desempenho da equipa médica e da prestação individual e que deve também prever contrapartidas financeiras para as equipas que dediquem a totalidade ou parte do seu horário normal de trabalho ao serviço de urgência” (preambulo do projecto apresentado por CP).

Para quê tanta reunião e tanta proposta de alteração?

Para em resumo se acordar em:
Os médicos em 42 horas semanais (exclusividade) continuam a ser obrigados a realizar, se necessário,12 ou 6 horas semanais extraordinárias (consoante a Carreira de Clínica Geral ou Hospitalar),.
Os médicos em regime de 35 horas semanais poderão pedir dispensa de realizar horas extraordinárias salvo excepções bem (ou mal definidas), mas se as fizerem por obrigação ou voluntariamente só receberão o valor/hora referente aos do regime de exclusividade, a partir da 42ª hora semanal.
Poderão os médicos realizar as 12 horas semanais obrigatórias de SU noutro Hospital, nos termos da lei geral do regime de mobilidade, que se presume ser em concelhos limítrofes do seu local de trabalho, sempre que não colida com a necessidade de o realizar a sua unidade de trabalho.
E por fim, os médicos que mostraram a sua indisponibilidade para realizar horas extraordinárias na sua instituição (mesmo que o façam “por obrigação”), ficam “impedidos” de directa ou indirectamente serem contratados para exercer funções no âmbito do Serviço Nacional de Saúde.
Acta Final das Negociações sobre o projecto de alterações ao DL nº 73/90( Diploma das Carreiras Médicas).

E o resto do Diploma sobre as Carreiras Médicas? Isso fica para outra altura já que este planeamento tem que ser "bem feito".
Para o ano, quem sabe.

Não se criticam aqui os Sindicatos Médicos mas sim a metodologia aplicada por Carmen Pignatelli. É que a primeira versão apresentada bem como as que sucessivamente eram apresentadas, como modificações às anteriores, continham pontos reveladores de “má vontade negocial”, já que era evidente, logo à partida, que as modificações propostas não iriam ter a concordância dos sindicatos representativos da classe médica.
É como se costuma dizer “Vamos ver se pega”…

sexta-feira, novembro 17, 2006

a Ordem dos Médicos e a Entidade Reguladora da Saúde

A Ordem dos Médicos teve conhecimento de que a ERS detectou fraudes em 20% da facturação dos Seviços Convencionados e considera que ao divulgar esta fraude, sem identificar os agentes "fraudulentos", a ERS emite um juizo de valor que pode atingir os médicos que exercem Medicina Convencionada nas Misericordias e outras Instituições Particulares de Solidariedade Social.
Lamenta a atitude e requer à ERS que identifique as eventuais infracções e quem as praticou ou pratica por forma a que a generalidade dos médicos convencionados não sejam confundidos, no seu todo, com práticas ilegais.

Não há como clarificar bem as situações, de facto.
Mas também se espera que a Ordem dos Médicos, a confirmarem-se tais infracções praticadas por médicos (o que sinceramente não quero acreditar) actue com a punição que ao abrigo do código deontológico e disciplinar da classe está prevista.

morte de modelo brasileira


A notícia foi dada ontem.

"Modelo brasileira morre em consequencia de magreza"

Quem ouviu ficou chocado.


Não se admite o "culto da magreza" na moda!

Madrid até há semanas atrás proibiu modelos "tão magras" de desfilar!

Anorexia nervosa é uma doença!

Esta modelo deveria ter sido tratada!

A magreza desta modelo falecida (e de muitas outras não falecidas), também deve ser considerada como uma doença!

Trata-se duma doença provocada pela nossa sociedade!


Tudo se disse em relação a esta "morte" relacionada com a "magreza".


Mas ninguém se lembrou de falar sobre a mesma "doença", também causada pela nossa sociedade, bem mais chocante e preocupante, que provoca diáriamente a morte de milhares de homens, mulheres e crianças em África, Ásia e América Latina" e às vezes também neste cantinho da Europa.
Não é "alimentada" por interesses instalados no mundo da moda mas por políticas sociais e económicas hipócritas que da mesma forma são perpetuadas por interesses bem claros e bem mais preocupantes.


A notícia foi dada, sim.

Foi dada para "chocar" a humanidade.

quinta-feira, novembro 16, 2006

a semana dum funcionário público


Ontem foi 4ª feira.


Posso dizer que a 4ª feira é o dia da semana mais gratificante para mim que sou um simples "funcionário público", igual a tantos outros.
E digo ser o mais gratificante porque todas as 4ª feiras entro no meu emprego às 9 horas da manhã, como o faço também nos outros dias da semana, regularmente, com excepção dos Sábados e Domingos, mas com uma diferença: é que nesta 4ª feira só termino o meu trabalho à meia-noite!

Gratificante então porquê? Trabalhar 15 horas seguidas é gratificante?

Então não percebem que este período de trabalho de 15 horas representa mais de 1/3 do meu horário semanal?

É verdade sim, significa que se eu trabalhasse 3 dias com este horário, esgotava a carga horária semanal que é de 42 horas e assim ficava com 4 dias de folga no resto da semana.

Mas infelizmente não é assim.

Mas pronto, também é gratificante porque feitas as contas, se eu ontem "atendi" 42 cidadãos que procuraram os serviços desta instituição pública, e se no atendimento de 3 deles gastei em média 60 minutos e nos restantes 39 "utentes", 10 minutos por cada, cheguei à conclusão que na totalidade dispensei 570 minutos a que correspondem 9,5 horas de trabalho efectivo.
As restantes 5,5 horas dividi-as entre o almoço e o jantar, um café de vez em quando, a ver um ou outro programa da televisão, a conversar com os colegas do trabalho, a ler um livro ou um jornal e porque não, ainda tive tempo para escrever aqui um post (perto da meia-noite) e a fumar um cigarrito de vez em quando, junto da janela aberta para o exterior (sim, porque fumar em estabelecimentos públicos e em ambientes fechados é proibido, e acabei mesmo por me constipar tal era o frio e a chuva que por felicidade começaram ontem a aparecer).

Posso sinceramente dizer também (e contra mim falo) que às 3ª e 5ª feiras chego ao cúmulo de juntamente com mais 7 funcionários da instituição, em 6 horas de trabalho, só atender em média 5 cidadãos, mas em contrapartida, às 2ª em 8 horas, tenho que aturar 40 "seres" que só me põem problemas.

Finalmente reservo a 6ª feira para por ordem em tudo o que fiz ao longo da semana, com reuniões e mais "conversa" sem que tenha que dividir por mais uns não sei quantos funcionários, o atendimento de uns 15 a vinte "chatos" que querem sempre resolver, à nossa custa, os seu próprios problemas.

Ah! Esquecia-me… de vez em quando o meu "chefe" obriga-me a trabalhar, pasme-se! aos Sábados e Domingos. Com as mesmas 15 horas seguidas de trabalho e com os mesmos problemas das 4ª feiras. Neste particular acresce o benefício de não ter que aturar os chatos dos familiares, das visitas dos amigos de fim de semana, dos cães ou das galinhas lá de casa também.

Não é bom ser funcionário público assim?

Razão não falta a JS em querer reestruturar a Administração Pública pelo que me coloco à disposição do Sr. Ministro da tutela para rever com ele a minha actividade e a dos meus colegas de trabalho (quem sabe se não me auto-proponha para o quadro dos excedentários).

Assinado por mim "J.F."

quarta-feira, novembro 15, 2006

afinal os salários do portugueses não são baixos...








Os salários em Portugal não são baixos e não existe nenhum indício de que a economia esteja a caminhar no sentido de remunerar melhor o factor trabalho. Esta dupla negação de duas constatações que se tornaram lugares-comuns no País constitui a principal mensagem do estudo de Pedro Portugal, divulgado ontem no boletim económico do Banco de Portugal.

Segundo este estudo, "o salário é baixo se inferior ao valor da produtividade marginal e alto se superior ao valor da produtividade marginal".

O estudo sustenta ainda que Portugal é "um caso extremo de rigidez nominal dos salários", em grande parte devido à impossibilidade legal de redução destes. Perante isto, e num contexto de baixa inflação, as empresas sentem dificuldades crescentes em "acomodar através dos salários choques negativos sobre a procura do produto", o que acaba por se reflectir na predominância de variações nulas. Assim, resta às empresas a almofada financeira dos suplementos remuneratórios, que podem, estes sim, ser retirados em períodos de crise.
Currículo de PP:
Licenciatura em Economia by the Faculdade de Economia do Porto (1982). Ph.D. in Economics by University of South Carolina. Fields: Industrial Organisation and Public Policy and Human Capital and Labor Economics (1991). Agregação em Economia by the Faculdade de Economia do Porto (1999). Senior researcher at the Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal.Professor of economics at Faculdade de Economia Universidade Nova de Lisboa.
Eu não precebo nada, mas mesmo nada, de economia mas estou quase a acreditar...

terça-feira, novembro 14, 2006

esperem por amanhã

Comunicar aos amigos...

E não vão ter que esperar muito, que amanhã tenho mais notícias.

também na agricultura, como na saúde


Deixando um pouco o tema “saúde” só para dar uma vista de olhos ao que os nossos governantes andam a fazer…


É que hoje não me apetece falar sobre o Centro Materno Infantil do Norte que foi hoje "reanunciado" por CC e que já não vai ser este aqui ao lado que era só um anteprojecto... que custou bem menos que os 37 milhões de euros previstos para o de agora que não vai precisar de projecto sequer...



Segundo o “Público” de hoje, “O deputado comunista questionou o Governo no passado mês de Junho, via ministro dos Assuntos Parlamentares, sobre a execução dos Protocolos assinados desde Janeiro de 2003 entre o Estado e a Casa do Douro. A resposta saiu do gabinete do ministro da Agricultura no passado mês de Setembro, num ofício assinado pela chefe de gabinete do ministro Jaime Silva. Nessa resposta, de 11 páginas, existem longos parágrafos que copiam na íntegra algumas das respostas que o ex-secretário de Estado do Desenvolvimento Rural Bianchi de Aguiar, membro da equipa ministerial de Sevinate Pinto, deu numa entrevista publicada no Semanário Económico a 11 de Julho de 2003.
Plágio?
Não…. Porque "As respostas são iguais porque não pode haver outras respostas. São respostas históricas, que reproduzem o que aconteceu, e retiradas de documentos do ministério", terá afirmado fonte oficial do gabinete do actual Ministro da Agricultura, Jaime Silva.

Reforma-se assim o país na continuidade, mas na continuidade do governo anterior.
Já agora porque não também na Agricultura, se na saúde…?

irracionalidade

será isto irracionalidade?
que irracionais somos nós...

segunda-feira, novembro 13, 2006

baixam os preços dos MCDT e tratamentos de hemodiálise


Acabo de ouvir agora mesmo na TSF mais uma de CC e seu Ministério. Pela calada, de mansinho vai dando uma no cravo e outra na ferradura.
Então não é que agora vai aplicar o princípio de quanto mais se produzir/menos se ganha? (leia-se quanto mais vender/mais baixo poderá ou será o preço do produto, já que assim é que é correcto sob o ponto de vista empresarial)

Assim os gestores de Laboratórios de Patologia Clínica, de Radiologia ou de Clínicas de Hemodiálise privadas podem assumir o papel de gerentes de qual grande centro comercial ou hipermercado.
Só que neste aspecto quem vai definir o abaixamento dos preços de venda não é o vendedor mas sim o fornecedor...
Estranho conceito empresarial de controlar os preços...

a minha dor de barriga


É provavelmente (ou talvez não!) malhar em ferro frio.
Mas o encerramento liminar do serviço de urgência no Hospital de S.José de Fafe não deixa de me provocar... dores de barriga
E não é que não entenda que as "grandes urgências" devem ser reencaminhadas para serviços melhor apetrechados, humana e tecnicamente, após a estabilização possível e, claro está, partindo do princípio (nem sempre verdadeiro) que haverá, para esses casos mais graves capacidade instalada para o efeito e que responde em tempo útil.
Mas, onde levo a minha súbita dor de barriga?
O que faço com a febre do meu filho?
Como vou lidar com a "fraqueza" do pai idoso?
Que resposta para a angústia da avó, que cuida do neto enquanto os pais trabalham, vendo-o empapar o lenço com o sangue que lhe jorra do nariz?
Onde encontrar panaceia para os dedos que o irmão mais novo entalou na velha e pesada porta da cozinha?
Como tranquilizar tantas pessoas que, com pequenos grandes problemas de saúde, sabem que serão os últimos dos últimos num serviço, que inevitavelmente (e isso foi dito alto e bom som!) não vai ter tempo nem espaço para elas?
É que, nisto da saúde, o meu pequeno problema é também, e será sempre, um problema grave!
E tratando-lhe o "linimento", aumenta-lhe a angústia, o desequilíbrio emocional, avaria-se-me o sistema nervoso!
A isto, na minha modesta opinião, chama-se retrocesso.
É como um regresso ao tempo em que o corpo humano se dividia apenas em cabeça, tronco e membros.
Ou calças, casaco e chapéu, para os mais "pudicos".
E a solução, vai ter de ser, de novo, a visita ao velho boticário, que aviará permanganato para as "calças" (um nadinha abaixo do cinto, o bicarbonato para o "casaco" e o borato para o "chapéu" (ligeiramente abaixo da aba!).
E para lancetar o "quisto", lá iremos ao barbeiro!
Que não nos fechará a porta!
E nos acalmará a ansiedade com uma das suas bem-humoradas e intermináveis histórias do quotidiano!
Como o melhor dos psicólogos, de resto!
por José Manuel Domingues em "Povo de Fafe" 03-11-06

Este é o testemunho dum cidadão fafense que em tom irónico diz o que tem a dizer.
É o testemunho idêntico a muitos outros que são expressos por outros tantos cidadãos duma cidade ou região do interior do país, quando são confrontado com a possibilidade de encerramento do Serviço de Urgência a que estavam habituados recorrer há longos anos.
Sim, porque CC prepara-se para dar cumprimento ao desejo do Sr. Bastonário da Ordem dos Médicos quando já no ano passado, publicamente, chamava à atenção dos portugueses de que estes deveriam perder o hábito de "querer ter sempre um médico atrás de cada árvore".
É um hábito que desde 1974, com o Serviço Médico à Periferia, foi criado nos portugueses e que contribuiu com a posterior implementação do SNS, para uma melhoria dos indicadores sobre a saúde em Portugal. É com este "hábito" que se pretende acabar ao afastar o cidadão dos cuidados de saúde em vez de o aproximar, afastando os serviços das pequenas cidades e aldeias, concentrando-os nas grandes cidades e metrópoles, a exemplo do que se está a fazer com as Escolas, Tribunais, Forças de Segurança e outros Serviços Públicos.
A isto chama-se protecção e incentivo à desertificação do interior do País e já agora plantem muitas árvores para que nem cidadão atrás delas se possa ocultar.
É o que também assim pensa CC e por obrigação também o dizem pensar, os membros da comissão que a pedido do Ministro, elaborou o mapa das despromoções e das requalificações dos SU.
Só que os “competentes e capazes” técnicos de saúde, alguns dos quais já fazendo parte do Grupo de Trabalho das Urgências de quem partiu a adopção do método de triagem de Manchester, são todos eles excelentes profissionais nas suas respectivas áreas de conhecimento e prática (cirúrgica, anestésica e médica) mas também muitos deles (ou todos eles) também desconhecedores, ou conscientes desconhecedores, da realidade dum Serviço de Urgência. Não das Unidades de Cuidados Intensivos, dos Serviços Médicos, Cirúrgicos e de Diagnóstico de ponta, das Salas de Estar dos Blocos Operatórios ou dos Gabinetes Médicos dos SU, mas das salas de triagem e de tratamento, junto dos doentes “menos graves” e de seus familiares (dos grandes e pequenos Hospitais, das grandes e pequenas cidades).
Se não se esquecessem da realidade de quando andavam a “aprender para ser especialistas” ou a “fazer currículo e a estudar para cargos de chefia”, por certo também não esqueceriam “as dores de barriga” que com a sua proposta estão conscientemente a provocar aos seus concidadãos.
Devem os médicos que trabalham nas "grandes unidades" estar conscientes da importância de permanecerem nos seus postos de trabalho, sempre que as situações de doentes “mais graves” lhes vão parar à mão e os tratem com a qualidade que se lhes exige e está ao seu alcance. Mas também devem estar conscientes de que o imenso trabalho que os seus colegas (não técnicos) têm para tratar a “dor de barriga, a febre do bebé, o sangue que jorra do nariz e os dedos entalados” também o fazem, com a mesma responsabilidade e profissionalismo e mais não lhes podem pedir, assim lhes dêem condições e mais meios técnicos e humanos para mais fazerem.
Fale-se em sustentabilidade do SNS mas não se transfira para o cidadão o ónus do problema.
Fale-se em rentabilização dos recursos mas com o aproveitamento não só dos meios humanos mas também dos estruturais.
Fale-se no combate ao desperdício mas poupe-se nos gastos com o atendimento em grandes unidades de saúde, potencialmente mais caras por doente assistido, e nos erros de gestão financeira.
Fale-se em modernização do SNS mas não se retroceda nos direitos à saúde.

misericórdia senhor ministro !


MISERICÓRDIAS

Provedor diz que taxas adicionais nos hospitais são ilegais
O Provedor de Justiça considera ilegal a cobrança de taxas adicionais aos utentes dos estabelecimentos de saúde convencionados com o Estado. Nascimento Rodrigues pede ao ministro da Saúde para resolver o problema.

Em comunicado, Nascimento Rodrigues adianta que «a Provedoria apurou que estabelecimentos de saúde convencionados, nomeadamente os Hospitais das Misericórdias, cobram aos utentes da SNS importâncias adicionais», acrescentado que essa cobrança «é ilegal».O documento refere ainda que o Provedor da Justiça solicitou a Correia de Campos que «proceda de forma célere à resolução do problema» sobre o pagamento de comparticipações adicionais, que não estão previstas nos protocolos entre o Sistema Nacional de Saúde (SNS) e os estabelecimentos convencionados. TSF

Nascimento Rodrigues foi eleito Provedor de Justiça pela Assembleia da República em 18 de Maio de 2000, por 162 votos a favor e 46 contra. Tomou posse em 9 de Junho daquele ano e, em 10 de Julho de 2000, tornou-se Conselheiro de Estado.
Foi reeleito em 17 de Junho de 2004, por 182 votos a favor e 7 contra.

Estranha-se que o Sr.Provedor só agora tenha tomado esta posição sobre esta ilegalidade, por certo por só agora ter recebido alguma denúncia do que as Misericórdias estão a cometer há já muitos anos.

Mas que o Sr.Ministro da Saúde, como arauto defensor da equidade do SNS, não tenha sido informado pelas Administrações Regionais de Saúde do procedimento que estava a ser utilizado pelas Misericórdias e não só, já que inspectores das mesmas há já algum tempo realizam auditorias às contas apresentadas às ARS por estas instituições, Sr. Ministro.... não se admite!

E saiba-se que não é só o respeitante às comparticipações adicionais cobradas aos doentes mas também as comparticipações pagas pelo MS por doente tratado, por medicação gasta e por exames complementares realizados, estes pagos por todos nós com dinheirros do SNS.

E já não falo nas listas de espera para Cirurgia (no ambito do SIGIC).

domingo, novembro 12, 2006

congresso de aplausos


Ministro da Saúde justifica novas regras para viabilizar SNS
O ministro da Saúde, Correia de Campos, justificou hoje no Congresso do PS as novas taxas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) como a única forma para manter viável este modelo público.
«Pequenos sacrifícios imediatos são a melhor garantia do futuro do SNS», afirmou o ministro, que ouviu vários aplausos por parte dos militantes que hoje (Diário Digital 12-11-06)

Mas o aplauso no Congresso do PS não foi surpresa para ninguém assim como o não é a quase unanimidade de apoio à política de JS por parte dos congressistas, ou não fosse este congresso "cheio" de delegados à espera de oportunidades.
Aplausos a CC quando anuncia contar com os 7 a 9 milhões de euros, arrecadados com as taxas ditas moderadoras, para tratar 2000 novos doentes com cancro.Com este anúncio, CC não se furta, demagogicamente, a apelar aos bons sentimentos dos portugueses.
O que CC, demagogicamente também, esconde aos congressistas e à opinião pública é que dos 5.5 milhões de portugueses "isentos de pagar taxa" uma grande maioria deles não está nem irá estar isento de contribuir proporcionalmente, com os seus impostos para o SNS (vide propostas do OE 2007 sobre o IRS de reformados e deficiente).
O que CC, também demagogicamente, não esconde é o argumento "gasto e cansado" do preço das refeições hospitalares já que não consegue arranjar mais argumentos para defender o que é indefensável à luz da actual Constituição.
Não deve CC também esconder, demagogicamente, que conta com as taxas para modernizar o SNS.

Impõe-se sem dúvida uma modernização do SNS.

Mas pede-se a CC que também aqui não seja demagógico e que diga claramente aos portugueses que com esta modernização, ao contrário do que diz, não torne a privatização mais apetecível, como o foi em outras empresas que já foram públicas?

É que o toque está a ser dado: "com a introdução de melhorias é possível prevenir tentações privatizantes".
Esperemos que sim …

sábado, novembro 11, 2006

no Amadora Sintra afinal tudo bem...


Afinal parece que nada se passou.

Mas segundo o DN parece que o "crime" existiu, não económico, mas de erros de fiscalização do que o Grupo Mello e o Estado andam ou andavam a fazer.
"Não haverá dúvidas que a conduta dos arguidos não acautelou devidamente os interesses patrimoniais do Estado" segundo o despacho de arquivamento, tendo havido só "negligência" e não "intenção de prejudicar".

E quais as desculpas?
A adopção de "práticas burocráticas incorrectas que se foram transmitindo de gestão para gestão".
A existência de um único gestor delegado da ARS de Lisboa e Vale do Tejo junto do CA do Amadora Sintra, que lhe ocupava um dia de trabalho por semana.
A grande complexidade do controlo da gestão do Amadora Sintra.
A escassez de meios e conhecimentos técnicos que os gestores delegados dispunham para levar a cabo tal tarefa.
A complexidade do contrato assinado entre o Estado e o Grupo Mello.

Até Pedro Nunes, Bastonário da Ordem dos Médicos, se congratula com o arquivamento determinado pelo Ministério Público do processo de suspeita de crime económico de que eram acusados Constantino Sakelarides, Ana Teodora Jorge, Maria Pequito, Maria Amaral, Carlos Costa, Luís Névoa, Fernando Alves, Manuel Ligeiro, José Sequeira Andrade e Sandra Silveira (antigos administradores da ARS de Lisboa e Vale do Tejo.

Termina a notíca:

"O Estado nunca fiscalizou a actividade do Hospital e, de acordo com esta auditoria, acabou a pagar por cuidados nunca prestados aos doentes. Em consequência, os ex-gestores da Saúde foram alvo de processos para apurar a sua responsabilidade nos factos."
E estamos nós a debater o desperdício, a sub-produtividade, o caos e a desiguladade no SNS.
O exemplo deve vir "de cima" e não parece que tal esteja a suceder.

Há que aguardar pelo apuramento de responsabilidades ou ficaremos perante mais um caso "Costa Freire".
Será que ficamos?
Só para se saber quais as irregularidades praticadas:
Conclusões da auditoria do Tribunal de Contas ao Hospital Amadora - Sintra:
Falta de provas
Até 2000, a entidade gestora do Amadora-Sintra não enviou quaisquer documentos sobre as suas contas, e os conselhos de administração da ARS, "apesar de ser essa a sua obrigação", nunca os pediram. Assim, os responsáveis permitiram que fossem processadas e pagas despesas indevidas.
Pagamentos indevidos
”A aceitação passiva” dos resultados financeiros apresentados levaram ao pagamento de despesas não previstas no contrato e até mesmo de pagamentos em duplicado, no valor de 69,8 milhões de euros. Foram inclusivamente pagos dois meses de actividade quando hospital não estava ainda a funcionar.
Anuidade
A actualização do preço global pago pelo Estado devia ser feita através do aumento dos actos clínicos nos diferentes serviços, o que devia acontecer a 1 de Novembro de 1996. Contudo, "foi aceite a actualização proposta pelo hospital, com início em Junho de 1995. Por isso, o Estado pagou mais 21 milhões.
Análises ao HIV/Sida
Foram pagos 964 mil euros por análises feitas ao HIV/sida dos utentes, mas que "é ilegal" por não estar previsto no contrato.
Erro de contas
O Estado pagou 1,29 milhões de euros por um erro no fecho de contas de 1997, que imputava despesas de medicamentos, transporte de doentes e meios de diagnóstico que deviam ser arcados pelo próprio hospital.
Urgências privadas
O Amadora-Sintra recebeu do Estado mais 15 mil euros por atendimento em urgência de doentes que pertenciam a subsistemas ou outras entidades privadas, como seguradoras.
Internamentos
Também foram debitados valores por internamento de doentes que não pertenciam ao Serviço Nacional de Saúde, que era transferidos entre serviços dentro do próprio hospital ou colocados em clínicas privadas de retaguarda. Uma contabilidade acrescida que custeou ao Estado 15, 3 milhões de euros.DN/18.11.2005

Ficamos por aqui.

sexta-feira, novembro 10, 2006

como uma ode ao SNS

se ainda há um ideal, ainda há um caminho.
porque ainda há um poema...


Cântico Negro
José Régio

"Vem por aqui"
dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem:
"vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí!
Só vou por onde me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis:
"vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga:
"vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Saúde poderá exigir mais pagamentos dos cidadãos -JN




"É chegada a altura de perguntar às pessoas o que querem fazer ou pagar mais, ou entrar em políticas de racionamento", diz Manuel Delgado, presidente da Associação dos Administradores Hospitalares.


Assim se vai preparando a pouco e pouco a opinião pública para o “inevitável”.
Aguarda-se o que José Sócrates vai decidir depois de perguntar também às pessoas, se preferem contribuir com mais alguma coisa para o campeonato do Mundo ou se preferem ver a selecção na cauda do ranking mundial de selecções.

Madail quer candidatura ao Mundial-2018 - JN


"Se em 2018 o campeonato do Mundo regressar à Europa, tal como a Inglaterra se está a preparar, acho que Portugal e a FPF, quem cá estiver, se deve preparar“, diz Gilberto Madail, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

contradições de quem tem dificuldade em assumir responsabilidades

Considero importante dar a conhecer as posições dum médico com reconhecidas responsabilidades na área de Cuidados Primários da cidade de Fafe, sobre a proposta de encerramento do Serviço de Urgência do Hospital local, posições estas que foram expressas no jornal “Correio de Fafe” de 3 de Novembro de 2006.
Para quem não sabe o Dr. Raúl Cunha, é médico há já cerca de três dezenas de anos, natural e residente no Concelho de Fafe, foi durante muitos anos Director do Centro de Saúde de Fafe, é membro da Assembleia Municipal de Fafe pelo Partido Socialista e seu representante eleito para a Comissão de Saúde e é coordenador da única Unidade de Saúde Familiar do concelho, recentemente inaugurada com pompa e circunstância por CC.
Diz ele no referido jornal local que a Comissão criada para a reavaliação da rede de SU é “tão competente” que até merece elogios do bastonário da Ordem dos Médicos já que é composta por elementos “de reconhecida capacidade e competência nesta matéria”.
E pergunta:
Então porque será que a Comissão tão competente propõe para Fafe uma solução (encerramento do SU) que levanta tanta agitação? O que realmente temos no Hospital?” Um SU em que “os doentes poli traumatizados graves são enviados para Guimarães”, “um SUMC que nunca existiu enquanto tal” e que a Comissão pretende encerrar.
Então Fafe deve “ficar sem um local onde se possa recorrer em situações de menor gravidade 24 horas por dia?” Não, Fafe “deverá ter é um Serviço de Urgência Básico que sempre foi.”
Afirmando que no momento ainda nada se tenha modificado ao nível do SACU do Centro de Saúde nem deverá ser modificado, já que “tem que ser dada resposta ao nível dos Centros de Saúde e o hospital deve ser reservado para as situações verdadeiramente urgentes.” Mas ao mesmo tempo revela que o que modificou foi o “horário de funcionamento que foi encurtado”.
Esperando que garantido um SUB no Hospital “este continue a receber os doentes da mesma forma e não vejamos de novo regressarem as lamentações da ineficácia do Centro de Saúde e do abuso dos cidadãos ao recorrerem a serviços vocacionados e montados para prestarem outro tipo de cuidados. Quero acreditar que não estejamos a assistir a uma manipulação inqualificável da população de Fafe o que seria verdadeiramente intolerável. Parece-me que se está a fazer uma agitação em torno duma ameaça que não o é verdadeiramente”
Termina no seu artigo com desejos de esperança de com estas reformas que estão a ser feitas na área da saúde nos torne “num País verdadeiramente desenvolvido e Europeu” e que dê “aos Fafenses mais e melhor saúde que é o que realmente a todos nos deve interessar.”

Foi isto que em resumo se leu no Correio de Fafe de 03 de Novembro de 2006-11-09
Quantas contradições.
Quantas dificuldades em defender o que é indefensável.
Quantas dificuldades em defender o que é defensável.
Quantas dificuldades em assumir responsabilidades.

na defesa do SU em Fafe


Resposta dos médicos do Hospital de S.José de Fafe às contradições, às dificuldades em defender o indefensável e o defensável e de assumir as responsabilidades...

SOBRE O SERVIÇO DE URGÊNCIA DO HOSPITAL DE S. JOSÉ DE FAFE

Uma Resposta Necessária

Resolveu o Dr. Raul Cunha, em artigo publicado “Jornal Correio de Fafe” de 03/11/2006, dar a sua opinião sobre o assunto que neste momento tem sido objecto de discussão no nosso Concelho, e não só, o encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de Fafe.

É de louvar esta participação, não só por ser o Dr. Raul Cunha, um profissional da saúde com largos anos de experiência, como pelo facto de ser o representante eleito da Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Fafe, portanto com a acrescidas responsabilidades quando a Sociedade Fafense se encontra a discutir pelas formas mais diversas este problema que tem levantando fundadas preocupações em sectores amplos do nosso Concelho.

Mas por estas mesmas razões, é pena que só agora o Dr. Raul Cunha traga a público este “Contributo para o Debate” , como lhe chamou, pois a verdade é que os Fafenses se encontram a discutir este assunto à quase um ano, não sendo conhecida nenhuma posição relevante do Dr. Raul Cunha, durante estes meses para esta discussão.

Para fundamentar as posições que defende, o Dr. Raul Cunha socorre-se de argumentos já amplamente ouvidos a outro nível, de que o estudo efectuado propõe o encerramento de várias Urgências, entre os quais a de Fafe, é feito por um leque de pessoas de reconhecida”capacidade e competência” , a que se junta a voz do Sr. Bastonário da Ordem dos Médicos, que afirmou recentemente que se tivesse que ser ele a escolher uma Comissão para esse efeito, escolheria exactamente essas pessoas por serem as mais competentes, capazes, etc, etc, etc.

Mas o que o Dr. Raul não consegue explicar, “porque é que a solução proposta por uma Comissão tão competente levanta tanta agitação?”, como é que tal estudo que propõe o encerramento de várias Urgências Hospitalares, tem sofrido críticas generalizadas dos mais diversos sectores políticos e profissionais.

E para defender a sua posição, o Dr. Raul Cunha deturpa a realidade em alguns aspectos essenciais.

Como ponto prévio, gostaríamos de dizer que os Médicos do Hospital de S. José de Fafe, porque são pessoas responsáveis, e defensores acérrimos do SNS, estão perfeitamente de acordo com as motivações e o desígnios do estudo sobre a Reestruturação das Urgências feito pela Comissão de Técnicos. O mesmo não podemos dizer do seu conteúdo, que está cheio de omissões e erros de avaliação, situação que já tivemos oportunidade de denunciar no lugar certo e em tempo útil.

Assim sobre a posição do Dr. Raul Cunha poderemos dizer.

Em primeiro lugar, ao analisar a actividade no Serviço de Urgência no Hospital de Fafe diz que, e citamos” no Hospital de Fafe é feita uma primeira avaliação dos casos, e sempre que se trata de uma situação mais grave, é encaminhada para o Hospital de Guimarães”.

Esta afirmação, provinda de um Médico que inclusive já trabalhou na Urgência do Hospital de Fafe, só pode revelar ignorância ou má fé; ignorância se desconhecer (o que nós não acreditamos) que o nosso SU se tratam patologias bem graves, muitas delas verdadeiras emergências médicas, e com essa intervenção se salvando muitas vidas, pois não seria possível que chegássem com vida ao Hospital de Guimarães se não fossem atendidos na Urgência de Fafe; e ignorância (o que também não acreditamos) por desconhecer que a grande maioria desses doentes (96%) não são transferidos depois de tratados em Fafe para Hospital nenhum, mas ficam internados na nossa Instituição com a excepção lógica dos doentes que necessitam de Unidades Especiais, como a Unidade Coronária ou a Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente. Alias, e só a título de exemplo o Hospital de Famalicão, quando tem um doente a necessitar de UCIC ou de UCIP, transfere esses doentes para Guimarães, o que em qualquer caso representa uma pequena percentagem desses casos denominados graves. Diga-se para complemento da informação que em cada 100 doentes que recorrem ao SU do Hospital de Fafe, só são transferidos para outras Unidades Hospitalares, Guimarães, Braga ou S. João no Porto, 4% desses mesmos doentes.

Em segundo lugar, o Dr. Raul Cunha afirma que esta “Comissão pretende encerrar um Serviço de Urgência Médico-Cirúrgico que nunca existiu enquanto tal” . Falso, Sr. Dr. Raul Cunha, esta Comissão propõe o encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de Fafe “tout court”, e não a criação de um Serviço de Urgência com outras características, vulgo SUB na terminologia da referida Comissão, que ninguém sabe na verdade o que seja; quem são os médicos que a compõe? Clínicos Gerais? Médicos indiferenciados? Médicos Hospitalares?, já agora um SUB de um Centro de Saúde como Montalegre que está previsto é igual a um SUB de um Hospital idêntico ao de Fafe como é o caso de Valongo?; O Trabalho da Comissão de Técnicos é completamente omisso quanto a isso.

Com esta solução proposta pela Comissão, acontece que entre Vila Real e Guimarães, não está prevista a criação de nenhum Ponto de Urgência, pelo que uma população de aproximadamente 120 000 pessoas para tratar qualquer problema de saúde por menor que seja, ter-se-à que deslocar a um Hospital Polivalente como Vila Real, ou então a um Hospital Médico-Cirúrgico como o de Guimarães. Em qualquer das situações a maioria dessa população fica a uma distância desses ponto de urgência que ultrapassa largamente o tempo de socorro proposto pelo estudo da Comissão de Técnicos. E querem convencer-nos que isto é lógico, poupa recursos, beneficia as populações e é feito por uma comissão altamente competente!

Em terceiro lugar, o Dr. Raul faz um apelo para que todos os responsáveis (“TODOS”, escreve ele), unam esforços para desfazer equívocos (quais?) e “garantir a Fafe o atendimento que tem desde 1992 com Serviço de Urgência Básico a funcionar 24 horas/dia”.

Desta forma se pretende escamotear a denúncia feita por todos aqueles que têm seguido com preocupação o problema do encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de Fafe, de que, mesmo que ele não seja encerrado, mas sim transformado em Serviço de Urgência Básico, o que representará sempre uma desvalorização dos Cuidados de Saúde prestados à população de Fafe e Concelhos vizinhos, pois muitos dos actos praticados neste momento na Urgência de Fafe, deixam de poder ser realizados, nomeadamente Urgências Médicas, Ortopédicas ou Cirúrgicas, pela falta de Médicos com capacidade técnica para tal.

Em quarto lugar, o Dr. Raul Cunha tem se esquecido, do esforço que esta Instituição e os seus Profissionais têm feito ao longo dos anos, com várias denúncias feitas à Tutela, para garantir um Serviço de Urgência a funcionar 24 horas/dia, o que não tem impedido que este Hospital conforme a Tutela tem reconhecido, mantém indicadores de actividade a que podemos intitular de “excelentes”.

Em quinto lugar, entendemos que a construção de um novo Hospital neste Concelho, que nós Médicos desta Instituição veríamos com bons olhos, possa estar neste momento a ser um mero pretexto para desviar a atenção das pessoas sobre o problema de hoje e mais premente que é a Urgência em Fafe; senão, vejamos o que está a acontecer em Braga com o Hospital Central (esse sim essencial), cuja obra há anos espera o seu início.

Em sexto lugar, as suspeições levantadas pelo Dr. Raul Cunha, sobre “manipulação das populações”, ou “os doentes” continuarem a ser tratados da mesma forma, quando o actual SU se transformar num SUB (para o que parece o Dr. Raul Cunha já terá uma garantia formal!), não merecem de nós qualquer comentário por raiarem os limites da provocação e da falta de ética.

Como aspectos positivos desta contribuição do Dr. Raul Cunha neste Debate, apenas dois factos:

Considerar que o problema do Hospital de Fafe, é um problema polémico, a exigir debate, desta forma e aparentemente, contrariando as posições do Sr. Presidente da Câmara Dr. José Ribeiro.
O facto do Dr. Raul Cunha ter concluído tal como nós, que a Comissão de Técnicos afinal não é tão competente quanto isso, pois enquanto a Comissão propõe o fim da Urgência em Fafe, o Sr. Dr. Raul Cunha propõe a criação de um Serviço de Urgência Básica.

Os Médicos do Hospital de S. José de Fafe,
Hospital S.José de Fafe, 08 de Novembro de 2006
(assinado)

greve nacional inferiorizada ...

CC desesperado depois de ter anunciado
esta medida
(por erro da tipografia, onde se lê "S.N.C.F." deverá ler-se "S.N.S.")



"Hospitais vão marcar consultas consoante a gravidade dos casos" é este o título da notícia ontem publicada no DN ver aqui

Até que enfim se ouve algo de positivo desta equipa do Ministério da Saúde.
Sem nenhum saudosismo, posso dizer que esta metodologia que agora se pretende aplicar é o que antigamente, e não há muitos anos atrás, se aplicava.
Quem melhor que os médicos hospitalares pode avaliar a prioridade clínica ( e digo “clínica” e não da “cunha”) para em tempo útil poder ser agendada uma consulta e gerir, em função dessas prioridades e do número de pedidos, a mesma consulta?
Mas para isso são necessários vários pressupostos.
Uma correcta identificação do doente, uma sucinta e legível história clínica da doença e antecedentes e uma documentação com MCD protocolados por especialidades.

Força CC apoiado…

Se calhar com esta medida, ainda vai fazer com que os funcionários públicos condescendam e deixem de aderir à greve nacional marcada para hoje…

terça-feira, novembro 07, 2006

masoquismo é o que se pode chamar


O Tribunal de Contas assinala que "nos dois primeiros exercícios de funcionamento (2003 e 2004) os resultados líquidos globais dos hospitais SA revelaram-se negativos", tendo o défice económico crescido 82%, como resultado do agravamento da despesa total do exercício. Uma tendência que prosseguiu. Apesar do ano de 2005 não constar do período auditado, o Tribunal refere já que ascendeu a 20 o número de hospitais SA com resultados negativos, no ano passado, "aumentando em relação a anos anteriores".


É isto que se pode ler na notícia publicada nos jornais púlicos de hoje . Ver aqui

Nada diferente do que já anteriormente tinha sido apurado e por puro masoquismo se pretende dissimuladamente perpetuar.

De quem é a responsabilidade?

segunda-feira, novembro 06, 2006

está tudo dito - Elogio a António Arnaut


Que mais dizer se muito de tudo é dito neste excelente Post colocado em Hospital?Amato Lusitano

Com a devida vénia ao autor Benjamim Formigo, não resisto a divulgá-lo aqui.


PARA ONDE VAI A SAÚDE EM PORTUGAL?


OPINIÃO - Publicado 3 Novembro 2006 - Benjamim Formigo


Em tempos idos tive o grato prazer de acompanhar quase no dia-a-dia a actividade do então ministro da Saúde António Arnault no caminho que levou à criação do Serviço Nacional de Saúde, abrindo as portas aos decretos das carreiras médicas e de enfermagem e à descentralização das congestionadas urgências dos hospitais para os centros de saúde.

Uma comparação com a metodologia e as motivações de António Arnault com o que hoje se passa seria qualquer coisa absurda.

Na altura havia empenho em satisfazer as disposições constitucionais sobre a matéria, ouvindo os agentes da saúde, mesmo as criticas que alguns faziam, hoje o único objectivo é satisfazer os critérios do défice. Ou pelo menos parece.

Se não acreditasse nas boas intenções do ministro quase arriscaria que além dos critérios do défice a privatização da saúde é o objectivo último do Governo.

Na Saúde existe uma questão de fundo que os Governos não podem perder de vista. Sem dinheiro não há Saúde. Por outras palavras: ou o Estado cumpre a sua missão Constitucional relativamente ao Direito à Saúde, e paga, ou o cidadão tem de ter meios financeiros para pagar no sector privado aquilo que o Estado lhe pretende negar.

Mas pior do que isso é o facto de haver uma ideia tão generalizada quanto errada que os serviços de saúde privados têm mais qualidade que os do Estado. Perante essa ideia generalizada não é difícil ao Estado, melhor dizendo ao Governo deixar subliminarmente entender que com privatizações "ganha você e ganha o país".

O erro tem sido ao longo de décadas explorado por quantos pretendem ver esquemas convencionados de medicina e enfermagem, pelos grupos que exploram clínicas privadas ou laboratórios privados.

Seria curioso que se tornasse publico quantas empresas são as reais proprietárias de laboratórios de análises clínicas ou de centros operadores de meios complementares de diagnóstico. Seria curioso e talvez surpreendente.

Portugal estava em 12º lugar no "ranking" mundial da qualidade dos serviços de saúde. Sem perceber nada de futebol, devo confessar, parece-me ser uma máxima neste negócio desportivo que não se toca em equipa vencedora.

Então qual o motivo por que os serviços de saúde em Portugal estão a tornar-se uma amálgama de unidades, centros hospitalares, esquemas semipúblicos ou semiprivados, completamente descontextualizados da filosofia subjacente ao Serviço Nacional de Saúde de António Arnault?

Honestamente só encontro uma explicação, a mesma de resto que encontro para o não suprimento crónico, agora já agudo das vagas hospitalares e do sistema se saúde público. Muitos hospitais e centros de saúde funcionam com 20 por cento ou mais de lugares de médicos e enfermeiros por preencher. Recorre-se à ilegalidade das horas extraordinárias programadas para evitar meter mais pessoal e reduzir os horários acrescidos. Corta-se no pagamento dos serviços de urgência aos médicos com a alegação de que aqueles que não trabalham em regime de exclusividade têm um ordenado inferior.

A verdade é que na urgência os médicos não têm regime de trabalho diferenciado. Ninguém faz banco a tempo parcial ou a tempo completo. Mas ainda assim poupam-se uns tostões para o défice. Em relação às urgências era lógico pagar-se em função da diferenciação profissional, ou seja, por igual tempo de urgência o preço hora só variaria pelo nível do profissional.

Não é admissível substituir médicos da Instituição por contactos de empresas, a preços escandalosos e de qualidade ignorada.

Devia imperar o bom senso e a racionalidade.

Por outro lado as urgências deviam ser em número e distâncias adequadas (nem de menos nem de mais). Além disso, se os cuidados primários e os horários hospitalares funcionarem bem as urgências serão menos.

Se se está a promover a privatização de serviços, será bom atentar no que sucedeu na Grã Bretanha. O exemplo mais completo de um bom SNS até a Sr.ª. Thatcher o ter tornado na amálgama que hoje é.

Se não se exigir melhor medicina, segurando os melhores profissionais com prémios pelo desempenho, então os privados agradecem a formação dada aos seus novos profissionais, os contribuintes não poderão ficar agradecidos.Será que o Estado gasta menos? É difícil responder pois algumas das despesas serão transferidas para a Segurança Social.

Todavia não haja grandes dúvidas: o SNS, tal como existia e ainda subsiste, é a única garantia de qualidade do contribuinte. Uma situação aguda de risco de vida numa clínica privada não encontra, nem se vislumbra que encontre nos tempos mais próximos, uma resposta tão eficiente quanto a que o hospital do Estado, mesmo em edifícios degradados, oferece.

Nenhum médico ou enfermeiro sabe responder qualitativamente se não tiver experiência hospitalar e/ou de saúde pública. Não é no sector privado que esse conhecimento e essa prática se adquirem. Sempre foi no sistema estatal, mesmo quando este não tinha ainda reconhecimento internacional.

Será que o Estado tem proveito cortando horários acrescidos, contratando pessoal de enfermagem sobretudo, mas também médico, a termo certo? Efectivamente tem. Os horários acrescidos contam no tempo de serviço e reflectem-se na reforma; o contrato a termo certo não implica continuidade. Mas só não implica continuidade para o trabalhador da saúde que muda de local e não adquire direitos, o Estado continua a pagar a outros contratados.

Mas também é verdade que for falta de organização a maioria dos médicos só trabalha nos serviços hospitalares de manhã.

A verdade é que mesmo com vagas por preencher, e muitas, os serviços funcionam. Por que são serviços prestados por seres humanos, profissionais conscientes, a outros seres humanos que têm necessidade de atendimento.

Nem sempre tudo corre bem, é uma verdade. Por vezes ocorre negligência ou ignorância, também é verdade. Como é verdade que os profissionais da saúde estão sujeitos a pressões inexistentes na maioria das profissões; os horários prolongam-se para além do aceitável para quem lida com vidas humanas. Sabe-se que a probabilidade de erro aumenta com o excesso de tempo de trabalho, mas pagar horas extra é mais barato que ter pessoal.

Nas Urgências hospitalares, para suprir as faltas, contratam-se os serviços de empresas que a própria secretária de Estado reconhece publicamente não saber se estão ou não qualificadas e se o pessoal destas "manpower" da saúde está ou não inscrito nas respectivas ordens e capacitado para exercer as funções em que são colocados (Diário de Noticias – on line – de 1 de Novembro de 2006).

Reestrutura-se o sistema hospitalar de Lisboa sem a auscultação dos médicos responsáveis. Quanto à exigência de taxas moderadoras para internamento dificilmente se sustenta como uma medida inteligente.

Afinal quem paga as decisões são os contribuintes que podem muito bem ser vítimas delas. A medicina privada tem um lugar nas sociedades. Mas tem de existir um serviço de referência suportado pelos contribuintes. As únicas perguntas que ocorrem nestas linhas escritas tão desordenadamente quanto as decisões na Saúde são quem toma essas decisões e para onde vai a Saúde em Portugal?

domingo, novembro 05, 2006


Por tudo o que disse, por tudo o que foi dito e por quase tudo que estão a fazer…
Eu vou fazer greve.

as minhas desculpas Senhor Ministro CC

Ontem comentei um post em Saúde SA sobre “Aumentar a Automedicação” dizendo que:

“Então não é que CC e sua equipa sabe fazer bem as contas?Comunica aos cidadãos, com toda a pompa e circunstância, a intenção de diminuir em 6% o PVP dos medicamentos (resta saber se de todos) mas depois, pela calada... diminui a taxa de comparticipação do Estado e aumenta a lista dos não comparticipados.É que com o avanço tecnológico em que tanto este governo investe, consegue saber CC, através da informática, o perfil terapêutico medicamentoso nacional e assim onde e como baixar os preços e onde baixar ou anular a comparticipação estatal. Senão veja-se a listagem dos princípios activos a que se propõe CC retirar a referida comparticipação.A informática a bem das finanças públicas e contra o desamparado doente.”

Mas depois de abrir o link publicado no JN e analisar com mais cuidado a lista dos medicamentos que vai engrossar a já volumosa lista dos não comparticipados pelo MS, só tenho que me penitenciar pelo erro de análise que na altura fiz.
É que não deve ter sido por razões economicistas que CC elaborou este acréscimo à lista já existente mas sim por três ordens de razões:

Senão vejamos:

1. Investir na prevenção

Betadine solução ginecológica, Candid, PanFungex, GynoDaktarin – drogas do grupo dos anti-sépticos e anti-fúngicos ginecológicos que poderão ser evitadas se se investir no uso do preservativo e na moralização da sociedade portuguesa no sentido de diminuir ou acabar de uma vez com as relações extra-matrimoniais e promíscuas. O mesmo se pode aplicar à utilização abusiva do Acaril Bial pela mesma ordem de razões.
Otoceril – dar valor à actividade que os Ministros do Trabalho e da Economia estão a desenvolver, no sentido de obrigar os trabalhadores portugueses a não fazerem “cera” assim evitando a necessidade da utilização do Otoceril para a retirar do canal auditivo externo.

2. Tratar a doença através da eliminação da causa ao invés de tratar os sintomas

Brufen, Aspegic, Lisaspin,Panasorbe, Paracetamol, Zemalex, Voltaren Emulgel – drogas do grupo anti-inflamatórios não esteroides - para quê utilizá-las com o objectivo de diminuir as cefaleias se estas são provocadas pelas notícias diárias que os portugueses recebem da necessidade de mais e mais apertarem o cinto?
Proclor e Eugastrim 10 – drogas do grupo de protectores gástricos frequentemente usadas para tratar a pirose (azia) ou enfartamento gástrico se estes sintomas que os portugueses apresentam aparecem e persistem quando ouvem falar em mais uma medida do MS em particular ou do Governo em geral?

3. Manter por razões óbvias alguns dos sintomas para o “bem-estar” de alguns:

Viru Merz – para quê usar este anti-herpético eficaz, se com herpes labial se torna muito mais difícil erguer a voz contra as medidas anunciadas pelo MS?
Microlax – para quê usar este laxante intestinal se o “medo” do futuro com que os portugueses se debatem já dá para desanuviar os intestinos?
Pipermel – para quê utilizar este anti-parasitário intestinal se há que proteger os “parasitas” que pululam na administração pública em actividades temporárias e com rendimentos assegurados?
Cecrisina, Calcium, Cálcio Sandoz, Cobaxid, VE 150, Vitamina C Retard, C Nergil, Sandocal – grupo de medicamentos vitamínicos e minerais que podem perfeitamente ser substituídos por uma alimentação correcta, exercício físico e leite… muito leite para prevenir a osteoporose (ver o excedente de produção leiteira em Portugal, apesar das cotas europeias).
Broncopulmo, Mucodrenol, Tosseque – para quê mobilizar a expectoração com estes mucolíticos se está demonstrado que a transmissão das doenças víricas (gripe, HV1, etc) se transmitem via aérea?

Afinal tinha-me enganado…
As minhas desculpas Senhor Ministro CC

sábado, novembro 04, 2006

falta de médicos no serviço de urgência

Sobre a falta de médicos do quadro do SNS para prestarem SU, bom… CC ateou o fogo sem se aperceber de que a “floresta estava a secar” e agora pretende apagá-lo à custa de diplomas legais que “ilegalmente” controlem a actividade privada empresarial já que lhe estão a faltar os meios usualmente utilizados para apagar fogos florestais – a água, a viaturas terrestres e aéreas e acima de tudo os bombeiros sapadores.

É que os contratos que se propõe impedir são realizados entre os CA que CC nomeou e entidades privadas empresariais. Estas empresas são contratadas pelos CA para assegurar o atendimento de urgência numa determinada especialidade, com um determinado número de médicos e com os médicos que elas próprias dispõe nos seus "quadros". Assumindo as empresas a responsabilidade laboral e profissional sobre o trabalho por eles praticado (não têm assim que prestar contas ao MS se é o médico A ou B).Como poderá então CC impedir que o médico que não está em regime de exclusividade, seja "assalariado" duma empresa e esta realize um contrato com os CA de Hospitais EPE?

Os juristas que me esclareçam…

sexta-feira, novembro 03, 2006

engenharia genética e biomedicina



"Alexandre Quintanilha nasceu em Lourenço Marques (Maputo) no mesmo dia em que foi lançada a bomba atómica sobre Nagasaki. O seu percurso académico foi cumprido em Joanesburgo (África do Sul), onde concluiu um doutoramento em Física Teórica. Sobre essa etapa, Alexandre Quintanilha diz frequentemente que se tratou de um "desafio que impus a mim mesmo para comprovar se conseguia superar o doutoramento mais complexo de todos. Quando percebi que afinal deveria ser mesmo esperto, mudei de área e dediquei-me à Biologia".

in National Geografic, Portugal - Ficheiros secretos

quinta-feira, novembro 02, 2006

os 7 artigos "correctos" do orçamento 2006 para a saúde



Artigo 135.º
Pagamentos no âmbito do Serviço Nacional de Saúde
(…)
2- O Estado ou o Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde (IGIF), em representação das administrações regionais de Saúde (ARS), pode celebrar negócios jurídicos, mediante autorização dos Ministros responsáveis pela áreas das finanças e da saúde, através de concurso público, procedimento por negociação com ou sem publicação prévia de anúncio, que envolvam a sub-rogação de instituições de crédito ou sociedades financeiras nos créditos de terceiros decorrentes do fornecimento de medicamentos e Maios complementares de diagnóstico e demais serviços de saúde, incluindo as operações acessórias e instrumentais da gestão e pagamento de dívidas.
(…)

O IGIF é um dos institutos que na reforma do sector público está condenado à extinção… é altura de aproveitar e fazer negócios, claro.
Está correcto !!

Artigo 137.º
Contratos-programa no âmbito do Serviço Nacional de Saúde
1- Os contratos-programa a celebrar com os hospitais integrados do Serviço Nacional de Saúde ou pertencentes à rede nacional de prestação de cuidados de saúde são autorizados pelo Ministro da Saúde e podem envolver encargos até um triénio.

Contratos e encargos por três anos na esperança do Governo ficar até ao fim da legislatura.

Está correcto !!

Artigo 138.º
Medicamentos comparticipados
1- Os preços de venda ao público (PVP) dos medicamentos comparticipados, aprovados à data da entrada em vigor da presente lei, são reduzidos em 6%.

Baixa o PVP mas diminui a comparticipação… Tudo deve diminuir.
Está correcto também !!

Artigo139.º
Taxa moderadora
1-São criadas taxas moderadoras para acesso às seguintes prestações de saúde, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde:
) Taxa de € 5 por dia de internamento até ao limite de 10 dias;
) Taxa de € 10 por cada acto cirúrgico realizado em ambulatório.
2- Estão isentos do pagamento das taxas moderadoras referidas nos números anteriores os utentes referidos no artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 173/2003, de 1 de Agosto.

Sobre isto, já quase não vale a pena falar.
Correcto para os que estão isentos, sim !!

Artigo 140.º
Convenções
1- O crescimento da despesa das convenções celebradas pelo Serviço Nacional de Saúde é fixado em 0%, em relação à despesa verificada em 2006.
2- Para o cumprimento do disposto no número anterior são adoptados mecanismos de variação de preços em relação inversamente proporcional ao crescimento da quantidade.

Aumentar a despesa à custa do aumento de produção, não!!! Que fique claro que quanto mais produzires menos ganhas…
Está correcto !!

Artigo 141.º
Alteração ao Decreto-Lei n.º 118/92, de 25 de Julho
O artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 118/92, de 25 de Julho, com a redacção que lhe foi introduzida pelo Decreto-Lei n.º 129/2005, de 11 de Agosto, passa ater a seguinte redacção:
Artigo 2.º […]
1- […]:
- Escalão B - a comparticipação do Estado passa de 70% para 69% do preço de venda ao público dos medicamentos;
- Escalão C - a comparticipação do Estado passa de 40% para 37% do preço de venda ao público dos medicamentos;
- Escalão D - a comparticipação do Estado passa de 20% para 15% do preço de venda ao público dos medicamento.

Se o PVP diminui, não deve também diminuir a comparticipação do Estado? Todos por igual devem beneficiar...

Também está correcto !!

Artigo 142.º
Produtos farmacêuticos e de consumo clínico
1- O Governo implementa as medidas administrativas necessárias para fixar os preços máximos, em valor inferior em 6% em relação aos preços praticados em 2006, dos produtos farmacêuticos e produtos de consumo clínico, com impacto financeiro relevante, a adquirir pelos estabelecimentos integrados no Serviço Nacional de Saúde, independentemente da sua natureza jurídica.
2- As medidas referidas no número anterior são válidas para todos os procedimentos concursais.

Boa atitude sim Sr. Ministro. Se a inflação prevista para 2006/2007 é só de 2,5% , baixar os preços máximos a pedir pelas empresas em 8,5% até que nem é um sacrifício por aí além...

Correcto !!

Artigo 143.º
Taxa sobre a comercialização de produtos cosméticos e de higiene corporal
A percentagem da taxa sobre a comercialização de produtos cosméticos e de higiene corporal prevista na alínea a) do n.º 1 do artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 312/2002, de 20 de Dezembro, é fixada em 1,5% no ano de 2007.

Assim CC protege a beleza externa dos portugueses. Só 1,5% de taxa até que nem é muito.
Pode-se considerar correcto também !!

quarta-feira, novembro 01, 2006

rede nacional de serviços de urgência (II ou mais)


Escrevi na 2ªfeira passada, "Quer tenha sido alargado ou não, esta poderá ter sido a última vez que antes da decisão final aqui escrevo sobre o assunto.", referindo-me à possibilidade do prazo de discussão pública do relatório de requalificação da rede nacional de serviços de urgência ser alargado.
E foi mesmo verdade. Foi alargado até ao fim do mês de Novembro.


“Devido ao elevado interesse suscitado pela proposta” e aos pedidos de informação adicional sobre o assunto, como é comunicado no Portal da Saúde

Não resisti assim a dizer mais qualquer coisa sobre o assunto já que é de louvar a atitude do Ministério da Saúde em assim proceder.

Embora desconhecendo-se se o “elevado interesse” significa “oposição massiva” ou se os “pedidos de informação adicional, as reuniões com a Comissão Técnica e os esclarecimentos sobre o prazo” significam dificuldades ou ausência de alternativas qualificadas que o Ministério tem para concretizar o proposto, agora que ateou o "fogo" compete ao Sr.Ministro apagar o"fogo" que sempre existiu nas Urgências Hospitalares.
Mas se o pretende fazer que o faça não duma maneira isolada, mas enquadrada em toda a problemática do SNS (que diz não querer alterar), para que os "remendos na manta" do atendimento urgente não provoquem "falta de pano" no campo da prevenção e do tratamento das doenças dos nossos cidadãos.

Lembra-se que até hoje nenhum estudo foi dado ao conhecimento público sobre o impacto orçamental que vai existir com a reorganização das estruturas de atendimento pré-hospitalar e dos Serviços de Urgência propostos, nomeadamente os novos SUBs e SUPs, no que respeita a equipamentos, formação e afectação de meios humanos necessários para dar resposta correcta e atempada aos objectivos que se propõem no Relatório.

Isto parece ser um exemplo objectivo de como se não deve contruir uma casa pelo telhado, apesar de haver "arquitectos" que a tal se proponham.