quarta-feira, julho 18, 2007

para que serve a evidência científica senão para ser aplicada?




Pode ler-se no TempoMedicina:
"Um inquérito recentemente divulgado mostra que apesar de os doentes hospitalizados estarem em alto risco de tromboembolismo venoso (TEV), só uma minoria recebe tratamento preventivo, e não é por falta de agentes profilácticos efectivos.

O ENDORSE (Epidemiologic International Day for the Evaluation of Patients at Risk for Venous Thromboembolism in the Acute Hospital Care Setting) avaliou 68 183 doentes (45% cirúrgicos com 18 anos ou mais e 55% não-cirúrgicos com 40 anos ou mais) internados em 358 hospitais de 33 países, entre os quais Portugal, de cinco continentes, e mostrou que mais de metade dos doentes hospitalizados (52%) estão em risco de TEV e só metade recebe profilaxia, não obstante as conhecidas consequências do TEV.
Revelou que dos doentes operados, 64% estavam em risco de TEV e apenas 59% recebiam profilaxia; e dos restantes doentes, 42% estavam em risco de TEV e só 40% recebiam profilaxia.
Isto não obstante 10% das mortes ocorridas no hospital serem devidas a embolia pulmonar, e de 1% de todos os doentes internados morrerem de embolia pulmonar."

Enquanto o estudo MEDENOX realizado já alguns anos pela equipa do Prof. Myer Michel Samama, do Hospital Universitário Hôtel Dieu, em Paris, demonstrava já o benefício da tromboprofilaxia com enoxaparina 40 mg/dia, durante seis a 14 dias (em doentes não-cirúrgicos) um outro estudo agora recentemente realizado em 5105 doentes agudos não-cirúrgicos com mobilidade reduzida vem demonstrar acrescidos benefícios se essa terapêutica profilática se prolongar por 4 a 5 semanas.

Se na União Europeia, que tem 454 milhões de habitantes, se estima que ocorram anualmente cerca de 500 000 mortes por TEV, mais do dobro das mortes causadas por SIDA, cancro da mama, cancro da próstata e acidentes rodoviários…

... então não é por demais lembrar estes números já que sendo "a tromboprofilaxia segura e efectiva para prevenir o TEV em doentes de risco", a sua não utilização por rotina na prática clínica diária só poderá ser atribuída à falta de conhecimento, por parte de muitos profissionais dos serviços clínicos e farmacêuticos, da verdadeira prevalência de doentes em risco de TEV internados nos Hospitais, como considera o Prof. Samuel Goldhaber, da Universidade de Harvard, EUA.
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Porque em Portugal também não se foge a esta "falta de preocupação", aqui fica este alerta já que os custos com o tratamento dos tromboembolismos venosos (com taxa de mortalidade de 1%) bem como das suas consequências que a médio e longo prazo condicionam (nos casos não-fatais), embora não contabilizados por este estudo, não serão difíceis de prever serem bem superiores aos custos da administração diária de uma injecção sub-cutânea, de 40mg de enoxiparina (PVP 4,45€), durante 4 semanas.
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(para já não falar dos elevados custos sociais que da mesma forma acarretam...)
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