sábado, dezembro 23, 2006

Segundo o Primeiro de Janeiro, “a Clínica Saúde Atlântica - Estádio do Dragão vai oferecer cuidados médicos gratuitos à população mais necessitada da cidade do Porto” estando já convencionada com o SNS e com agencias seguradoras no âmbito de seguros de saúde.

Que estudos terão feito a Sonae Capital e Espregueira Mendes para se dedicarem a tanta benevolência?

Há um ditado popular que diz:
“Se queres bom alhal, semeia-o pelo Natal”
É a altura. Não a do Natal mas a desta Legislatura.

Sabemos que algo está a mudar para que a despesa em saúde suportada pela iniciativa privada esteja a aumentar, neste caso também em despesas não reembolsáveis.

É estranho.
Também sabemos que é competência do Estado, “Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade”.(Artigo 64.º- 3.d - CRP)

Será que estão a ser previstas as contrapartidas futuras que a sociedade portuguesa possa vir a ter quando as despesas da iniciativa privada, começarem a ser selectivas?

Que papel ficará destinado ao SNS que progressivamente se vai afastando de responder, através do SNS “universal e geral” e ”tendencialmente gratuito “, por forma a assegurar o direito à saúde dos cidadãos?

Sim.
Há que semear para colher!
Há que dar e dar, para em troca receber!

De “cabazes e sopas de Natal a consultas e tratamentos gratuitos” já ouvi falar há muitos anos atrás e não creio que a fome, as dificuldades económicas e as doenças dos mais pobres tenham desaparecido, antes pelo contrario.

E falamos nós de uma “unidade médica de referência em Portugal que pretende constituir um contributo significativo para a consolidação da aposta da Câmara Municipal na afirmação do Porto como Cidade da Ciência”

Que raio de Ciência a nossa!
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Ontem, foi o jantar de Natal do Serviço de Ortopedia do Hospital S.José de Fafe.


Estiveram presentes todos os médicos do Serviço, a quase totalidade dos enfermeiros, auxiliares de acção médica também.

17 anos de existência a duas semanas de se consumarem.
Dum nada, a um serviço com provas dadas.
Elogios ao esforço e dedicação de muitos, senão de todos.
Alvo de inveja.
De cobiça também.

Dia 22 de Dezembro, de lembrança triste que todos recordaram.
Ironia das datas e dos anos que passam.
Pelo colega, pelo profissional, pelo Homem, pelo poeta.
O Serviço de Ortopedia – Dr.António Antão, do Hospital de S.José de Fafe ficará para sempre.

Tudo recordaremos.
Tudo mostraremos.
Tudo faremos.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

a certeza das palavras


"Mais de 90% dos doentes que recorrem às urgências têm alta, o que significa que não eram assim tão urgentes"


"Pode não ser a solução ideal mas é melhor que a actual"

"A libertação dos anestesistas das urgências poderá diminuir as listas de espera das cirurgias"

"Catorze serviços vão mesmo fechar mas em sua substituição mais centros de saúde terão consultas abertas"


António Marques – Presidente da Comissão Técnica de Apoio ao processo de Requalificação dasUrgências
JN

Palavras de quem sabe o que diz, baseado na prática e na evidência.
Palavras dum médico, formado médico num Hospital Central, especializado em anestesiologia num Hospital Central, director dum serviço num Hospital Central, mas perfeito conhecedor da realidade nacional e dos Hospitais Distritais.
Tal como CC.
Tal pai, tal filho.

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quarta-feira, dezembro 20, 2006

consensos sem pressões na proposta da rede de Urgências

Já a terminar o ano de 2006 foi hoje ao Parlamento, para no âmbito da Comissão Parlamentar da Saúde da AR, a Comissão Técnica de Apoio à Requalificação da Rede de Serviços de Urgência apresentar os seus argumentos aos deputados.

Contou, segundo parece, com argumentos contra, dos deputados da oposição.
Mas desconhece-se, pela notícia, se os deputados da maioria tomaram posição a favor e se assim sucedeu se o exprimiram de forma voluntária e sem pressões. Público

De uma coisa estamos certos.
A de que a Comissão e o seu Presidente em particular, nunca teriam sido pressionados pelo Executivo, "existindo antes consensos que resultaram do debate, nomeadamente com as Administrações Regionais de Saúde e com a Direcção-Geral da Saúde ".
Estes consensos aqui assumidos e já de todos conhecidos terão sido alcançados no pressuposto de que algo deveria ter que mudar, de que algo teria que ser feito para que os cortes orçamentais impostos ao sector da saúde fossem aplicados.

Aos encerramentos das Maternidades e dos SAP, haveria que dar seguimento aos encerramentos dos Serviços de Urgência Hospitalares e no futuro a encerramento de Serviços em unidades hospitalares com base na criação de Centros Hospitalares.

A isto não se chama “pressão” do executivo. Chamar-lhe-ia antes “condicionalismos de consenso” com as ARS e DGS, para que a aceitação de qualquer proposta por parte do executivo fosse viável.
São coisas bem diferentes.
Assim todo o trabalho foi realizado livre de pressões, mas com estes “condicionalismos consensuais” a imporem as regras do estudo que se pretendia realizar.
As regras da distância quilométrica, do tempo de deslocação, da população, do número de atendimentos, etc., etc. baseados em critérios de realidades bem diferentes das nossas e algumas delas bem discutíveis, com a agravante de todo este trabalho ter sido realizado no “quentinho ou no fresquinho dos gabinetes com ar condicionado” duma qualquer grande cidade do país.

Mas assim foi feito e só nos resta esperar para ver qual a nova proposta que a comissão vai apresentar e que segundo Cármen Pignatelli ,“não coincidirá exactamente com a primeira”.

E em finais de Janeiro, se tudo correr bem, todos ficaremos a saber o resultado dos “consensos” ditos técnicos que estiveram em jogo.

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preocupações contraditórias


A preocupação justa do Ministério da Saúde:

"De acordo com os dados divulgados em Setembro, a despesa em medicamentos estava a crescer a dois dígitos em quatro unidades Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa (15%), IPO do Porto (13%), Hospital Joaquim Urbano, no Porto (10,4 %) e Hospital S. Teotónio, em Viseu (10%).
Quanto aos medicamentos que representam a maior fatia de gastos dos hospitais destinados ao tratamento do cancro, infecção pelo VIH e auto-imunes, o seu peso na despesa registou um crescimento de 5,8%." JN


em contraponto com a preocupação, porque não também justa, de Carmen Pignatelli:

"O objectivo é acrescentar saúde à vida e vida aos anos"

(aquando da assinatura de protocolos, com instituições particulares de solidariedade social do Norte, no âmbito da rede nacional de cuidados paleativos e continuados). Diário Digital


É caso para se dizer de que lado devemos ficar?
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terça-feira, dezembro 19, 2006

Saúde na Beira Interior na Frente de Blogs de Saúde

Saúde na Beira Interior passa a integrar a Frente de Blogs de Saúde, actualmente constituída pelos Blogs:
Além de informar e refletir sobre o estado da saúde na região, acreditamos que a partilha de informação e a análise crítica do que acontece no País no âmbito do SNS, poderá certamente representar uma mais-valia e ponto de encontro de sinergias. (Saúde na Beira interior)
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segunda-feira, dezembro 18, 2006

projectos dos Centros Hospitalares adiados

Aquilo que ontem eram uma certeza a curto prazo, hoje são projectos adiados.
Os projectos de criação de todos Centros Hospitalares estão adiados.
Adiados por CC.

Para melhor serem estudadas as implicações sociais (nos cidadãos e nos profissionais) que com a criação destes Centros irão ocorrer?
Para avaliação da capacidade instalada e da resposta actual que é dada em função da procura?
Para avaliação dos resultados em termos de qualidade da produtividade instalada?
Para que a discussão inter-institucional seja lançada?
Para envolver os profissionais, autarcas e associações locais no processo de mudança proposto?
Para incentivar a rentabilização dos serviços instalados por forma a que sendo integrados, o sejam já com uma rotina de produtividade consolidada?
Para que baseados na análise dos custos/ganhos de eficácia e eficiência, sejam tomadas as decisões?

Quer-me parecer que não.

CC estará à espera dos diplomas legais que os possam institucionalizar.
Estará à espera da institucionalização da ESAP (Empresa de Serviços Partilhados da Administração Pública) que também aguarda por diplomas legais ou dum reforço orçamental para o seu ministério, para saldar as dívidas dos EPE a integrar em Centros Hospitalares?

Estará à espera que a desmotivação e a insegurança, com a consequente diminuição de produtividade, se instale, para com mais razão poder concretizar o que pretende?

Para não correr o risco de me considerarem ingénuo, não quero pensar que tenha sido o SaudeSA o responsável por este adiar.


Mas com uma certeza convicta considero importante que se contribua, através deste meio de discussão, para um aclarar de conceitos sobre os riscos e benefícios, os ganhos e os custos, a proximidade e o afastamento, a qualidade e a quantidade da "centralização" ou "dispersão" dos serviços de saúde no ambito dum SNS.

domingo, dezembro 17, 2006

Centro Hospitalar Guimarães - Fafe (II)

O que se passa com o previsto, senão já constituído, Centro Hospitalar provavelmente “do Alto Ave” é o mesmo que poderá vir a suceder a tantos outros por aí fora.

Existe uma declarada ausência de diálogo inter-institucional e inter instituições-ARS locais. Mas o mais grave é que esta ausência de diálogo é fomentada pela própria autoridade local da Saúde, neste caso a ARS do Norte.

Se não se olhar à capacidade e à produtividade existente em determinadas áreas assistenciais existentes.
Se se der prioridade aos “cortes” com o objectivo de diminuir despesas em vez de analisarem as despesas em função da produtividade alcançada individualmente.
Se se der maior importância à concentração de serviços sem se compreender que o somatório da produtividade individual não vai ser o mesmo quando integrados os profissionais num único serviço.

Em resumo:
Quando o pensamento de JEG do CA HSJ que com todo o a propósito “Saudepe” transcreve no seu comentário em Saúde SA, não é considerado, particularmente quando define a instituição ou o serviço como um “conjunto de pessoas que, embora trabalhando em equipa, concorrem paralelamente para o mesmo fim”, se este conjunto é desmembrado, extirpado da sua unidade e do seu entendimento colectivo, então as despesas, a insatisfação e a desmotivação dos profissionais, ainda serão maiores e a produtividade qualitativa e quantitativamente será seriamente afectada.

Os objectivos são claros e até poderiam ser os correctos, estivessem a ser seguidas as metodologias preconizadas pelo Ministério da Saúde Francês, segundo um relatório elaborado a partir dum estudo feito a seu pedido - “L’Evaluation de la securité, de la qualité e de la continuité dês soins chirurgicaux dans les petits hôpitaux publics en France (Avril 2006) ” e enviado à ARS do Norte pela Chefe de Gabinete de CC.

Neste documento propõem-se 10 medidas exigíveis para que da sua análise/cumprimento os serviços cirúrgicos de Hospitais de pequena dimensão possam ser considerados aptos a desempenhar a sua actividade cirúrgica.


1. Avaliação de custos e qualidade da actividade cirúrgica (readmissões, transferências, transfusões sanguíneas, infecção nosocomial, admissão urgente/programada do doente.
2. Classificação dos Serviços cirúrgicos (cumprimento das normas cirúrgicas, profissionais preparados e em número suficiente, continuidade de serviço 24/24 horas).
3. Avaliação e optimização dos meios humanos no bloco operatório.
4. Avaliação de 2/2 anos da qualidade operatória.
5. Reformulação dos contratos com cirurgiões e anestesistas.
6. Recrutamento para formação de Internos de Cirurgia estrangeiros (de alto nível) da UE por forma a garantir que no futuro todos os doentes sejam tratados de forma idêntica aos tratados por cirurgiões formados em França.
7. Organização do circuito de recepção e transferência de doentes inter-hospitais para que este circuito se realize de forma harmoniosa.
8. Formação dos autarcas, políticos regionais e população para a compreensão da problemática da “qualidade” em Hospitais de proximidade, em associação com os cirurgiões, anestesistas e directores desses Hospitais.
9. Promover a conversão de pequenos hospitais em hospitais de “proximidade” se durante um ano não for possível reunir as condições exigíveis de cirurgia de “excelência”, sem contudo se descurarem as iniciativas necessárias para manter em funcionamento, com esse nível exigível, a actividade cirúrgica.
10. Ter em conta as particularidades da região com a intervenção activa dos responsáveis políticos, associações de utilizadores e associações médicas nacionais para a sua avaliação/decisão.



Podemos concluir o mesmo das unidades que se pretendem agrupar, dos serviços que se pretendem extinguir dos novos que se pretendem criar em Portugal.

Sem uma análise cuidadosa, sem uma avaliação criteriosa dos custos, da qualidade e da quantidade produzida pelos serviços ou unidades que se pretendem extinguir; sem dar a possibilidade às instituições/serviços a possibilidade de se prepararem e de se comprometerem a cumprir o que lhes é minimamente exigido em termos de qualidade e quantidade, podemos estar a incorrer num grave erro.


É esta a metodologia que os franceses estão a adoptar e não a que, pelo menos abertamente, os portugueses insistem em não utilizar.

Métodos diferentes para objectivos iguais em realidades diferentes.



sonho e realidade



Bom…

Ontem e hoje.

Dias diferentes. Ontem alheamento, hoje procura da realidade.

E a realidade de hoje voltei a encontrá-la (e que triste realidade) num local que a todos aconselho.

O Blog do “Médico Explica Medicina a Intelectuais” e em particular, pensar no que o autor em:
Maria de Belém: O Exemplo Deve Vir De Cima. nos interroga, na sua parte final.

É mesmo assim.
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sexta-feira, dezembro 15, 2006

centro hospitalar Guimarães - Fafe



Coloquei aqui no “Que Raio de Saúde a Nossa” em 21 de Novembro um post com o título “prendinha de Ano Novo para pequena cidade do interior do país?a propósito da visita que membros do CA da ARS do Norte fizeram ao Hospital de S.José de Fafe:
(…)
Mas ainda houve tempo para dar a conhecer aos distintos membros da ARS a desmotivação pela ausência de apoio, de perspectivas e de diálogo, num tempo de mudança que se aproxima com a integração desta Unidade de Saúde no secreto Centro Hospitalar que vai ser criado dentro de pouco mais que um mês.Fiquei entretanto a saber que a falta de diálogo sobre a criação deste centro Hospitalar se deveu por um lado a dificuldades que não quiseram revelar (alheias à vontade do CA da ARS) e por outro lado acharam por bem não o promover para não criar alarmismos e falsas expectativas. Uma vez mais, é muito estranho.Pediram-nos para esperar por esse dia e logo depois saberiam os responsáveis, os serviços os profissionais que aqui trabalham e a população de ... (pequena cidade do interior), o que lhes ia acontecer…

E pelos vistos o pedido para esperar por esse dia está a ser consumado, já que decorridas quatro semanas, continuam os profissionais de ambos os Hospitais sem saber o que vai ser o Centro Hospitalar, quais as suas perspectivas e quando e como é que ele se vai constituir. Deste modo se estão a evitar “alarmismos” e “falsas expectativas”.

Não é caso inédito mas como é possível que:

A imprensa Nacional tenha conhecimento de quem vai ser o futuro Presidente do CA sem que o despacho ministerial da constituição do referido Centro Hospitalar tenha sido exarado e que indique nomes “quase certos” para fazerem parte do referido CA. Jornal de Notícias

Que o actual Presidente do CA do Hospital Senhora da Oliveira de Guimarães convoque o seu Director Clínico, acabado de regressar de férias, para o confrontar com o facto de que “seria o único elemento que não deveria fazer parte da futura orgânica do Centro Hospitalar Guimarães-Fafe, que deverá estar formalmente constituído em Janeiro.” Diário do Minho

E tudo isto se passa ou se vai passando sem que "ninguém saiba". Os "ninguém" que mais deveriam e necessitariam saber, por forma a se sentiriam estimulados e motivados para os desafios da mudança que se pertende para melhor.
Já chega de secretismo, de alarmismo da população, de fomento quase que "deliberado" da desmotivação dos profissionais da saúde de ambas as unidades Hospitalares, da falta de diálogo e de clareza de objectivos.

Palavras anónimas, em resumo, de alguém que está bem a par deste e de outros temas da saúde:

"Nem sei quem será mais responsável por esta falta de diálogo e de articulação. Sei que quem sofre é o doente, quer pela exigência da adaptação à mudança e aos respectivos serviços de que pode usufruir (ora passar a, ora deixar de), quer pelo ambiente que se gera mesmo ao nível interno, com o descontentamento dos profissionais a ficar mais evidenciado.
O lamentável é a forma como é conduzido.
Isto era expectável, já que está inserido nas estratégias políticas conhecidas."

quinta-feira, dezembro 14, 2006

seguradoras à espreita

A actual política de Correia Campos de destruição progressiva do SNS e o aproveitamento que as instituições privadas se preparam para dela retirarem os seus lucros, é analisada num artigo de opinião de Maria João Gago hoje publicado no DN.

Vale a pena lá ir e ler.

Diz a autora que "a maioria das principais empresas seguradoras que disponibilizam seguros de saúde está ou admite vir a criar produtos que respondam ao facto de o Estado estar a reduzir os apoios concedidos, seja através da diminuição dos benefícios concedidos seja através do aumento e criação de novas taxas de utilização do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ".

Segundo as Companhias de Seguros, com esta tendência de aumento e criação de novas taxas, de descomparticipação de medicamentos, da eliminação de sub-sistemas e da diminuição das despesas do Estado com os funcionários públicos, associada à crescente incapacidade de resposta do SNS face às necessidades dos cidadãos ir-se-á presenciar um aumento da procura de seguros de saúde.

Assim, a Tranquilidade, do grupo Espírito Santo, a Multicare e a Medis, a Fidelidade/Mundial e a Império/Bonança do grupo CGD, todas elas em linhas gerais propõem-se lançar uma campanha de promoção de "seguros de grupo" em detrimento dos "individuais" à medida das necessidades identificadas, segundo afirmam.
Com este mesmo objectivo também a Vitória, a Axa e a Lusitânia, do grupo Montepio, estarão atarefadas no estudo de propostas a fornecer a variados grupos profissionais.
E conclui Maria João Gago que os preços vão subir, já que:

"O aumento da apetência do mercado - visível não só nos seguros de grupo mas também entre clientes particulares - vai traduzir-se num aumento dos prémios cobrados aos segurados, como já admitiu publicamente o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores. Para as seguradoras, a subida dos preços será um reflexo do agravamento dos encargos com os cuidados de saúde e também da maior utilização do seguro.De acordo com os dados da Axa, a inflação dos serviços hospitalares é de 8,2%, a dos serviços médicos e para doentes ambulatórios é de 2,6%, enquanto a dos serviços de medicina dentária ascende a 2,3%. Por isso, é natural que a MultiCare admita rever preços acima da inflação anual (cerca de 3%), enquanto a Médis garante que os subirá abaixo da inflação médica. A Victoria reconhece que este produto é "caro", enquanto a Generali admite um aumento mais significativo a partir de 2008."

Haverá ainda dúvidas?

reduções arbitrárias


Reduzir arbitrariamente o preço dos medicamentos em 6% é fácil e poupa inclusive o trabalho intelectual de procurar um valor racional e cientificamente fundamentado.No entanto, como MPA muito bem refere e eu próprio já o escrevi em diversas ocasiões, é uma medida que não pode ser repetida indefinidamente, pois é susceptível de originar perversões (no comportamento da IF) bastante mais custosas do que o problema que inicialmente se pretendia resolver.

Além disso, não ataca a verdadeira questão, o que o Xavier aliás explica muito bem no seu texto.

Esta medida serve apenas para criar uma bolsa de ar que permita a CC sobreviver ao próximo défice. No entanto, não tenho a certeza que o consiga, pois a questão dos 6% não é a mais importante neste caso (recordemo-nos que anteriormente embora CC também tenha reduzido os preços em 6%, para além de ter descomparticipado ou reduzido comparticipações de centenas de medicamentos, as poupanças para o SNS foram inferiores a 3%...).

Se verificarmos as alterações introduzidas à forma como se calculam as margens de lucro, observa-se que a redução para a IF foi muito inferior a 6% (embora só a IF saiba quanto, pois a sua margem de lucro em cada produto é desconhecida). No entanto, a IF surge publicamente como credora e como sector atacado por CC. Nesse sentido, sentir-se-á com legitimidade politica para exercer as habituais manobras criativas que permitam repor o lucro supostamente (à luz da opinião pública...) perdido.

Por exemplo, se nem todos os produtos proporcionam a mesma margem de lucro, é possível direccionar as acções de promoção de vendas para os mais interessantes sob esta perspectiva. Do mesmo modo, é também possível promover a prescrição de embalagens de maiores dimensões e manter esgotadas ou com stocks muito reduzidos as de menor dimensão...Sejamos claros: sem uma intervenção sobre a prescrição (nos moldes referidos pelo Xavier e por MPA) CC não tem qualquer hipótese de enfrentar a IF.

E na ânsia de irritar a ANF (o que aliás conseguiu) CC introduziu discretamente uma alteração na forma de calcular as margens de lucro que favorece ainda mais a IF.

Ou seja, CC apostou mais uma vez no cavalo errado: atacou quem actualmente tem pouca capacidade de interferência nos gastos com medicamentos e poupou ou favoreceu ainda mais os responsáveis pelo actual estado de coisas.

O estranho de tudo isto é que o país aplaude e reage como se o Ministro estivesse de facto a fazer alguma coisa de significativo...

Vladimiro Jorge Silva

quarta-feira, dezembro 13, 2006

a ilusão da "incompatibilidade"


Terá sido enviado para publicação em DR um despacho do Ministério da Saúde que considera que “o exercício de funções dirigentes em entidades privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais de instituições integradas no SNS, independentemente da sua natureza jurídica, é passível de comprometer a isenção e imparcialidade com o consequente risco de prejuízo efectivo para o interesse público” e por tal, considera incompatíveis as duas funções.

Sabe-se que a acumulação de funções públicas e privadas, particularmente no campo da saúde, fomenta muitas das “irregularidades” e “aproveitamentos”, nos dois sentidos, que podem lesar terceiros e o interesse público geral dos cidadãos e do SNS.

Isto é do conhecimento de CC e sua equipa e parece ter sido esta a razão a dar valor à fundamentação do seu despacho.

Mas será que é só esta, a sua preocupação?
Então porquê só agora CC tomou esta deliberação?
Porque não é assumida pelo Governo e pela Assembleia da República (em que o Partido Socialista é maioritário) esta “incompatibilidade pública/privada” e a aplicam a todos os sectores da Administração Pública?

Será por estar a verificar que com a abertura de Clínicas Médico-Cirúrgicas e Hospitais privados a proliferar de Norte a Sul do país, começa a ter dificuldades em manter os Serviços do SNS em funcionamento com a qualidade e a quantidade de produtividade que lhe é exigida?
Na minha opinião, penso ter sido esta a razão principal. E se foi, porque não o diz claramente?

Está, Correia Campos, a esquecer-se (o que não creio) ou a escamotear a verdadeira razão de tão propalada “desnatação de médicos do SNS”.

Não é com o impedimento constante deste despacho que vai evitar a “debandada”, até porque o número de activos a serem atingidos por ele será diminuto, comparativamente com os demais que ou vão continuar com a acumulação de funções públicas e privadas, vão pedir a exoneração do lugar que ocupam no SNS ou firmar novos contratos de trabalho, para no sector privado exercerem a sua actividade em regime idêntico ou mais aliciante que os que poderiam fazer no sector público (estes últimos em maior número).

Olhe mais, Senhor Ministro, para o SNS (gestão, orçamentação, qualidade, actualização, prioridade em relação aos serviços privados) e para o que o seu Governo faz aos “funcionários públicos” (carreiras, progressões, incentivos, estabilidade, vencimentos) que a quebra de “isenção e imparcialidade com o consequente risco de prejuízo efectivo para o interesse público” ou a sua não assumida “debandada” deixarão de existir no nosso SNS.

Eu, que já cá estou há muitos anos, fico.
Muitos mais ficarão e só apenas alguns é que se irão embora (não necessariamente “os melhores”).

terça-feira, dezembro 12, 2006

"empresa na hora" e no portal da saúde


Ontem, foi publicado no Portal da Saúde , portal do Ministério da Saúde, a notícia já veiculada pela imprensa nacional referente ao prémio europeu de iniciativa empresarial, atribuído a Portugal pela Comissão Europeia.

O "Projecto Empresa na Hora".

Como foi noticiado, a iniciativa de modernização administrativa “Empresa na hora” constitui o primeiro passo para a simplificação do relacionamento das empresas com a Administração Pública.
E aí está a sua publicitação no portal da responsabilidade do Governo, para que potenciais sociedades empresariais privadas não se esqueçam que também na saúde, as portas para formação de empresas do ramo, estão abertas e quão fácil é a sua constituição. “É simplex”.

Deve ter sido também, pela actual existência desta facilidade, que o governo prevê constituir a ESAP (Empresa de Serviços Partilhados da Administração Pública) com a finalidade de gerir algumas das reformas da Função Pública, cabendo-lhe assim, segundo o DN, “a gestão dos funcionários em mobilidade especial, bem como todas as actividades relacionadas com a prestação de serviços de suporte à Administração Pública, como o processamento de vencimentos e análise de desempenho, a contratação centralizada de bens e serviços ou a gestão da frota automóvel do Estado a empresarialização dos serviços públicos, podendo a empresa constituir "novas sociedades comerciais integralmente detidas por si ou igualmente participadas pelo Estado com vista ao desempenho indirecto das atribuições que lhe são cometidas.

Para o bem e para o mal e na área da saúde também.

À espera da criação da dita empresa o Governo ainda não tornou público quantos trabalhadores da Função Pública não efectivos vão ser dispensados e quantos é que serão integrados como efectivos nesta mega empresa.

Com tanta centralização, será que não irão aparecer mais notícias como a que hoje foi publicada?

"Directora Clínica do Hospital de Aveiro pediu demissão"

Embora contando com a solidariedade dos médicos do Hospital, a Directora Clínica tomou esta posição por desacordo com a Administração no que respeita à proposta enviada para o Ministério da Saúde sobre o quadro de pessoal médico para o hospital e com a decisão da Administrção querer pôr fim aos Centros de Responsabilidade médica e ao Internato Geral que naquele hospital se efectiva há já muitos anos. JN

Eles lá sabem porque querem e não querem... e eu também acho que sei.

hospitais públicos na "bancarrota"?


"Défice de Informação & Contratos PPP"

É este o título dum post do Xavier colocado no SaúdeSA

Referenciando o Relatório de Contas de 2005 de alguns Hospitais EPE portugueses estabelece correspondência com os resultados apresentados pelo jornal Guardian referentes aos índices de 507 instituições de saúde do Reino Unido (com um défice anual enormíssimo).

E que dizer das medidas que a Ministra da Saúde britânica pertende impor para a resolução deste défice, não muito diferentes das que CC se propõe aplicar aqui em Portugal?

Vale a pena ir até ao SaúdeSA e ver o porquê da conclusão que o Xavier tira:


"Os contratos de parceria (PPP) programados por LFP (mais complexos do que os que se encontram em execução no NHS) incluem o financiamento, construção, manutenção e gestão das prestações, envolvendo, por conseguinte, maiores riscos. Temos dúvidas que os cadernos de encargos prevejam um sistema de controlo rigoroso e eficaz dos custos durante o prazo de execução dos contratos (vinte anos para a construção e dez anos para a prestação de cuidados). Se a isto aliarmos a reconhecida incapacidade do Estado em supervisionar/fiscalizar contratos tão complexos, temo que corramos o risco, daqui a meia dúzia de anos, de vermos os novos hospitais na bancarrota .
Acontece que em Portugal os HHs não costumam ir à falência. Os contribuintes é que pagam a conta várias vezes."

... e faça lá os seus comentários

segunda-feira, dezembro 11, 2006

notícia só para "entendidos" ou para "não se entender"





Onde estará o jornalista?



Dos 13 parágrafos duma notícia, hoje publicada no jornal Público, só consegui entender os que se referem aos Cuidados Continuados a Idosos e às Unidades de Saúde Familiares (por sinal, frases já ouvidas).
E estes parágrafos foram poucos.

Os outros, faço esforço para os tentar entender.

""O ministro da Saúde, Correia de Campos, voltou hoje a pedir à indústria farmacêutica que baixe os preços dos medicamentos antigos, para que os novos fármacos possam ter mais espaço no mercado.
"Eu quero fazer um apelo especial (...): para que haja espaço para novos fármacos, nós temos que baixar os preços dos fármacos antigos", disse Correia de Campos na abertura do 1º Fórum Nacional Sobre o Doente Crónico, que hoje decorre em Lisboa.

"Se os países com os quais nos comparamos fizeram baixas enormes - nós limitámo-nos este ano a seis por cento e no próximo ano a seis por cento - a verdade é que a diferença entre os cem fármacos mais vendidos em Portugal e os compradores internacionais é ainda muito desfavorável em relação a Portugal", adiantou.
Questionado sobre a utilização de medicamentos novos, o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Luís Campos, disse que é necessário seleccionar os doentes que mais beneficiem da nova terapêutica, porque não há possibilidade para todos os doentes.
Contudo, Luís Campos garantiu que até agora "as limitações existentes ainda não se sentem" nos meios médicos.
"É nossa [dos médicos] obrigação ética atender aos recursos" do Serviço Nacional de Saúde, referiu, adiantando que se passar a haver muitos doentes que reúnam as características para que seja prescrita medicação nova, nessa altura terá de haver limitação.
Sobre as doenças crónicas, o ministro referiu que 80 por cento das consultas hospitalares por ano são "consultas repetidas, muitas das quais a doentes crónicos".
De acordo com o ministro, o objectivo do Governo é criar uma boa rede de informação para que os clínicos disponham da situação clínica dos doentes e os possam encaminhar melhor, aumentando a acessibilidade dos doentes.
Para além da baixa dos preços dos medicamentos e da criação de um sistema de informação, que o ministro considerou como fundamental, Correia de Campos evocou outras recomendações, nomeadamente para minorar os efeitos negativos das doenças crónicas, nos próprios doentes e no Sistema Nacional de Saúde.
Correia de Campos sublinhou a reorganização dos cuidados primários, através das Unidades de Saúde Familiares.
"Se nós não vencermos a batalha das Unidades de Saúde Familiares perdemos provavelmente a última oportunidade de reformar os nossos serviços de saúde primários" adiantou.
O ministro realçou ainda a importância dos Cuidados Continuados a Idosos.
"Se não fizermos mais nada no Ministério da Saúde, mas fizermos só isto, teremos feito muito", disse.
""
Público

Será mal dos "Campos" (Correia Campos ou Luís Campos) ?
Destes terem falado na sessão de abertura do 1º Fórum Nacional Sobre o Doente Crónico que hoje decorreu em Lisboa?

Ou será do jornalista?

Espero (mesmo assim triste) que o mal seja do jornalista... Só pode ser.
O Forum, os leitores, Luís e Correia Campos mereciam mais.

domingo, dezembro 10, 2006

in memoriam


a todos os que morreram, desapareceram e ficaram doentes...


nem tudo vai mal no SNS


Unicef: Portugal é dos países com menos mortalidade infantil Diário Digital

Algarve: Concurso para novo hospital central lançado em 2007 Diário Digital

Doente foi operado ao cólon com recurso a técnica inovadora Jornal de Notícias


Nem tudo está mal na nossa saúde como o provam estas três notícias.
As duas primeiras, em que o noticiado tem a ver com o que o nosso Serviço Nacional de Saúde tem feito e se propõe ainda fazer.
A outra, com o que um hospital público ex SA e agora EPE tem feito na área da cirurgia do cólon.

A primeira notícia, dá-nos conta do reflexo dos bons níveis de cuidados assistenciais no campo materno-infantil que em Portugal se têm praticado nas últimas décadas.
Este indicador, que tão subvalorizado ou ocultado tem sido pelos políticos e pelos detractores e obsessivamente interessados em alterar o que de bom se tem feito no nosso SNS, nesta área, não impediu que com base na necessidade de aproveitamento dos recursos e da contenção de gastos, se alterasse algo que pelos vistos estava a dar bons resultados (o que parece ser um contra-senso).

Daqui a uma década veremos os resultados. Se permanecemos entre os 13 melhores ou se ultrapassamos a Suíça, Eslovénia, Finlândia, Itália, Japão, Liechtenstein, Noruega, República Checa, Suécia, Andorra, Singapura, Islândia e San Marino para lugares mais cimeiros…

A segunda notícia refere-nos que “ o concurso para a construção do novo hospital central do Algarve deverá abrir em meados de 2007, depois de concluído o trabalho do grupo que estabelecerá as regras da adjudicação” mas “De acordo com experiências de outros hospitais, esta adjudicação ainda poderá ser lançada em 2008” . Prevê-se assim que seja “2011 «uma boa data» para a inauguração”.
A ser assim do mal o menos.

O pior vem depois... os projectos, as alterações ao projecto, as impugnações ao concurso, os processos judiciais, novos concursos, novas adjudicações, e se lá chegarmos à construção, as derrapagens, os processos judiciais novamente, a conclusão da obra, o equipamento e finalmente a data escolhida a dedo para a Inauguração, com pompa e circunstância, pelo Senhor Primeiro Ministro acompanhado pelo Senhor Ministro da Saúde da altura.

Por fim a notícia sobre o avanço da técnica cirúrgica que permite através de cirurgia laparoscópica a exérese de tumores do cólon (colectomia) sem necessidade de laparotomia.
Boa notícia sem dúvida, para os doentes a quem foram diagnosticado estes tumores cólon-rectais.
Não sou expert na matéria, mas a bem do doente, consigo prever ( e os conhecedores que me corrijam) um pós-operatório menos doloroso, um risco de infecção menor, menos perdas de sangue, um levante mais precoce, um internamento mais curto e se ainda houver mais, também uma redução das complicações pós-operatórias tardias.
Desconheço as complicações per-operatórias e pós-operatórias imediatas, se bem que estas possam ser reduzidas como apuramento da técnica laparoscópica em questão.


Até aqui, tudo bem… parabéns aos técnicos do Hospital Padre Américo e ao SNS por os terem a realizar em Portugal esta e muitas outras “cirurgias de ponta”.

Assim todos esperamos que continuem com bons e excelentes resultados.

Só que, perdoem-me a pergunta.
Porquê começar a cirurgia só às 10h e 10 minutos?
Segundo parece, à espera que as câmaras fotográficas e os repórteres do JN se aprontassem para a reportagem que se exigia.
E para quê?
Para que os nossos doentes se sintam seguros ao saber que em Portugal o nosso SNS trata as doenças como nos melhores centros mundiais.
Sim, mas para quê tanta auto-promoção, tanto protagonismo (individual) e publicidade patrocinada no SNS?

A “publicidade” no SNS é dada pela 1ª notícia que aqui comentei.
Por este tipo de publicidade,
não.

sábado, dezembro 09, 2006

Maria de Belém consultora do Hospital “Coquepite”


Maria de Belém admitiu ao SOL que tem uma avença com o Espírito Santo para dar pareceres sobre estratégia na área da saúde, mas garante que tal é não incompatível com o cargo de deputada. «Apesar de não ter uma remuneração regular, decidi não ter exclusividade na Assembleia. Por isso posso trabalhar para outros sítios», referiu a ex-ministra.

São questões de princípio senhora Doutora.
Princípios de interesses, de renúncia a valores do SNS, de seguidismos da política de privatização e protecção dos privados, de alheamento dos problemas do SNS, de capitulação perante ele.


A coberto duma capa de “remuneração não regular”, dum pedido de abandono da “exclusividade” como deputada do PS na AR e de “poder trabalhar para outros sítios” espera que os portugueses a compreendam e a não critiquem.

Claro que vai ter uma pequena remuneração de longe a longe; claro que a exclusividade na AR até a obrigava a sacrifícios e também é claro que pode trabalhar noutros sítios...

Mas o que não é claro, é qual vai ser essa remuneração não regular (também não temos nada com isso);
O que não é claro que tenha feito algo (enquanto em exclusividade como deputada), pelo SNS de todos nós pois se o tivesse feito os "privados" não a recrutariam por nada já haver a fazer com rentabilidade neste sector;
O que não é claro é porque prefere o Grupo BES e não o trabalho de cidadania no SNS que muito precisaria dos seus conhecimentos no âmbito dos cuidados continuados (agora reconhecidos por este grupo privado).

Resta saber quais as contrapartidas exigidas (de ambas as partes) e que papel tem CC em todo este processo (não quero falar em promiscuidade, mas até me apetecia).

o elixir para o SNS 2007





Em período de troca de cartões de "Boas Festas" é este o desejo "que raio de saúde a nossa" tem, contra o prenúncio a todos enviado pelo Xavier, no SaúdeSA.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

a saúde em notícia hoje

Afinal o que importa não é a literatura
nem crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio,
nem o ter dinheiro ao lado, de ter horas de ócio.
Afinal o que importa não é ser novo e galante
Ele há tanta maneira de compor uma estante!
Afinal o que importa é não ter medo:
fechar os olhos frente ao precipício e cair verticalmente no vício.
Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola de peludo
à saída da pastelaria, e lá fora - ah,lá fora! - rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
(Mário Cesariny)


A APIFARMA tem-se mostrado crítica mas responsável e colaborante (Francisco Ramos em “Haja Saúde – RTP2)

Alcoólicos sem apoio devido a falta de sala
aqui

Doentes crónicos sem resposta
aqui

Asmáticos deixam medicação devido a fraca comparticipação Estado aqui

Distrito de Bragança tem o maior número de casos de febre da carraça no país aqui

Doentes mal alimentados nos Hospitais
aqui

Moradores impacientes inauguram centro de saúde
aqui

Fecho dos SAP nas Beiras adiado para 2007 aqui


quinta-feira, dezembro 07, 2006

"unidose" nas farmácias dos hospitais



Há muito que se fala na composição das embalagens de medicamentos no que se refere à relação número de doses/dias de tratamento necessários, no desperdício em medicamentos com o consequente encarecimento dos tratamentos, nos tratamentos incompletos, na farmácia da gaveta da mesinha de cabeceira ou no “tenho ali uma pastilha que te deve fazer bem”.
Finalmente o
Decreto-lei 235/2006 que ontem foi publicado em DR, vem contemplar a possibilidade de serem fornecidas aos doentes a quantidade necessária de doses, para completar o tratamento.

O vulgarmente conhecido por “unidose”.

Artigo 47.º
Dispensa de medicamentos em unidose
1 - As farmácias instaladas nos Hospitais do Serviço Nacional de saúde podem dispensar medicamentos ao público em unidose.
2 - A dispensa de medicamentos referida no número anterior é regulamentada por portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia e da saúde.
3 - Aos medicamentos destinados à dispensa em unidose nas farmácias instaladas nos hospitais do SNS não se aplica o disposto no artigo 104.º do DL 176/206 de 30 de Agosto.
(necessidade de rotulagem e de folheto informativo a fornecer ao doente)

Mas só nas futuras farmácias a instalar por concurso nos Hospitais do SNS, tal como prevê este DL.”.
Porquê só nestas?

Mas por estranho que possa parecer:

Artigo 46.º
Produtos
A farmácia a funcionar no hospital concedente pode dispensar os mesmos produtos cuja dispensa seja permitida nas farmácias de oficina.

Isto quer dizer que vamos ter à venda nestas farmácias “tudo e mais alguma coisa” que nas farmácias de rua se vende.

É que estas futuras farmácias dos Hospitais do SNS, como seria de esperar deste ministro, vão ser farmácias privadas iguais a tantas outras, sem tirar nem pôr, com os mesmos princípios de mercado, com o mesmo objectivo. Só que estão muito, mas muito mais perto e à mão do "consumidor" - o doente.
Está em conformidade com a entrega à exploração por privados de "mais valias" que deveriam ser públicas.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

a lei do mercado nos medicamentos

Segundo o Infarmed, entre Outubro de 2005 e Setembro deste ano, a venda destes fármacos não sujeitos a receita médica, representou um valor de 1,7 milhões de euros, correspondentes a 399.599 embalagens vendidas.
Tendo em conta o preço dos vários medicamentos no mês em que a legislação permitiu a sua venda fora das farmácias, Agosto do ano passado, os dados do Infarmed demonstram que o ácido acetilsalicílico é aquele cujo preço mais subiu (113,7 no índice de preços, tendo em conta que a referência relativa a Agosto de 2005 é 100), nestes estabelecimentos, o mesmo ocorrendo com a marca Aspirina (índice 123,7).
O grupo de medicamentos que registou mais vendas fora das farmácias foi o dos analgésicos e antipiréticos (contra a febre), com 21,7% do total das unidades vendidas.
O paracetamol foi a substância activa mais vendida em termos e unidades (43.049 embalagens), enquanto a Nicotina foi a líder em vendas em valor (104.022 euros em preços de venda ao público).
O Infarmed indica ainda o Modelo Continente Hipermercados SA é «responsável por 39% do mercado e apresenta um índice de 95,3, o que significa que os seus preços são em média inferiores aos existentes antes» desta data.
De uma forma global, tendo em conta as vendas comunicadas até Setembro, é possível perceber o preço dos medicamentos sem receita desceu nos primeiros meses a seguir ao início da sua venda fora das farmácias, mas subiu para valores mais próximos dos iniciais em Maio e Julho, e voltou a registar uma ligeira descida em Agosto e Setembro.
Diário Digital

É a política do medicamento sujeita à lei do mercado da oferta e da procura.
Aumenta-se o preço dos medicamentos para as enxaquecas quando os impostos aumentam.
O preço dos anti-eméticos nas alturas das festas populares.
Dos antihistamínicos quando o verão se aproxima.
Dos polivitamínicos quando a fruta fica mais cara.
Dos anti-tússicos no Inverno
Enfim... e quando nos falam do que pretendem fazer ao SNS que princípio activo irá baixar?
É caso para se dizer:
Venham as doenças aquando das más notícias e das festas que pelo menos gastamos menos com os medicamentos.

Segundo o Infarmed, entre Outubro de 2005 e Setembro deste ano, a venda destes fármacos não sujeitos a receita médica, representou um valor de 1,7 milhões de euros, correspondentes a 399.599 embalagens vendidas.
Tendo em conta o preço dos vários medicamentos no mês em que a legislação permitiu a sua venda fora das farmácias, Agosto do ano passado, os dados do Infarmed demonstram que o ácido acetilsalicílico é aquele cujo preço mais subiu (113,7 no índice de preços, tendo em conta que a referência relativa a Agosto de 2005 é 100), nestes estabelecimentos, o mesmo ocorrendo com a marca Aspirina (índice 123,7).
O grupo de medicamentos que registou mais vendas fora das farmácias foi o dos analgésicos e antipiréticos (contra a febre), com 21,7% do total das unidades vendidas.
O paracetamol foi a substância activa mais vendida em termos e unidades (43.049 embalagens), enquanto a Nicotina foi a líder em vendas em valor (104.022 euros em preços de venda ao público).
O Infarmed indica ainda o Modelo Continente Hipermercados SA é «responsável por 39% do mercado e apresenta um índice de 95,3, o que significa que os seus preços são em média inferiores aos existentes antes» desta data.
De uma forma global, tendo em conta as vendas comunicadas até Setembro, é possível perceber o preço dos medicamentos sem receita desceu nos primeiros meses a seguir ao início da sua venda fora das farmácias, mas subiu para valores mais próximos dos iniciais em Maio e Julho, e voltou a registar uma ligeira descida em Agosto e Setembro.


É a política do medicamento sujeita à lei do mercado da oferta e da procura.
Aumenta-se o preço dos medicamentos para as enxaquecas quando os impostos aumentam.
O preço dos anti-eméticos nas alturas das festas populares.
Dos antihistamínicos quando o verão se aproxima.
Dos polivitamínicos quando a fruta fica mais cara.
Enfim... dos anti-depressivos quando se ouve CC em entrevista televisiva


E estamos a falar de Saúde.
A falar da mercantilização da Saúde.
Optimo.

terça-feira, dezembro 05, 2006

sobre a suspeição (ou realidade) da selecção de doentes pelo SNS


O Diário de Notícias de hoje está de parabéns.
Muitos dos post publicados em blogs sobre a saúde, fazem referência a um artigo de opinião de Helena Garrido editado no DN de hoje.

A Directora Adjunta deste jornal, duma forma extremamente clara e realista aponta alguns dos riscos que corre o SNS com a orientação que está a ser dada pelo actual Ministério da Saúde de Correia Campos, na sequência do de Luís Filipe Pereira.
Apesar do desmentido do Ministério da Saúde que segundo informou vai proceder à recolha de informações sobre a veracidade da afirmação do presidente da Entidade Reguladora da Saúde sobre a suspeita de recusa de tratamento de alguns doentes do SNS pelos HH públicos, não resisto também aqui de prestar a merecida homenagem à jornalista Helena Garrido por tão excelente texto.

"Na série televisiva Dr. House há uns episódios em que a clínica recebe uma generosa injecção de capital de um empresário que obviamente se impõe como presidente da administração. O hospital passa a ser gerido com critérios puramente financeiros. Depois de várias peripécias, o empresário vai-se embora e leva o dinheiro consigo. Tudo regressa à normalidade, gastando-se o que for preciso para salvar uma vida.

Não se explica como se passa a pagar as facturas.Na realidade é preciso ter quem pague as facturas.
Mas quando se impõem critérios apenas financeiros nos hospitais o resultado é, obviamente, a degradação dos serviços de saúde.

Quando, em 2002, o então ministro da Saúde Luís Filipe Pereira começou a concretizar o modelo dos hospitais com gestão empresarial, uma ideia do seu antecessor e actual ministro Correia de Campos, percebeu-se logo que os doentes mais caros e prolongados estavam condenados.

No papel existia um modelo com vários tipos de hospitais. Uns tinham objectivos financeiros apertados. E quando se alertava para o efeito perverso que a ausência de objectivos de qualidade poderia causar, a resposta estava nos hospitais de retaguarda, que iriam aparecer e que garantiriam o tratamento aos doentes prolongados e mais caros.
Como se esperava, só se concretizou a parte financeira do modelo.
E aconteceu exactamente o que se previa: hospitais a recusarem doentes que lhes podem "estragar" os objectivos... financeiros.

A afirmação de ontem do presidente da Entidade Reguladora da Saúde, Álvaro Almeida, revelando existir a "suspeita" de que há hospitais públicos a recusarem acompanhar portadores de esclerose múltipla não é nada que não se esperasse.
É de elogiar a coragem de dizer o que já se esperava, mas deve igualmente criticar-se a forma como o fez.
Um responsável pela regulação da saúde não pode falar em "suspeitas".
Se existem casos deve actuar de imediato.

O modelo que está em vigor reúne condições para os hospitais recusarem não apenas acompanhar portadores de esclerosse como muitos outros casos.

A gestão empresarial dos hospitais pode ser um caminho para reduzir o desperdício e melhorar os cuidados médicos. Mas, como está concretizada, é apenas uma via de degradar a assistência na saúde. Os objectivos financeiros deveriam ter sido completados com exigência de qualidade e obviamente com os hospitais de retaguarda. Como sempre, ficou-se pelo corte de custos e pela criação de empresas com lugares para ocupar nas administrações. Tudo o resto, o mais importante, ficou por fazer estragando uma boa solução.

O resultado final, ainda o veremos, será gastar mais e ter pior saúde.
Lamentável"
Helena Garrido

segunda-feira, dezembro 04, 2006

visita de estudo à Extremadura Espanhola


“O ministro da Saúde anunciou hoje que os pequenos hospitais que vão ficar sem urgência nocturna serão dotados de serviços de cirurgia de dia e consultas externas especializadas” e afirma que estes pequenos Hospitais desprovidos de serviço de urgência nocturna serão integrados em centros hospitalares, conjuntamente com “hospitais mais fortes" e disporão dum serviço de cirurgia aberto e um serviço de consultas externas de especialidades, com especialistas vindos de hospitais mais fortes.

Terminado há 4 dias o período de discussão pública do projecto de requalificação da rede nacional de Serviços de Urgência e CC já tem o remédio para os Hospitais que vão ser desprovidos do Serviço de Urgência durante a noite (só durante a noite?).

E para que os autarcas se calem e fiquem satisfeitos com as mudanças que se aproximam, até se disponibiliza a acompanhá-los ou a orientá-los numa visita de estudo à Extremadura Espanhola onde já funciona este tipo de Hospitais ditos de proximidade.

Será mero acaso o conhecimento assim tão profundo que o nosso Ministro da saúde tem de como se está a tratar da saúde dos nossos vizinhos da Extremadura espanhola?
Concerteza que sim, já que segundo o SOL de 24 de Novembro, "aquando da XXII Cimeira Luso Espanhola realizada em Badajoz, ao início da manhã, antes da assinatura de acordos e da conferência de imprensa conjunta, Sócrates e Zapatero deram um passeio a pé pelas ruas de Badajoz, até ao Museu Arqueológico da cidade, onde teve lugar uma reunião plenária.
Pela parte do governo português, além de José Sócrates, estiveram presentes vários Ministros portugueses entre os quais Correia Campos que paralelamente ao encontro entre Sócrates e Zapatero, terá tido uma reunião sectorial com o seu homólogo espanhol.

Por certo terá tido CC, neste encontro, a oportunidade de combinar as visitas de estudo a estes hospitais de proximidade da Extremadura a maior parte deles Hospitais de iniciativa privada ou semi-pública.

Mas serão os autarcas os principais interessados em observar o modo de funcionamento dos ditos hospitais de proximidade?

Bom, apetece-me agora falar dos outros interesses e problemas (dos autarcas também):
"Foi ontem inaugurado o novo cemitério de Repeses, seis anos depois de começar a ser projectado. Porém, os discursos e o programa festivo da inauguração, desagradaram aos eleitos socialistas da Assembleia de Freguesia."
A referência a verdadeiros repesenses, feita pelo senhor presidente da Junta de Freguesia, durante a sua intervenção, foi absolutamente lamentável e merece todo o nosso repúdio. Ao falar daquela maneira, classificou os repesenses de bons e maus, e isso é inadmissível.
Foi um discurso carregado de arrogância e ódio", protestou Olga Sacramento.
Alvo de críticas foi também o programa de inauguração. "Inaugurar um cemitério com concertinas, bombos e a infantuna, parece-nos desadequado. Um espaço destes, que representa a dor e a saudade, devia ter sido inaugurado de forma mais discreta", afirma Nunes Ribeiro.
O novo cemitério foi construído paredes-meias com o da Confraria de Santa Eulália. "Não foi fácil fazê-lo e demorou mais por causa das dificuldades na aquisição dos terrenos", conta o presidente da Junta de Freguesia de Repeses, José Pais Ferrão."Os que nunca fizeram nada por esta freguesia fartaram-se de falar, falar de mais. Agora que foi inaugurado, as vozes calaram-se", criticou o autarca, que anunciou novas obras para a freguesia ampliação do jardim de infância, com mais uma sala e refeitório, num custo total de 90 mil euros; relvamento do campo de futebol (35 mil euros); alargamentos de ruas, melhoramento do polidesportivo de Santa Eulália.
José Pais Ferrão lembrou ainda que o saneamento na freguesia "está a 100%", "tal como a água ao domicílio". "Temos também as ruas todas pavimentadas e iluminadas", disse.
JN 04-12-06

domingo, dezembro 03, 2006

o fim do livro de ponto no SNS


Nada a opor ao controlo electrónico regulador efectivo da assiduidade e do absentismo e facilitador da gestão dos recursos humanos, mas não da produtividade.

Fugas ao controlo são sempre possíveis, ou não fossemos nós "portugueses".

E é aqui que se deve centrar o problema colocado em discussão.

O da responsabilidade individual e de grupo.

Não adianta ter o registo de entrada à hora certa quando se passeia pelos corredores, se permanece nos bares das instituições, se depois de um acto médico ou cirúrgico se protela a saída (por não ter nada que fazer na clínica privada ou em casa) e se os responsáveis são coniventes com estas atitudes.

É que penalizado deve ser quem chega tarde, como compensado deve ser o que prolongou o seu horário de trabalho. E se este prolongamento ou o atraso na entrada não tiver a "certificação" dum hierárquico superior responsável, independente, sério e destituído de estigmas corporativistas… não vai ser o controlo electrónico que vai alterar o comportamento efectivo no dia de trabalho do profissional da saúde seja ele médico (o mais afectado, reconheço), técnico superior, enfermeiro, administrativo ou auxiliar.

Palavras como as de Carlos Arroz do SIM "se se souber à partida que uma operação se vai prolongar para além do horário normal de trabalho, esta poderá não começar sequer" são reveladoras da má recepção que esta mediada tem no sector médico e das resistências que alguns a ela vão colocar parecendo à partida delegar no controlo da assiduidade uma previsível baixa (ainda maior) da produtividade.

Será que os Directores de Serviço, os Chefes de Sector ou as Chefias Intermédias e porque não também os Membros dos CA (mesmo sem horário) vão ser sérios, isentos e acima de tudo bons pedagogos?

Assim o espero e esperamos todos.
Fossemos nós todos, Portugueses com letra grande e não seriam necessários os “pontómetros”.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

acordos e desacordos com as listas de espera



Segundo o Jornal de Notícias, dizem Pedro Nunes (Bastonário da Ordem dos Médicos) e Teófilo Leite (Presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada) a propósito da persistência das listas de espera no âmbito do SIGIC:

De acordo:
Pedro Nunes: “Os recursos disponíveis para a saúde não permitem reduzir as listas de espera para a cirurgia”
Teófilo Leite: “a sua capacidade era de 100 mil cirurgias, mas as verbas disponibilizadas pelo Ministério da Saúde só permitiam contratualizar 50 mil”

Em desacordo:
Pedro Nunes: "não é com este sistema, com dotações financeiras extraordinárias ou pagamentos de produção à peça, que se resolve a situação, essa é a solução de economistas. Os médicos só fazem o que podem com os meios que têm"
Teófilo Leite: “os hospitais privados têm demonstrado todo o interesse para cooperar”

Teófilo Leite: “as restantes (cirurgias) estamos a negociar com os responsáveis do programa de listas de espera inglesas
Pedro Nunes: "os doentes andam a ser operados por médicos que não conhecem, não são seguidos pela mesma equipa"

E também de acordo:
Pedro Nunes: “o mais importante não são os números, mas os tempos de espera de acordo com a gravidade das patologias”
Correia Campos: número de inscritos é irrelevante, o que é importante é o "tempo de espera, que deve ser reduzido”.
Será que Correia Campos também está de acordo como que Manuel Delgado disse?
Manuel Delgado: “Não temos sido bem sucedidos no combate às listas de espera. O número de inscritos é idêntico ao do ano anterior, o tempo médio de espera não teve uma alteração significativa, logo, e tendo por base apenas estes indicadores, não se pode avançar muito mais"
E ontem, em entrevista dada à Visão, Correia Campos diz:
"Qual a intervenção dos privados nas listas de espera? Menos de 10 por cento! Também nós estávamos convencidos que haveria um boom privado nessa área, mas isso nunca se verificou. A verdade é que a abertura foi total para com o sector privado e este não manifestou mais do que um interesse marginal. E não está a dar mais do que um contributo marginal para a resolução dos problemas das listas de espera".
Que confusão para aqui vai... será que é para continuar?
Tony Blair(s) ou Margareth Thatcher(s) precisam-se (o diabo que escolha).