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Na China milenar, até há meio século atrás eram os próprios pais que desde tenra idade das suas filhas, através da aplicação de ligaduras progressivamente mais apertadas e ao longo do crescimento com a obrigação do uso de sapatos extremamente apertados, conduziam a que um pé considerado normal viesse a satisfazer os conceitos chineses tradicionais de “beleza erótica” ao ser transformado num pé deformado e pequeno, semelhante a um casco e a que apelidavam de Lotus Dourado.
Para os homens chineses, um pé assim era considerado como o máximo da feminilidade, como um “objecto” de desejo erótico que “mordiscavam, acariciavam e chegavam a enfiá-lo totalmente na boca” durante o acto sexual.
Entretanto, no ocidente, os pais, os médicos e sociedades ortopédicas sempre se preocuparam com as deformidades congénitas dos recém-nascidos em particular com os “pés botos”, deformidades que afectam 1 a 8 por cada 1000 crianças nascidas.
Com o objectivo de tornar o pé do bébé funcional, indolor e com aspecto mais "normal", para que possa andar e correr sem problemas e poder usar sapatos da mesma forma "normais", são as crianças submetidas desde o nascimento a tratamentos prolongados através de gessos, talas muito esquisitas e botas ortopédicas, tratamentos que se podem considerar como autenticas "torturas", para não falar das não raras e múltiplas operações a que os seus pés têm de ser submetidos.
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Mas quando adultos, e enquanto a China abandona a tradição, nas civilizações ditas civilizadas, as mulheres ainda continuam a auto torturar-se com o uso de sapatos considerados "normais", estreitos, de bicos pontiagudos e de saltos bem altos já que a elevação do calcanhar também faz o pé parecer mais curto e assim serem entendidos como "mais femininos".
E depois lá voltam as talas, as operações e os gessos.
Métodos diferentes para objectivos idênticos ou falta de coerência?
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