terça-feira, abril 01, 2008

assim tudo bem


Confrontado com os graves problemas que poderiam ocorrer perante um diminuto número de médicos de Medicina Interna da Unidade de Fafe do Centro Hospitalar do Alto Ave (situação esta denunciada pelos clínicos desta Unidade e que há já alguns meses preocupava os seus profissionais, o Director Clínico e até o Sr. Presidente da Câmara da Cidade), o Conselho de Administração deste Centro Hospitalar decidiu, a par da contratação de 2 clínicos desta especialidade, destacar um outro, recentemente contratado, do Serviço de Medicina Interna da Unidade de Guimarães, clínico este que há muito vinha mostrando interesse em dar o seu contributo como Internista na Unidade de Fafe.

Com o restabelecimento da normalidade assistencial nesta importante Unidade do CHAA, ficam assim resolvidos todos os problemas que conduziram, temporariamente, a uma diminuição da qualidade e a uma quebra da produtividade, particularmente nas áreas cirúrgicas e assistenciais do Serviço de Urgência de Fafe.

Dando seguimento ao entendimento da ARS do Norte, pondera também o CA do CHAA ter a mesma atitude de rentabilização dos Assistentes Hospitalares do Centro Hospitalar, reforçando brevemente o quadro médico de Assistentes de Ortopedia da Unidade de Fafe, cujo Serviço, desde há muito, vem reivindicando tal atenção.

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segunda-feira, março 31, 2008

as regras doentias do mercado

Preenchidas só dez das 115 vagas para médicos em unidades carenciadas do interior. Público
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Será com este valor hora-trabalho (11,88 €) que alguém consegue cativar o jovem profissional médico especialista, para em qualquer Hospital Público (EPE ou SPA, do interior ou dos grandes centros populacionais do país) dar inicio à sua actividade como sénior, quando, frequentes ameaças à extinção progressiva do sector público administrativo e a já crónica indefinição da necessária reestruturação das Carreiras Médicas se associam a propostas de regimes remuneratórios, “oferecidos” por Hospitais EPE, que podem atingir os 50 €/hora?

Que as diferentes empresas do sector privado da saúde o decidam fazer (porque a livre concorrência do mercado assim o permite), estão no seu direito. Mas que a mesma entidade empregadora (o Estado) o faça desta forma, quantas vezes especulativa e doentiamente concorrencional com o próprio sector público, criando gritantes disparidades remuneratórias dentro do mesmo grupo profissional e do mesmo Serviço, com competências e experiência profissional bem diferentes, é inadmissível.
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domingo, março 30, 2008

à atenção de Ana Jorge


A ministra da Saúde, Ana Jorge, garantiu hoje que o mapa da rede de urgências hospitalares «é para cumprir». DD

E bem a propósito deste tema recorrente, retirei daqui, este texto escrito pelo Dr. Jaime Teixeira Mendes.

A revolta da Maria da Fonte, seguida da revolução da Patuleia ou Pata ao Léu, começou na Povoa do Lanhoso com uma contestação às primeiras leis de saúde pública publicadas em Portugal pelo governo de Costa Cabral.

Visto à distância de 200 anos, as leis eram correctas e progressistas para o avanço necessário de um país atrasado pela monarquia absolutista.

Quais eram essas leis?
Cito o conto jocoso atribuído a António Feliciano de Castilho, cabralista nesses tempos: “Crónica Certa e muito verdadeira de Maria da Fonte escrevida por mim que sou seu tio O Mestre Manuel da Fonte Sapateiro no Peso da Régua dada à Luz por um cidadão demitido que tem tempo para tudo”. Escrito em linguajar do Norte da época.
Cito: “… chamada a lei de saúde púbrica, que no principio cudavam alguns vezinhos meus, que seria pra mandar que todos tevessem sempre saúde* mas eu logo le disse que non podia ser, e non era. Parece que dizia a lei de saúde púbrica, que os defuntos se non haverem de interrar senon nos cavadelos (cemitérios) por non ser bonito fazer-se de egreja monturo, que às vezes cheiram elas a carniça podre que nem o açougue cá da vila, que tem por dezer que são cousas munto ruins para a saúde corporal dos corpos da gente, que dali se jaressem muntos germos de infermedades e maleitas, que non têm cura."
Mas a lei ia mais longe: “… non poderem os boticairos ** vender um bocado de resgalgar (veneno) prós ratos sem receita, nem os vendeiros vender vinho sem ser aprovado e as casas de comer non poderem cozinhar em coisas que fezessem azenhabre (azebre) e os comestiveles das tendas serem inzeminados, a ver se eram sãos, e oitas mais que nunca se viram em parte nenhuma*** Mas contudo o que mais alanzoação causou, foi dezer a desanvergonhada da lei, que as mulheres do fado seriam muito bem revistadas toda-las semanas pólo porvedor da saúde, e que ainda em riba le haveram de pagar ****."

O que é facto é que foram estas as causas próximas da revolta popular da Maria da Fonte que, apoiada numa santa aliança que vinha dos setembristas (liberais radicais), dos jesuítas e dos miguelistas, derrubaram o governo de Costa Cabral.

Não é preciso muita imaginação para se ver uma certa semelhança entre a reforma das urgências e o encerramento das Maternidades, nas terras do interior, e as medidas de saúde pública impostas por Costa Cabral há 200 anos. A História diz-nos que o governo cabralista era ditatorial e prepotente, e para o progresso do país agravava os impostos e criava novos, enquanto os jornais escreviam que os Cabrais já tinham 8 milhões contados. Claro que aqui não existe nenhuma semelhança com o governo de Sócrates.

Estes são exemplos que os governantes não podem esquecer.
As medidas, mesmo parecendo boas e tendo o aval dos Srs. “excelentes técnicos”, não se podem fazer contra o povo nem, acrescento eu, a mau grado dos seus executantes.
O governo, contudo, parece não aprender e do alto da sua arrogância de maioria absoluta insiste no erro. Já lá vai um ministro, atenção que se podem seguir outros.

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Notas
*Ontem como hoje nunca se explicam as reformas ao bom povo
**Sempre os farmacêuticos a quererem vender sem receita médica
***Acção da ASAE
**** Esta o Correia de Campos esqueceu

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sábado, março 29, 2008

basta!

Bem difícil é manter a calma …

“A ministra da Saúde, Ana Jorge, responsabiliza o Hospital de Santa Maria pela falta de anestesistas naquela unidade hospitalar.” RFM

E de quem é a responsabilidade, quando tudo tem sido feito para que o Serviço de Medicina Interna da Unidade de Fafe do Centro Hospitalar do Alto Ave acabe por ficar, actualmente, só com três médicos de Medicina Interna a exercer funções assistenciais na Unidade, inviabilizando assim frequentemente a realização de cirurgias programadas e colocando na dependência de médicos de Clínica Geral a vigilância e o atendimento Urgente a todos os doentes internados e aos que ao SU recorrem por doenças agudas e graves do foro da Medicina Interna?

E de quem é a responsabilidade quando se permitem contratações de profissionais para desenvolver actividade em Serviços já com quadros de médicos declaradamente subaproveitados, quando outros Serviços, do mesmo Centro Hospitalar, continuam com índices de produtividade francamente elevados e permanecem, desde há muito, deficitários de profissionais médicos?

E quem parece fazer “ouvidos moucos” a frequentes alertas, por parte das direcções de Serviço, referentes à preocupação sentida pela degradação das condições assistenciais oferecidas aos doentes da área de influência da Unidade de Fafe do CHAA, malgrado o esforço dos seus profissionais?
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Que se cozinha às escondidas?
Depreende-se a ementa, mas o melhor será perguntar ao Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Alto Ave e à ARS do Norte !!!
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quarta-feira, março 26, 2008

a qualidade na saúde


"São resultados muito bons. Esses resultados superam todas as nossas melhores expectativas e todos os objectivos definidos pelo Governo. Este é o mais baixa défice dos últimos 30 anos - representa o valor mais baixo da democracia portuguesa" José Sócrates

Sem qualquer dúvida… assim parecem demonstrar os números frios das contas públicas que acabam finalmente por justificar uma redução de 1%, para breve, do valor do IVA.

E como o deficit da saúde, particularmente o hospitalar, deixou de contribuir para este deficit público, nenhum interesse parece despertar a este Governo o que (pasme-se) até ao Bastonário da Ordem dos Médicos parece
afligir”…
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… a “selvajaria” dos contratos individuais de trabalho que os CA dos HH EPE celebram, de forma discriminatória, dispare e sem qualquer regulamentação, com os profissionais da saúde por forma a garantirem uma falsa competitividade institucional, um aumento de produção cego na procura dum garante orçamental baseado nos “números”, sem qualquer preocupação com a qualidade dos actos praticados ou a praticar.

Razão tem Pedro Nunes ao afirmar que "a desarticulação é total e com perspectivas muito graves" para o futuro.

Mas ainda não é tarde para se arrepiar caminho. As defesas do ser humano ainda conseguem induzir alguma resistência à mortalidade se bem que a morbilidade, essa sim, começa já a fazer-se sentir.
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sábado, março 22, 2008

14 dias depois...




Duas semanas passaram.
14 dias de repouso aqui no Raio.


Mas o alheamento não existiu, assim como não deixou de existir a preocupação por esta aparente acalmia da política do actual Ministério da Saúde.
Porque, nos bastidores se pressente que tudo na mesma continua, pela forma como aqui é dito. Dito duma forma genérica, mas também como um retrato fiel do que se passa no Centro Hospitalar do Alto Ave.

Um Centro Hospitalar com um CA que persiste, um ano decorrido da sua constituição, numa atitude não dialogante, reveladora dum profundo desinteresse pela resolução dos principais problemas assistenciais, já velhos alguns e novos outros, existentes nas duas Unidades do Centro Hospitalar (Fafe e Guimarães);

Que, com o êxodo dos seus profissionais, aceita que a degradação da qualidade e quantidade assistencial se instale, quando propostas alternativas existem por forma a não serem questionáveis, quanto o estão a ser, a segurança dos profissionais que nele laboram e dos doentes internados, bem como as reais necessidades assistenciais das populações desta extensa área geográfica que atende.

Que orienta a política de contratação de profissionais médicos (para áreas notoriamente carenciadas) baseada em conceitos rígidos de contenção de custos, inviabilizando qualquer tentativa negocial com os candidatos e a consequente resolução dos problemas;

Que com dois pesos e duas medidas “satisfaz” e promove (sem uma correcta avaliação das necessidades) a contratação de profissionais para as áreas de gestão e de serviços clínicos por valores contratuais desconhecidos para alguns e bem diferentes (pela positiva) dos “oficialmente” praticados para outros;

Que contratualiza a actividade assistencial sem antecipadamente ouvir os responsáveis dos serviços ou com eles discutir e analisar os planos de actividade;

Que sub-repticiamente vai preparando (pela condenação à exaustão) a extinção de serviços clínicos imprescindiveis e que muito têm contribuído para a prestação de cuidados assistenciais à população de Fafe, Cabeceiras e Celorico de Basto, Guimarães, Vizela e Felgueiras, sem que demonstre qualquer preocupação pela limitada resposta da capacidade física e humana instalada para atender uma população de mais de 350.000 habitantes;

Que ostensivamente oculta e não permite clarificar “passados entendimentos” que perpetuam (ainda nos dias de hoje) a sempre criticável promiscuidade entre os sectores público e privado no interior do CHAA;

E tudo isto (e muito mais) se vai “cozinhando”, se vai gerindo, se vai permitindo, por forma a contribuir, com esta pequena/grande fatia, para que o nosso SNS, em tempos considerado como dos melhores Serviços Nacionais de Saúde da OMS, permaneça ameaçado de morte.
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sábado, março 08, 2008

and so it goes


Enquanto a confiança no SNS assim se constrói, assim nos vamos habituando (também) e assim, ao mesmo tempo, se considera melhor proteger os serviços públicos do sector da saúde…


E como "em terra de cegos, quem tem um olho é rei", assim se vão aproveitando os valiosos despojos "criminosamente" abandonados, porque de ser humanos estamos a tratar.


"O Atendimento Médico Permanente (AMP) do Hospital Privado de Aveiro (Cliria), com que o Grupo Espírito Santo Saúde iniciou a sua actividade na cidade, registou 27 mil atendimentos em 2007.
O responsável admite que o fenómeno possa estar relacionado com o acesso dificultado ao Serviço Nacional de Saúde.”


Mais provas? Para quê?


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sexta-feira, março 07, 2008

novo Hospital PPP de Braga




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MINISTÉRIOS DAS FINANÇAS E DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DA SAÚDE
Despacho n.º 6660/2008
Tendo sido presente para apreciação o relatório final da negociação competitiva com dois concorrentes relativo ao procedimento prévio à contratação para a Concepção, Projecto, Construção, Financiamento, Conservação e Exploração do Hospital de Braga em regime de parceria público-privada (PPP), com a ponderação das observações feitas em sede de audiência prévia pelos concorrentes, considera-se que o mesmo se encontra em condições de ser aprovado nos termos do disposto no n.º 5 do artigo 41.º do respectivo Programa de Procedimento.
Verificam -se ainda, reunidos os pressupostos das parcerias público privadas, em especial os previstos nos artigos 6.º e 7.º do Decreto -Lei n.º 86/2003, de 26 de Abril, republicado em anexo ao Decreto -Lei n.º 141/2006, de 27 de Julho, mantendo -se, igualmente, o interesse público no projecto, bem como o modelo da parceria escolhida.
Os custos e riscos decorrentes da parceria têm a devida inscrição orçamental, no mapa XVII, do Orçamento de Estado para 2008, aprovado pela Lei n.º 67 -A/2007, de 31 de Dezembro, garantindo a necessária suportabilidade financeira da parceria. Nesta fase negocial, verifica-se que a proposta classificada em primeiro lugar evoluiu de uma situação em que o valor actualizado líquido dos pagamentos do Estado (VAL) era inferior ao Custo Público Comparável em cerca de 167 223 milhares de euros, ou seja em cerca de 14 %, para a existência de uma poupança potencial de cerca de 33 %. Com efeito, o VAL associado à proposta do concorrente Agrupamento Escala Braga ascende, no final da fase de negociação competitiva, a 794 519 milhares de euros, ou seja, é inferior ao custo público comparável em cerca de menos 391 785 milhares de euros. Estes valores encontram -se actualizados a preços de Janeiro de 2006.
Nestes termos, o processo encontra -se em condições de prosseguir com vista à finalização da minuta de contrato com o concorrente classificado em primeiro lugar, Agrupamento Escala Braga, sem prejuízo da verificação, no momento da adjudicação, de todos os pressupostos e requisitos de que depende a constituição da parceria de acordo com o disposto no Decreto -Lei n.º 86/2003, de 26 de Abril, republicado em anexo ao Decreto -Lei n.º 141/2006, de 27 de Julho.
20 de Fevereiro de 2008. — O Ministro de Estado e das Finanças,
Fernando Teixeira dos Santos. — A Ministra da Saúde, Ana Maria
Teodoro Jorge.


A propósito deste despacho, publicado em DR em 7 de Março, encontrei aqui este “excelente” trecho literário, da autoria da Câmara Socialista de Braga, no qual o seu presidente, há muitos mandatos repetente, se regozija pelo alcançado desejo já por ele frequentes vezes manifestado desde o início da década de 80.


"A evolução para a contratualização desta parceria publico-privada põe igualmente fim, assim se espera, às eternas vozes da desgraça, cujo verbo varia consoante se sentem implicadas no processo: quando a decisão competia a alguns dos seus pares, emudeciam; quando a decisão competia a outrem, o ruído era tão assíduo quanto evidenciador de regozijo, como se a demora lhes aduzisse dividendos eleitorais.Ultrapassada aquela que se considera uma das fases mais difíceis deste processo, a Presidência da Câmara Municipal de Braga faz, assim, questão de se antecipar a essas vozes na manifestação de sincera satisfação pelo cumprimento dos prazos anunciados.Não sendo necessário repeti-lo, julga-se por bem sossegar ainda as mesmas vozes – as mesmas de sempre, embora com variações de timbre – de que, no que implica com o Município de Braga, os compromissos assumidos serão consumados no tempo adequado e sempre que o evoluir do processo o justifique, como outra coisa não seria de esperar."
Câmara Municipal de Braga, 7 de Março de 2008
P’ O Gabinete da Presidência,
(João Paulo Mesquita, adj.)


De facto, cerca de 25 anos para se conseguir, finalmente, o tão desejado, é obra…
Mas obra das Parceria Publico Privadas, obra da entrega do sector Hospitalar da Saúde à exploração privada, obra deste Governo "socialista".
Resta saber se os tão bem estudados benefícios económicos decorrentes da entrega do projecto ao “Agrupamento Escala Braga” (Grupo Mello Saúde) e as poupanças dela decorrentes, irão ter parecer favorável do “crítico” Tribunal de Contas e se ao cidadão, que venha a necessitar dos serviços clínicos prestados por este Agrupamento, não vai competir pagar o que o Estado diz estar a poupar com este “negócio de milhões”.

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38 dias de governação do Ministério da Saúde


"Aquilo que mais se faz no Ministério é correr o país de Norte a Sul, andar sempre de um lado para o outro". JN
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Por muito importantes que sejam os Cuidados de Saúde Primários, os Cuidados Continuados e a Rede de Serviços de Urgência, para esta nova equipa ministerial, parece que tudo no SNS gira em torno destes sectores de actividade.
Mas mesmo sobre estes sectores, as “palavras” abundam e as decisões, com efeitos práticos, tardam em aparecer.
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segunda-feira, março 03, 2008

o dedo na ferida


À atenção da futura discussão do diploma das carreira médicas, da Ordem dos Médicos e do Ministério da Saúde:


"...com áreas de tratamento de doentes emergentes (felizmente) cada vez mais organizadas, e com áreas de tratamento de doentes urgentes cada vez mais desorganizadas, com profissionais tantas vezes sem diferenciação, e outras tantas sem vínculo, fazendo o que a maior parte dos médicos não aceita fazer e fazendo muitas vezes menos bem. Na verdade, é neste local (crítico) que se joga o sucesso organizativo de um serviço de Urgência. É aqui, por exemplo, que escapam os diagnósticos menos evidentes ou que se dão as altas que vão condicionar maior número de reinternamentos."


Proposta:


"Por um lado, uma aposta clara no internista como gestor do doente internado, por outro, uma aposta igualmente clara no urgencista como gestor do doente do serviço de Urgência. Seremos, assim, capazes de melhorar os cuidados prestados quer num lado quer no outro, e significa que estamos a pensar a Saúde de uma forma centrada no utente, condição absolutamente necessária para que existam verdadeiros ganhos." link
Dr. Nelson Pereira, Ex-director clínico do INEM in TM
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Poderá ser assim?
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domingo, março 02, 2008

dança das cadeiras


Uns, mantêm-se calados, gerindo “de rédea curta, espartanamente e fazendo poucas ondas”, como se de anjinhos se tratassem, para caírem nas boas graças do actual poder, outros, aguardam ansiosamente que alguém os demita, enquanto que outros têm a hombridade de pedir a demissão.
Não! Outros serão com certeza.


Administradores do Pedro Hispano e CHLO demitem-se
José Miguel Boquinhas, presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO), deverá deixar o Serviço Nacional de Saúde. Contactado pelo «TM», o dirigente respondeu com um «não confirmo nem desminto» e remeteu mais explicações para esta semana. Mas o nosso Jornal sabe que o médico deverá sair para aceitar um convite do grupo HPP — Hospitais Privados de Portugal.
No Norte, três administradores da Unidade Local de Matosinhos demitiram-se, alegadamente por razões pessoais, segundo conta o Público de 29 de Fevereiro. Nuno Morujão, o presidente do conselho de administração, assim como o director clínico, Joaquim Pinheiro, e o vogal executivo, António Neto Rodrigues, mantêm-se, no entanto, em funções, pelo menos até ao final do mês de Março.
Até à hora de fecho desta edição o Ministério da Saúde disse não estar em condições de falar sobre estas demissões.

TEMPO MEDICINA 1.º CADERNO de 2008.03.03
0812811C24308MF09G


quinta-feira, fevereiro 28, 2008

puxão de orelhas








Alto lá! Senhor Dr.Menezes
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Veja lá o que anda para aí a dizer.
Então onde está a tão apregoada “liberdade de escolha” que diz defender?

Veja que os míseros 1200€ mensais que ganho como oftalmologista num Hospital Público, mal chegam para alimentar a minha família, quanto mais para pagar uma consulta e comprar uns óculos prescritos por um oftalmologista privado?
É que com essa sua ideia “esquerdista” e “demagógica”, por razões financeiras, todos iríamos abandonar o barco do SNS e isso eu não quero fazer.

Pergunta-me porquê?
O senhor Doutor, como médico que também foi (e já não sei se ainda o é), bem o deve saber…

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Mas pelo que me toca, eu não gosto de ir à praia nem ao cinema. Só por isto.
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quarta-feira, fevereiro 27, 2008

tachos e panelas


”A ministra da Saúde defendeu, esta terça-feira, o envolvimento dos profissionais do sector nas reformas que estão a ser desenvolvidas, alertando para a necessidade de reter no Serviço Nacional de Saúde «os melhores entre os melhores». (…) Os profissionais devem ter satisfação para trabalhar em estruturas como as do Serviço Nacional de Saúde”. TSF


Palavras bem diferentes das ouvidas nos últimos três anos, mas que não passam (ainda) de declarações de intenção, ainda sem quaisquer indicações de como pretende, a actual Ministra da Saúde, implementar tal “envolvimento” por forma a alterar a notória insatisfação e desmotivação dos profissionais da saúde bem como o rumo estratégico definido pelo seu antecessor.

Continua a ser preciso “mais qualquer coisa”.


Entretanto, movimentações por parte de quem sente a apreensão de poder vir a ser espoliado de poderes, de regalias e de mordomias adquiridas, vão-se fazendo sentir…
Mas enquanto durar esta indefinição, alguns por cá vão ficando à espera de melhores oportunidades ou de alguém que se lembre de os compensar, através de indemnizações “chorudas”, pelos “exemplares” serviços prestados e que tão mal têm feito, nalguns sectores, ao SNS.
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Mas destes, que fiquem só os necessários e "os melhores" entre os piores que se vão.
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domingo, fevereiro 24, 2008

pela música...

só pela música...


e também pelas palavras....

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Preferias que cantasse noutro tom
Que te pintasse o mundo de outra cor
Que te pusesse aos pés um mundo bom
Que te jurasse amor, o eterno amor

Querias que roubasse ao sete estrelo
A luz que te iluminasse o olhar
Embalar-te nas ondas com desvelo
Levar-te até à lua para dançar

Que a lua está longe e mesmo assim
Dançar podemos sempre, se quiseres
Ou então, se preferires, fica aí
Que ninguém há-de saber o que disseres

Talvez até pudesse dar-te mais
Que tudo o que tu possas desejar
Não te debruces tanto que ainda cais
Não sei se me estás a acompanhar

Que a lua está longe e mesmo assim
Dançar podemos sempre, se quiseres
Ou então, se preferires, fica aí
Que ninguém há-de saber o que disseres

Podia, se quisesses, explicar-te
Sem pressa, tranquila, devagar
E pondo, claro está, modéstia à parte
Uma ou duas coisas, se calhar

Que a lua está longe e mesmo assim
Dançar podemos sempre, se quiseres
Ou então, se preferires, fica aí
Que ninguém há-de saber o que disseres

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Correia de Campos e Ana Jorge



"Tanto elogio. Tanta obra. Mais pela forma...
Compreende-se mal que a TM classifique CC personalidade negativa do ano 2007."


Terá sido assim, que o autor do SaudeSA comentou este artigo de opinião publicado no TM:

Personalidade negativa do ano

Foi a forma — mais que o conteúdo — da actuação de António Correia de Campos que o colocou na posição de figura negativa de 2007.
Reconhecido unanimemente como uma das personalidades que mais sabe sobre gestão de Saúde em Portugal levou a cabo a tarefa hercúlea de reformar o SNS.
A determinação com que o fez foi louvável, e a pertinência da actuação quase sempre inquestionável. Disso foram exemplos a reorganização dos cuidados de saúde primários, o encerramento de blocos de parto e a criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, esta última, uma área quase utópica nos cuidados prestados em Portugal até há pouco tempo.
Mas Correia de Campos padeceu de uma pecha grave em política: a comunicação.
Não justificou cabalmente as decisões que tomou, não assumiu uma postura dialogante.
Em suma, não comunicou, apenas informou.
E essa é uma atitude facilmente conotada com arrogância e sobranceria, atributos pouco adequados a quem pretendia impor a todo um País mudanças culturais, cortes, encerramentos e contenções numa área tão sensível como a Saúde.
Provavelmente foi esta conduta que lhe custou a exoneração, tendo sido substituído, no final de Janeiro, por Ana Jorge.
Lamentavelmente, a forma ofuscou o conteúdo e a razão perdeu-se em polémicas e manifestações.
TM, retrospectiva 25.02.08

Será que a arrogância e a sobranceria, utilizadas para a prossecução de objectivos correctos, são aceitáveis a um governante, dum governo dito democrático?
Será que os fins justificam todos meios?
Será que há lugar a “guerras” ou “sacrifícios extremos” por razões justas?

Acho que não… e da mesma forma que a TM, também acho que Correia de Campos pode ser considerado a personalidade negativa do ano de 2007.

Mas o passado de Correia de Campos é passado e o presente de Ana Jorge, que indicadores já nos deu?

Desde a escolha dum novo Secretário de Estado à nomeação dum novo Presidente do INEM, inaugurações ou visitas de ocasião (quem sabe se tudo isto não já previamente programado pelo staff de marketing do seu antecessor) a palavras ditas, já sobejamente gastas, sobre temas reconhecidos como importantes (Cuidados de Saúde Primários ou Continuados), é pouco… muito pouco…

É preciso mais qualquer coisa.
E essa qualquer “coisa”, tarda em chegar…
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terça-feira, fevereiro 19, 2008

un novo Hospital em Fafe


E se já em 2001 se falava num novo Hospital em Fafe, que não terá sido concretizado por não existirem verbas em PIDDAC.

E porque ele deveria ser enquadrado no âmbito de Parcerias Público Privadas, tão em voga na altura, e não o foi, vá-se lá saber porquê…

E se em Abril de 2006, “aflito” com a perspectiva dum esvaziamento da sua cidade em termos de serviços de saúde Hospitalares, o Presidente da Câmara de Fafe volta a lembrar à ARS do Norte a disponibilidade para oferecer terrenos para a sua construção.

Tudo parecia estar a "bater" certo já que, na constituição do Centro Hospitalar Guimarães-Fafe (actualmente designado do Alto Ave – EPE), um “programa funcional” para a referida construção terá sido também elaborado.

Só que….
O capital estatutário então constituído, não contemplou o investimento orçamentado para a sua construção, numa área já escolhida, de 70.212 m2, perto da Circular de Fafe IC5.

A culpa de quem foi?
Da ARS do Norte, não.
Nem tão pouco do CA do CHAA. E do Senhor Presidente da Câmara muito menos…

A culpa foi da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) – ex IGIF.

E porque do PIDAC, nos dias de hoje, nada poderá vir…
Tente-se ao menos obter, nos dias de hoje, umas verbazitas através do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

Mas para isso, deverá o CA do CHAA proceder a uma “revisão do seu programa funcional” para eventualmente poder ser alterado o seu capital estatutário que contemple esta mais-valia, já que por todos e há muito terá sido reconhecido que as actuais instalações da Unidade de Fafe do CHAA, para além do seu “avançado estado de degradação”, da falta de “condições para uma reforma de fundo”, de não possuir “terreno circundante com possibilidade de crescimento” e de não “possuir acessibilidades adequadas” também é da pertença da "Misericórdia local".

Tudo isto junto, no que ao “velhinho“ Hospital de S.José de Fafe diz respeito, representa um reduzido valor material para o CHAA.

Mas o capital humano dos seus profissionais, os serviços de qualidade que tem prestado à população que assiste e a memória duma instituição que muito tem servido a população de Fafe, de Cabeceiras e de Celorico de Basto, isto deve ser preservado e pelo CA do CHAA não esquecido, não permitindo que o tempo, os interesses ou desinteresses instalados, façam o não desejado:

O desaparecimento, por exaustão, duma Unidade Hospitalar do CHAA em Fafe.
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segunda-feira, fevereiro 18, 2008

carreiras médicas


Passados e "enterrados" que foram há muito, com o diploma das Carreiras Médicas, os conceitos individualistas do acto médico e com elas se garantiu a qualidade dos serviços de saúde ao longo destes anos; numa altura em que “resistência” e “desinteresse” se manifestam, por parte dos órgãos do poder, dos profissionais médicos e de algumas das suas associações de classe, em ser iniciado o processo de revisão do já velhinho DL 73/90, este artigo de opinião, escrito por Mário Jorge Neves, é um importante contributo para a definição ideológica de como devem ser entendidos, nos dias de hoje, o trabalho médico e a gestão dos serviços de saúde, a produtividade médica e a qualificação dos recursos humanos, enquadrados numa mudança organizacional destes mesmos serviços que urge ser “reinventada” e instituída, decorridos que foram já 18 anos da última revisão.


As carreiras médicas como garantia da qualidade dos serviços de Saúde
Artigo de Mário Jorge Neves*

Perante a proximidade do processo negocial de revisão do diploma das carreiras médicas (Dec.-Lei 73/90), tendo em conta as novas disposições da lei geral da revisão de carreiras, vínculos e remunerações da administração pública, torna-se indispensável desenvolver todos os esforços reivindicativos e negociais na salvaguarda da sua matriz identificadora, procurando torná-las mais adequadas às novas realidades e aos novos desafios que se colocam à organização do trabalho médico.

Importa, desde já, ter bem presente que a defesa das carreiras médicas implica a sua adequação à evolução da realidade envolvente e a recusa de perspectivas de abordagem que as concebam como um «edifício» cristalizado e imutável, o que se traduziria, inevitavelmente, no seu definhamento irreversível e completa destruição.

As carreiras médicas, independentemente da forma como foram sendo geridas ao longo dos anos e das suas naturais limitações, têm constituído um instrumento decisivo para a garantia da qualidade do exercício profissional e, como consequência, para a melhoria contínua da qualidade da prestação dos cuidados de saúde.

Em termos do contexto geral, importa ter em conta que o sector da Saúde apresenta múltiplas particularidades que o tornam uma realidade complexa, onde as soluções dos problemas não são susceptíveis de generalizações ou de importações de outros sectores de actividade.
Os serviços de Saúde apresentam características que os colocam numa situação diferenciada e com alguns atributos de excepção, nomeadamente: geram produtos não materiais; não podem ser armazenados ou transportados; não são, ou são pouco, susceptíveis de racionalidade técnica; e a sua produtividade é de difícil medida.

Embora tenhamos assistido a insistentes esforços que vários sectores políticos e económicos têm desenvolvido para transportar modelos de gestão da indústria para o sector da Saúde, a experiência mostra a completa falência dessas medidas.
As dificuldades daí decorrentes são amplamente conhecidas e consistem, no essencial, no facto de os cuidados de saúde serem perecíveis, de haver a intervenção directa do doente no processo da prestação, na simultaneidade entre a prestação e o consumo, e na dificuldade de padronização e do controlo da qualidade.

Diversas abordagens técnicas têm considerado que os serviços de saúde se prestam pouco à mecanização e colocam a tónica na optimização dos recursos com vista a aumentar a produtividade e na melhoria da organização do processo do trabalho.
Não obstante existirem algumas semelhanças com o sector produtivo no que se refere à organização do processo do trabalho, a incorporação tecnológica na Saúde não produz economia da força de trabalho, mas, pelo contrário, passa a solicitar novas ocupações, configurando o sector da Saúde como de mão-de-obra intensiva.
Por outro lado, a decomposição do trabalho em tarefas parciais torna-se a característica fundamental na produção em Saúde.
Assim, a divisão do trabalho na Saúde apresenta as seguintes particularidades:
— Horizontalidade na articulação dos vários serviços;
— Trabalho dividido entre médicos e outros sectores profissionais;
— Verticalidade, que subdivide o trabalho dentro de uma unidade de produção, integrando tarefas hierarquizadas no mesmo campo técnico.
No caso concreto de um hospital, verificamos que a produção de serviços é composta por actividades complexas, muito diversificadas, onde vários estratos profissionais com formações técnicas muito diferentes se movimentam em torno dos doentes.

Existem autores, como Chillingerian e Sherman, que conceptualizaram o processo de produção na Saúde, considerando que o médico, face ao seu doente, constitui uma «firma virtual temporária» para o tratar.

O trabalho na Saúde abandonou o âmbito individual e passou a processar-se na base de equipas, reunindo um universo crescente de trabalhadores que produzem em cooperação.

De tudo isto, emerge a questão da produtividade na Saúde e a forma rigorosa como deve ser abordada.
A produtividade neste sector, dadas as suas características particulares, dificilmente pode ser medida como um todo, tornando difícil a procura de soluções para efectuar a desagregação de todas as actividades.
Recorrendo a uma simplificação conceptual, poder-se-á definir a produtividade nos serviços de saúde como a razão entre os serviços prestados e o número de funcionários e equipamentos utilizados.
A produtividade não pode, deste modo, ser discutida isoladamente, mas no contexto do desenvolvimento da Saúde e dos recursos humanos, e deve estar relacionada com os custos, as metas e os resultados, tendo em conta o trabalho produzido e a sua finalidade.
A produtividade em Saúde agrega, além dos aspectos quantitativos, aspectos qualitativos que envolvem as dimensões individuais, as dimensões de um determinado grupo populacional e o seu contexto ao longo do tempo.
Por exemplo, determinadas acções preventivas só podem ser avaliadas pelo controlo da incidência de doenças ou de complicações relativas a certos quadros clínicos, após períodos prolongados de observação.
Nos serviços de saúde, o próprio conceito de produto pode ser de difícil definição, dado que a actividade comporta diversificados processos de trabalho que incluem, simultaneamente, acções que podem permitir uma padronização e outras em que isso é muito difícil de estabelecer.
Na actividade médica, por exemplo, e ao contrário das cadeias de produção, não é possível garantir que todos os procedimentos técnicos sejam repetidos sempre da mesma maneira e com o mesmo tempo de duração.

É absolutamente evidente que os serviços de saúde só podem cumprir os seus objectivos se possuírem recursos humanos adequadamente qualificados.
Para muitos «gestores» que tem pululado no sector da Saúde, o verdadeiro problema com que se confrontaram, ou confrontam, é que não conseguem inventar serviços que funcionem sem recursos humanos.
Se isso fosse possível, estes «gestores» conseguiriam resolver todos os problemas e apresentar resultados francamente positivos da sua acção.
Mas a questão decisiva e incontornável é que os recursos humanos são a componente crítica de uma organização, sem a qual não podem realizar-se as tarefas e os objectivos que lhe são inerentes.
Embora todos tenhamos já lido abundantes referências bibliográficas que consideram os recursos humanos como o património mais valioso de uma organização, a experiência quotidiana mostra que este património é sistematicamente vilipendiado e alvo de medidas desestabilizadoras que visam, muitas vezes, disfarçar a incompetência dos gestores e as suas incorrectas opções de organização do trabalho.

As organizações são constituídas por pessoas que desempenham actividades organizadas, em situações concretas e dentro de um contexto determinado.
Sem uma adequada gestão dos recursos humanos da Saúde, sem profissionais motivados, participativos e envolvidos nos objectivos de cada instituição, não é possível atingir desempenhos globais que solucionem os problemas de saúde dos cidadãos. E com recursos humanos desestabilizados por medidas lesivas dos seus direitos e interesses, qualquer tentativa de reforma está irremediavelmente condenada ao fracasso.
Os profissionais de saúde não são simples factores de produção, mas seres vivos que sentem, que pensam e que querem obter a justa satisfação e recompensa pelo seu trabalho.
Não temos qualquer dúvida em afirmar que uma instituição de saúde que não trata bem os seus recursos humanos, também não consegue tratar bem os doentes.

Neste sector, em que os ritmos da evolução do conhecimento científico e técnico se processam em graus elevados, impondo uma contínua actualização formativa, a precarização e a indiferenciação profissional assumem uma acrescida gravidade. É uma actividade que tem como objectivo supremo tratar os doentes e salvar vidas humanas, e onde essa indiferenciação conduz a um substancial aumento do grau de probabilidade de estabelecimento de diagnósticos errados com todas as suas dramáticas implicações.
Mesmo numa perspectiva economicista, está amplamente demonstrado na bibliografia internacional que a inadequada formação técnico-científica se traduz em custos muito elevados a nível de meios complementares de diagnóstico e de consumo de medicamentos.

Como prolongamento lógico e incontornável dos recursos humanos, colocam-se múltiplas questões a nível da mudança organizacional e da gestão dos serviços de saúde.
Nestes serviços, as coordenadas de todo o processo de melhoria e de revitalização deverão orientar-se para a desconcentração organizativa e funcional e para a procura de soluções eficientes, mediante fórmulas inovadoras de gestão.
A inovação só pode ser alcançada quando são estimuladas a formação e aprendizagem contínuas, sendo certo que a ausência de inovação é uma das razões principais da decadência das organizações.
Assim, existe a necessidade de integrar tarefas, de coordenar actividades, de redefinir a estrutura e a organização do trabalho e de tomar decisões estratégicas para que os fluxos de valor mais crítico se aproximem, de forma mais eficaz, das necessidades da organização no cumprimento dos seus objectivos institucionais e sociais.

É um dado inquestionável que o sector da Saúde tem sido objecto, durante as últimas décadas, de uma permanente revolução tecnológica com a introdução sucessiva de novos e cada vez mais sofisticados meios técnicos, bem como um desenvolvimento contínuo do conhecimento científico a nível diagnóstico e terapêutico.
Como a experiência histórica demonstra, de forma clara e objectiva, todas as revoluções tecnológicas determinaram sempre uma mudança radical nos modos de organização da produção e do trabalho.
No caso concreto do nosso país, estes modos de organização mantêm-se quase intactos há várias dezenas de anos, contrariando as imperiosas necessidades de acompanhamento das novas realidades e das novas exigências de respostas na prestação dos cuidados de saúde.

Apesar de estes aspectos serem amplamente conhecidos, aquilo a que temos assistido é à ausência de quaisquer medidas de reestruturação organizativa e à focalização exclusiva dos esforços do poder político na alteração do estatuto jurídico, cujos objectivos reais só podem dirigir-se no sentido de criar condições para a posterior privatização dos serviços públicos de saúde, particularmente no que se refere aos hospitais.

Neste contexto geral, as próximas negociações constituem um processo de nuclear importância para a generalidade dos médicos, mesmo para aqueles que já se encontram no topo das carreiras, dado que ninguém deixará de ser abrangido pelas futuras disposições.

Aqueles que anteriormente justificavam a sua indisponibilidade em participar em acções reivindicativas considerando que estavam inseridos há largos anos nas carreiras e que, fruto de direitos adquiridos, as medidas lesivas não os atingiriam, já compreenderam, com as alterações penalizadoras ao enquadramento das reformas e à perda de vínculo público previsto na nova legislação aprovada na Assembleia da República, que esses direitos são uma miragem que se esfumará no momento em que um qualquer governo decida alterar os respectivos diplomas.

Para os colegas mais novos que se encontram com contratos individuais e impossibilitados de qualquer progressão profissional, existe já a garantia de no futuro diploma ficarem inseridos nas carreiras, fruto das disposições existentes na referida lei da Assembleia da República, conseguidas devido ao empenhamento reivindicativo e negocial das frentes sindicais da administração pública.

Para que as carreiras médicas sejam preservadas e revalorizadas no futuro diploma é indispensável que a generalidade dos médicos não esteja alheada do curso do processo negocial e se disponha a ter um papel activo na influenciação dos seus resultados concretos.

*Presidente da Federação Nacional dos Médicos (FMAM)
TEMPO MEDICINA 1.º CADERNO de 2008.02.18
0812791C26108JMA05C
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domingo, fevereiro 17, 2008

Rosa Passos




Cantora, compositora e grande intérprete de viola, Rosa Passos junta o calor de Salvador da Baía, onde nasceu, ao calor de Julho em Braga. Vai estar no Theatro Circo a 10 desse mês. Passos estreou-se com o disco "Recriação". Gravou entretanto clássicos da música popular brasileira e lançou "Festa", interpretando parcerias com Fernando de Oliveira e Aldir Blanc. Explorado o mercado americano, com "Me and my heart", tem corrido meio-mundo, acompanhada por nomes como Toots Thielemans, Paquito d'Rivera, David Fynch, Djavan, Gilberto Gil ou João Bosco.


retirado do blogue Município de Braga

sábado, fevereiro 16, 2008

a bonança na saúde...

Foto: Miguel Barreira, Record
Bodyboarder Jaime Jesus, Nazaré
3ºPrémio World Press Photo
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Depois da tempestade vem a bonança... e depois da bonança?
Nova tempestade?

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

o novo Hospital de Cascais e o TC


Lá vem ele outra vez, o quezilento Tribunal de Contas…

"A parceria público-privada constituída no âmbito do novo Hospital de Cascais foi aprovada sem serem considerados todos os encargos públicos do projecto nem as consequências na reorganização da capacidade hospitalar do Serviço Nacional de Saúde" RTP

E agora?

Quando o Estado criminaliza ou penaliza o cidadão ou a empresa por não cumprir o “legislado”, será que a imunidade do Estado vai prevalecer, pelo simples facto de neste processo, fazer parte conjunta com o Grupo "Hospitais Privados de Portugal", grupo este controlado pela Caixa Geral de Depósitos que aparenta ainda ser parte do próprio Estado?
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