terça-feira, fevereiro 12, 2008

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

o CHAA e as "vagas carenciadas"


Eu ouvi dizer a alguém (e confirmo, porque sei), durante a visita ao Centro Hospitalar do Alto Ave (CHAA) dum grupo de deputados parlamentares do Partido Socialista eleitos pelo círculo de Braga (em finais de Dezembro de 2007), estar o CHAA deficitário em médicos de muitas áreas clínicas como as de Medicina Interna, Oftalmologia, ORL, Urologia, Imuno-hemoterapia, Ortopedia, Anestesiologia, Oncologia…

Sei também, porque a Unidade de Fafe deste Centro Hospitalar o sente também, que a abertura à contratação de profissionais médicos deficitários é feita tendo por base contratos com vencimentos substancialmente inferiores aos oferecidos pelos HH EPE vizinhos (Vale de Sousa, Barcelos e CH do Médio Ave) o que afasta decididamente qualquer candidato.

Sei que as listas de espera para primeiras consultas e cirurgias se avolumam e que a abertura de importantes “novas” valências, como as de “Dor pré-cordial”, AVC e de Cuidados Intermédios ficam em “standby”, porque os profissionais não chegam para as encomendas.

Sei que o processo de acreditação pela Joint Comission International, sucessiva e repetidamente, está a ser adiado na sua aprovação final também por falta de resposta a exigências no que à qualidade assistencial diz respeito (inexistência de visitas médicas aos fins de semana e feriados e de médicos residentes).

Sei que opta o CHAA por contratualizar serviços ao exterior no âmbito de MCDT, por falta de resposta atempada dos Serviços do seu Centro porque os profissionais médicos dizem não ter capacidade de resposta para o avolumar de pedidos.

E porque sei também que o CA do CHAA sabe de tudo isto, não posso entender qual a razão por que, das 100 vagas disponibilizadas para serem preenchidas (no âmbito daquilo a que se vulgarizou chamar de “vagas carenciadas” - ver aqui), não tenha sido o Centro Hospitalar do Alto Ave contemplado com nenhuma delas, em nenhuma das muitas especialidades de que este Centro tem carência comprovada.

Terá havido uma fundamentação correcta, por parte da ARS do Norte, ao propor à ACSS que contemplasse a sua região norte com este tipo de vagas para contratações de médicos (13 vagas “oferecidas” para a região Norte das 100 vagas Hospitalares nacionais disponibilizadas) ou terá havido esquecimento ou mesmo desinteresse, por parte do CA do CHAA, em solicitar de forma bem fundamentada a necessidade do seu Centro Hospitalar delas poder usufruir (só o seu vizinho Hospital de S.Marcos – futuro Hospital com SU Polivalente – arrecadou 7 das 13 vagas da região Norte)?

Bem gostaria eu de saber….
Mas isso, ainda eu não sei.
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sábado, fevereiro 09, 2008

os incentivos, os Hospitais Públicos e as Carreiras Médicas


Sobre um assunto que as Carreiras Médicas, como garante da qualidade técnico-científica, deverão “legislar”, por se tratar de assunto actual e do futuro…


Um testemunho:

"Não integrando, presentemente, por questões institucionais que me ultrapassaram, a equipa de transplantação hepática dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), o facto de ter participado em cerca de 10% dos transplantes ali efectuados permite-me ter uma opinião algo fundamentada acerca do que tem vindo a passar-se, sendo que já por diversas vezes, noutros locais e perante outras entidades, expressei a minha preocupação pela forma como estava a ser desenvolvido aquele programa..." Dr.Carlos Alberto Godinho C. Mesquita


e uma opinião:

"Começo por chamar a atenção para um primeiro aspecto particularmente negativo: uma forma de estar e actuar num hospital público à margem de tudo o que é normal no âmbito da carreira hospitalar, traduzida, em última análise, por uma sistemática exclusão da generalidade dos internos de Cirurgia e dos cirurgiões mais novos, quando o desejável seria, precisamente, o contrário, até porque a idade média do grupo de colegas que integra a equipa ronda os 55 anos e até já foi mais elevada.

Não posso, em segundo lugar, deixar de concordar com os que consideram estar a causa de tudo isto nos chamados incentivos à transplantação, que não andarão longe dos cinco milhões de contos em 15 anos, distribuídos com base no princípio do pagamento por acto e de acordo com critérios que sempre escaparam ao conhecimento do comum dos mortais.

Não me parece que algo justifique, hoje em dia, num hospital público e face à grave situação que o País atravessa, que os transplantes continuem a ser pretexto para pagar a um pequeno grupo de forma principesca e milionária." Dr.Carlos Alberto Godinho C. Mesquita


sexta-feira, fevereiro 08, 2008

surpresas da "sustentabilidade" do Serviço Nacional de Saúde


Custa-me muito dar ênfase a esta notícia, mas há limites.



... a "surpresa" de um Administrador Hospitalar e o "altruismo" dum alto responsável da Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação, cargo que terá aceite, "na condição de manter as regalias que tinha no Hospital Curry Cabral, enquanto director de serviço".


E mais "surpresas" poderiam aparecer, com a actual…

Política de encerramento de Serviços.
Política de Parcerias Público Privadas
Política do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC).

Política de privatização de Serviços Hospitalares.
Política de fornecimento de serviços ("outsourcing”).
Política do Medicamento e Farmácias.
Política de fornecimento de equipamentos e consumíveis.
Política de contratação de Quadros de Gestão Intermédia.
Política de gestão de pessoal.
Etc., etc., etc..
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quinta-feira, fevereiro 07, 2008

o que parece não é...



Afinal "do coração" estamos bem...
















"da cabeça" é que estamos mal.
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a prova, "parece" estar aqui.
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Será verdade?
É que às vezes, o que parece, não é.
Mas que (alguns) não estão lá muito bem da cabeça "pensante" ... isso é bem verdade.
E do "coração" ainda esperamos para ver...
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quarta-feira, fevereiro 06, 2008

o mundo às avessas


Há vícios que custam a perder...

Odete João
Habilitações académicas:

Mestrado em Sistemas e tecnologias da Informação pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra
Licenciada em Matemática pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, concluído em 29 de Junho de 1981


É esta Senhora Deputada da AR, do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, que opina e é proponente, sobre o que deve ou não deve ser feito, o que está ou não está aconselhado, o que os profissionais da saúde sentem e o que os doentes necessitam, quando sobre o acompanhamento dos doentes internados se pretende legislar…JN
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terça-feira, fevereiro 05, 2008

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Serviço de Urgência em "part time" em Fafe?


Perante a inevitabilidade, que se previa, de não vir a dispor o CHAA de médicos de Medicina Interna em número suficiente para assegurar o atendimento diário dos doentes no SU da Unidade de Fafe, pelos motivos que aqui eu descrevi, posso dizer que me enganei redondamente quando afirmei que:

Como uma boa avestruz que se preza, enterra a ARS do Norte e o CA do CHAA, uma vez mais, a cabeça na areia.

Ameaçados com as palavras de José Sócrates, escondem às populações de Fafe, Cabeceiras e Celorico de Basto um problema, e criam um ainda maior problema para elas, quando há muito tempo lhe deviam ter dado solução.

O que a ARS do Norte acorda com o CA do CHAA, como solução para o SU de Fafe, é “manter a mesma filosofia anterior, com Médicos Hospitalares e Médicos de Clínica Geral” (…) “até que a ARS do Norte tome a decisão final que contemple a transformação do SU desta Unidade de Fafe num verdadeiro SUB, conforme está estabelecido” desde Março de 2007…

O princípio estaria correcto, não significasse isto, que já a partir do dia 6 de Fevereiro, em dois dos cinco dias úteis da semana e nalguns dias de fim-de-semana, o SU da Unidade de Fafe irá manter a sua actividade sem Médico de Medicina Interna durante as 24 horas e nalguns dias só com um cirurgião ou com um ortopedista e dois clínicos gerais, situação que deverá merecer da Ordem dos Médicos uma posição clara na defesa dos médicos e dos doentes, baseada no estipulado no art.º 6º do seu Estatuto: a) Defender a ética, a deontologia e a qualificação profissional médicas, a fim de assegurar e fazer respeitar o direito dos utentes a uma medicina qualificada.

Mas para que não sejam responsabilizados os mentores de tal “decisão”, se algo anormal porventura ocorrer, nomeia o CA um Médico Hospitalar dos mais graduados (cirurgião ou ortopedista) para exercer as funções de Chefe de Equipa até às 0 horas, já com a certeza de que a partir desta hora (terminado o período de trabalho do cirurgião e/ou do ortopedista), sozinhos irão ficar dois Médicos de Clínica Geral a assegurar o atendimento dos doentes, agora sim, num Serviço de Urgência correctamente definido como Básico (até às 9 horas do dia seguinte) a quem, não se sabe, irá competir a responsabilidade de o “gerir”.

Será esta, outra das “anormalidades” desta “decisão”, ao definir, com esta metodologia, uma nova modalidade de Serviço de Urgência, nunca vista em parte alguma…

Um Serviço de Urgência em “part time”!!!

É que às 9 horas do dia seguinte,lá estará a funcionar, novamente, o Serviço de Urgência (não Básico) “até que esta ARS do Norte tome a decisão final que contemple a transformação do SU desta Unidade num verdadeiro SUB, conforme está estabelecido” há já 10 longos meses.

Porventura, só lá para 2009, a avestruz (se fôr a mesma) desenterre a cabeça da areia...
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domingo, fevereiro 03, 2008

downside up

downside up

... e upside down

Será assim que vamos ficar até 2009?

Wont you please talk to me?

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sábado, fevereiro 02, 2008

contradições do ainda "nosso" SNS


Já abriu o Novo Bloco Partos do S. João com novas opções para a grávida
Estas novas instalações vão ainda colocar à disposição da mulher novas técnicas para amenizar a dor durante o trabalho de parto: hidroterapia, musicoterapia, exercícios de relaxamento, bola e cordas específicas para parto natural.


A notícia parece ser de facto (porque a tal não estamos habituados) respeitante a uma qualquer clínica privada recentemente inaugurada, dedicada à saúde/negócio materno-infantil.

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Mas não é, como (e bem) alguém já o disse.


Refere-se ao novo/renovado Serviço de Obstetrícia do Hospital de S.João do Porto, EPE, que assim também não esquece, entre as centenas de grávidas que assistiu, as 15 que no ano passado queriam ter um parto natural.


15 grávidas que tiveram oportunidade de ter uma preparação prévia durante a gravidez no sentido de “aprender primeiro a lidar com a dor e a vê-la como auxiliar na altura de ter o bebé” e que, se fosse hoje, poderiam usufruir de tais técnicas para amenizar a dor durante o trabalho de parto e assim terem o seu “parto natural”.


15 grávidas que tiveram um parto natural, na altura, infelizmente sem todas as condições para o ter, só porque tudo o que de bom esta "nova/ancestral" concepção de preparação para o parto ainda não estava nem está contemplada nos planos do nosso sistema de saúde.


15 grávidas que ironicamente poderão ser equiparadas às mais de 15 grávidas que por variadas razões, embora ansiando por ter os seus filhos em segurança, num clássico ambiente hospitalar, se viram e ainda podem vir a ser forçadas a ter, como ajuda para o seu parto, não uma hidromassagem, um ambiente calmo, umas lindas fotografias nas paredes e muitos médicos e enfermeiros dedicados e solícitos, mas uma “trepido-massagem”, um ruído de motor a gasóleo, umas pequenas janelas duma pequeníssima cabine de aço e uns preocupados, dedicados mas impotentes bombeiros de uma qualquer ambulância, duma qualquer corporação do país, para de forma bem diferente, acabarem por virem a ter também um parto dito “natural”.


E ainda há quem diga que isto, do Hospital de S.João do Porto, foi e é obra de alguém que se preocupou com a saúde dos portugueses…

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

"a política de saúde mantém-se"

... e quando as moscas mudam?

09/12/2004
Em 1994, o então ministro Paulo Mendo dá o "pontapé de saída" para a construção do novo hospital de Braga, sendo três anos depois, em 1997, nomeado o Grupo de Programação do Hospital de S. Marcos.

Em 1998, o Governo emite o despacho de aprovação do Programa Funcional do novo hospital. Nesse mesmo ano, foi inscrita no PIDDAC a dotação de 1,5 milhões de euros, para fazer face ao início do processo.

Em 1999 é publicado o anúncio do concurso público internacional para a elaboração do projecto do novo hospital.

Dois anos mais tarde, o ex-ministro Correia Campos abandona o projecto inicial e opta pelo modelo de construção público-privada.
Este ano, será finalmente lançado o concurso público internacional, prevendo-se que o novo hospital esteja concluído em 2008.AECOPS



01/02/2008
O processo de construção de um novo Hospital em Fafe tem conhecido desenvolvimentos positivos. Na passada semana, o presidente da Câmara de Fafe esteve reunido com o então Secretário de Estado de Saúde e recebeu do governante a confirmação que o projecto é para avançar.

Comprometeu-se comigo a mandar avançar o processo de aprovação de terrenos para a construção e também a aprovação do conteúdo funcional do futuro Hospital de Fafe para que o processo avance o mais rapidamente possível", explicou José Ribeiro.

Apesar das recentes mudanças no ministério, José Ribeiro entende que a palavra do primeiro Ministro é para cumprir, ou seja, "a política de saúde mantém-se".JN


Sem comentários...

... porque há já mais de um ano, alguém dizia isto aqui.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

o Serviço de Urgência de Fafe


Ainda se ouvem, na blogosfera, alguns ecos da exoneração de Correia de Campos e do que Ana Jorge poderá vir a fazer, de diferente, no Ministério da Saúde.

Mas, assim como “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”, também (não digo “nunca”), “difícil” será de endireitar muitas das coisas que foram “entortadas” pela política do exonerado Ministro da Saúde e sua equipa…

Refiro-me em particular ao Serviço de Urgência da Unidade de Fafe do Centro Hospitalar do Alto Ave, condenado a ser encerrado pela Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências (CTAPRU) em Janeiro de 2007 e posteriormente proposto para ser reconvertido em SUB através de um protocolo assinado com a autarquia de Fafe, em Março de 2007.

Até a sua inauguração como SUB, esteve já prevista para o dia 25 de Abril de 2007…!!!

Mas não terá havido coragem política para tal fazer.

Por um lado, pelo excelente trabalho que os profissionais de todos os sectores, desde 1990, oferecem aos doentes que recorrem a este Serviço de Urgência nas especialidades de Medicina Interna, Ortopedia e Cirurgia, e por outro, pela elevada afluência diária de doentes que actualmente se verifica (cerca de 140 atendimentos), malgrado os esforços entretanto desenvolvidos pela ARS do Norte para a sua redução, através de indicações dadas ao CA do CHAA para se proceder ao encaminhamento administrativo de doentes triados como “azuis”, para os CS e USF, e aos Directores dos CS de Fafe, Cabeceiras e Celorico de Basto no sentido de referenciarem os doentes destes concelhos, directamente para o SU da Unidade de Guimarães), com a clara intenção de assim conseguirem o esvaziamento deste Serviço de Urgência, quiçá até, conseguido esse objectivo, assim dar razão à proposta da CTAPRU, do desnecessário que seria de em Fafe “existir” qualquer tipo de Serviço de Urgência.

E agora o que se passa?

Arrisca-se a ARS do Norte a ter que contrariar as palavras de José Sócrates proferidas aquando da tomada de posse da nova Ministra da Saúde: “Não encerraremos mais urgências antes de existirem alternativas.”

É que, se com um quadro médico de Medicina Interna extremamente reduzido (4), já grandes dificuldades existiam para assegurar a presença de um Internista durante 24 horas ao longo da semana (colmatando estas dificuldades com a contratação de médicos tarefeiros, externos ao Centro Hospitalar, alguns deles sem a competência técnico-profissional exigida), a partir do dia 1 de Fevereiro deste ano, com a dispensa de realização de Serviço de Urgência de dois Internistas do quadro (por razões de idade), a situação tornou-se agora insustentável ao ponto de a única solução parecer vir a ser a do encerramento do SU com as tês especialidades (Medicina, Ortopedia e Cirurgia) a nele prestarem serviço, e a sua transformação num SUB.
Um Serviço que mais não será que um SAP com apoio de laboratório de análises e de RX (ou não soubéssemos nós, que qualidade de serviços irão prestar 2 médicos indiferenciados, nestes apelidados Serviços de “Urgência” Básicos).

Não terá sido por falta de avisos atempados por parte dos Directores de Serviço da Unidade de Fafe, que o CA do CHAA e a ARS do Norte foram apanhados de surpresa, já que através de vários documentos e de reuniões havidas, desde Março de 2007, os avisavam para esta eventualidade.

E o que fez (e ainda faz), o Conselho de Administração do CHAA?

Nada…
Não fecha as portas a novas contratações, não!
Mas propõe, ainda nos dias de hoje, aos vários Internistas que vão aparecendo, contratos de vencimento “chorudos”, substancialmente inferiores aos oferecidos pelos HH EPE vizinhos (Vale de Sousa e CH do Médio Ave) que assim, preferencialmente, vão garantindo o seu futuro como Centros Hospitalares em termos de criação de novas valências e de um assegurar, com qualidade, dos serviços essenciais que lhe são exigidos.

Demarca-se o CA do CHAA da responsabilidade de assegurar a continuidade da prestação de cuidados de Urgência na “sua Unidade” da cidade de Fafe (que a ele competia, como Unidade do CH), fazendo com que a ARS do Norte, a partir de Outubro de 2007, tomasse nas suas mãos a resolução do problema do SU de Fafe, sem que até à data, nada de diferente esta tivesse proposto que não fosse o alheamento e a falta de atenção para com uma população de cerca de 120.000 habitantes que são encaminhados, desde 1990, para o SU de Fafe.

Surpresa terá sido para ARS do Norte a exoneração, nesta altura, do Ministro Correia de Campos, que a título de crítica da sua actuação motivaram as palavras do senhor Primeiro Ministro, de que não iriam ser encerrados mais Serviços de Urgência, sem que alternativas não tenham sido previamente asseguradas.

Mas quando este SU de Fafe corre o sério risco de a partir do dia 6 de Fevereiro encerrar por falta de Internistas, não só as alternativas aos 140 doentes que diariamente são observados no SU foram asseguradas, como também assegurado não está o apoio permanente e diário, desta especialidade médica imprescindível, aos mais de 100 doentes internados nos serviços de Medicina, Cirurgia e Ortopedia da Unidade de Fafe do CHAA.

E muito têm feito os profissionais médicos da Unidade para que isto não viesse a suceder…

E hoje, 31 de Janeiro, os profissionais da Unidade de Fafe, os doentes e a população que dela tem tido assistência, ainda aguardam, do CHAA e da ARS do Norte, o que esta política, deste governo dito socialista, estão a preparar para lhes “oferecer”.

Retrato triste dum SNS que a tantos orgulhou, mas que com a esperança de mudança, a muitos como eu, ainda continuará (estou certo) a orgulhar!
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Mas se dúvidas ou certezas existirem aqui poderão ser encontradas..
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quarta-feira, janeiro 30, 2008

a força que nunca seca

Chico César e Maria Bethânia

De José Sócrates, já muito sei.
"Ninguém vai voltar atrás em nada. O que nós queremos é ter um novo método, mas cumprir os mesmos objectivos"
"Não encerraremos mais urgências antes de existirem alternativas."

De Ana Jorge, ainda vou saber.
"Vamos trabalhar em conjunto para dar mais segurança aos cidadãos e reforçar o Serviço Nacional de Saúde."

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terça-feira, janeiro 29, 2008

quase 34 anos depois...


Hoje, quando pelas 17.30h, um colega sugeriu, à enfermeira circulante do Bloco Operatório da sala onde me encontrava a operar um doente, que me transmitisse a notícia de que o Ministro da Saúde tinha pedido a demissão e que esta tinha sido aceite pelo Primeiro-ministro, veio-me de imediato à lembrança uma grata e já longínqua notícia, também recebida através de colega de curso, à entrada da sala onde, com a ansiedade e o nervosismo naturais, me ia preparando para iniciar uma prova oral da cadeira de Radiologia…

Isto passou-se no dia 25 de Abril de 1974 pelas 8:30h.
E agora estamos no dia 29 de Janeiro de 2009.

Estranha associação esta, de lembranças minhas…
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segunda-feira, janeiro 28, 2008

apelo às Câmaras de Fafe, Santo Tirso e Macedo de Cavaleiros



Se a Câmara de S.Pedro do Sul, de maioria PSD, decidiu agraciar Correia de Campos com tal distinção, por ter aceite a proposta da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências (CTAPRU) em contemplar esta cidade com um SUB, é altura de outras edilidades fazerem o mesmo, particularmente as que não tendo sido contempladas pela mesma CTAPRU, em Janeiro de 2007, com tais Serviços de Urgência , têm já assegurada a sua instalação, nestes casos sim, fruto de “elevada postura institucional” do Sr. Ministro Correia de Campos.

Sendo assim, apelo à região Norte, particularmente às Câmaras de Fafe, Santo Tirso e Macedo de Cavaleiros, para que tal "postura institucional", da mesma forma seja reconhecida condignamente.
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É que de mal agradecidos está o inferno cheio…
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domingo, janeiro 27, 2008

Galiza aqui tão perto


Alguém no Boticário sugeriu que se fizesse chegar este excelente texto, às mãos de Correia de Campos.

Com os agradecimentos ao Besugo pela autoria e ao MSP pela descoberta, não resisto a replicá-lo aqui, para, desta modesta forma, contribuir para um melhor esclarecimento dos nossos zelosos governantes.


Vive gente em Ourense. Ourense tem um Hospital com uma Unidade de Cuidados Intensivos e mais merdas.
Chaves não tem, Bragança e Mirandela não têm, Macedo de Cavaleiros e Moncorvo não têm, Régua e Lamego não possuem. Tem isso, apenas, essas merdas, Vila Real.

E vamos agora acelerar, que a minha vida não é esta e tenho de me levantar cedo. São precisos dados? Muito bem.

A Província de Trás-os-Montes e Alto Douro tem 2 distritos, Vila Real e Bragança. Trás-os-Montes e Alto Douro tem, portanto, cerca de 400.000 habitantes, mais ou menos. A Província de Ourense tem à volta de 345.000 habitantes. Pode comparar-se assim? Penso que assim se pode.
A província de Trás-os-Montes e Alto Douro tem uma área de 11.000 Km2, enquanto a de Ourense tem, por alto, 7.300 Km2. Pode comparar-se: as pobrezas comparam-se em todas as dimensões.
Em Trás-os-Montes e Alto Douro é como se sabe. Posso fazer um desenho um dia destes, mas por hoje passo. Vamos à Província de Ourense, à Galiza interior. Vamos?

Bom. A Província de Ourense tem 92 concelhos. Vão de Avion a A Peroxa, Monterrá a Maside, Verin a O Barco de Valdeoros, de Ourense a Castrelo de Miño. São 92 concelhos. O curioso é que tirando Ourense (110.000 habitantes), o resto são pequenos povos. Tirando Verín (13.500), Barco de Valdeorras (13.300), O Carballiño (12.800) e, vá lá, Xinzo de Limia (10.000), o resto tem entre 600 e 4000 almas viventes. A Teixeira tem, mesmo, só 569 pessoas, sendo de referir que os concelhos de O Bolo e de A Bola, juntos, perfazem 2900 seres humanos. É assim, não vale a pena inventar.

Ora bem. Então e nestes 92 concelhos quantos Centros de Saúde há? Há 110. Porquê? Porque sim. Porque há 14 concelhos que têm mais que um. Ourense tem 5. E Castrelo de Miño, por exemplo, tem 3. Palavra de honra: tem 3, e tem 2095 habitantes. Deve ser, talvez, terra de pouca gente e muito ancha, não?
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Desses Centros de Saúde, 15 têm Serviços de Urgências permanentes. Falo de Ourense, de Verín, mas também de Viana de Bolo, Xinzo de Limia, O Carballiño, O Barco de Valdeorras, Bande, Ribadavia, são 15. Ribadavia tem 5500 habitantes, por exemplo.
Os Centros de Saúde que não têm urgência "drenam" (detesto esta palavra, mas, como disse, não me pagam para escrever - quanto mais para escrever bem), num critério que não é outro senão o da proximidade, para o Centro de Saúde - com urgência - mais próximo.
Os Centros de Saúde com Urgência permanente têm, em mais de 60% dos casos, além de clínicos gerais (habilitados a fazer suporte básico de vida, que é fundamental pelos motivos que se prendem com aquela parte de o coração bater e de a gente respirar), pediatras, e enfermeiras de Obstretrícia. Em 25% deles há dentistas - cá, nem nos hospitais. Há Fisioterapia, em cerca de 10% dos Centros.
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Nesses 110 Centros de Saúde trabalham, ao todo, salvo óbitos recentes ou intervenções externas de Correia de Campos, 275 médicos generalistas, 45 pediatras, 15 dentistas, um porradão de enfermeiras e enfermeiros, variadíssimos técnicos, assistentes sociais. Muitos desses Centros têm possibilidade de fazer análises clínicas e radiografias.
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Ora bom, encurtando distâncias que ainda tenho de ir mandar um e-mail ao Paulo Bento: além destes Centros de Saúde, a Província de Ourense tem que mais?
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Bom.
Tem o Centro Hospitalar de Ourense, com tudo, mas tudo mesmo (mesmo as merdas que não há em Vila Real, sim, a Cirurgia Vascular, a Neurocirurgia, a Radioterapia, os Cuidados Intensivos Pediátricos, a Unidade de Transplantes, a Endocrinologia, a Reumatologia, a Geriatria, a Oncologia Médica e Cirúrgica, a Angiografia, a RMN, a TC helicoidal, o caralho. Tem mesmo tudo, galegos dum raio). E tem 505 médicos e 811 camas.
E que mais? Bom, há o Hospital Comarcal de Valdeorras, com Medicina Interna, Cirurgia, Nefrologia com hemodiálise, Fisioterapia, Anestesiologia e Reanimação - pudera, têm todos, eu sei - Unidade de Dor e a puta que os pariu; pois é. E são 100 camas de internamento, e são 52 médicos.
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E agora uma pausa educativa. Escutei assim uma pergunta, há bocadinho: "isso de Verín, com 13.000 habitantes, é preciso ver até que ponto vai o quase...".
Vai até aqui: 80 camas, 42 médicos, Medicina Interna, Cirurgia, Anestesiologia, Reanimação, Dermatologia, Unidade de Dor, Fisioterapia, Otorrino, Oftalmologia, Urologia, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Psiquiatria... por aí fora. A Régua, a cidade, tem 11.000 habitantes. E não tem quase nada.
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Os cuidados de saúde são como o resto. Devem relacionar-se entre si da mesma maneira que se relacionam as pessoas: ou há relações - e têm de ser próximas, daí a importância dos lugares, porque os lugares são as pessoas em espaços pequenos, médios, do tamanho que tiverem - ou não as há e, nesse caso, que se foda a Bwin Liga.
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Se é assim na Galiza Pobre, pensem como será na Galiza Rica. Na Catalunha, na Comunitat Valenciana, no País Basco, na Andaluzia, no caralho!
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Eu é que misturei tudo? Muito bem, então desmisturem, a ver o cheiro das tintas!
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Repito: pode haver coisas boas nos lugares e haver, na mesma, estradas que nos transportem entre lugares.

Nota de rodapé: já agora, entre o Tronco (Chaves) e Vila Real, são 99 Km. Ou seja, 1h13m, segundo o Via Michelin. Mulheres que estais de "interessâncias", apertai bem a vulva no caminho.

sábado, janeiro 26, 2008

verdades do INEM


Algumas das muitas verdades, que a alguns custa a admitir, são ditas pela Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (ANTEPH)


A ANTEPH, em comunicado enviado à Agência Lusa, pediu ao Governo que suspenda de "imediato" as actuais medidas e referiu que, situações como as que têm ocorrido no distrito de Vila Real, demonstram a "clara falta de apoios que o INEM e a Autoridade Nacional de Protecção Civil têm dado às corporações de bombeiros, uma vez que são do conhecimento de todos e nada foi feito para serem corrigidas".

Para a ANTEPH, a actual situação que se vive na emergência pré-hospitalar deve-se à "política de desintegração do socorro, utilizada pelo INEM, através da megalomania de ter uma rede de ambulâncias próprias, desapoiando as estruturas já existentes".

A ANTEPH concluiu que "não houve a preocupação de reforço dos meios nas áreas onde este eram deficitários, uma vez que foram colocadas em zonas onde o socorro na maioria dos casos já estava garantido pelas corporações de bombeiros, que já possuíam equipas profissionais durante 24 horas por dia, exemplo disso diz que é o caso de Anadia e Odemira.

A ANTEPH diz ainda não compreender "como já não se avançou para centrais integradas ao nível distrital, uma vez que estão mais próximas das populações e com maior capacidade de gestão de meios. Se existissem, os casos de Alijó e Favaios não tinham ocorrido".

A ANTEPH considera ser de lamentar que uma chamada de socorro, "que é confidencial, e que devia estar protegida, tenha vindo para os órgão de comunicação social" e diz que se tratou de uma "medida clara de desvalorizar o serviço efectuado pelos corpos de bombeiros, passando uma realidade que não é nacional e que cria insegurança onde não existe".

A ANTEPH responsabiliza o INEM por criar uma "falta sensação de segurança nas populações resultado da implementação de ambulâncias que são tripuladas por profissionais sem qualquer experiência em pré-hospitalar e com uma formação insuficiente para ocorrer as diversas situações" RTP


Serão estas, e muitas outras, as verdades que Correia de Campos e o Presidente do INEM deveriam ouvir, responder e corrigir e só depois, com todo o direito que a razão lhes conferirá, poderão “pedir aos portugueses e aos meios de comunicação social para não descredibilizarem uma instituição que custou tanto tempo a criar” e que de uma maneira correcta e responsável estará, nessa altura, já a actuar.

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sexta-feira, janeiro 25, 2008

o autoritarismo implacável de ... (II)


Afinal não é só Correia de Campos ...


«As pessoas têm direito a ter expectativas, mas não têm direito a ter opinião» Maciel Barbosa, médico, Presidente da ARS do Norte
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Como é possível?
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o autoritarismo implacável de Correia de Campos


Vale a pena ler aqui a carta aberta enviada ao Ministro da Saúde pelo distinto Ortopedista, Dr. José de Mesquita Montes, recentemente jubilado decorridos que foram 45 anos dedicados à Medicina e à Ortopedia, particularmente no Norte do País, reconhecido nacional e internacionalmente, na qual expõe a sua mágoa sobre a forma como Correia de Campos está a “impor as suas medidas com um determinismo e autoritarismo implacáveis” e que subscrevo na íntegra.


(…) Mas notícias, as mais diversas relacionadas com a saúde dos portugueses, que entretanto começaram a surgir nos jornais, na televisão e na rádio, vieram incomodar o cidadão (Mesquita Montes), que sempre viveu dedicado a este sector.

Nos primeiros tempos foram as alterações relacionadas com a organização dos hospitais, a reestruturação dos serviços de Urgência, o encerramento das maternidades, as fusões hospitalares e toda uma série de determinações que atingiram negativamente o pessoal da Saúde.Porque ao longo da minha vida perfilhei muitas ideias, que visavam a racionalização da distribuição de meios nos serviços, nos hospitais, com o objectivo de criar unidades tecnicamente válidas, aptas a um melhor desempenho, tendo em conta a redução dos custos, foi com estranheza que assisti à apresentação destes problemas, dando a imagem de uma marcada inabilidade na condução destas transformações, em que foi patente a falta de capacidade de comunicar e informar correctamente, o que levou inevitavelmente a avanços e recuos, a justificações inconsistentes, a cedência a pressões de toda a ordem e ao resvalar para um autoritarismo inaceitável no século XXI.

No fundo, um somatório de procedimentos pouco transparentes, em que sobressaía uma insuficiente e pouco esclarecida informação, o que irritou fortemente a generalidade da população, sobretudo aquela que se viu privada dos parcos meios assistenciais de que dispunha e ainda porque as escassas justificações apresentadas estavam eivadas de razões economicistas, que de uma maneira geral não respeitavam a «paridade da prestação de serviços», que devia abranger por igual todos os contribuintes portugueses, qualquer que fosse o seu local de residência.

Apesar de tantas reclamações dos mais diversos sectores da População, o sr. ministro da Saúde conseguiu (e vai conseguindo) impor as suas medidas com um determinismo e autoritarismo implacáveis.O descontentamento do País é grande, sendo a desmotivação dos trabalhadores da saúde ainda maior, e o que sentirá o «velho lutador de 45 anos», que discutiu e contribuiu para a melhoria do sector da Saúde, como V. Exa. afirmou no seu louvor -- mais desiludido ficou, sobretudo quando viu parte do seu trabalho remetido para os «arquivos da História».Terá havido efectivamente melhoria das condições de prestação de cuidados? Questiono-me se tal aconteceu, ao ler, ainda que transversalmente, os jornais e as notícias dos últimos meses. Continuam a surgir as antigas insuficiências e outras que o novo sistema criou!Mas, Sr. Ministro, se a grande maioria das medidas e o modo como foram implementadas me desgostou profundamente, teve V. Exa., o condão de, no passado mês de Setembro, me chocar e desiludir ainda mais:

-- Ao anunciar o encerramento nocturno do Serviço de Urgência do Hospital de D. Luís I do Peso da Régua (minha terra natal) -- hospital onde trabalhei 12 anos como director do Serviço de Ortopedia -- 1972 a 1984;
-- Ao anunciar também o encerramento do Serviço de Ortopedia do Hospital de Lamego, por mim criado em 1968;
-- Ao assinar o documento que estabelece o Centro Hospitalar do Porto, extinguindo o Hospital de Maria Pia como entidade autónoma. Foi a este hospital que dediquei 30 anos da minha actividade, como ortopedista infantil.

Como pode calcular, foi com profunda mágoa e desgosto que vi surgir tais medidas, que põem termo, volvidos tantos anos, a unidades em que estive profundamente empenhado.Foi por esse empenhamento que V. Exa. entendeu, bem recentemente, louvar-me.Por mais razões que V. Exa. possa apresentar para justificar estas decisões, e nisso é V. Exa. perito, jamais conseguirá atenuar o meu sentimento de agressão e de delapidação do meu acervo histórico, que ficou assim privado dos seus pilares mais emblemáticos e ferido na sua integridade.Mas o que mais lamento não é tanto a agressão à minha integridade histórica, mas sim a agressão a todos aqueles que vão ficar privados dos serviços, agora extintos ou a extinguir, sobretudo porque neste momento já não disponho de meios para, a partir do estádio zero, reconstruir, como antigamente e com outros dirigentes, as obras agora banidas. Mas porque estou do outro lado da barreira, como afirmei em Março de 2007, continuarei a defender os doentes carenciados de assistência.

Esta a verdadeira razão da mensagem e creia, Sr. Ministro, que apesar de me sentir profundamente magoado, manterei a minha disponibilidade para contribuir activamente para a discussão e organização do sector, em que o primado da justiça, da paridade e da proximidade presidam às medidas que venham a assegurar o bem-estar das populações, através de cuidados de saúde de elevado nível técnico e científico, apanágio do século XXI.

Dr. José de Mesquita Montes
Médico Ortopedista

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