sábado, fevereiro 02, 2008

contradições do ainda "nosso" SNS


Já abriu o Novo Bloco Partos do S. João com novas opções para a grávida
Estas novas instalações vão ainda colocar à disposição da mulher novas técnicas para amenizar a dor durante o trabalho de parto: hidroterapia, musicoterapia, exercícios de relaxamento, bola e cordas específicas para parto natural.


A notícia parece ser de facto (porque a tal não estamos habituados) respeitante a uma qualquer clínica privada recentemente inaugurada, dedicada à saúde/negócio materno-infantil.

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Mas não é, como (e bem) alguém já o disse.


Refere-se ao novo/renovado Serviço de Obstetrícia do Hospital de S.João do Porto, EPE, que assim também não esquece, entre as centenas de grávidas que assistiu, as 15 que no ano passado queriam ter um parto natural.


15 grávidas que tiveram oportunidade de ter uma preparação prévia durante a gravidez no sentido de “aprender primeiro a lidar com a dor e a vê-la como auxiliar na altura de ter o bebé” e que, se fosse hoje, poderiam usufruir de tais técnicas para amenizar a dor durante o trabalho de parto e assim terem o seu “parto natural”.


15 grávidas que tiveram um parto natural, na altura, infelizmente sem todas as condições para o ter, só porque tudo o que de bom esta "nova/ancestral" concepção de preparação para o parto ainda não estava nem está contemplada nos planos do nosso sistema de saúde.


15 grávidas que ironicamente poderão ser equiparadas às mais de 15 grávidas que por variadas razões, embora ansiando por ter os seus filhos em segurança, num clássico ambiente hospitalar, se viram e ainda podem vir a ser forçadas a ter, como ajuda para o seu parto, não uma hidromassagem, um ambiente calmo, umas lindas fotografias nas paredes e muitos médicos e enfermeiros dedicados e solícitos, mas uma “trepido-massagem”, um ruído de motor a gasóleo, umas pequenas janelas duma pequeníssima cabine de aço e uns preocupados, dedicados mas impotentes bombeiros de uma qualquer ambulância, duma qualquer corporação do país, para de forma bem diferente, acabarem por virem a ter também um parto dito “natural”.


E ainda há quem diga que isto, do Hospital de S.João do Porto, foi e é obra de alguém que se preocupou com a saúde dos portugueses…

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

"a política de saúde mantém-se"

... e quando as moscas mudam?

09/12/2004
Em 1994, o então ministro Paulo Mendo dá o "pontapé de saída" para a construção do novo hospital de Braga, sendo três anos depois, em 1997, nomeado o Grupo de Programação do Hospital de S. Marcos.

Em 1998, o Governo emite o despacho de aprovação do Programa Funcional do novo hospital. Nesse mesmo ano, foi inscrita no PIDDAC a dotação de 1,5 milhões de euros, para fazer face ao início do processo.

Em 1999 é publicado o anúncio do concurso público internacional para a elaboração do projecto do novo hospital.

Dois anos mais tarde, o ex-ministro Correia Campos abandona o projecto inicial e opta pelo modelo de construção público-privada.
Este ano, será finalmente lançado o concurso público internacional, prevendo-se que o novo hospital esteja concluído em 2008.AECOPS



01/02/2008
O processo de construção de um novo Hospital em Fafe tem conhecido desenvolvimentos positivos. Na passada semana, o presidente da Câmara de Fafe esteve reunido com o então Secretário de Estado de Saúde e recebeu do governante a confirmação que o projecto é para avançar.

Comprometeu-se comigo a mandar avançar o processo de aprovação de terrenos para a construção e também a aprovação do conteúdo funcional do futuro Hospital de Fafe para que o processo avance o mais rapidamente possível", explicou José Ribeiro.

Apesar das recentes mudanças no ministério, José Ribeiro entende que a palavra do primeiro Ministro é para cumprir, ou seja, "a política de saúde mantém-se".JN


Sem comentários...

... porque há já mais de um ano, alguém dizia isto aqui.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

o Serviço de Urgência de Fafe


Ainda se ouvem, na blogosfera, alguns ecos da exoneração de Correia de Campos e do que Ana Jorge poderá vir a fazer, de diferente, no Ministério da Saúde.

Mas, assim como “o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita”, também (não digo “nunca”), “difícil” será de endireitar muitas das coisas que foram “entortadas” pela política do exonerado Ministro da Saúde e sua equipa…

Refiro-me em particular ao Serviço de Urgência da Unidade de Fafe do Centro Hospitalar do Alto Ave, condenado a ser encerrado pela Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências (CTAPRU) em Janeiro de 2007 e posteriormente proposto para ser reconvertido em SUB através de um protocolo assinado com a autarquia de Fafe, em Março de 2007.

Até a sua inauguração como SUB, esteve já prevista para o dia 25 de Abril de 2007…!!!

Mas não terá havido coragem política para tal fazer.

Por um lado, pelo excelente trabalho que os profissionais de todos os sectores, desde 1990, oferecem aos doentes que recorrem a este Serviço de Urgência nas especialidades de Medicina Interna, Ortopedia e Cirurgia, e por outro, pela elevada afluência diária de doentes que actualmente se verifica (cerca de 140 atendimentos), malgrado os esforços entretanto desenvolvidos pela ARS do Norte para a sua redução, através de indicações dadas ao CA do CHAA para se proceder ao encaminhamento administrativo de doentes triados como “azuis”, para os CS e USF, e aos Directores dos CS de Fafe, Cabeceiras e Celorico de Basto no sentido de referenciarem os doentes destes concelhos, directamente para o SU da Unidade de Guimarães), com a clara intenção de assim conseguirem o esvaziamento deste Serviço de Urgência, quiçá até, conseguido esse objectivo, assim dar razão à proposta da CTAPRU, do desnecessário que seria de em Fafe “existir” qualquer tipo de Serviço de Urgência.

E agora o que se passa?

Arrisca-se a ARS do Norte a ter que contrariar as palavras de José Sócrates proferidas aquando da tomada de posse da nova Ministra da Saúde: “Não encerraremos mais urgências antes de existirem alternativas.”

É que, se com um quadro médico de Medicina Interna extremamente reduzido (4), já grandes dificuldades existiam para assegurar a presença de um Internista durante 24 horas ao longo da semana (colmatando estas dificuldades com a contratação de médicos tarefeiros, externos ao Centro Hospitalar, alguns deles sem a competência técnico-profissional exigida), a partir do dia 1 de Fevereiro deste ano, com a dispensa de realização de Serviço de Urgência de dois Internistas do quadro (por razões de idade), a situação tornou-se agora insustentável ao ponto de a única solução parecer vir a ser a do encerramento do SU com as tês especialidades (Medicina, Ortopedia e Cirurgia) a nele prestarem serviço, e a sua transformação num SUB.
Um Serviço que mais não será que um SAP com apoio de laboratório de análises e de RX (ou não soubéssemos nós, que qualidade de serviços irão prestar 2 médicos indiferenciados, nestes apelidados Serviços de “Urgência” Básicos).

Não terá sido por falta de avisos atempados por parte dos Directores de Serviço da Unidade de Fafe, que o CA do CHAA e a ARS do Norte foram apanhados de surpresa, já que através de vários documentos e de reuniões havidas, desde Março de 2007, os avisavam para esta eventualidade.

E o que fez (e ainda faz), o Conselho de Administração do CHAA?

Nada…
Não fecha as portas a novas contratações, não!
Mas propõe, ainda nos dias de hoje, aos vários Internistas que vão aparecendo, contratos de vencimento “chorudos”, substancialmente inferiores aos oferecidos pelos HH EPE vizinhos (Vale de Sousa e CH do Médio Ave) que assim, preferencialmente, vão garantindo o seu futuro como Centros Hospitalares em termos de criação de novas valências e de um assegurar, com qualidade, dos serviços essenciais que lhe são exigidos.

Demarca-se o CA do CHAA da responsabilidade de assegurar a continuidade da prestação de cuidados de Urgência na “sua Unidade” da cidade de Fafe (que a ele competia, como Unidade do CH), fazendo com que a ARS do Norte, a partir de Outubro de 2007, tomasse nas suas mãos a resolução do problema do SU de Fafe, sem que até à data, nada de diferente esta tivesse proposto que não fosse o alheamento e a falta de atenção para com uma população de cerca de 120.000 habitantes que são encaminhados, desde 1990, para o SU de Fafe.

Surpresa terá sido para ARS do Norte a exoneração, nesta altura, do Ministro Correia de Campos, que a título de crítica da sua actuação motivaram as palavras do senhor Primeiro Ministro, de que não iriam ser encerrados mais Serviços de Urgência, sem que alternativas não tenham sido previamente asseguradas.

Mas quando este SU de Fafe corre o sério risco de a partir do dia 6 de Fevereiro encerrar por falta de Internistas, não só as alternativas aos 140 doentes que diariamente são observados no SU foram asseguradas, como também assegurado não está o apoio permanente e diário, desta especialidade médica imprescindível, aos mais de 100 doentes internados nos serviços de Medicina, Cirurgia e Ortopedia da Unidade de Fafe do CHAA.

E muito têm feito os profissionais médicos da Unidade para que isto não viesse a suceder…

E hoje, 31 de Janeiro, os profissionais da Unidade de Fafe, os doentes e a população que dela tem tido assistência, ainda aguardam, do CHAA e da ARS do Norte, o que esta política, deste governo dito socialista, estão a preparar para lhes “oferecer”.

Retrato triste dum SNS que a tantos orgulhou, mas que com a esperança de mudança, a muitos como eu, ainda continuará (estou certo) a orgulhar!
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Mas se dúvidas ou certezas existirem aqui poderão ser encontradas..
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quarta-feira, janeiro 30, 2008

a força que nunca seca

Chico César e Maria Bethânia

De José Sócrates, já muito sei.
"Ninguém vai voltar atrás em nada. O que nós queremos é ter um novo método, mas cumprir os mesmos objectivos"
"Não encerraremos mais urgências antes de existirem alternativas."

De Ana Jorge, ainda vou saber.
"Vamos trabalhar em conjunto para dar mais segurança aos cidadãos e reforçar o Serviço Nacional de Saúde."

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terça-feira, janeiro 29, 2008

quase 34 anos depois...


Hoje, quando pelas 17.30h, um colega sugeriu, à enfermeira circulante do Bloco Operatório da sala onde me encontrava a operar um doente, que me transmitisse a notícia de que o Ministro da Saúde tinha pedido a demissão e que esta tinha sido aceite pelo Primeiro-ministro, veio-me de imediato à lembrança uma grata e já longínqua notícia, também recebida através de colega de curso, à entrada da sala onde, com a ansiedade e o nervosismo naturais, me ia preparando para iniciar uma prova oral da cadeira de Radiologia…

Isto passou-se no dia 25 de Abril de 1974 pelas 8:30h.
E agora estamos no dia 29 de Janeiro de 2009.

Estranha associação esta, de lembranças minhas…
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segunda-feira, janeiro 28, 2008

apelo às Câmaras de Fafe, Santo Tirso e Macedo de Cavaleiros



Se a Câmara de S.Pedro do Sul, de maioria PSD, decidiu agraciar Correia de Campos com tal distinção, por ter aceite a proposta da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências (CTAPRU) em contemplar esta cidade com um SUB, é altura de outras edilidades fazerem o mesmo, particularmente as que não tendo sido contempladas pela mesma CTAPRU, em Janeiro de 2007, com tais Serviços de Urgência , têm já assegurada a sua instalação, nestes casos sim, fruto de “elevada postura institucional” do Sr. Ministro Correia de Campos.

Sendo assim, apelo à região Norte, particularmente às Câmaras de Fafe, Santo Tirso e Macedo de Cavaleiros, para que tal "postura institucional", da mesma forma seja reconhecida condignamente.
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É que de mal agradecidos está o inferno cheio…
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domingo, janeiro 27, 2008

Galiza aqui tão perto


Alguém no Boticário sugeriu que se fizesse chegar este excelente texto, às mãos de Correia de Campos.

Com os agradecimentos ao Besugo pela autoria e ao MSP pela descoberta, não resisto a replicá-lo aqui, para, desta modesta forma, contribuir para um melhor esclarecimento dos nossos zelosos governantes.


Vive gente em Ourense. Ourense tem um Hospital com uma Unidade de Cuidados Intensivos e mais merdas.
Chaves não tem, Bragança e Mirandela não têm, Macedo de Cavaleiros e Moncorvo não têm, Régua e Lamego não possuem. Tem isso, apenas, essas merdas, Vila Real.

E vamos agora acelerar, que a minha vida não é esta e tenho de me levantar cedo. São precisos dados? Muito bem.

A Província de Trás-os-Montes e Alto Douro tem 2 distritos, Vila Real e Bragança. Trás-os-Montes e Alto Douro tem, portanto, cerca de 400.000 habitantes, mais ou menos. A Província de Ourense tem à volta de 345.000 habitantes. Pode comparar-se assim? Penso que assim se pode.
A província de Trás-os-Montes e Alto Douro tem uma área de 11.000 Km2, enquanto a de Ourense tem, por alto, 7.300 Km2. Pode comparar-se: as pobrezas comparam-se em todas as dimensões.
Em Trás-os-Montes e Alto Douro é como se sabe. Posso fazer um desenho um dia destes, mas por hoje passo. Vamos à Província de Ourense, à Galiza interior. Vamos?

Bom. A Província de Ourense tem 92 concelhos. Vão de Avion a A Peroxa, Monterrá a Maside, Verin a O Barco de Valdeoros, de Ourense a Castrelo de Miño. São 92 concelhos. O curioso é que tirando Ourense (110.000 habitantes), o resto são pequenos povos. Tirando Verín (13.500), Barco de Valdeorras (13.300), O Carballiño (12.800) e, vá lá, Xinzo de Limia (10.000), o resto tem entre 600 e 4000 almas viventes. A Teixeira tem, mesmo, só 569 pessoas, sendo de referir que os concelhos de O Bolo e de A Bola, juntos, perfazem 2900 seres humanos. É assim, não vale a pena inventar.

Ora bem. Então e nestes 92 concelhos quantos Centros de Saúde há? Há 110. Porquê? Porque sim. Porque há 14 concelhos que têm mais que um. Ourense tem 5. E Castrelo de Miño, por exemplo, tem 3. Palavra de honra: tem 3, e tem 2095 habitantes. Deve ser, talvez, terra de pouca gente e muito ancha, não?
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Desses Centros de Saúde, 15 têm Serviços de Urgências permanentes. Falo de Ourense, de Verín, mas também de Viana de Bolo, Xinzo de Limia, O Carballiño, O Barco de Valdeorras, Bande, Ribadavia, são 15. Ribadavia tem 5500 habitantes, por exemplo.
Os Centros de Saúde que não têm urgência "drenam" (detesto esta palavra, mas, como disse, não me pagam para escrever - quanto mais para escrever bem), num critério que não é outro senão o da proximidade, para o Centro de Saúde - com urgência - mais próximo.
Os Centros de Saúde com Urgência permanente têm, em mais de 60% dos casos, além de clínicos gerais (habilitados a fazer suporte básico de vida, que é fundamental pelos motivos que se prendem com aquela parte de o coração bater e de a gente respirar), pediatras, e enfermeiras de Obstretrícia. Em 25% deles há dentistas - cá, nem nos hospitais. Há Fisioterapia, em cerca de 10% dos Centros.
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Nesses 110 Centros de Saúde trabalham, ao todo, salvo óbitos recentes ou intervenções externas de Correia de Campos, 275 médicos generalistas, 45 pediatras, 15 dentistas, um porradão de enfermeiras e enfermeiros, variadíssimos técnicos, assistentes sociais. Muitos desses Centros têm possibilidade de fazer análises clínicas e radiografias.
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Ora bom, encurtando distâncias que ainda tenho de ir mandar um e-mail ao Paulo Bento: além destes Centros de Saúde, a Província de Ourense tem que mais?
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Bom.
Tem o Centro Hospitalar de Ourense, com tudo, mas tudo mesmo (mesmo as merdas que não há em Vila Real, sim, a Cirurgia Vascular, a Neurocirurgia, a Radioterapia, os Cuidados Intensivos Pediátricos, a Unidade de Transplantes, a Endocrinologia, a Reumatologia, a Geriatria, a Oncologia Médica e Cirúrgica, a Angiografia, a RMN, a TC helicoidal, o caralho. Tem mesmo tudo, galegos dum raio). E tem 505 médicos e 811 camas.
E que mais? Bom, há o Hospital Comarcal de Valdeorras, com Medicina Interna, Cirurgia, Nefrologia com hemodiálise, Fisioterapia, Anestesiologia e Reanimação - pudera, têm todos, eu sei - Unidade de Dor e a puta que os pariu; pois é. E são 100 camas de internamento, e são 52 médicos.
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E agora uma pausa educativa. Escutei assim uma pergunta, há bocadinho: "isso de Verín, com 13.000 habitantes, é preciso ver até que ponto vai o quase...".
Vai até aqui: 80 camas, 42 médicos, Medicina Interna, Cirurgia, Anestesiologia, Reanimação, Dermatologia, Unidade de Dor, Fisioterapia, Otorrino, Oftalmologia, Urologia, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Psiquiatria... por aí fora. A Régua, a cidade, tem 11.000 habitantes. E não tem quase nada.
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Os cuidados de saúde são como o resto. Devem relacionar-se entre si da mesma maneira que se relacionam as pessoas: ou há relações - e têm de ser próximas, daí a importância dos lugares, porque os lugares são as pessoas em espaços pequenos, médios, do tamanho que tiverem - ou não as há e, nesse caso, que se foda a Bwin Liga.
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Se é assim na Galiza Pobre, pensem como será na Galiza Rica. Na Catalunha, na Comunitat Valenciana, no País Basco, na Andaluzia, no caralho!
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Eu é que misturei tudo? Muito bem, então desmisturem, a ver o cheiro das tintas!
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Repito: pode haver coisas boas nos lugares e haver, na mesma, estradas que nos transportem entre lugares.

Nota de rodapé: já agora, entre o Tronco (Chaves) e Vila Real, são 99 Km. Ou seja, 1h13m, segundo o Via Michelin. Mulheres que estais de "interessâncias", apertai bem a vulva no caminho.

sábado, janeiro 26, 2008

verdades do INEM


Algumas das muitas verdades, que a alguns custa a admitir, são ditas pela Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (ANTEPH)


A ANTEPH, em comunicado enviado à Agência Lusa, pediu ao Governo que suspenda de "imediato" as actuais medidas e referiu que, situações como as que têm ocorrido no distrito de Vila Real, demonstram a "clara falta de apoios que o INEM e a Autoridade Nacional de Protecção Civil têm dado às corporações de bombeiros, uma vez que são do conhecimento de todos e nada foi feito para serem corrigidas".

Para a ANTEPH, a actual situação que se vive na emergência pré-hospitalar deve-se à "política de desintegração do socorro, utilizada pelo INEM, através da megalomania de ter uma rede de ambulâncias próprias, desapoiando as estruturas já existentes".

A ANTEPH concluiu que "não houve a preocupação de reforço dos meios nas áreas onde este eram deficitários, uma vez que foram colocadas em zonas onde o socorro na maioria dos casos já estava garantido pelas corporações de bombeiros, que já possuíam equipas profissionais durante 24 horas por dia, exemplo disso diz que é o caso de Anadia e Odemira.

A ANTEPH diz ainda não compreender "como já não se avançou para centrais integradas ao nível distrital, uma vez que estão mais próximas das populações e com maior capacidade de gestão de meios. Se existissem, os casos de Alijó e Favaios não tinham ocorrido".

A ANTEPH considera ser de lamentar que uma chamada de socorro, "que é confidencial, e que devia estar protegida, tenha vindo para os órgão de comunicação social" e diz que se tratou de uma "medida clara de desvalorizar o serviço efectuado pelos corpos de bombeiros, passando uma realidade que não é nacional e que cria insegurança onde não existe".

A ANTEPH responsabiliza o INEM por criar uma "falta sensação de segurança nas populações resultado da implementação de ambulâncias que são tripuladas por profissionais sem qualquer experiência em pré-hospitalar e com uma formação insuficiente para ocorrer as diversas situações" RTP


Serão estas, e muitas outras, as verdades que Correia de Campos e o Presidente do INEM deveriam ouvir, responder e corrigir e só depois, com todo o direito que a razão lhes conferirá, poderão “pedir aos portugueses e aos meios de comunicação social para não descredibilizarem uma instituição que custou tanto tempo a criar” e que de uma maneira correcta e responsável estará, nessa altura, já a actuar.

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sexta-feira, janeiro 25, 2008

o autoritarismo implacável de ... (II)


Afinal não é só Correia de Campos ...


«As pessoas têm direito a ter expectativas, mas não têm direito a ter opinião» Maciel Barbosa, médico, Presidente da ARS do Norte
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Como é possível?
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o autoritarismo implacável de Correia de Campos


Vale a pena ler aqui a carta aberta enviada ao Ministro da Saúde pelo distinto Ortopedista, Dr. José de Mesquita Montes, recentemente jubilado decorridos que foram 45 anos dedicados à Medicina e à Ortopedia, particularmente no Norte do País, reconhecido nacional e internacionalmente, na qual expõe a sua mágoa sobre a forma como Correia de Campos está a “impor as suas medidas com um determinismo e autoritarismo implacáveis” e que subscrevo na íntegra.


(…) Mas notícias, as mais diversas relacionadas com a saúde dos portugueses, que entretanto começaram a surgir nos jornais, na televisão e na rádio, vieram incomodar o cidadão (Mesquita Montes), que sempre viveu dedicado a este sector.

Nos primeiros tempos foram as alterações relacionadas com a organização dos hospitais, a reestruturação dos serviços de Urgência, o encerramento das maternidades, as fusões hospitalares e toda uma série de determinações que atingiram negativamente o pessoal da Saúde.Porque ao longo da minha vida perfilhei muitas ideias, que visavam a racionalização da distribuição de meios nos serviços, nos hospitais, com o objectivo de criar unidades tecnicamente válidas, aptas a um melhor desempenho, tendo em conta a redução dos custos, foi com estranheza que assisti à apresentação destes problemas, dando a imagem de uma marcada inabilidade na condução destas transformações, em que foi patente a falta de capacidade de comunicar e informar correctamente, o que levou inevitavelmente a avanços e recuos, a justificações inconsistentes, a cedência a pressões de toda a ordem e ao resvalar para um autoritarismo inaceitável no século XXI.

No fundo, um somatório de procedimentos pouco transparentes, em que sobressaía uma insuficiente e pouco esclarecida informação, o que irritou fortemente a generalidade da população, sobretudo aquela que se viu privada dos parcos meios assistenciais de que dispunha e ainda porque as escassas justificações apresentadas estavam eivadas de razões economicistas, que de uma maneira geral não respeitavam a «paridade da prestação de serviços», que devia abranger por igual todos os contribuintes portugueses, qualquer que fosse o seu local de residência.

Apesar de tantas reclamações dos mais diversos sectores da População, o sr. ministro da Saúde conseguiu (e vai conseguindo) impor as suas medidas com um determinismo e autoritarismo implacáveis.O descontentamento do País é grande, sendo a desmotivação dos trabalhadores da saúde ainda maior, e o que sentirá o «velho lutador de 45 anos», que discutiu e contribuiu para a melhoria do sector da Saúde, como V. Exa. afirmou no seu louvor -- mais desiludido ficou, sobretudo quando viu parte do seu trabalho remetido para os «arquivos da História».Terá havido efectivamente melhoria das condições de prestação de cuidados? Questiono-me se tal aconteceu, ao ler, ainda que transversalmente, os jornais e as notícias dos últimos meses. Continuam a surgir as antigas insuficiências e outras que o novo sistema criou!Mas, Sr. Ministro, se a grande maioria das medidas e o modo como foram implementadas me desgostou profundamente, teve V. Exa., o condão de, no passado mês de Setembro, me chocar e desiludir ainda mais:

-- Ao anunciar o encerramento nocturno do Serviço de Urgência do Hospital de D. Luís I do Peso da Régua (minha terra natal) -- hospital onde trabalhei 12 anos como director do Serviço de Ortopedia -- 1972 a 1984;
-- Ao anunciar também o encerramento do Serviço de Ortopedia do Hospital de Lamego, por mim criado em 1968;
-- Ao assinar o documento que estabelece o Centro Hospitalar do Porto, extinguindo o Hospital de Maria Pia como entidade autónoma. Foi a este hospital que dediquei 30 anos da minha actividade, como ortopedista infantil.

Como pode calcular, foi com profunda mágoa e desgosto que vi surgir tais medidas, que põem termo, volvidos tantos anos, a unidades em que estive profundamente empenhado.Foi por esse empenhamento que V. Exa. entendeu, bem recentemente, louvar-me.Por mais razões que V. Exa. possa apresentar para justificar estas decisões, e nisso é V. Exa. perito, jamais conseguirá atenuar o meu sentimento de agressão e de delapidação do meu acervo histórico, que ficou assim privado dos seus pilares mais emblemáticos e ferido na sua integridade.Mas o que mais lamento não é tanto a agressão à minha integridade histórica, mas sim a agressão a todos aqueles que vão ficar privados dos serviços, agora extintos ou a extinguir, sobretudo porque neste momento já não disponho de meios para, a partir do estádio zero, reconstruir, como antigamente e com outros dirigentes, as obras agora banidas. Mas porque estou do outro lado da barreira, como afirmei em Março de 2007, continuarei a defender os doentes carenciados de assistência.

Esta a verdadeira razão da mensagem e creia, Sr. Ministro, que apesar de me sentir profundamente magoado, manterei a minha disponibilidade para contribuir activamente para a discussão e organização do sector, em que o primado da justiça, da paridade e da proximidade presidam às medidas que venham a assegurar o bem-estar das populações, através de cuidados de saúde de elevado nível técnico e científico, apanágio do século XXI.

Dr. José de Mesquita Montes
Médico Ortopedista

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quinta-feira, janeiro 24, 2008

omoletas sem ovos


o que aqui é transcrito não terá sido ficção.

É a preocupante realidade dum país no qual se teima, à pressa, aplicar conceitos e métodos teórica e cientificamente correctos, sem o conhecimento da sua realidade e sem a preocupação de assumir a verdade do provérbio popular de que “não se fazem omoletas sem ovos”…

E neste caso, os ovos são não só os CODU, os helicópteros, as VMER, as SIV, as ambulâncias dos Bombeiros, os profissionais do INEM e dos Bombeiros, as acessibilidades rodoviárias e de uma Rede de SU definida por círculos traçados no mapa, mas também uma população instruída em como informar e receber a informação, em como se comportar perante a doença ou o acidente, em como, com responsabilidade, saber utilizar bem os serviços públicos que lhe são oferecidos.

E isto demora tempo, quase uma geração, no pressuposto de que desde pequenos todos sejamos “ensinados” e motivados a respeitar os princípios da solidariedade e da responsabilidade individual e colectiva.

Há mesmo razão para se dizer:
“Valha-nos Deus, estamos lixados”.
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quarta-feira, janeiro 23, 2008

unidose


Sendo apologista, desde sempre, duma prescrição médica “personalizada” à patologia e ao doente, replico aqui o Post do Boticário, sobre a dispensa de medicamentos em unidose, com o qual, nas suas ideias gerais eu estou de acordo.


Unidose

A principal razão porque detesto os políticos e as políticas do XVII Governo é porque não me parecem ter a honestidade intelectual que os portugueses merecem e deviam exigir. São mentirosos e manhosas, para ser mais directo.

Isto da dispensa dos medicamentos em unidose é um dos muitos bons exemplos disto mesmo: a unidose é um assunto antigo, sobre o qual já se acordou, protocolou e legislou há mais que muito tempo. No entanto, hoje, ninguém sabe o que o Governo entende por unidose (eu nem concordo, por motivos de segurança e higiene, com o retrocesso que representa a unidose "tira do frascão, mete no frasquinho") e ninguém sabe quando estará disponível nas farmácias de Portugal (As farmácias nos hospitais iniciariam uma fase experimental, mas quando é que abre uma, uma que seja, para iniciara a dita experiência?).

Porquê tanta demora, tanta manha, tanta curva e contra-curva? Talvez porque a indústria farmacêutica não deixa. MSP

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Compreendo a preocupação de MSP ao considerar poder este método de dispensa de medicamentos vir a fomentar ou a permitir uma mais fácil adulteração da qualidade do princípio activo, do seu prazo de validade, ou da sua identificação perante o consumidor (perda de segurança).

Reconheço poder vir a exigir aos profissionais das Farmácias e às suas Direcções Técnicas uma adequada preparação e um maior investimento em equipamentos dispensadores destes medicamentos por forma a minimizarem os riscos de quebra de higiene com o manuseamento dos mesmos.

Mas não restará mais que exigir a essas direcções técnicas o cumprimento rigoroso das normas de segurança e de higiene (haja vontade superior da sua definição) por forma a garantir ao consumidor a qualidade máxima que, no caso particular do medicamento (mais ainda do que em qualquer outro produto), lhe deve ser exigida.
E a ASAE, recentemente criada, que faça o resto que lhe compete…


Ao que o Peliteiro questiona e responde,

"Porquê tanta demora, tanta manha, tanta curva e contra-curva? Talvez porque a indústria farmacêutica não deixa."

eu acrescentaria:

... e porque o nosso Governo (ainda) não quer.
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Vá-se lá saber porquê.




23 de Janeiro de 2005



In memoriam

Dr. António Antão

1954 - 2005

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terça-feira, janeiro 22, 2008



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A actual política de saúde, em especial o encerramento de serviços e o corte de despesas necessárias ao seu bom funcionamento, tem degradado o Serviço Nacional de Saúde: o acesso é mais difícil e a qualidade da assistência está ameaçada.

O SNS é a razão do progresso verificado nas últimas décadas na saúde dos portugueses.
Ao serviço de todos, tem sido um factor de igualdade e coesão social.

Os impostos dos portugueses garantem o orçamento do SNS e permitem que a sua assistência seja gratuita.

Não é legítimo nem justificado exigir mais pagamentos.

Os signatários, reclamam da Assembleia da República o debate e as decisões políticas necessárias ao reforço da responsabilidade do Estado no financiamento, na gestão e na prestação de cuidados de saúde, através do SNS geral, universal e gratuito.

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Eu já assinei

Assina aqui
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segunda-feira, janeiro 21, 2008

encerramento de serviços de saúde




Agora percebo porque Correia de Campos, tantos serviços anda a encerrar pelo interior do país…


“O ministro da Saúde, Correia de Campos, afirmou hoje que as piores situações de saúde no país localizam-se no litoral e à volta das grandes cidades e anunciou a construção dos novos hospital de Faro e de Sintra.”
DD
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domingo, janeiro 20, 2008

para memória futura





Li com atenção a entrevista dada por Pedro Nunes, logo após a sua reeleição como Bastonário da Ordem dos Médicos, publicada pelo jornal Expresso.

Confesso não ter ficado admirado com a sua reeleição nem tão pouco com o teor das respostas que, ao longo da entrevista, foi dando às perguntas do jornalista do Expresso.


Gostei de o ler, sim…
Porque gosta-se sempre de ouvir dizer a um qualquer presidente eleito duma Ordem profissional, ser sua intenção:

i. pugnar pela unidade da classe médica, ultrapassando a já não recente clivagem regionalista fomentada e aprofundada por Miguel Leão durante a recente campanha eleitoral.
ii. saber ouvir e entender as vozes contributivas com novas ideias respeitantes à política de saúde ou à organização e dignificação da classe médica bem como as que mais ou menos frontalmente se mostram discordantes com a sua opinião pessoal que não poderá ser entendida como a opinião maioritária dos médicos, quando esta é desconhecida.
iii. alargar a discussão e análise dos problemas que à classe médica dizem respeito e vigiar internamente pela aplicação das orientações definidas pela própria classe.
iv. exigir ser a OM “consultora” dos órgãos do poder político (sob o ponto de vista técnico/profissional e independente da côr político-partidária) e ao mesmo tempo ser o transmissor “denunciante” perante o Estado e um firme opositor de forma construtiva às políticas de Saúde pelos Governos definidas, quando interpretadas como inconsequentes ou desfasadas da realidade do país.

Mas na política (da saúde), como em tudo na vida, a teoria tem de ser confirmada pela prática.

E a prática dos últimos três anos, falou por ela.

Que a história saiba julgar a memória destas palavras:

Expresso:
Até 2010, carreiras médicas. Há mais objectivos a conquistar?

Pedro Nunes:
Eu não vejo a vida numa lógica de conquistas. Penso que é imprescindível, e as carreiras médicas integram-se nisso, a luta pela defesa do Serviço Nacional Saúde. Há um adquirido social em Portugal que é o de todos os portugueses poderem fazer a sua vida sem estarem preocupados com o que lhes acontece se ficarem doentes. É isto que permite que os portugueses não tenham que pôr dinheiro debaixo do colchão para se um dia tiverem uma doença. É um direito social que não pode ser posto em causa. É uma obrigação da OM em que eu não transigirei em caso algum." Pedro Nunes
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sábado, janeiro 19, 2008

sexta-feira, janeiro 18, 2008

dificuldades na comunicação


"ó sr jornalista, se as suas avózinhas ainda não tivessem morrido, estavam vivas" Correia de Campos - RTP1
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quinta-feira, janeiro 17, 2008

demagogia...


Vale a pena alertar, sim....
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"Eu faço um alerta bem visível a todos os promotores privados. Não podem estar convencidos de que, só porque são privados, vão abrir unidades que não tenham os mínimos requisitos de qualidade e segurança que nós oferecemos hoje no sector público" Correia de Campos
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Mas quais são estes requisitos mínimos de qualidade e segurança?
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Explique-se melhor, senhor Ministro da Saúde!
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... e claramente, diga o que disse, particularmente quanto ao número de partos exigíveis por ano, para que uma Maternidade pública (como a do Hospital de Chaves, recentemente encerrada) tenha razão para ter actividade com qualidade e segurança...
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Mas por favor...
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Sr. Ministro, deixe lá que os privados portugueses possam assistir as parturientes no seu país, bem mais perto das suas terras, dos seus familiares, com uma melhor qualidade, estou certo, mas bem mais onerosa, que a que lhe é oferecida com a deslocação pela A24 a muitos quilómetros de distância de Vila Real ou de uma qualquer clínica privada galega. qualquer outra clínica privada em terras

... mas depois não diga que:

"Pertenço a um partido socialista, que tem inscrito no seu código genético o SNS".
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quarta-feira, janeiro 16, 2008

diário íntimo de Correia de Campos



Excertos do diário íntimo de Correia de Campos
José Vítor Malheiros no PÚBLICO:


«Há pessoas muito estúpidas.

Há pessoas tão estúpidas que nem sequer percebem que, quando se fecha o serviço de urgência do hospital da sua terra, isso é para o seu bem.

Há pessoas tão estúpidas que nem sequer percebem que muitos dos serviços de urgência que se fecham nem sequer são verdadeiros serviços de urgência e que o facto de estar lá um médico que os ouve, os examina, os atende e os trata é secundário quando se compara isso com a racionalidade da rede de urgência nacional e pode até ser mais prejudicial do que benéfico.

Mais: há pessoas tão estúpidas que são capazes de confundir "emergência médica" com "urgência médica" ou mesmo com um simples caso agudo. Apesar de isto até já ter sido explicado na televisão!

Mas não é tudo: há pessoas que são tão, tão estúpidas que levam a sua estupidez ao ponto de levar uma criança a uma urgência hospitalar durante a noite e lá passar cinco horas com a criança embrulhada numa manta nos joelhos só porque têm medo de que se trate de uma coisa grave que exija uma rápida intervenção médica, quando qualquer médico percebe que não é nada grave e que tudo o que é necessário é baixar a febre e fazer inalações de vapor. É gentalha como esta que entope o sistema.

E há mais: há pessoas tão supinamente estúpidas que nem percebem a diferença entre Serviços de Urgência Básica, Serviços de Urgência Polivalente e Serviços de Urgência Médico-Cirúrgica (como se eu já não tivesse explicado o que significam estes conceitos) e que dizem que tudo o que querem é poder ter acesso rápido a cuidados médicos em caso de necessidade. Uma tristeza.

Há pessoas tão estúpidas que acham que quando lhes dizemos que a intervenção precoce é fundamental em casos de AVC ou ataque cardíaco ou coisa semelhante acham que isso quer dizer que devem ter acesso a cuidados médicos ali ao pé de casa e não percebem que uma hora ou duas a mais ou menos (ou três ou quatro) no fundo não tem importância nenhuma.

Há pessoas tão estúpidas (e tão egoístas) que não percebem que na política de saúde se trata antes de mais de estatísticas e que a importância do seu caso pessoal empalidece ao pé de mil outros.
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Mas isto ainda não é tudo: há pessoas que são tão estúpidas que nem percebem que não tem a mínima importância terem de se deslocar umas dezenas de quilómetros até ao SUB ou SUP ou SUMC, conforme o caso, porque podem apanhar um táxi ou uma ambulância ou mesmo um helicóptero. Algumas destas pessoas são tão indiferentes às prioridades da organização da rede de urgência que levam o seu egoísmo ao ponto de se queixarem da despesa e do incómodo que essas deslocações lhes causam. O que são 200 ou 300 euros quando é a saúde que está em causa?
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Outras pessoas levam a estupidez ao ponto de se queixarem de passar horas à espera nas urgências, sem perceber que isso significa que devem estar num hospital central com todas as valências, o que só por si lhes devia agradar.

Outras pessoas são tão estúpidas que se queixam de que houve serviços que foram fechados antes de terem sido abertos os serviços alternativos. Há até quem se queixe por haver 650.000 pessoas sem médico de família.

E até há pessoas tão estúpidas (algumas delas altamente colocadas) que acham que os portugueses têm razões para se perguntarem para onde vai o país em matéria de cuidados de saúde e que consideram que a reforma não foi suficientemente explicada.

Há outras pessoas que são tão estúpidas (incluindo pessoas que fazem parte de comissões técnicas que até deviam perceber destas coisas) que acham que as intervenções na rede de urgências começaram a ser feitas antes de se ter pensado no quadro global e que se está a pôr o carro à frente dos bois e a tomar decisões avulsas conforme as pressões locais.

Há tantas pessoas tão estúpidas que acho que a única solução é mesmo dissolver o povo. Ia reduzir o acesso às urgências.»


(retirado do Boticário)