sábado, janeiro 12, 2008

pensar "só" no perigo de vida


JP - A vossa proposta não contemplou o problema das situações agudas...
J. M. A. - Tivemos o cuidado de aferir o conceito que resolve isto: o da consulta aberta. Acordámos isto com a Unidade de Missão dos Cuidados de Saúde Primários. Do ponto de vista do cidadão, urgência é ter que ir ao médico depressa. Mas a rede de urgências foi pensada para os que estão em perigo de vida.
José Manuel Almeida em entrevista publicada no JP de 12-01.2007

Efectivamente, a verdade é dita nesta resposta:
Realço: “a rede de urgências foi pensada para os que estão em perigo de vida”.

Esta resposta de JMA já por demais repetida, realça uma vez mais a verdade dos fundamentos que presidiram à elaboração desta rede de urgências. A necessidade dos “doentes que estão em perigo de vida”, serem socorridos em tempo útil nos SUB, nos SUMC e nos SUP após uma correcta referenciação pelo CODU e um atempado atendimento de proximidade com VMERs ou SIVs.

E os outros?

... os que com uma luxação do ombro, com uma suspeita de fractura do punho ou com um derrame articular de grande volume; com uma simples dor abdominal ou com uma ferida extensa na coxa; com uma aparente e inofensiva dor torácica ou com uma temporária alteração do ritmo cardíaco, uma tosse com expectoração hemoptoica ou uma ascite de grande volume?
… os que não estando em perigo de vida sofrem e necessitam, não tanto como os outros, é certo, de um atempado diagnóstico e tratamento das suas doenças agudas, a serem realizados por profissionais com a diferenciação necessária que não de MGF, apontados que estão estes, para actuarem no âmbito dos CSP em consultas abertas.


Para estes doentes, deverão os membros da CTAPRU e o Ministro da Saúde, retirar os perto de 40 SUBs, espalhados de norte a sul, como locais de atendimento.
Isto porque nestes serviços irão estar profissionais médicos indiferenciados (com a não prometida mas esperada formação em suporte avançado de vida), que sem preparação para tratar as patologias agudas destes doentes, se verão na obrigação de os encaminhar, depois de devidamente estabilizados e documentados em termos analíticos, radiológicos ou electrocardiográficos, para os 27 SUMCs e 14 SUPs distribuídos pelo país.


... e aí depois, engrossarão a lista dos verdes, amarelos e laranjas à espera de serem tratados.

É que o tempo do "saudoso" Dr.João Semana já lá vai.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Pedro Nunes ou Miguel Leão? (II)

O Dr. Jaime Teixeira Mendes (candidato nas eleições de 2007 a presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos; chefe de serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital de Santa Maria - Lisboa), neste artigo publicado pelo TM, dá a resposta, também por mim já há muito assumida, de em quem não votar:

"O movimento «Alternativa para a Ordem dos Médicos» distancia-se dos dois candidatos à presidência da Ordem e repudia a forma de baixo nível como tem decorrido a campanha."
.
Eleições à porta...
...
Os médicos habituaram-se, durante anos, a ter como bastonários colegas no topo da carreira, muitas vezes já jubilados e sempre possuidores de substrato científico de nível nacional ou mesmo internacional.

.
Infelizmente, nos últimos 10 a 15 anos, este cargo tem sido exercido por médicos/funcionários do «campus medicus» da Gago Coutinho (já lá vão três vivendas), sem provas dadas no campo profissional e muito menos académico.Vários artigos escritos e intervenções em debates públicos (infelizmente muito pouco divulgados) do candidato prof. doutor Silva Santos e de outros membros da lista «Alternativa para a Ordem dos Médicos» já alertavam os colegas para o fraco nível da produção de documentos dos candidatos e apoiantes de Pedro Nunes e Miguel Leão.
.
O nível do debate entre os dois candidatos a presidente da Ordem dos Médicos, drs. Pedro Nunes e Miguel Leão, chegou mais baixo do que aquele que se previa, agudizando-se agora na segunda volta das eleições. Acusações de eleições fraudulentas, de mentirosos, etc. chegam-nos por parte dos dois candidatos, parecendo mais a eleição para presidente de um clube de futebol - com todo o respeito para com os dirigentes clubistas -, do que para a nossa associação profissional.
.
Espantam-me os nomes que apoiam qualquer dos candidatos, que tenho em conta de pessoas que estão muito acima deste nível de discussão, e penso que não foram certamente devidamente elucidadas quando anuíram com o seu apoio, esquecendo o velho ditado: «Diz-me com quem andas...»
.
Nada disto teria importância se não estivesse em curso a destruição do Serviço Nacional de Saúde e das carreiras médicas, perante a inoperância da Ordem.
- Fraude com os votos de 42 colegas espanhóis;
- O actual presidente retira-se amuado com os resultados, num ataque súbito de isenção aguda e nomeia um interino, que gosta e apoia-o;
- A mudança de regras entre a primeira e segunda voltas, decididas pelo presidente (auto)suspenso;
- A intervenção na corrida eleitoral dos órgãos eleitos da OM , sem nenhum sentido ético - basta ler os últimos boletins (até no discurso de despedida por aposentação do director de serviços da SRS da OM, numa retrospectiva de 42 anos ao serviço da Ordem, distingue como factos relevantes, entre o período da censura, Ordem com funções sindicais e greve dos médicos em 1979, pasme-se, a eleição da dr.ª Isabel Caixeiro... Não há pachorra!!!);
- O baixo nível de confronto entre os candidatos.
.
Triste exemplo para os jovens médicos e todo o País que assiste atónito.
.
A abstenção vai de certeza aumentar e cada vez haverá menor participação dos médicos na vida da Ordem, e isto por culpa dos seus actuais corpos gerentes.
.
Que é que interessa à maioria dos médicos se o dr. Miguel Leão não vai ao seu serviço há três anos ou se o dr. Pedro Nunes anda a passear à custa das nossas cotizações em permanente campanha eleitoral?
.
Interessava, sim, sabermos quais são as propostas para enfrentarmos unidos e com dignidade o momento actual.Uma das propostas da candidatura «Alternativa para a Ordem dos Médicos» residia na dignificação da profissão, tão maltratada e que atitudes como estas a colocam ainda mais em baixo.
.
Como disse num artigo recente em que anunciava as razões da minha candidatura a presidente do Conselho Regional do Sul, entre a atitude da maioria dos médicos de cruzarem os braços e taparem a cara de vergonha perante este espectáculo, prefiro ir ao combate e dizer que estes senhores não nos representam e que unidos conseguiremos afastar da direcção da Ordem os médico-funcionários que tomaram conta dela.
.
O movimento «Alternativa para a Ordem dos Médicos» distancia-se dos dois candidatos à presidência da Ordem e repudia a forma de baixo nível como tem decorrido a campanha.

O movimento «alternativo» vai continuar e impor-se como a solução da ruptura com a actual situação na Ordem.
..
Jaime Teixeira Mendes
Candidato nas eleições de 2007 a presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos; chefe de serviço de Cirurgia Pediátrica do Hospital de Santa Maria (Lisboa).
TM ONLINE de 2008.01.100802PUB6F0307JMA02B.
..
.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

duas perguntas só


Depois dos demasiados “Contra” e dos poucos “Prós” manifestados na 2ªfeira passada na RTP1, aqui poder-se-á fazer um balanço do que num ano foi feito e ainda falta fazer em termos de encerramentos e de requalificações de SUB, SUMC e SUP. .
.
Tudo parece já ter sido dito e esgrimido a favor e contra, mas só mais duas perguntas:
.
Irão os SUB previstos, equipados com técnicas de laboratório e de radiologia, assegurados que vão ter o seu funcionamento nas 24 horas, por 2 médicos não diferenciados, 2 tecnicos, 2 enfermeiros, um ou dois auxiliares e um administrativo, contribuir para a melhoria dos cuidados de urgência?
.
Ou ir-se-ão rapidamente transformar em Serviços de Atendimento Permanente (SAP), um pouco mais "sofisticados” dos que até à data, os extintos, os condenados ou os ainda existentes têm sido?

.

.

.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

para onde vai a saúde?



PARA ONDE VAI A SAÚDE?

hoje na RTP1


O Centro Hospitalar de Torres Vedras está a recrutar pediatras através de empresas como forma de assegurar o serviço de urgência pediátrica o qual, por falta de médicos, já esteve para encerrar na última semana do ano.


A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Maria Augusta Sousa, criticou hoje o ministro da Saúde «por ter um discurso a favor da qualidade e segurança dos cuidados prestados e não disponibilizar os meios» necessários aos hospitais.


Um parto aconteceu ontem no Hospital de Santa Maria Maior, em Barcelos, unidade cujo bloco de partos foi encerrado há cerca de um ano e meio pelo Ministério da Saúde.

Segundo informações avançadas por Teresa Bugalho, chefe da equipa de urgências, por dia chegam a ser atendidas 600 pessoas nas urgências. "Fazemos o melhor que podemos. Tanto em espaço como em número de médicos, não conseguimos fazer mais".

VOU VER!!!





domingo, janeiro 06, 2008

pacto de regime PS/PSD na saúde

- O ministro da Saúde diz que está a salvar o Serviço Nacional de Saúde. A Ordem e os médicos dizem que as reformas estão a arrasar o Serviço Nacional de Saúde. Quem tem razão? Quem fala verdade?
.
JMS: Não seria de esperar que, de qualquer Governo, viesse uma afirmação no sentido de destruir o serviço Nacional de Saúde. Aquilo que o Governo diz di-lo por razões políticas e quase por obrigação política. Não pode dizer que está a fazer as coisas erradas. Tem de dizer que está a fazer as coisas certas. Quem está no terreno, quem conhece os problemas da Saúde, quem se preocupa e analisa as coisas para além da demagogia política, não tem quaisquer dúvidas que o Serviço Nacional de Saúde está a ser progressivamente destruído. E mais. Eu considero até que existe neste momento um perigoso pacto de regime na área da Saúde.
.
- Pacto de regime entre PS e PSD? Secreto?
.
JMS: Repare. Se nós assistimos ao facto dos grandes grupos económicos estarem a investir milhares de milhões de euros na área da Saúde e esperam naturalmente ter o mesmo nível de retribuição que em qualquer outro sector da economia há uma coisa que têm de ter a certeza. Na área da Saúde não vai haver ciclos políticos. Ou seja, não vai aparecer no futuro nenhum Governo que altere esta política.CM
.
Haverá dúvidas?

- Costuma dar exemplos da área da educação. Acha que é tão fácil fazê-lo na área da saúde?

LFM: Não defendo a privatização de tudo, defendo é que haja um equilíbrio entre o sector público e o privado nas áreas sociais. O que quero é acabar com a ideia de que o prestador privado não pode fornecer um serviço público.
Mas voltando às críticas ao ministro da Saúde, entendo que se tem de racionalizar o sector, mas deve haver alguma prudência. Não questiono todos os serviços que fecham, questiono aqueles que me parece terem sido fechados de forma precipitada. Não pode haver lógica de política de terra queimada. Mais: em certas circunstâncias podia justificar-se alguma discriminação positiva, pois há zonas do país que estão a ficar desertificadas e despovoadas. Manter aí um determinado serviço público pode ajudar a manter uma povoação no limiar que lhe permite resistir à desertificação e abandono.

- Voltando à saúde. Como é que aplicava nesse sector a "receita" que expôs para a educação?

LFM: Posso dar um exemplo: o da projectada construção de um novo hospital na Póvoa do Varzim, onde já existe um excelente hospital privado. Por que é que não se contratualiza com esse hospital a prestação de serviço público? Talvez por um preconceito ideológico sobre o que é o papel do Estado na prestação de serviços públicos. JP-Destaque

.

.

sábado, janeiro 05, 2008

Pedro Nunes ou Miguel Leão?


Com o conhecimento do passado e a constação do presente link, confesso ter muitas dúvidas do que fazer:
Não votar em A

ou …
Não votar em B


quarta-feira, janeiro 02, 2008

"os impunes"


“00.31 do dia 1 de Janeiro e os cinzeiros do Salão Preto e Prata do Casino Estoril continuaram nas mesas. E as pessoas continuaram a fumar. E na mesa onde estavam os responsáveis da Autoridade da Segurança Alimentar e Económica (ASAE) - inspector e sub-inspector - acenderam-se cigarros, cigarrilhas e charutos ao longo da noite. O dirigente da ASAE, António Nunes, entende que não violou a lei porque esta não inclui os casinos e salas de jogo. A Direcção-Geral da Saúde (DGS) diz que sim e pergunta: É preciso o diploma voltar à Assembleia da República devido à interpretação?”DN

"Não sou eu que tenho que assegurar o cumprimento da lei do tabaco, são os portugueses e não tenho dúvidas nenhumas de que, à semelhança do que acontece noutros países, os portugueses vão ter uma posição de grande civismo e de grande qualidade na aplicação dessa lei." Correia de Campos

Seremos todos Portugueses?

segunda-feira, dezembro 31, 2007

by asmey145

UM BOM ANO 2008

(...)

a primeira das doze passas do Ministério da Saúde

Bem antes da meia noite...

MINISTÉRIO DA SAÚDE
Portaria n.º 1637/2007
de 31 de Dezembro
O n.º 2 do artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 173/2003, de
1 de Agosto, determina que o valor das taxas moderadoras
é aprovado por portaria do Ministro da Saúde, sendo revisto
e actualizado anualmente tendo em conta, nomeadamente,
o índice de inflação.
De acordo com o estatuído, as taxas moderadoras aprovadas
pela Portaria n.º 395-A/2007, de 30 de Março, são actualizadas
em 2,1 % valor previsto da taxa de inflação média
anual, medida pelo índice de preços no consumidor, em 2007.
Assim:
Ao abrigo do disposto no n.º 2 do artigo 1.º do
Decreto-Lei n.º 173/2003, de 1 de Agosto:
Manda o Governo, pelo Ministro da Saúde, o seguinte:
1.º As taxas moderadoras constantes da tabela anexa à
Portaria n.º 395-A/2007, de 30 de Março,
são actualizadas
em 2,1 %
.
.
.
.

sábado, dezembro 29, 2007

encerramentos de serviços de saúde/maior qualidade?


Perante os encerramentos de Serviços de Urgência (SU) e de Atendimento Permanente (SAP), manifestaram os Bombeiros de Trás-os-Montes preocupação por sentirem não poder dar resposta atempada às solicitações já que grande parte do tempo de serviço irá ser passado na estrada, com o transporte de doentes para locais de atendimento bem mais distantes dos que agora foram ou vão ser encerrados, bem como pelo facto de se verem forçados a cobrar 40 cêntimos por km aos utentes, se as suas ambulâncias não forem activadas pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes…DN

Entretanto, para minimizar estas preocupações dos Bombeiros, terá o Sr. Ministro da Saúde avisado:

"Insistam junto das populações para que liguem para o 112 e não para os bombeiros. Aí serão accionados os cuidados mais adaptados”.JN

Com este aviso reconhece o nosso Ministro o previsível aumento da utilização de ambulâncias da responsabilidade do INEM e em última instância as das corporações de Bombeiros, pelo INEM accionadas.

Assim se perspectiva a necessidade de nos irmos familiarizaando, a pouco e pouco, de Norte a Sul do país, com a existência de muitas ambulâncias a calcorrearem estradas acima e abaixo com as suas sirenes e luzes de emergência sinalizando-nos que algo na saúde ou na doença, dos portugueses, está a mudar.

Isto porque, no entender de Correia de Campos, “a população não quer fazer poucos quilómetros para ser mal atendida”, no pressuposto de que com os encerramentos um melhor atendimento está garantido noutros locais, a muitos quilómetros de distância…

E porque não fala no desconforto sentido por um doente com um longo transporte de ambulância? Nos também já longos tempos de espera para atendimento e tratamento observados nesses novos/antigos locais? Na actual qualidade das instalações e equipamentos em termos de conforto e segurança? Na qualidade das equipes de profissionais em regime de “outsourcing” nelas a trabalhar? Na motivação dos profissionais perante o acréscimo significativo de doentes sem o exigido reforço de meios humanos? Na preocupante desumanização progressiva dos cuidados? Na inexistência ainda das alternativas previstas, com profissionais preparados e equipamentos exigidos?

Ter-se-á apercebido, ontem, de tudo isto o grupo de deputados do PS do distrito de Braga que decidiu tomar o pulso à Saúde durante 24 horas nos concelhos da área de influência do Centro Hospitalar do Alto Ave, quando pelas 23 horas, terminou este périplo com a visita à Unidade de Guimarães e ao seu Serviço de Urgência Médico Cirúrgico.

Terão tido, estes políticos, dificuldades em entender o optimismo permanentemente manifestado pelo seu Ministro da Saúde, se lhes foi dada a oportunidade de presenciarem a qualidade da assistência médica aos doentes no SU daquela Unidade, se receberam informações do elevado número de doentes atendidos no ainda Serviço de Urgência da Unidade de Fafe (que se pretende transformar em SUB), sobre as volumosas listas de espera para Cirurgia e para primeiras Consultas Externas Hospitalares, sobre a falta de profissionais médicos em ambas as Unidades do CHAA, sobre o clima de desmotivação e de diminuição da produtividade que reina entre os profissionais de ambas as Unidades do Centro.

Talvez não se tenham apercebido disto porque nada disto também lhes tenha sido dito.

Mas nada melhor do que ouvir dizer pela voz de António José Seguro, deputado PS pelo círculo de Braga:
"Vamos ver se as coisas podem vir a funcionar melhor. Sabemos os esforços que estão a ser feitos para ser construído um novo hospital em Fafe".
Desejo igualmente formulado pelo Presidente PS da autarquia que até, há já um ano, diz ter o terreno “guardado” para tal construção.

Com estas parcas palavras, de desejos e promessas, alguns fafenses insatisfeitos poder-se-ão calar, enquanto o que de mal vai na saúde da região, na organização, integração e gestão do jovem mas muito enfermo CHAA, com o progressivo esvaziamento de serviços da Unidade de Fafe e o seu também progressivo abandono, em termos de investimento, em profissionais médicos, isso, para o caso pouco interessa, a julgar pelas palavras do Presidente do seu Conselho de Administração que reforça ainda mais a ideia, quando diz que a integração do Hospital de Fafe no Centro Hospitalar "veio viabilizar as instalações por mais algum tempo, porque elas estão em ruptura e já não correspondem à medicina de qualidade que o Ministério pretende".

E o resto?
.
.
.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

para o bem das populações


Porque Correia de Campos disse que o encerramento das urgências do Hospital José Luciano de Castro, em Anadia, e do Serviço de Atendimento Permanente de Alijó durante o período nocturno é "para o bem das populações" … e como tem "a certeza que dentro de dois, três meses, ou menos até, elas compreenderão"…

...ajudar-nos há a todos melhor compreender (se dúvidas algumas ainda existiam) se se disser o que consta do Programa de Estabilidade e Crescimento 2007/2011, enviado pelo Governo à Comissão Europeia na revisão feita este mês, como é dito pelo CM:

"Entram nos cofres do Estado entre 25 a 30 milhões de euros com o fecho dos 56 SAP, uma quantia avançada pelo próprio ministro Correia de Campos quando em Maio se pronunciou sobre os custos estimados dessas unidades de saúde em funcionamento, dando esse valor como exemplo do desperdício de verbas.
A somar a essa verba juntam-se 150 milhões de euros – correspondem a 0,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) – que não vão ser canalizados para a comparticipação de medicamentos e outros 150 milhões de euros – 0,1 por cento do PIB – que não serão destinados à comparticipação dos meios de diagnóstico e terapêutico, como análises clínicas, Raios X, TAC (tomografia axial computorizada) e electrocardiogramas."
.
Sim todos já tinhamos compreendido, que em 2008 iremos ter a saúde ainda bem mais cara que em 2007 e com uma acessibilidade bem mais reduzida.

Para o “bem das populações”, sim!
... e do Programa de Estabilidade e Crescimento também...
.


.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Miguel Leão/Pedro Nunes e Gentil Martins





Não gosto desta maneira de actuar dum candidato a Presidente da Ordem dos Médicos que vai participar na 2ª volta da eleição para o cargo de bastonário e que se assume como ganhador da mesma.

É que recebi (com data de 24 de Dezembro - pasme-se) na minha caixa de correio electrónico, com remetente de "miguelleaoapresidentedaordem", uma Carta Aberta link atribuída a António Gentil Martins, na qual este manifesta a retirada do seu apoio à candidatura de Pedro Nunes e o transfere para o outro candidato, Miguel Leão.

Independentemente das razões que fundamentaram esta tomada de posição por parte do Dr.Gentil Martins e sem querer aqui comentar a decisão de Pedro Nunes de se afastar do cargo para que foi eleito há 3 anos (e muito menos também comentar os considerandos expressos por Gentil Martins que fundamentam uma segunda tomada de posição sobre o assunto), não fica bem à Candidatura de Miguel Leão ocultar o que o TM de 24 de Dezembro publicou e que até à data não vi ainda ter sido desmentido pelo Dr.Gentil Martins:

(…) No entanto, pouco tempo depois de essa carta ser tornada pública, Gentil Martins escreveu uma outra a contrariar a anterior posição, em que afirma que «de forma definitiva» vai apoiar a candidatura de Pedro Nunes. Ao «Tempo Medicina», o antigo bastonário esclareceu, em conversa telefónica ocorrida a 19 de Dezembro, que mudou de opinião «depois de ter falado pessoalmente» com Pedro Nunes e de este lhe ter explicado as «motivações para certas atitudes» (…) link
.
antes pelo contrário, hoje mesmo reafirmado por ele, aqui.
..
Não me parece ser deste modo que se "une" e se "defende" a classe médica, objectivos proclamados de campanha de ambas as candidaturas.
.



.

terça-feira, dezembro 25, 2007

a tradição, o mito ou a realidade na defesa de direitos elementares



O Menino Jesus de Trás-os-Montes
Com cartola, traje de oficial de cavalaria e espada a tiracolo, o povo «baptizou-o» como Menino Jesus da Cartolinha
.
Ainda hoje o mistério perdura.
Quem é, de onde veio e onde se meteu depois esse menino, desinquieto, irritado e enigmático, que comandou o povo de Miranda do Douro contra os invasores espanhóis nas guerras da Restauração? Que existiu, existiu - assegura a memória do povo ao longo das gerações. Mas quem era ele afinal?
Seria mesmo o Menino Jesus?

A tradição popular diz que sim. E hoje o "Menino Jesus da Cartolinha" impõe-se como um desses símbolos inapagáveis do imaginário transmontano. Um autêntico mito para os mirandeses.
Quem o quiser ver pode encontrá-lo na catedral de Miranda do Douro. Ali continua, imponente, com a sua elegante cartola, vestes de oficial de cavalaria, espada a tiracolo e uma condecoração ao peito. E com ele também um guarda-roupa invulgar, consoante as "modas" no rolar dos tempos: desde uma capa-de-honras mirandesa, fardas, coletes, chapéus de todos os estilos, meias e meiotes de lã, camisas de finos bordados, até um variado conjunto de botas e tamancos de pau. Tudo promessas de devotos que ali vão num ritual secular.

Quanto à cartola, ou "cartolinha" no uso do povo, poucos hoje saberão que se trata, afinal, de um adereço artificial. O menino, que começou por ser conhecido como o "Menino do Chapeuzinho", o que usava na origem era nada mais que um simples chapéu de palha. Ainda hoje é possível ver na cabeça - assegurou-nos fonte credível - umas minúsculas perfurações que demonstram que outrora o menino usou cabeleira, entretanto arrancada para lhe assentar a cartola.

Na verdade, segundo a lenda - e que vale o que todas as lendas valem -, no tempo das guerras da Restauração, Miranda do Douro esteve dias e dias cercada pelas tropas espanholas, ao ponto de, sem mantimentos nem munições para resistir, nada mais restar do que render-se definitivamente ao domínio invasor. E eis senão quando um menino de chapéu de palha, desconhecido, irrompeu pelas ruas gritando contra os espanhóis e apelando à revolta dos populares. Tal foi o bastante para que o povo ganhasse o alento que lhe faltava. Num ápice todos saíram à rua - uns com enxadas, ancinhos e forquilhas, outros com paus, cutelos e machados - unindo-se às tropas fragilizadas da restauração. E assim conseguiram afugentar e vencer os invasores. No final, o povo procurou o tal menino, travesso, refilão, o do chapeuzinho de palha. Queria louvá-lo. Vitoriá-lo. Mas quê? Onde estava? Quem era ele? Ninguém sabia. Tinha, pura e simplesmente, desaparecido.

O povo acreditou então que havia sido o Menino Jesus que ali caíra, por milagre, para salvar a cidade. E logo mandou esculpir a imagem que passou a ser venerada na catedral. Entretanto, uma jovem que, na mesma batalha, havia perdido o noivo, um oficial das tropas portuguesas, resolveu oferecer o traje militar ao menino. E daí nasceu a tradição da dádiva de roupas. Muitos anos depois, porque alguém achou que o chapéu de palha não condizia com a nobreza do traje, e tão-pouco com o "estatuto" de um comandante, colocaram-lhe então a cartolinha. E que bem que lhe fica!

(Artigo publicado no Jornal de Notícias, edição de 24 de Dezembro de 2000, transcrito de BragancaNet)

domingo, dezembro 23, 2007

Festas Felizes

Once in Royal David’s City stood a lowly cattle shed,where a mother laid her baby.
You’d do well to remember the things He later said.
When you’re stuffing yourselves at the Christmas parties,you’ll laugh when I tell you to take a running jump.

You’re missing the point I’m sure does not need making;that Christmas spirit is not what you drink.
So how can you laugh when your own mother’s hungryand how can you smile when the reasons for smiling are wrong?
And if I messed up your thoughtless pleasures,remember, if you wish, this is just a Christmas song.

Hey, Santa: pass us that bottle, will you?




sábado, dezembro 22, 2007

prendinha de Natal para Correia de Campos


O Estado devia mais de dois mil milhões de euros aos seus fornecedores em 2006. O grande devedor continua a ser, tal como em 2005, o Ministério da Saúde, responsável por 72,4 % do total das dívidas, de acordo com o parecer do Tribunal de Contas (TC) sobre a Conta Geral do Estado, entregue ontem por Guilherme d’Oliveira Martins ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. CM
.

Os TOP 5:


Administração Regional de Saúde do Norte / 177,5 milhões
Estradas de Portugal / 109,3 milhões
Hospital de Santa Maria / 100,4 milhões
Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo / 98,1 milhões
Centro Hospitalar de Lisboa / 93,5 milhões


.
é demais...

Outra vez?
As justificações aparecerão:
.
"Tivemos acesso na fase de contraditório a esse parecer e preparamos a nossa defesa, que está publicada com o parecer" Correia de Campos

Divulguem ao menos os manuais...


.


.


.

solstício de Inverno

Na noite mais longa do ano, com um dia de nove horas e 28 minutos, entre o nascer e o pôr do Sol...



Maria João Pires - Nocturne No. 1 - Chopin

quinta-feira, dezembro 20, 2007

o "inverno frio" do Ministério da Saúde


18 de Dezembro de 2007:


"Vila Real: IP4 e A24 cortadas ao trânsito devido à neve
O Itinerário Principal 4 (IP4), entre Vila Real e o Alto de Espinho, e a auto-estrada 24 (A24), entre Vila Real e Vila Pouca de Aguiar, estão cortados ao trânsito devido à queda de neve, disse fonte da Brigada de Trânsito.
A fonte referiu que a situação nestas estradas se complicou a partir das 17:00 devido à queda de neve com bastante intensidade e à visibilidade reduzida por causa do nevoeiro." DD

e dois dias depois:
.
ARS: Bloco de partos de Chaves vai encerrar em breve
O presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte disse hoje que o bloco de partos de Chaves vai encerrar a «muito curto prazo», já que "estão reunidas todas as condições, nomeadamente de acessibilidades e serviços pré-hospitalares. Temos todos os meios que necessitamos para assegurar um verdadeiro apoio nas situações de emergência.", já que A A24 abriu em toda a sua extensão em Junho, passando a viagem entre o hospital de Chaves e de Vila Real a demorar cerca de 30 a 40 minutos.DD

Notória incapacidade do Presidente da ARS do Norte em alterar o seu discurso (antecipadamente pensado ou escrito) perante tão despropositada atitude de S.Pedro, reveladora de uma falta de sensibilidade gritante perante os desígnios da Primavera airosa do Ministério da Saúde.
.
.
.




quarta-feira, dezembro 19, 2007

a outra face de Pai Natal

por: WEHAVEKAOSINTHEGARDEN


"É concedida tolerância de ponto aos funcionários e agentes do Estados, dos institutos públicos e dos serviços desconcentrados da administração central nos próximos dias 24 e 31 de Dezembro", poder-se-á ler no despacho assinado por José Sócrates.

E não só é concedida tolerância simultanea nestes dois dias (não me lembro de tanta benevolência), como também é facultada a possibilidade de os funcionários, que tenham por obrigação de estar ao serviço nos dias de tolerância de ponto, poderem beneficiar, mais tarde, de uma "equivalente dispensa do dever de assiduidade (...) em dia ou dias a fixar oportunamente" pelos respectivos dirigentes máximos de serviço ou organismo.

Pai Natal bom, não... excelente!
.
Mas há a outra face...
.
"Os funcionários públicos vão ter o privilégio de pagar mais 1 por cento dos seus vencimentos faustosos para terem o direito, que todos têm sem pagar mais por isso, à protecção social em situação de desemprego. Se somarmos a nova contribuição aos 0,5 por cento de aumento na contribuição para a ADSE, introduzida no final do ano passado, obtemos os 1,5% em contribuições sociais que os funcionários públicos pagam a mais relativamente aos trabalhadores do privado: 12,5 no público e 11% no privado.Próximo passo: acabar com a Caixa Geral de Aposentações." O País do Burro

.


.

terça-feira, dezembro 18, 2007

para que se fique a ver bem melhor...


Porque a situação actual das listas de espera para consultas e cirurgias oftalmológicas é incompatível com um aceitável serviço público e porque a esperançosa contratação de médicos oftalmologistas estrangeiros, prevista por Correia de Campos, não se veio a concretizar, então…


Chegou a vez agora da Oftalmologia…


E como vem sendo hábito, mais uma medida avulsa da política deste Ministério da Saúde, no âmbito da medicina Hospitalar foi avançada com a nomeação de mais uma comissão com a missão de elaborar um relatório sobre os actuais recursos humanos e materiais na área da oftalmologia no Serviço Nacional de Saúde e que escolha, de entre estas quatro hipóteses, a/as que melhor lhe aprouver para resolver esta actual inaceitável situação:

1. Criação de Centros de Responsabilidade dentro dos Hospitais, com incentivos profissionais e remuneratórios ao melhor desempenho tanto em quantidade, como em qualidade;
2. Criação de sociedades anónimas (SA) nos principais hospitais E.P.E., ao abrigo do Decreto-Lei n.º 233/2005, de 29 de Dezembro, onde o hospital detivesse pelo menos 51% do capital e os médicos, enfermeiros e demais técnicos detivessem, no máximo, os restantes 49%, com recurso aos mecanismos legais que permitem a ausência prolongada do serviço;
3. Contratualização de serviços de oftalmologia entre o hospital e unidades exteriores, como sociedades externas prestadoras de serviços;
4. Reforço do modelo convencional de serviço com aproveitamento de todos os actuais mecanismos de incentivos, já previstos na lei, a saber; dedicação exclusiva, horas extraordinárias e mobilidade remuneratória alternativa (MRA) prevista para o SIGIC.

Desde a criação de injustiças e de torrentes de insatisfação por parte de quem, com dedicação e profissionalismo, noutras áreas médicas das várias instituições hospitalares do SNS, vai desenvolvendo a sua actividade assistencial, até à progressiva entrega a privados ou privatização de serviços, tudo é possível com este Ministro da Saúde…

.

.

.