segunda-feira, novembro 19, 2007

olha para o que eu digo...



"O ministro Correia de Campos garante que o Governo pretende cumprir a curto/médio prazo a meta de dedicar 3% do PIB à investigação e desenvolvimento de novos fármacos."RFM

.

Entretanto, a curto prazo...

.
"O Infarmed admite que a autorização do uso de medicamentos inovadores nos hospitais também depende do orçamento disponível. Este ano, a Autoridade Nacional do Medicamento autorizou apenas dois medicamentos inovadores."
RTP
.
.
.

sábado, novembro 17, 2007

vales para cirurgia rejeitados




Mais de 35 mil doentes recusaram vales para cirurgia


O Ministério da Saúde vai mandar averiguar as razões que levaram mais de 35 mil doentes que receberam vales para cirurgia a recusar a operação na unidade de saúde que lhes foi indicada.RTP
.
.
.
As variadas razões que conduzem a tais recusas já são por demais conhecidas dos profissionais que com os doentes contactam. Nada impede que Carmen Pignatelli as venha a conhecer nem tão pouco que elas sejam estatisticamente apresentadas, se tal estudo tiver por finalidade a melhoria do sistema.

Mas mais importante que tornar públicas essas razões que adulteram os resultados oficiais dos números relativos à resolução das listas de espera para cirurgia, importa acima de tudo interiorizar essas razões e reconhecer o que representa este ou qualquer outro SIGIC como um programa “cego”, “informático” e desumanizado, economicamente lucrativo para quem nele participa como prestador de serviços “a mando de outros” e como tal algo efectivo nos seus propósitos, mas que pode ser fortemente penalizador para o doente se vier a ser alvo de complicações pós-operatórias imediatas (infecção, recidiva, má indicação ou má técnica cirúrgica) ou se necessitar de intervenção de outras especialidades que, por não fazerem parte do contratualizado (tratamentos fisiátricos, rádio/quimioterapia), tardia e/ou ineficazmente é iniciada.
.
Um programa que trata o doente como um número quando o "obriga", com a oferta dum “vale”, a encontrar-se com um médico desconhecido dum qualquer Hospital Público ou Clínica Privada (quantas vezes longe da sua residência) que em troca dum papel que “vale dinheiro” o submete à cirurgia tão esperada (por outro proposta) sabendo que trinta dias depois, o seu futuro como doente a outros (que não a quem o operou ou ao serviço onde esteve internado) compete assegurar.

Um programa que considera o doente como cliente dum qualquer hipermercado, em que o “vendedor”, como ser humano e personalizado, não existe e em que o cliente é visto como mais um entre os milhares que fica satisfeito com a rapidez do serviço e a oferta variada de produtos que lhe é apresentada em termos de quantidade sem se preocupar com a qualidade.

E isto muitos dos doentes vão sabendo…

Se nisto Carmen Pignatelli tivesse pensado ou se se colocasse no papel de doente, por certo já saberia algumas das razões justificativas de tão elevado número dos “salvadores” vales para cirurgia, até à data emitidos, terem sido rejeitados.
.
.
.

quinta-feira, novembro 15, 2007

greve geral da Administração Pública



Uma e mais 33 razões que me motivam na adesão à greve do dia 30 de Novembro… .

Uma, pela defesa dos serviços públicos, em particular pelo Serviço Nacional de Saúde.
.
As outras 33 estão aqui .
..
.
.

terça-feira, novembro 13, 2007

contenção de gastos na saúde


"A compra de cinco viaturas topo de gama pelo Ministério da Justiça fez-se no estrito cumprimento do enquadramento legal, responde o gabinete de Alberto Costa à notícia do “Diário de Notícias”. " RFM


E que dirá o Ministro da Saúde da recente contratação, por um recém criado Centro Hospitalar, de mais três Administradores Hospitalares (já com onze nos seu total de efectivos) e que só na área da Consulta Externa/Ambulatório consegue arranjar trabalho para três deles?
..
.
.

segunda-feira, novembro 12, 2007

marketing na saúde


Não é o Hospital de Todos-os-Santos , futura PPP projectada para a zona oriental de Lisboa que oferece…
É a unidade de saúde privada - Clínica de Todos-os-Santos - que o faz:

Consultas de cirurgia oncológica gratuitas
Uma unidade médica de Lisboa vai facultar, durante o mês de Novembro, consultas gratuitas de cirurgia oncológica e plástica da mama.

Os exames médicos decorrem na Unidade Oncoplástica da Mama da Clínica de Todos-os-Santos e dirigem-se a todos os portugueses que queiram submeter-se a um rastreio, aguardem tratamento, queiram efectuar uma reconstrução pós excisão do cancro ou que desejem apenas ouvir uma segunda opinião médica(...)
As consultas gratuitas estão sujeitas à disponibilidade de agenda da clínica.RFM

Vá-se lá saber o porquê…
Ou será um exemplo (desinteressado) a seguir, pelos serviços públicos também?
.
.
.

domingo, novembro 11, 2007

a perspectiva das palavras


Palavras só não bastam...

“A saúde deverá pois ser encarada, cada vez mais, como um investimento e não como um custo. Os ganhos em saúde necessitam de ser pensados em cenários que incluam as consequências individuais e colectivas em períodos de tempo que cursam para lá dos ciclos políticos. É necessário fazer o exercício de transferência de impactes estimados na saúde para impactes económicos e societais, para mais directamente se apelar às preocupações e prioridade dos decisores políticos. “
"Há, pelo menos, quatro doentes residentes no Distrito de Portalegre que passam um verdadeiro calvário para conseguirem realizar os tratamentos de hemodiálise de que depende a sua vida: 600 quilómetros, três vezes por semana, rumo ao Montijo, onde está instalada a unidade de hemodiálise. (…) Tudo isto por que o centro de hemodiálise de Portalegre não tem vaga para aqueles doentes e os serviços públicos de saúde são incapazes de encontrar outra alternativa, mais próxima e que cause menos transtornos aos doentes."

De facto, assim como este caso de Portalegre evidencia e como tantos outros poderiam ser mencionados, a possibilidade que os indivíduos têm de obter cuidados de saúde apropriados às suas necessidades (temporais, geográficas e financeiras), de modo a alcançarem ganhos em saúde, está a ser permanentemente condicionada e submetida a critérios de “custos” e não a critérios de “investimento”, como no primeiro parágrafo do texto acima transcrito é afirmado dever ser.

E para que se fique a saber, embora parecendo serem palavras proferidas pelo mesmo orador, tal não o foi na realidade.

As primeiras, foram proferidas por Correia de Campos, durante a sua Intervenção no Encontro Sobre Avaliação do Impacte na Saúde e nos Sistemas de Saúde realizado a 05 de Novembro de 2007…
As segundas reportam-se a palavras de João Semedo a propósito dum requerimento, da sua autoria, dirigido ao MS em finais de Outubro, inquirindo sobre a falta de alternativas para os insuficientes renais crónicos realizarem tratamentos de hemodiálise em Portalegre.

... é preciso também aplicá-las.
.
.
.

sexta-feira, novembro 09, 2007

os seguros de saúde


Ainda tão jovens e já com tantas doenças…
O que serão deles quando mais crescidos forem?

"Os seguros de saúde são um tema sempre «quente» e dos mais reclamados.
Todos os anos, mais de uma centena de consumidores pede a intervenção da Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores (DECO), sobretudo para questões relacionadas com as comparticipações.
Mas só metade, em média, chegam a mediação, uma plataforma de entendimento entre consumidores e empresas fora dos tribunais. Em 2006, foram 60 os litígios mediados. Segundo um estudo da DECO, até meados de Maio deste ano, eram já vinte e cinco.
.
Médis e a Multicare lideram protestos
Entre as companhias mais reclamadas estão a Médis e a Multicare, com mais de 35% das reclamações. Os números são indissociáveis das falhas nestes serviços, mas também de estas companhias terem a maior fatia de mercado no sector dos seguros de saúde."

Para ver quais as actuais doenças, algumas delas estão
aqui.
.
.
.

quinta-feira, novembro 08, 2007

como moderar a afluência de doentes ao SU

Ideias para a redução da afluência de doentes ao Serviço de Urgência de Fafe, para assim não dar mais dores de cabeça ao CA do CHAA e à ARS do Norte (e outros que as aproveitem, também) :
.
.

.

.

.

quarta-feira, novembro 07, 2007

o Serviço de Urgência em Fafe


Tem sido assim a política de saúde do nosso Governo….

Primeiro definem-se objectivos.
Depois solicitam-se estudos que fundamentem os objectivos.
A seguir, definem-se prazos para serem cumpridos os objectivos, agora já bem fundamentados nos estudos.

Mas…
Perante as realidades objectivas e/ou as pressões de interesses instalados, avança ou recua nas decisões, sem nunca pôr em causa os pareceres técnicos, que por serem "cientificamente correctos" estão imunes à crítica.

O que se passou então em Fafe?

Após o estudo da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação de Urgências, o SU do então Hospital S.José de Fafe era para ser extinto, por razões bem explícitas no relatório final da Comissão.

Através de demonstrações públicas várias (movimentos cívicos, Conselho Consultivo e médicos do Hospital), denunciadoras dos pressupostos errados que conduziram a tal decisão, posteriormente, com base nos famigerados “protocolos” com as autarquias, um destes também assinado pelo Presidente da Autarquia de Fafe, considera o MS e a ARS do Norte haver lugar, não ao encerramento do SU, mas à sua reconversão em Serviço de Urgência Básico, a ser inaugurado no dia 25 de Abril de 2007, com uma ambulância SIV, 2 médicos e dois enfermeiros, RX e química seca, tal como “protocolarmente” assim ficou definido:

“a partir do próximo dia 25 de Abril, o Hospital de S.José de Fafe assegurará um Serviço de Urgência Básico, cujos recursos deverão ser adequados à procura de cuidados, sem recorrer ao tempo normal dos médicos de família com vinculação aos centros de saúde da região e sem comprometer a sua prestação de serviço nos centros de saúde. Esta situação será reapreciada no contexto do futuro Centro Hospitalar Guimarães-Fafe.”

Constitui-se em 1 de Março de 2007, o Centro Hospitalar do Alto Ave, EPE (CHAA) que aglutina os Hospitais Senhora da Oliveira, EPE e S.José de Fafe, SPA, como Unidades Hospitalares deste Centro.

Preocupações demonstraram os profissionais da agora Unidade de Fafe, pela “decisão” adoptada. Mas com ela terá ficado “satisfeito” o Presidente da Câmara e alguns dos seus autarcas, na convicção de que os serviços clínicos assistenciais iriam melhorar, como o prometia a ARS do Norte, “deliciados” que ficaram também, com a promessa da construção dum novo Hospital na sua cidade.

Os meses foram passando mas tudo ficou na mesma…

O Serviço de Urgência Básico não foi “inaugurado” no dia 25 de Abril nem tão pouco, ao longo destes mais de seis meses, o CA do Centro Hospitalar, o Presidente da Câmara de Fafe e a ARS do Norte se preocuparam em fazer cumprir o protocolo assinado.
Mas o novo Hospital esse é quase (para alguns) uma certeza…

Mas há que repensar. Voltar ao assunto.
Particularmente pela mão da ARS do Norte que a tal direito assiste.
Mas primeiro há que reduzir substancialmente a afluência diária de doentes, ao ainda Serviço de Urgência de Fafe, que atinge uma média de 150.

Mas, nem com reuniões com responsáveis do CS e USF locais, para alertar da necessidade dos Cuidados Primários colaborarem nessa redução, nem com um apelo à autarquia para melhorar a sinalética na cidade referenciando melhor esses locais de atendimento, nem (pasme-se) com uma deliberação do CA do CHAA (só para a Unidade de Fafe) que “impede” que os doentes classificados como “azuis”, pela triagem de Manchester, possam ser atendidos no SU, a afluência diminuiu, mantendo-se nos mesmos níveis “preocupantes”, assim como preocupantes são, os níveis existentes no SU da Unidade de Guimarães.

E então o que se espera?

Depois da desmotivação criada nos profissionais da Unidade de Fafe com a actuação autista do CA do CHAA, parecem agora a ARS do Norte e o CA do CHAA querer que continue tudo na mesma, pedindo aos profissionais médicos da Unidade de Fafe que continuem com o seu voluntarismo, a sua dedicação e o seu esforço para garantir que tudo fique na mesma, até ver…

Será assim?
Ou será que tudo na mesma, não irá ficar?

É que a Unidade de Fafe, há já muitos anos, escandalosamente deficitária em profissionais médicos, vê-se agora ser despojada de alguns desses profissionais para exercerem actividade no SU, com autorizações concedidas pelo CA do CHAA de pedidos de transferência para outras instituições de saúde, com a oferta de contratos administrativos de provimento de miséria que afasta quem iria valorizar (pelo seu profissionalismo) a instituição (mesmo contra o parecer dos Directores de Serviço em causa) e ainda pelo pedido de dispensa de realizar essa actividade no SU, por já terem, alguns deles, atingido os 55 anos de idade.

Assim sendo, difícil será ficar tudo na mesma.

É isto que a ARS do Norte não iria ter, tivesse ela feito bem “as contas”.
Ou terão sido estas “as contas” que a ARS fez, para alcançar o que não queria ter?
.
.
.

terça-feira, novembro 06, 2007

saúde oral


"O ministro da Saúde explicou que as cerca de 65 mil grávidas, com gravidez acompanhada em Centros de Saúde, receberão, no total, três "cheques-dentista".
.
Os 50 mil idosos com o Complemento Solidário podem receber dois "cheques-dentista" para poderem ser usados em tratamentos e próteses.
.
O executivo prevê igualmente alargar de 60 mil para 85 mil o número de crianças entre os seis e os 12 anos abrangidos pelo programa de saúde oral para combater a cárie dentária.
.
Este é um programa destinado a três grupos de risco - crianças, grávidas e idosos - e que só é possível por o Governo «ter conseguido pôr as contas públicas em ordem», acrescentou Correia de Campos." TSF

.

Feitas bem as contas, dos 10 599 095 portugueses, 200 mil serão abrangidos por estas medidas, entre grávidas, crianças e idosos...

.

e os outros 10 milhões, 399 mil e 95 portugueses?

.

.

.

segunda-feira, novembro 05, 2007

apelo

"O grito"
Edvard Munch
Apelo
.
"Este mail é enviado (se chegar ao destino) de uma pequena comunidade rural do Alto Alentejo - vila e concelho de Avis, a sede com cerca de 2 000 habitantes, para muitos dos quais a Internet é um meio de comunicação por excelência, quer nas suas vertentes de lazer, profissional ou de serviço público.
A grande empresa que é a Telepac, com o SAPO, desde início de Outubro que mantém o serviço de Internet inoperacional ou melhor com uma operacionalidade que poderá rondar os 10%. Não será por negligência, nem por incúria, mas por certo, por desrespeito para com o interior do país, onde apenas existem centenas de assinantes e não milhares ou milhões como nas grandes cidades.
O subscritor, que trocou a cidade pelo campo há mais de 25 anos, e todos os outros habitantes de Avis, têm com a Internet, a vida ao seu lado.
Por favor, ajude-nos a que este apelo chegue aos ouvidos dos administradores da TELEPAC e ultrapasse a barreira do Call Center, verdadeiro empecilho quando o problema é regional e não localizado na nossa mesa de trabalho.
.
João Adélio Marinho Trocado Moreira (joao.adelio@mail.telepac.pt)
Médico de família e director do Centro de Saúde de Avis
.
P.S.

Podem ser acrescentados subscritores, se o desejarem.

P.S.

O objectivo é reenviarem para toda a lista de contactos, sempre em Bcc para que os endereços de e-mail não sejam usados para fins obscuros."
.
.

Este apelo, publicado pelo Médico Explica Medicina a Intelectuais, é o apelo que todos os que vivem afastados dos grandes centros deverão fazer e exigir, quando são despojados dos mais elementares direitos que ao Estado competiria garantir, sabendo que de outros, por de elementares aparentemente nada terem, jamais terão possibilidade de vir a usufruir.
.
Apelo de todos estes cidadãos, assim como dos “outros”, exigindo o não ser permitido que, cidadãos iguais, pelo mesmo Estado, sejam tratados de maneira diferente, só pelo facto de os votos ou de os lucros económicos não justificarem “investimento” nas pessoas ou nas zonas onde residem.
.
E não só da Internet estou a falar...
Internet que, através da PTComunicações e da Telepac, passou a ser-me “oferecida” desde Junho deste ano, sustentadamente, a uma velocidade inferior ao máximo duma ligação analógica. Isto a 6 Km da 3ª maior cidade do país, numa freguesia com menos de 200 eleitores…
.
Se a procura do legítimo lucro é aceitável quando de empresas privadas se trata, destas mesmas empresas agora privadas (mas outrora públicas) a quem foi “oferecido” o concessionamento exclusivo do fornecimento de serviços (outrora públicos também), já menos aceitável se pode considerar.
.
Mas quando o nosso Governo, como grande empresa pública que ainda é, procede de forma idêntica quando em sectores, “ainda com alguma exclusividade”, prestadores de serviços como os de saúde, de educação, de segurança, de justiça ou de administração publica, encerra serviços, reduz a sua diversidade de oferta ou os deslocaliza para zonas mais rentáveis em termos económicos…
.
...que moral terá para exigir ou impor aos concessionários, por ele escolhidos, que tenham uma actuação diferente para com os cidadãos agora considerados seus “clientes forçados e certos” e já não cidadãos, como o são os da água e saneamento, da energia e electricidade, dos transportes e comunicações, e o mais que ainda virá… ?

.

.

.

domingo, novembro 04, 2007

Descontracção

Para descontrair...
Gosto da melodia sim.
... e nada a dizer, quanto à afinação da voz :)
.

.
Mas delicio-me bem mais, a "ouvir" e "sentir" as palavras, sob a forma desta parodiante mímica, deste Daniel Gardner.
.

.

.

.

sábado, novembro 03, 2007

encerramento da maternidade da Figueira da Foz



Três dias depois do dia 1 de Novembro (dia que para mim muito representou) comemora-se um ano do encerramento da Maternidade do Hospital da Figueira da Foz.
.
Um ano também, da inauguração da “maternidade A14" que já sete partos assistiu nestes doze meses de existência.
..
Não digo “só sete partos”, mas sim “sete partos”, que juntamente com os outros que por variadas razões ainda continuam a suceder fora das instituições de saúde, contribuem para que a taxa de nascimentos sem apoio médico, no concelho da Figueira da Foz, tivesse passado a ser a mais alta da Europa em que estamos integrados.
.
E se a ironia muitas vezes não é levada a sério, esta, que aqui está escrita, é para levar muito a sério…
.
.
.

sexta-feira, novembro 02, 2007

as consultas de especialidade atrasadas

.
"Há 380 mil doentes à espera de uma primeira consulta nos hospitais públicos. A TVI divulga, pela primeira vez, um número nacional das listas de espera para consultas. A informação resulta de um inquérito aos hospitais, nunca divulgado, feito pela Inspecção-Geral do Ministério da Saúde em 2006. Somando consultas e cirurgias, há quase seiscentos mil doentes em lista de espera nos hospitais públicos, mais de cinco por cento da população." TVI
.
Porque subvalorizará a Secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Carmen Pignatelli, os números nesta notícia apresentados?
.
Por se reportarem ao ano de 2006?
.
Diz que “poderão estar certos, ou até serem inferiores”. Superiores é que parecem não poder ser…
.
Independentemente de serem 280, 380 ou 480 mil, é de todos conhecido - das ARS, dos Hospitais, dos Centros de Saúde, e acima de tudo dos doentes – o elevado tempo de espera para uma primeira consulta de especialidade hospitalar.
E para o Ministério da Saúde também é conhecido não só o atraso como o seu elevado número ou não tivesse já proposto várias medidas para tal atraso e número serem reduzidos (funcionamento dos HH públicos até às 20 horas, consultas abertas de especialidade, valorização do preço das primeiras consultas).
.
Só que não interessará, para já, aplicar programa idêntico ao já aplicado para as listas de espera para cirurgia (SIGIC) sem que o programa ALERT P1, recentemente implementado nos CSP e nos Hospitais públicos, entre em velocidade de cruzeiro, tal como o SIGIC já está. Assim a bem dos doentes e do sector privado da saúde (haja para tal a verba necessária), poderão os doentes para este sector serem encaminhados.
.
Se para bem dos doentes e dos gastos com saúde, o futuro o dirá.
.
É que ainda esta semana, atendi no Serviço de Urgência do Hospital onde trabalho, dois doentes (e muitos infelizmente vão aparecendo) com infecções graves pós-operatórias de cirurgias realizadas em clínicas privadas, no âmbito do SIGIC, complicações estas cujo tratamento é da responsabilidade do Hospital público “de origem” quando decorrido um mês de pós-operatório…
.
E estes doentes ficam abandonados à sua sorte. À sorte de não aparecerem estas ou outras complicações.
.
E se aparecerem… lá está o SNS a custear as despesas.
.
Assim não “custa” tratar doentes, particularmente os que pressupõem uma vigilância periódica no pós-operatório, para além das 4 semanas, meses ou anos a fio.
.
Assim como também não custará observar um doente numa primeira consulta, também em regime convencionado, e continuar a sua observação/tratamento no mesmo regime, certo de que garantido estará o pagamento da consulta subsequente ou até quem sabe, o tratamento cirúrgico, ao doente proposto…
.
Será que Carmen Pignatelli também não valorizará, a exemplo do que fez Correia de Campos no que ao Relatório do TC sobre o SIGIC diz respeito, o sub-aproveitamento da capacidade e da disponibilidade instalada nos Hospitais públicos?

.
.
.

quarta-feira, outubro 31, 2007

infecções hospitalares

.

"Não vou enjeitar liminarmente que possa haver alguma responsabilidade dos profissionais de saúde na alta incidência de infecções hospitalares em alguns hospitais. Porém, é fundamental denunciar a incrível falta de condições para uma mais efectiva prevenção destas infecções, situação agravada pela cega determinação em colocar os hospitais a dar lucro, sem que se perceba muito bem o que isso quer dizer, não obstante os impressionantes cortes orçamentais.

Frequentemente, até o papel descartável para limpar as mãos já falta nos hospitais, o que obriga os profissionais de saúde a secar as mãos a toalhas que ficam rapidamente encharcadas e se transformam em verdadeiros meios de cultura e reprodução de bactérias, o que pode tornar ainda mais perigoso para os doentes o acto de lavar as mãos dos profissionais de saúde!

Esta é a indesmentível realidade actual.

Para prevenir as infecções deveria existir um lavatório adequado à entrada de cada enfermaria e quarto de hospital, mas não existe.
Seria necessário existir uma embalagem com spray antisséptico acoplado à cama de cada doente, mas não existe.
Seria necessário aprimorar a higiene e limpeza hospitalares, mas o ministro propõe-se despedir milhares de funcionários.
Seria necessário restringir, controlar e educar os visitantes dos doentes, que também deveriam lavar as mãos, mas à hora das visitas os hospitais parecem verdadeiras feiras.
Seria necessário que o papel descartável nunca acabasse, mas ele esgota!
Etc., etc., etc.

Isto para já não falar das instalações envelhecidas, desadequadas e degradadas e da sobrelotação de camas (onde há três deveria haver apenas duas, onde há seis deveria haver apenas quatro…)."

Prof. Dr. José Manuel Silva
TM ONLINE 2007-10-31

.

.

.

terça-feira, outubro 30, 2007

os Serviços de Urgência Básicos

Serviço de Urgência, de José Perez


"O facto de, no INEM, estarmos a realizar um esforço de sinal positivo, num contexto nacional de contracção dos efectivos da administração pública, documenta bem a importância que o Governo atribui ao INEM."
"A actividade de urgência e emergência está a sofrer um profundo alargamento e extensão em todo o país», o ministro disse que o novo espaço do INEM, em Coimbra, permite uma «melhoria da qualidade da assistência» e uma «melhor acessibilidade a estes cuidados», promovendo ainda a «equidade no acesso» e a «racionalização dos recursos."

Correia de Campos na inauguração das novas instalações regionais do INEM, em Coimbra. DD


Entretanto, ter-se-á esquecido Correia de Campos e os seus conselheiros, de que os Serviços de Urgência Básicos (SUB) propostos para entrar em funcionamento até ao fim deste ano, não tendo ainda disponíveis as “salvadoras” ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV ) nem tão pouco os seus tripulantes (enfermeiro e motorista) assegurados por concurso, vão ter os tais dois médicos aconselhados pelo Dr. António Marques - Coordenador da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências (desaparecido da cena pública há já largos meses), com uma preparação indiferenciada, sem qualquer prática em suporte básico nem tão pouco avançado de vida ou qualquer experiência em atendimento básico de urgência.
“Fornecidos” (outsourcing) por empresas privadas (PGA no Norte) a custos elevados já estão a assegurar o atendimento dos doentes nos actuais Serviços de Urgência Médico Cirurgicos (SUMC) e Polivalentes (SUP) e preparam-se para o fazer, da mesma forma, nos SUB, mas neste caso sózinhos, sem qualquer apoio diferenciado.

São eles (felizmente poucos e a não chegarem para as encomendas), médicos em fase final de carreira ou já reformados, emigrantes à procura de emprego e “desempregados” que não conseguiram entrar nos Cuidados de Saúde Primários ou realizar contratos com os HH EPE, vá-se lá saber porquê.
..
.
“Correm”, do turno da tarde do SUB “A”, para a da noite do SUMC “B”, ou do da noite do SUMC “B”, para o da manhã do SUB “D” ou SUP "E".
.
Dias e dias a fio, horas e mais horas por semana, Euros e mais Euros arrecadados.
.
Uma correria.
.
E quem controla isto?.
Ainda há quem considere não serem as Carreiras Médicas importantes!
.
.
.

segunda-feira, outubro 29, 2007

o discurso e a governação


"Não temos a veleidade de agradar a todos por igual. O interesse público é o do público, dos portugueses todos e não apenas dos actores directamente envolvidos no processo. Mas interessamo-nos pelos actores enquanto executantes das políticas.
Por isso, celebrámos um protocolo com a indústria e um compromisso com as farmácias. Estamos abertos a um acordo amplo e de muito interesse com os farmacêuticos, representados pela respectiva Ordem. A natureza especificamente qualitativa da sua representação e a variedade da sua representação ocupacional fazem-nos falta neste edifício. Os nossos esforços acompanharão a disponibilidade para o diálogo. "
Correia de Campos na sessão de abertura do colóquio “Enquadramento da Actividade Farmacêutica”, Sala do Senado da Assembleia da República - 23 de Outubro de 2007

"Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente.
País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência? "
(Eça de Queirós, 1867 in “O Distrito de Évora”)
.
.
.
.

domingo, outubro 28, 2007

é isso aí

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade


"É isso aí" - Ana Carolina e seu Jorge
.
.
"Há uma proposta séria de investimento de um grupo privado numa espécie de loja da saúde e é isso que estamos a analisar para darmos uma resposta às questões que nos são colocadas.
O facto do concelho de Fafe estar previamente seleccionado nada tem a ver, segundo afirma a autarquia, com o esvaziamento dos serviços públicos de saúde.
"Não tem nada a ver com isso. Fafe e as áreas circundantes que compram serviços aqui têm dimensão para viabilizar um projecto desses."JN
José Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Fafe.
.
...
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar de te olhar
-
-
-

sábado, outubro 27, 2007

a concentração dos serviços de saúde hospitalares



"Centros de saúde com 40 ou 50 médicos é "um erro"

Noutra área, o palestrante teceu críticas "às grandes catedrais da Saúde”, ou seja, centros de saúde com 40 ou 50 médicos, que classificou como "um erro enorme e grave" que foi cometido no passado, resultado de uma cópia do "modelo concentracionista" dos hospitais."


O palestrante, não é alguém que critica o regresso ao “modelo concentracionista” dos Hospitais da década de 60 do século passado (autenticas catedrais da Saúde, cheias de ciência, detentoras exclusivas do ensino médico, pré e pós graduado, catastroficamente geridas) que localizadas nas grandes cidades periféricas do país pobre e atrasado da altura, obrigavam a que qualquer doente residente nas “saudáveis cidades” distantes do interior, para bem longe da sua família tivesse que ser deslocado, para nelas ser tratado da sua doença, houvesse vaga e chegasse lá ainda a tempo.

O palestrante, não é quem critica, a actual política de saúde Hospitalar do Ministério da Saúde, que com argumentos de defesa da qualidade, da experiência e da segurança dos doentes, concentra serviços Hospitalares e extingue outros, escondendo ou subvalorizando verdadeiros intentos economicistas na área da saúde.

O palestrante, não é quem critica o subaproveitamento dos profissionais da saúde nos grandes Hospitais e da capacidade física instalada, que “ocupados” com a desgastante e consumidora actividade nos Serviços de Urgência, “justificam” quadros médicos volumosíssimos, conduzindo a que nas restantes actividades andem a vaguear pelos corredores à procura de oportunidade para observar, tratar um doente ou afincada e por vezes desesperadamente a “lutar” para curriculum fazer.

O palestrante, não é que quem valoriza a importância que tiveram os Hospitais da periferia e interior do país, que nas últimas décadas abriram as suas portas à diferenciação técnico-científica no exercício da medicina com a colocação de dedicados, esforçados e interessados jovens profissionais, contribuindo assim, talvez modestamente, para o repovoamento do interior e para uma melhoria significativa dos níveis de saúde das populações locais.

O palestrante, não é quem defende os serviços clínicos da Unidade Hospitalar em que trabalha (recentemente constituída em Centro Hospitalar), reconhecidamente produtiva pela tutela ao longo dos seus 20 anos de existência e que pelo conceito “concentracionista” actualmente em voga, se prepara o seu progressivo esvaziamento até ao seu encerramento, com argumentos de falta de profissionais médicos.

O palestrante, não é quem critica a actual política de empresarialização dos Hospitais Públicos ou a sua criação ou reestruturação em ”parcerias público-privadas” em que o lucro é exigido e o princípio de “bem social” que deveria ter a “Saúde” é excluído da sua prática efectiva, exigindo para tal a concentração e o despovoamento dos serviços dos Hospitais mais pequenos que com eles estejam a competir.

O palestrante, não é quem critica a entrega da população, expurgada dos seus serviços assistenciais hospitalares, à cobiça de empresas privadas que com a ajuda do palestrante e dos seus seguidores convictos, lhes vão dando alimento para, com lucros avultados, “tratarem” da saúde dos seus co-cidadãos.

O palestrante é o Ministro da Saúde, Dr. Correia de Campos, quando falava no decorrer do II Fórum das Cidades Saudáveis, em Viana do Castelo.
.
.
.

sexta-feira, outubro 26, 2007

contrapartidas na saúde

A Sanusquali, a empresa dinamizadora do projecto “Casa da Saúde”, liderada pelo ex-deputado (médico?) Nuno Delerue, dela fazendo parte também outros médicos e empresários com interesses já instalados na área da prestação de serviços de Saúde privados, escolheu Fafe como um dos municípios que reúne condições para a instalação de um “shoping da saúde” de entre os 24 que se propõe espalhar pelo país.

Isto é dito pelo Correio de Fafe que transcreve palavras do Presidente da Câmara da cidade:


“Parece-me uma ideia interessante e Fafe tem dimensão para viabilizar um serviço desses”.

E como ideia interessante que é, propõe-se o Sr.Presidente analisar a proposta de investimento que prevê contrapartidas como a cedência de terrenos, a isenção de impostos e taxas, a co-participação nas infra-estruturas e garantia de celeridade por parte do município.

Compreende-se o interesse deste grupo privado que para além das contrapartidas já oferecidas pelo poder central com o encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de S.José de Fafe e sua despromoção a SUB prevista para Novembro deste ano, agora também se prepara para receber as contrapartidas do poder autárquico.

Quem terá dito a Nuno Delerue, que a administração do Centro Hospitalar do Alto Ave também se prepara para progressivamente ir esvaziando os serviços clínicos da Unidade de Fafe por forma a que brevemente deixem de dar às populações de Fafe e concelhos limítrofes (Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto) a assistência de proximidade a que estavam habituadas nas áreas de Internamento, Bloco Operatório e Consulta Externa das especialidades de Medicina Interna, Cirurgia, Ortopedia e Medicina Física e Reabilitação?

Eu não fui...


.


.