quarta-feira, novembro 07, 2007

o Serviço de Urgência em Fafe


Tem sido assim a política de saúde do nosso Governo….

Primeiro definem-se objectivos.
Depois solicitam-se estudos que fundamentem os objectivos.
A seguir, definem-se prazos para serem cumpridos os objectivos, agora já bem fundamentados nos estudos.

Mas…
Perante as realidades objectivas e/ou as pressões de interesses instalados, avança ou recua nas decisões, sem nunca pôr em causa os pareceres técnicos, que por serem "cientificamente correctos" estão imunes à crítica.

O que se passou então em Fafe?

Após o estudo da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação de Urgências, o SU do então Hospital S.José de Fafe era para ser extinto, por razões bem explícitas no relatório final da Comissão.

Através de demonstrações públicas várias (movimentos cívicos, Conselho Consultivo e médicos do Hospital), denunciadoras dos pressupostos errados que conduziram a tal decisão, posteriormente, com base nos famigerados “protocolos” com as autarquias, um destes também assinado pelo Presidente da Autarquia de Fafe, considera o MS e a ARS do Norte haver lugar, não ao encerramento do SU, mas à sua reconversão em Serviço de Urgência Básico, a ser inaugurado no dia 25 de Abril de 2007, com uma ambulância SIV, 2 médicos e dois enfermeiros, RX e química seca, tal como “protocolarmente” assim ficou definido:

“a partir do próximo dia 25 de Abril, o Hospital de S.José de Fafe assegurará um Serviço de Urgência Básico, cujos recursos deverão ser adequados à procura de cuidados, sem recorrer ao tempo normal dos médicos de família com vinculação aos centros de saúde da região e sem comprometer a sua prestação de serviço nos centros de saúde. Esta situação será reapreciada no contexto do futuro Centro Hospitalar Guimarães-Fafe.”

Constitui-se em 1 de Março de 2007, o Centro Hospitalar do Alto Ave, EPE (CHAA) que aglutina os Hospitais Senhora da Oliveira, EPE e S.José de Fafe, SPA, como Unidades Hospitalares deste Centro.

Preocupações demonstraram os profissionais da agora Unidade de Fafe, pela “decisão” adoptada. Mas com ela terá ficado “satisfeito” o Presidente da Câmara e alguns dos seus autarcas, na convicção de que os serviços clínicos assistenciais iriam melhorar, como o prometia a ARS do Norte, “deliciados” que ficaram também, com a promessa da construção dum novo Hospital na sua cidade.

Os meses foram passando mas tudo ficou na mesma…

O Serviço de Urgência Básico não foi “inaugurado” no dia 25 de Abril nem tão pouco, ao longo destes mais de seis meses, o CA do Centro Hospitalar, o Presidente da Câmara de Fafe e a ARS do Norte se preocuparam em fazer cumprir o protocolo assinado.
Mas o novo Hospital esse é quase (para alguns) uma certeza…

Mas há que repensar. Voltar ao assunto.
Particularmente pela mão da ARS do Norte que a tal direito assiste.
Mas primeiro há que reduzir substancialmente a afluência diária de doentes, ao ainda Serviço de Urgência de Fafe, que atinge uma média de 150.

Mas, nem com reuniões com responsáveis do CS e USF locais, para alertar da necessidade dos Cuidados Primários colaborarem nessa redução, nem com um apelo à autarquia para melhorar a sinalética na cidade referenciando melhor esses locais de atendimento, nem (pasme-se) com uma deliberação do CA do CHAA (só para a Unidade de Fafe) que “impede” que os doentes classificados como “azuis”, pela triagem de Manchester, possam ser atendidos no SU, a afluência diminuiu, mantendo-se nos mesmos níveis “preocupantes”, assim como preocupantes são, os níveis existentes no SU da Unidade de Guimarães.

E então o que se espera?

Depois da desmotivação criada nos profissionais da Unidade de Fafe com a actuação autista do CA do CHAA, parecem agora a ARS do Norte e o CA do CHAA querer que continue tudo na mesma, pedindo aos profissionais médicos da Unidade de Fafe que continuem com o seu voluntarismo, a sua dedicação e o seu esforço para garantir que tudo fique na mesma, até ver…

Será assim?
Ou será que tudo na mesma, não irá ficar?

É que a Unidade de Fafe, há já muitos anos, escandalosamente deficitária em profissionais médicos, vê-se agora ser despojada de alguns desses profissionais para exercerem actividade no SU, com autorizações concedidas pelo CA do CHAA de pedidos de transferência para outras instituições de saúde, com a oferta de contratos administrativos de provimento de miséria que afasta quem iria valorizar (pelo seu profissionalismo) a instituição (mesmo contra o parecer dos Directores de Serviço em causa) e ainda pelo pedido de dispensa de realizar essa actividade no SU, por já terem, alguns deles, atingido os 55 anos de idade.

Assim sendo, difícil será ficar tudo na mesma.

É isto que a ARS do Norte não iria ter, tivesse ela feito bem “as contas”.
Ou terão sido estas “as contas” que a ARS fez, para alcançar o que não queria ter?
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terça-feira, novembro 06, 2007

saúde oral


"O ministro da Saúde explicou que as cerca de 65 mil grávidas, com gravidez acompanhada em Centros de Saúde, receberão, no total, três "cheques-dentista".
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Os 50 mil idosos com o Complemento Solidário podem receber dois "cheques-dentista" para poderem ser usados em tratamentos e próteses.
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O executivo prevê igualmente alargar de 60 mil para 85 mil o número de crianças entre os seis e os 12 anos abrangidos pelo programa de saúde oral para combater a cárie dentária.
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Este é um programa destinado a três grupos de risco - crianças, grávidas e idosos - e que só é possível por o Governo «ter conseguido pôr as contas públicas em ordem», acrescentou Correia de Campos." TSF

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Feitas bem as contas, dos 10 599 095 portugueses, 200 mil serão abrangidos por estas medidas, entre grávidas, crianças e idosos...

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e os outros 10 milhões, 399 mil e 95 portugueses?

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segunda-feira, novembro 05, 2007

apelo

"O grito"
Edvard Munch
Apelo
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"Este mail é enviado (se chegar ao destino) de uma pequena comunidade rural do Alto Alentejo - vila e concelho de Avis, a sede com cerca de 2 000 habitantes, para muitos dos quais a Internet é um meio de comunicação por excelência, quer nas suas vertentes de lazer, profissional ou de serviço público.
A grande empresa que é a Telepac, com o SAPO, desde início de Outubro que mantém o serviço de Internet inoperacional ou melhor com uma operacionalidade que poderá rondar os 10%. Não será por negligência, nem por incúria, mas por certo, por desrespeito para com o interior do país, onde apenas existem centenas de assinantes e não milhares ou milhões como nas grandes cidades.
O subscritor, que trocou a cidade pelo campo há mais de 25 anos, e todos os outros habitantes de Avis, têm com a Internet, a vida ao seu lado.
Por favor, ajude-nos a que este apelo chegue aos ouvidos dos administradores da TELEPAC e ultrapasse a barreira do Call Center, verdadeiro empecilho quando o problema é regional e não localizado na nossa mesa de trabalho.
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João Adélio Marinho Trocado Moreira (joao.adelio@mail.telepac.pt)
Médico de família e director do Centro de Saúde de Avis
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P.S.

Podem ser acrescentados subscritores, se o desejarem.

P.S.

O objectivo é reenviarem para toda a lista de contactos, sempre em Bcc para que os endereços de e-mail não sejam usados para fins obscuros."
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Este apelo, publicado pelo Médico Explica Medicina a Intelectuais, é o apelo que todos os que vivem afastados dos grandes centros deverão fazer e exigir, quando são despojados dos mais elementares direitos que ao Estado competiria garantir, sabendo que de outros, por de elementares aparentemente nada terem, jamais terão possibilidade de vir a usufruir.
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Apelo de todos estes cidadãos, assim como dos “outros”, exigindo o não ser permitido que, cidadãos iguais, pelo mesmo Estado, sejam tratados de maneira diferente, só pelo facto de os votos ou de os lucros económicos não justificarem “investimento” nas pessoas ou nas zonas onde residem.
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E não só da Internet estou a falar...
Internet que, através da PTComunicações e da Telepac, passou a ser-me “oferecida” desde Junho deste ano, sustentadamente, a uma velocidade inferior ao máximo duma ligação analógica. Isto a 6 Km da 3ª maior cidade do país, numa freguesia com menos de 200 eleitores…
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Se a procura do legítimo lucro é aceitável quando de empresas privadas se trata, destas mesmas empresas agora privadas (mas outrora públicas) a quem foi “oferecido” o concessionamento exclusivo do fornecimento de serviços (outrora públicos também), já menos aceitável se pode considerar.
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Mas quando o nosso Governo, como grande empresa pública que ainda é, procede de forma idêntica quando em sectores, “ainda com alguma exclusividade”, prestadores de serviços como os de saúde, de educação, de segurança, de justiça ou de administração publica, encerra serviços, reduz a sua diversidade de oferta ou os deslocaliza para zonas mais rentáveis em termos económicos…
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...que moral terá para exigir ou impor aos concessionários, por ele escolhidos, que tenham uma actuação diferente para com os cidadãos agora considerados seus “clientes forçados e certos” e já não cidadãos, como o são os da água e saneamento, da energia e electricidade, dos transportes e comunicações, e o mais que ainda virá… ?

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domingo, novembro 04, 2007

Descontracção

Para descontrair...
Gosto da melodia sim.
... e nada a dizer, quanto à afinação da voz :)
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Mas delicio-me bem mais, a "ouvir" e "sentir" as palavras, sob a forma desta parodiante mímica, deste Daniel Gardner.
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sábado, novembro 03, 2007

encerramento da maternidade da Figueira da Foz



Três dias depois do dia 1 de Novembro (dia que para mim muito representou) comemora-se um ano do encerramento da Maternidade do Hospital da Figueira da Foz.
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Um ano também, da inauguração da “maternidade A14" que já sete partos assistiu nestes doze meses de existência.
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Não digo “só sete partos”, mas sim “sete partos”, que juntamente com os outros que por variadas razões ainda continuam a suceder fora das instituições de saúde, contribuem para que a taxa de nascimentos sem apoio médico, no concelho da Figueira da Foz, tivesse passado a ser a mais alta da Europa em que estamos integrados.
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E se a ironia muitas vezes não é levada a sério, esta, que aqui está escrita, é para levar muito a sério…
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sexta-feira, novembro 02, 2007

as consultas de especialidade atrasadas

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"Há 380 mil doentes à espera de uma primeira consulta nos hospitais públicos. A TVI divulga, pela primeira vez, um número nacional das listas de espera para consultas. A informação resulta de um inquérito aos hospitais, nunca divulgado, feito pela Inspecção-Geral do Ministério da Saúde em 2006. Somando consultas e cirurgias, há quase seiscentos mil doentes em lista de espera nos hospitais públicos, mais de cinco por cento da população." TVI
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Porque subvalorizará a Secretária de Estado Adjunta e da Saúde, Carmen Pignatelli, os números nesta notícia apresentados?
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Por se reportarem ao ano de 2006?
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Diz que “poderão estar certos, ou até serem inferiores”. Superiores é que parecem não poder ser…
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Independentemente de serem 280, 380 ou 480 mil, é de todos conhecido - das ARS, dos Hospitais, dos Centros de Saúde, e acima de tudo dos doentes – o elevado tempo de espera para uma primeira consulta de especialidade hospitalar.
E para o Ministério da Saúde também é conhecido não só o atraso como o seu elevado número ou não tivesse já proposto várias medidas para tal atraso e número serem reduzidos (funcionamento dos HH públicos até às 20 horas, consultas abertas de especialidade, valorização do preço das primeiras consultas).
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Só que não interessará, para já, aplicar programa idêntico ao já aplicado para as listas de espera para cirurgia (SIGIC) sem que o programa ALERT P1, recentemente implementado nos CSP e nos Hospitais públicos, entre em velocidade de cruzeiro, tal como o SIGIC já está. Assim a bem dos doentes e do sector privado da saúde (haja para tal a verba necessária), poderão os doentes para este sector serem encaminhados.
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Se para bem dos doentes e dos gastos com saúde, o futuro o dirá.
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É que ainda esta semana, atendi no Serviço de Urgência do Hospital onde trabalho, dois doentes (e muitos infelizmente vão aparecendo) com infecções graves pós-operatórias de cirurgias realizadas em clínicas privadas, no âmbito do SIGIC, complicações estas cujo tratamento é da responsabilidade do Hospital público “de origem” quando decorrido um mês de pós-operatório…
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E estes doentes ficam abandonados à sua sorte. À sorte de não aparecerem estas ou outras complicações.
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E se aparecerem… lá está o SNS a custear as despesas.
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Assim não “custa” tratar doentes, particularmente os que pressupõem uma vigilância periódica no pós-operatório, para além das 4 semanas, meses ou anos a fio.
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Assim como também não custará observar um doente numa primeira consulta, também em regime convencionado, e continuar a sua observação/tratamento no mesmo regime, certo de que garantido estará o pagamento da consulta subsequente ou até quem sabe, o tratamento cirúrgico, ao doente proposto…
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Será que Carmen Pignatelli também não valorizará, a exemplo do que fez Correia de Campos no que ao Relatório do TC sobre o SIGIC diz respeito, o sub-aproveitamento da capacidade e da disponibilidade instalada nos Hospitais públicos?

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quarta-feira, outubro 31, 2007

infecções hospitalares

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"Não vou enjeitar liminarmente que possa haver alguma responsabilidade dos profissionais de saúde na alta incidência de infecções hospitalares em alguns hospitais. Porém, é fundamental denunciar a incrível falta de condições para uma mais efectiva prevenção destas infecções, situação agravada pela cega determinação em colocar os hospitais a dar lucro, sem que se perceba muito bem o que isso quer dizer, não obstante os impressionantes cortes orçamentais.

Frequentemente, até o papel descartável para limpar as mãos já falta nos hospitais, o que obriga os profissionais de saúde a secar as mãos a toalhas que ficam rapidamente encharcadas e se transformam em verdadeiros meios de cultura e reprodução de bactérias, o que pode tornar ainda mais perigoso para os doentes o acto de lavar as mãos dos profissionais de saúde!

Esta é a indesmentível realidade actual.

Para prevenir as infecções deveria existir um lavatório adequado à entrada de cada enfermaria e quarto de hospital, mas não existe.
Seria necessário existir uma embalagem com spray antisséptico acoplado à cama de cada doente, mas não existe.
Seria necessário aprimorar a higiene e limpeza hospitalares, mas o ministro propõe-se despedir milhares de funcionários.
Seria necessário restringir, controlar e educar os visitantes dos doentes, que também deveriam lavar as mãos, mas à hora das visitas os hospitais parecem verdadeiras feiras.
Seria necessário que o papel descartável nunca acabasse, mas ele esgota!
Etc., etc., etc.

Isto para já não falar das instalações envelhecidas, desadequadas e degradadas e da sobrelotação de camas (onde há três deveria haver apenas duas, onde há seis deveria haver apenas quatro…)."

Prof. Dr. José Manuel Silva
TM ONLINE 2007-10-31

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terça-feira, outubro 30, 2007

os Serviços de Urgência Básicos

Serviço de Urgência, de José Perez


"O facto de, no INEM, estarmos a realizar um esforço de sinal positivo, num contexto nacional de contracção dos efectivos da administração pública, documenta bem a importância que o Governo atribui ao INEM."
"A actividade de urgência e emergência está a sofrer um profundo alargamento e extensão em todo o país», o ministro disse que o novo espaço do INEM, em Coimbra, permite uma «melhoria da qualidade da assistência» e uma «melhor acessibilidade a estes cuidados», promovendo ainda a «equidade no acesso» e a «racionalização dos recursos."

Correia de Campos na inauguração das novas instalações regionais do INEM, em Coimbra. DD


Entretanto, ter-se-á esquecido Correia de Campos e os seus conselheiros, de que os Serviços de Urgência Básicos (SUB) propostos para entrar em funcionamento até ao fim deste ano, não tendo ainda disponíveis as “salvadoras” ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV ) nem tão pouco os seus tripulantes (enfermeiro e motorista) assegurados por concurso, vão ter os tais dois médicos aconselhados pelo Dr. António Marques - Coordenador da Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências (desaparecido da cena pública há já largos meses), com uma preparação indiferenciada, sem qualquer prática em suporte básico nem tão pouco avançado de vida ou qualquer experiência em atendimento básico de urgência.
“Fornecidos” (outsourcing) por empresas privadas (PGA no Norte) a custos elevados já estão a assegurar o atendimento dos doentes nos actuais Serviços de Urgência Médico Cirurgicos (SUMC) e Polivalentes (SUP) e preparam-se para o fazer, da mesma forma, nos SUB, mas neste caso sózinhos, sem qualquer apoio diferenciado.

São eles (felizmente poucos e a não chegarem para as encomendas), médicos em fase final de carreira ou já reformados, emigrantes à procura de emprego e “desempregados” que não conseguiram entrar nos Cuidados de Saúde Primários ou realizar contratos com os HH EPE, vá-se lá saber porquê.
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“Correm”, do turno da tarde do SUB “A”, para a da noite do SUMC “B”, ou do da noite do SUMC “B”, para o da manhã do SUB “D” ou SUP "E".
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Dias e dias a fio, horas e mais horas por semana, Euros e mais Euros arrecadados.
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Uma correria.
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E quem controla isto?.
Ainda há quem considere não serem as Carreiras Médicas importantes!
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segunda-feira, outubro 29, 2007

o discurso e a governação


"Não temos a veleidade de agradar a todos por igual. O interesse público é o do público, dos portugueses todos e não apenas dos actores directamente envolvidos no processo. Mas interessamo-nos pelos actores enquanto executantes das políticas.
Por isso, celebrámos um protocolo com a indústria e um compromisso com as farmácias. Estamos abertos a um acordo amplo e de muito interesse com os farmacêuticos, representados pela respectiva Ordem. A natureza especificamente qualitativa da sua representação e a variedade da sua representação ocupacional fazem-nos falta neste edifício. Os nossos esforços acompanharão a disponibilidade para o diálogo. "
Correia de Campos na sessão de abertura do colóquio “Enquadramento da Actividade Farmacêutica”, Sala do Senado da Assembleia da República - 23 de Outubro de 2007

"Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente.
País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência? "
(Eça de Queirós, 1867 in “O Distrito de Évora”)
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domingo, outubro 28, 2007

é isso aí

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade


"É isso aí" - Ana Carolina e seu Jorge
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"Há uma proposta séria de investimento de um grupo privado numa espécie de loja da saúde e é isso que estamos a analisar para darmos uma resposta às questões que nos são colocadas.
O facto do concelho de Fafe estar previamente seleccionado nada tem a ver, segundo afirma a autarquia, com o esvaziamento dos serviços públicos de saúde.
"Não tem nada a ver com isso. Fafe e as áreas circundantes que compram serviços aqui têm dimensão para viabilizar um projecto desses."JN
José Ribeiro, presidente da Câmara Municipal de Fafe.
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Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar de te olhar
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sábado, outubro 27, 2007

a concentração dos serviços de saúde hospitalares



"Centros de saúde com 40 ou 50 médicos é "um erro"

Noutra área, o palestrante teceu críticas "às grandes catedrais da Saúde”, ou seja, centros de saúde com 40 ou 50 médicos, que classificou como "um erro enorme e grave" que foi cometido no passado, resultado de uma cópia do "modelo concentracionista" dos hospitais."


O palestrante, não é alguém que critica o regresso ao “modelo concentracionista” dos Hospitais da década de 60 do século passado (autenticas catedrais da Saúde, cheias de ciência, detentoras exclusivas do ensino médico, pré e pós graduado, catastroficamente geridas) que localizadas nas grandes cidades periféricas do país pobre e atrasado da altura, obrigavam a que qualquer doente residente nas “saudáveis cidades” distantes do interior, para bem longe da sua família tivesse que ser deslocado, para nelas ser tratado da sua doença, houvesse vaga e chegasse lá ainda a tempo.

O palestrante, não é quem critica, a actual política de saúde Hospitalar do Ministério da Saúde, que com argumentos de defesa da qualidade, da experiência e da segurança dos doentes, concentra serviços Hospitalares e extingue outros, escondendo ou subvalorizando verdadeiros intentos economicistas na área da saúde.

O palestrante, não é quem critica o subaproveitamento dos profissionais da saúde nos grandes Hospitais e da capacidade física instalada, que “ocupados” com a desgastante e consumidora actividade nos Serviços de Urgência, “justificam” quadros médicos volumosíssimos, conduzindo a que nas restantes actividades andem a vaguear pelos corredores à procura de oportunidade para observar, tratar um doente ou afincada e por vezes desesperadamente a “lutar” para curriculum fazer.

O palestrante, não é que quem valoriza a importância que tiveram os Hospitais da periferia e interior do país, que nas últimas décadas abriram as suas portas à diferenciação técnico-científica no exercício da medicina com a colocação de dedicados, esforçados e interessados jovens profissionais, contribuindo assim, talvez modestamente, para o repovoamento do interior e para uma melhoria significativa dos níveis de saúde das populações locais.

O palestrante, não é quem defende os serviços clínicos da Unidade Hospitalar em que trabalha (recentemente constituída em Centro Hospitalar), reconhecidamente produtiva pela tutela ao longo dos seus 20 anos de existência e que pelo conceito “concentracionista” actualmente em voga, se prepara o seu progressivo esvaziamento até ao seu encerramento, com argumentos de falta de profissionais médicos.

O palestrante, não é quem critica a actual política de empresarialização dos Hospitais Públicos ou a sua criação ou reestruturação em ”parcerias público-privadas” em que o lucro é exigido e o princípio de “bem social” que deveria ter a “Saúde” é excluído da sua prática efectiva, exigindo para tal a concentração e o despovoamento dos serviços dos Hospitais mais pequenos que com eles estejam a competir.

O palestrante, não é quem critica a entrega da população, expurgada dos seus serviços assistenciais hospitalares, à cobiça de empresas privadas que com a ajuda do palestrante e dos seus seguidores convictos, lhes vão dando alimento para, com lucros avultados, “tratarem” da saúde dos seus co-cidadãos.

O palestrante é o Ministro da Saúde, Dr. Correia de Campos, quando falava no decorrer do II Fórum das Cidades Saudáveis, em Viana do Castelo.
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sexta-feira, outubro 26, 2007

contrapartidas na saúde

A Sanusquali, a empresa dinamizadora do projecto “Casa da Saúde”, liderada pelo ex-deputado (médico?) Nuno Delerue, dela fazendo parte também outros médicos e empresários com interesses já instalados na área da prestação de serviços de Saúde privados, escolheu Fafe como um dos municípios que reúne condições para a instalação de um “shoping da saúde” de entre os 24 que se propõe espalhar pelo país.

Isto é dito pelo Correio de Fafe que transcreve palavras do Presidente da Câmara da cidade:


“Parece-me uma ideia interessante e Fafe tem dimensão para viabilizar um serviço desses”.

E como ideia interessante que é, propõe-se o Sr.Presidente analisar a proposta de investimento que prevê contrapartidas como a cedência de terrenos, a isenção de impostos e taxas, a co-participação nas infra-estruturas e garantia de celeridade por parte do município.

Compreende-se o interesse deste grupo privado que para além das contrapartidas já oferecidas pelo poder central com o encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de S.José de Fafe e sua despromoção a SUB prevista para Novembro deste ano, agora também se prepara para receber as contrapartidas do poder autárquico.

Quem terá dito a Nuno Delerue, que a administração do Centro Hospitalar do Alto Ave também se prepara para progressivamente ir esvaziando os serviços clínicos da Unidade de Fafe por forma a que brevemente deixem de dar às populações de Fafe e concelhos limítrofes (Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto) a assistência de proximidade a que estavam habituadas nas áreas de Internamento, Bloco Operatório e Consulta Externa das especialidades de Medicina Interna, Cirurgia, Ortopedia e Medicina Física e Reabilitação?

Eu não fui...


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quinta-feira, outubro 25, 2007

as listas de espera para cirurgia

Fonte: SIGIC - 1ºsemestre 2007
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No jornal Público de hoje e já também publicado (sem demora) no Portal da Saúde, num artigo de opinião, divulgou o cidadão Correia de Campos, assinado Ministro da Saúde, agora por escrito, a sua opinião sobre a Auditoria ao Acesso aos Cuidados de Saúde do SNS – Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia SIGIC - Relatório n.º 25/07 - 2ª. S - Processo n.º 50 /05 – AUDIT, recentemente apresentado pelo Tribunal de Contas.

E é bonito ver o Ministro da Saúde considerar tratar-se este documento dum “bom relatório”.
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Não interessa se o Tribunal de Contas o elaborou fundamentado em “comparações nem sempre escorreitas” e se apresentou uma “fotografia trémula” da actividade do SIGIC durante o ano de 2006.

O Relatório é bom!

Isto porque o Relatório, segundo Correia de Campos, conclui que:
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“diminuíram a média e a mediana dos tempos de espera dos inscritos para cirurgia, face às da data da sua implementação, em quatro regiões, tendo apenas aumentado em Lisboa e Vale do Tejo (a maior e a menos operacionalizável) “ “o peso do número de utentes com mais tempo de espera diminuiu no período analisado”

“o efeito de diminuição nos tempos médios de espera é mais pronunciado nos hospitais que funcionam com o SIGIC há mais tempo”

“a produtividade cirúrgica por médico melhorou nos hospitais de referência, face ao grupo de controlo”.


Mas o que o Relatório também diz é que se conseguiram alcançar estes resultados positivos, não à custa dum aumento de produtividade normal e duma melhor utilização da capacidade instalada, mas à custa da produtividade acrescida, produtividade esta que contribuiu para a diminuição dos tempos médios de espera nos Hospitais que a praticaram (mais que natural) e para o aumento apurado do número de cirurgias por cirurgião (ou não fosse o acto cirúrgico desta actividade acrescida “pago à peça”).

“Razão espúria” (qual avestruz) considera Correia de Campos colocar esta hipótese justificativa de tal acréscimo. Mas sobre isto, mais não digo.

Que o diga, quem os números tem e com eles faça comparações “escorreitas”.

E mais não digo também, para além do que já disse aqui, há um ano atrás, quando me referia ao tão falado na altura “combate ao desperdício no SNS”. É que nem nos Relatórios do SIGIC (não se entendendo porquê) nem no desta Auditoria do TC (por má contabilidade da actividade hospitalar, segundo nos é afirmado no relatório), nos são dados a conhecer os gastos e os orçamentos (extra Orçamento de Estado) atribuídos e já consumidos por este e outros programas, desde a sua implementação.

Vá-se lá saber porquê.

Talvez pela mesma razão que faz com que Correia de Campos não realce neste seu artigo, a importância que teve o enorme investimento em meios humanos, em acções de formação, em material informático e de software que o sistema recebeu e que, em percentagem também significativa, contribui para a “limpeza “das listas de espera, limpeza que outrora não existia tão apurada (por óbito, situação já resolvida, mudança ou desconhecimento da residência, contra-indicação clínica, etc.) e que ainda continua a “limpar” ao obrigar ao regresso à “estaca zero” na contagem do tempo de espera, quando doente por razões pessoais recusa a data da cirurgia proposta assim como o seu encaminhamento (com um “vale de cirurgia”) para uma unidade de saúde distante do seu local de residência.

E este “como” não deve ser escondido para que possamos conscientemente poder concluir se o “copo está meio cheio” ou “meio vazio”, já que todos (e Correia de Campos também) sabemos que “cheio” ainda não está mas, verdade seja dita, “vazio” também não.



quarta-feira, outubro 24, 2007

liberalização das farmácias (II)


Em referência ao Post anteriormente aqui editado, sinto o dever de dar a conhecer um obrigatório esclarecimento:

Segundo o DE, em comunicado hoje divulgado, considera o Ministério da Saúde carecer de fundamento a notícia divulgada pela imprensa, de prever o MS poder vir a dar preferência aos não farmacêuticos na abertura de novas farmácias.

O que irá existir sim, segundo o MS, é “uma graduação dos concorrentes em função do número de farmácias, detidas, exploradas ou geridas, sendo graduado em primeiro lugar, em caso de igualdade, o concorrente com menor número de farmácias.”

Não há como esclarecer de que onde se lê: "prever", dever-se-á ler: "irá existir".
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Está assim reposta a verdade.
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liberalização das farmácias

Conversa da farmácia - Diógenes Paes, Jundiaí - São Paulo


"O Ministério da Saúde quer dar preferência aos não farmacêuticos na abertura de novas farmácias. Assim, estes profissionais não só perdem o exclusivo da propriedade como ficam em desvantagem competitiva nos concursos que vão ser lançados. De acordo com um projecto de regulamentação, que já foi comunicado aos parceiros do sector, os farmacêuticos podem candidatar-se às novas farmácias, mas será dada prioridade ao resto da população que queira entrar neste negócio pela primeira vez." DN

Como?
Ser declaradamente a favor dos mais desprotegidos, contra os monopólios e a favor do indefeso "resto da população", é demasiado "socialista" para ser verdade…!
Não. Não é verdade.
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terça-feira, outubro 23, 2007

mais encerramentos de serviços de saúde

Acidentes de trabalho mortais por sector de actividade - Ano de 2005
Fonte: Inspecção Geral do Trabalho
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Nem a Câmara Socialista de Lisboa escapa aos encerramentos dos Serviços de Saúde:

Isto, quando no Plano Nacional de Saúde - Orientações Estratégicas para 2004-2010 (que o governo promete cumprir ao longo da legislatura) a páginas 78 e seguintes é dito:
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Que têm a dizer sobre isto, António Costa, Correia de Campos e José Socrates, respectivamente Presidente da Câmara, Ministro da Saúde e Primeiro Ministro socialistas?
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segunda-feira, outubro 22, 2007

tantos genéricos para armazenar...



Com tantas marcas de genéricos disponíveis no mercado (com o mesmo princípio activo (DCI) e com preços tão díspares (não deixando contudo de serem considerados genéricos), queixam-se as farmácias de não terem espaço para tanta pastilha, ampola ou creme poderem armazenar.
Fosse só este o problema…



E sem querer voltar à minha juventude (apenas recordá-la) quando o prenunciador marketing publicitário da altura colocava nos ouvidos e nas bocas de toda a gente a célebre frase “Aspirina só há uma, a da Bayer e mais nenhuma”, época de mercado muito pouco concorrencional, apetece-me agora com mil e umas razões estar contra esta dita “global e livre concorrência de mercado”, que na defesa da diversidade nos impõe esta “diversidade” enganadora e descontrolada, estranhamente permitida por quem teria a obrigação de a controlar e de já ter feito aprovar o prometido (mas parece que esquecido) Formulário Nacional de Medicamentos do Ambulatório, como complemento do já reconhecido e bem aceite seu homólogo Hospitalar.
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domingo, outubro 21, 2007

na defesa do SNS


Retirei extractos dum artigo do TempoMedicina no qual o Professor Nuno Grande exprime o seu “saudosismo” de quando começou a exercer Medicina, numa época em que o humanismo do profissional de saúde imperava, revelando ter assistido à criação do SNS, acompanhado a sua evolução em termos qualitativos e de desenvolvimento tecnológico, responsáveis pelo aumento dos custos ao qual não está alheio também, o “consumismo” que profissionais (médicos e indústria médica em particular) e doentes lhe conferem nos dias de hoje, acreditando que, com uma necessária reformulação, as Carreiras Médicas e o Serviço Nacional de Saúde não chegaram ao fim. link
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"Considera-se «um médico de província numa grande cidade» e diz que a sua carreira começou quando, para ajudar um doente, ficou sem dinheiro para o eléctrico e teve de ir a pé para casa. Talvez por isso ache que a humanização da Medicina está nas mãos dos novos «João Semana» e é nesta perspectiva que critica a visão «contabilística» que Correia de Campos tem da Saúde. Amigo pessoal do ministro, Nuno Grande elogia-lhe o trabalho, mas «numa perspectiva meramente administrativa, não tanto numa perspectiva humanística».

"Nuno Grande fez parte do grupo de jovens clínicos que se bateu pela criação das carreiras médicas. «Andámos aos gritos pelas ruas, contra a polícia. Os antigos senhores chamavam-nos os teddy boys e nós a eles os teddy tachos», descreve, para se regozijar com a vitória de um sistema que, na sua opinião, «permitiu uma grande melhoria na qualidade da Medicina portuguesa».

Perante o fim anunciado do sistema que ajudou a criar, o médico transmontano que adoptou o Porto como sua cidade, exige da Ordem que se oponha a isto, ajudando a redefinir critérios. E, embora concordando com a contestação em relação à forma como a profissão está estabelecida, adverte para uma realidade comum a outros sectores da democracia portuguesa: «Aqui, como noutras profissões, estamos mais preocupados com os direitos do que com os deveres

«O ministro não dialoga, toma decisões», diz, para acrescentar que a sua principal preocupação é «não esgotar o orçamento», algo que, a acontecer, e nos actuais moldes, significa apenas que o sistema não funciona. «Para ser bom [o Serviço Nacional de Saúde], tem de dar prejuízo, ou seja, tem de dar resposta. E dar resposta às necessidades pode significar um custo cada vez maior

Apesar da crise que o SNS atravessa e da procura do «lucro pelo lucro», Nuno Grande não acredita no fim daquilo a que chama «uma grande conquista», mas sim numa grande reformulação, onde o actual sistema sirva de suporte à orientação que vier a ser tomada.O professor diz-se mesmo disposto a integrar o recém-criado movimento de defesa do SNS, desde que este mantenha «um serviço de altíssima qualidade, voltado para os cidadãos», mas sabendo de antemão que nunca poderá ser gratuito. Ou melhor, «o SNS até poderá ser tendencialmente gratuito para o utente, mas alguém tem de o pagar», ironiza. E avança com algumas formas de financiamento, além dos impostos, como sejam as doações ou transformando a contribuição numa obrigação social das empresas. «Pensar nele [SNS] gratuito é tirar-lhe possibilidades de resposta»

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sábado, outubro 20, 2007

"porreiro, pá"

Assim são noticiadas, em Hospital do Futuro, as II Jornadas de Hospitalização Privada realizadas este fim de semana no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, nas quais também participou, na sua sessão de encerramento,o nosso Ministro da Saúde, Correia de Campos. link link


“Sob o lema “Melhor Saúde para os Portugueses” a APHP - Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, organizou esta Conferência internacional que contou com oradores dos EUA, UE e a participação do Presidente da Entidade Reguladora de Saúde, Prof. Rui Nunes entre outros dirigentes.

Uma agenda cheia de pontos de interesse, abordou igualmente os Recursos Humanos em Saúde e as grandes contratualizações. Nesta última mesa foram ouvidas as intervenções do Dr. Adalberto Campos Fernandes (Médis) e do Dr. Luís Pires (ADSE), assim como a perspectiva de um grande grupo de Saúde (Dr. Mendes Ribeiro, GPS), entre outras brilhantes intervenções.

Todos os oradores foram unânimes em enaltecer esta iniciativa do Engº. Teófilo Leite, Presidente da APHP, que encerrou esta Jornada, bem viva e animada. O calor do debate final contrariou o frio cortante da beleza ímpar do Paço dos Duques e todos se reconciliaram com um jantar quente oferecido no final.

Porreiro, pá !
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sexta-feira, outubro 19, 2007

para além dos resultados mais visíveis do SIGIC



Pelas declarações públicas hoje prestadas pelo Ministro da Saúde, Correia de Campos, e pelo coordenador do SIGIC, Pedro Gomes, parece que o programa de gestão das listas de espera para cirurgia se resume ao cumprimento dum único objectivo consubstanciado já numa boa notícia, profusamente explorada desde Agosto deste ano:

“a redução da mediana do tempo de espera dos inscritos para cirurgia”.

Mesmo considerando que o publicado no Relatório do Tribunal de Contas relativo à "Auditoria ao Acesso aos Cuidados de Saúde do SNS - Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia SIGIC" se reporte, com efeito, à actividade desenvolvida num período de tempo que não entrou em linha de conta com a actividade referente ao 1º semestre deste ano (que segundo o coordenador do SIGIC -Pedro Gomes - terá sido o período de maior produtividade no âmbito do SIGIC) e sem querer agora questionar como esta redução do tempo de espera foi alcançada (o que criticamente também neste relatório do Tribunal de Contas é referenciado), algumas das conclusões e chamadas de atenção a que o TC se reporta de forma bem fundamentada, deveriam também pelo Sr. Ministro da Saúde e pelo coordenador do SIGIC ser reconhecidas como ainda não “ultrapassadas” pelo tempo e como tal plenas de actualidade, exigindo deles atenção e autocrítica e não ocultação e autismo político quando sobre elas nada referenciam (com excepção deste primeiro reparo, pretensamente resolúvel com a “consulta na hora” que mais fará aumentar a lista de espera para cirurgia).

"O acesso aos cuidados de saúde cirúrgicos encontra-se dificultado pela morosidade na marcação quer de consulta no centro de saúde quer da 1ª consulta hospitalar, pressupostos que condicionam a dimensão da LIC e os tempos de espera para cirurgia. "

"O SIGIC não conseguiu atingir, em pleno, os objectivos de universalidade e de equidade no tratamento de utentes e de rentabilização da capacidade instalada dos hospitais, não tendo influenciado, no horizonte de tempo analisado, a produção, a produtividade ou a eficiência financeira."

"Conclui-se, assim, não existir um tempo máximo de espera formalmente definido."

"Não foi, ainda, cumprida a determinação constante do Manual do de notificar os hospitais, a UCGIC e o IGIF, das desconformidades existentes nos processos de gestão dos doentes, para efeitos de aplicação de penalizações."

"A implementação do SIGIC não se traduziu numa melhor utilização da capacidade instalada, atendendo a que a “taxa de utilização do bloco” e a “taxa de ocupação de camas” diminuiu."

"Em 2005 e 2006 não foram atingidas as metas estabelecidas nos contratos programa para o internamento cirúrgico e para as cirurgias em ambulatório, pelo que não existiram limitações, por esta via, à actividade cirúrgica que impedissem a rentabilização da capacidade instalada dos hospitais."

"Não existe evidência de que o SIGIC tenha originado custos mais baixos, para idênticos níveis de actividade, qualidade e complexidade dos casos tratados, pelo que não foram detectados ganhos de eficiência financeira que possam ser associados à implementação do SIGIC."

"Verificou-se não ser possível apurar o encargo financeiro da actividade cirúrgica desenvolvida no âmbito do SIGIC pelos hospitais do SNS (SPA e EPE), em virtude de os valores facturados corresponderem a toda a actividade cirúrgica.”

"Considerando o princípio que esteve patente na criação do SIGIC, como um sistema universal que tem por objectivos, entre outros, introduzir maior controlo e transparência no processo de inscrição de todos os doentes com indicação para cirurgia, conclui-se que os utentes referenciados e intervencionados no âmbito dos acordos ou protocolos com IPSS, Misericórdias ou Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa deveriam estar inscritos na LIC."
Fonte: Relatório TC

Não chega saber o que se alcança. É necessário também saber como se alcança.
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