quarta-feira, maio 16, 2007

a frieza dos números na Saúde


O MISS – Modelo Integrado da Segurança Social, elaborado e apresentado pelo Banco de Portugal, apresenta dois conjuntos de projecções para o horizonte até 2080, que diferem quanto à inclusão ou não das principais medidas de reforma da segurança social acordadas entre o Governo e os parceiros sociais.


Não resisto a transcrever a análise fria com que esta política macroeconómica trata os campos da natalidade e da esperança de vida da população:


"A análise de sensibilidade efectuada às projecções mostra que uma recuperação da fertilidade mais acentuada do que suposto nos cenários base, melhora a situação financeira da segurança social portuguesa, mas de forma não muito expressiva.

Um pouco mais significativos são os efeitos de uma menor redução das taxas de mortalidade. Uma subida da esperança de vida inferior em cerca de metade à admitida nos cenários base levaria a uma diminuição das responsabilidades implícitas entre 23 e 38 pontos percentuais do PIB, consoante a variante considerada".Link

Assim sendo, reduzida contribuição está a dar, para a sustentabilidade da Segurança Social, a política iniciada com a reforma do Dr.Albino Aroso há mais de duas décadas atrás (e que tantos elogios tem tido) bem como os apelos ao aumento da natalidade, assim como parecem ser prejudiciais para a mesma, os esforços do actual Ministério da Saúde na criação e reforço da “Rede de Cuidados Continuados e de Convalescença” no nosso país.


Que fazer então?
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terça-feira, maio 15, 2007

resultados em saúde

Vale a pena ir até a “The Commonwealth Fund” e aqui ler o resumo dum estudo a que deram o título:
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com data de 15 de Maio de 2007 e que compara os serviços de saúde dos Estados Unidos com os da Austrália, Canadá, Alemanha, Nova Zelândia e Reino Unido, na avaliação da qualidade, acessibilidade, eficiência, equidade, mortalidade/morbilidade e gastos per capita.

E se dúvidas houvesse...

Qualidade:

"its low scores on chronic care management and safe, coordinated, and patient-centered care pull its overall quality score down"

Acessibilidade:
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"Americans with below-average incomes were much more likely than their counterparts in other countries to report not visiting a physician when sick, not getting a recommended test, treatment or follow-up care, not filling a prescription, or not seeing a dentist when needed because of costs"
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Eficiência:
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"The U.S. has poor performance on measures of national health expenditures and administrative costs as well as on measures of the use of information technology and multidisciplinary teams"
Equidade:
Mortalidade/morbilidade:
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"The U.S. ranks last overall with poor scores on all three indicators of healthy lives. The U.S. and U.K. had much higher death rates in 1998 from conditions amenable to medical care"
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Gastos per capita:
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"The U.S. health system is the most expensive in the world, but comparative analyses consistently show the United States underperforms relative to other countries on most dimensions of performance"
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Notícia em rodapé:
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em Portugal, o aumento de 0,9% do índice de preços no Consumidor (IPC) no mês de Abril, face ao mês anterior, é explicado em grande parte (80%) pelos aumentos positivos das classes das bebidas alcoólicas e tabaco (5,7%), da saúde (4,5%), dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (0,9%) e dos transportes (0,8%).
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Os cerca de 5% de aumento nos preços da saúde, devido à actualização das taxas moderadoras e à introdução de novas taxas (internamento e cirurgia de ambulatório), foram os principais responsáveis para que os serviços de saúde duma forma importante contribuíssem para o aumento da inflação homóloga de 2,4% (em Março), para 2,9% no mês de Abril. Jornal de Negócios
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Para lá caminhamos.
Ou antes...
Para isso andamos a treinar.
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o estudo sobre a Sustentabilidade Financeira do SNS com a pata de fora



Afinal o documento sobre a Sustentabilidade Financeira do Serviço Nacional de Saúde não vai "ficar na gaveta"... está escondido mas já com algo de fora...


"O ministro garantiu que o estudo não vai ficar na gaveta e justificou a demora na sua divulgação com os "importantes acontecimentos em matéria de finanças que aconteceram em Portugal nos últimos meses", assim como com o facto de esta ser uma área que envolve duas pastas: Saúde e Finanças."Público
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domingo, maio 13, 2007

Correia de Campos esconde, ARS divulga...


Enquanto Correia de Campos considera não ser oportuno (para já) fazer a divulgação (concerteza que a aplicação também) das medidas preconizadas no relatório sobre a Sustentabilidade Financeira do Serviço Nacional de Saúde, o presidente da Comissão que o redigiu, vai dando a conhecer as linhas gerais do mesmo, não vá ficar esquecido na gaveta o resultado de tanto trabalho realizado.

E fá-lo até com o patrocínio da Administração Regional de Saúde do Algarve que ao promover uma conferência sobre o tema, convidou o próprio Presidente da Comissão, Jorge Simões, para sobre ele falar.

Considerou a ARS do Algarve ter constituído esta conferência, um importante contributo para uma reflexão sobre o tema da sustentabilidade, ao abordar o conferencista a evolução recente das necessidades de financiamento do SNS (à luz do enquadramento constitucional português), ao identificar as diversas modalidades de partilhas de custos da saúde, propor alternativas possíveis e demonstrar o seu impacto na procura de cuidados e na despesa agregada.
Em declarações à RFM pode-se ficar com uma ideia do pensamento de Jorge Simões:
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Jorge Simões

Fonte RFM

Fim dos subsistemas públicos como a ADSE
Revisão do universo de isenções de taxas moderadoras.
Revisão do regime de deduções fiscais em despesas com a saúde.
Selecção económica e clínica não só dos medicamentos mas de todos os equipamentos hospitalares incluídos em áreas de inovação
tecnológica.

E na impossibilidade constitucional de poder ser criado um novo imposto, inventa-se a criação de um seguro público autónomo ou a instituição de contas poupança saúde, propõe-se um aumento de pagamentos directos e uma alteração das comparticipações asseguradas pelo SNS, sugere-se um "opting-out" para coberturas de saúde e a redução da despesa pública noutros sectores.

Terão sido estas recomendações, consideradas por Paulo Kuteev Moreira de “excessivamente economicistas”, que fizeram com que este abandonasse a Comissão antes de concluído o relatório, recomendações estas que a serem aplicadas relegariam para segundo plano ou impossibilitariam o investimento na melhoria das condições de vida e de saúde da população, não permitindo, da mesma forma, o necessário investimento por forma a adaptar os serviços de saúde à realidade das pessoas ao invés de (como actualmente acontece) continuar a “obrigá-las” a se adaptarem, elas próprias, ao sistema de saúde.
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sábado, maio 12, 2007

novo candidato a Bastonário da Ordem dos Médicos


O Dr. Carlos Silva Santos, Chefe de Serviço de Saúde Pública da região de Lisboa e professor da Escola Nacional de Saúde Pública que já ocupou cargos de direcção do Sindicato dos Médicos do Sul e do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, apresentou a sua intenção de se candidatar a Bastonário da Ordem dos Médicos.

É apoiado por um grupo de colegas que em Coimbra elaborou, no mês de Abril, um “Manifesto aos médicos” cujo conteúdo na sua generalidade transparece na entrevista que este candidato deu (publicada pelo Tempomedicina) e que pode ser lida aqui.


"O manifesto defende vários princípios e revindicações, entre as quais, a participação dos médicos, através das suas organizações representativas, em todas as questões relacionadas com a definição da política de saúde do país, e com o ensino e educação médica; a manutenção, modernização e dignificação das carreiras médicas; a sustentabilidade, reorganização e financiamento adequado do SNS, que promova o desenvolvimento pleno das suas potencialidades, o total aproveitamento da capacidade instalada, o reforço dos recursos técnicos e humanos para a melhoria da qualidade dos cuidados de saúde acessíveis a todos os cidadãos.

Os signatários consideram ainda imprescindível o investimento prioritário, em recursos técnicos, de pessoal e financeiros, em áreas estratégicas como os CSP, a saúde pública e a saúde mental, e também um modelo de gestão pública democrática, participada, racional, por critérios objectivos, competente, desgovernamentalizada que garanta a produtividade, o combate ao desperdício de recursos financeiros do SNS, a humanização dos cuidados, mas, também, os direitos e a dignidade dos médicos e do conjunto dos profissionais do sector.

A recusa dos contratos individuais de trabalho e a consagração da contratação colectiva, a completa e clara separação entre o sector público e privado, a diminuição das despesas com a saúde pagas directamente pelo cidadão, que são das mais elevadas da UE, a abolição das parcerias público-privadas para a construção de novas unidades de saúde e a manutenção da titulação única, são outras das reivindicações apresentadas no manifesto."link


Esperemos pela formalização da sua candidatura e pelo seu programa de acção.



sexta-feira, maio 11, 2007

assim não vamos lá!


Retiro do Blogue Auxiliar de Acção Médica este Post de desabafo, pleno de razão.

UM DIA CHEGAMOS LÁ…
"Quantos de nós, trabalha com profissionais de outras categorias que exercem funções há muitos anos, apenas com a 4ªclasse e alguma formação específica, sem curso superior? Ou com curso superior, recém licenciados, que não sabem prestar cuidados aos doentes, quando iniciam a sua actividade? Não é o canudo que dá a competência ou apetência para determinada profissão, não há genes específicos, escolhidos para cada categoria. Todos temos capacidades, que se desenvolvem dependendo também das oportunidades. Não queremos ocupar o lugar dos outros. Apenas o nosso! A maioria das funções por nós desempenhadas foram atribuidas por quem, agora, se recusa a admitir que as executamos, e que não temos a intenção de o continuar a fazer na clandestinidade. Queremos que todos saibam que não somos os parentes pobres da saúde. Queremos ser reconhecidos, valorizados pelo nosso esforço e pelas múltiplas tarefas que desempenhamos.Com união, trabalho e determinação, alcançaremos um dia, os nossos objectivos.
Termino com um pensamento:
"Se te entreteres a atirar pedras contra os cães que te ladram,nunca mais chegas ao fim do caminho"
Autora do texto:Elisa Leite-H.G.S.Ain BITs.g.s. de 26/02/2006 nº3


E em contraponto logo a seguir, neste mesmo blogue, encontro também este texto assinado:


ENFERMEIROS AUXILIARES?!
"Caros colegas :

Estava eu a absorver alguma informação de sites de enfermagem quando me deparo com um site em que se discutiam as leis para os indivíduos com mais de 23 anos no acesso ao ensino superior. Ora comentário para aqui, comentário para acolá, qual não é o meu espanto quando leio o seguinte post que passo a transcrever:
Para vossa informação os primeiros 6 num concurso a Auxiliar de Acção Médica no HSJ são enfemeiros recém-licenciados. E com certeza que não andaram a limpar retretes de hospitais, mas a partir de agora vão passar andar, ordenados por semelhantes seus, e vão ter muitos pontos por isto.
Por favor! Isto que não seja verdade! Porque a ser verdade lamento muito sinceramente que as pessoas se curvem desta forma!
Afinal somos ou não somos enfermeiros?! Afinal existe ou não existe falta de enfermeiros?! (segundo a nossa adorada bastonária o rácio actual não é suficiente... mas isso são outras águas). E também me custa muito lutar por uma alteração da nossa situação actual, quando tenho colegas que me colocam um pé em cima da cabeça para que me curve, porque vamos lá a ver... que respeito eu e outros colegas poderemos exigir quando temos um outro colega, com as mesmas competências profissionais de esfregona na mão?!"
# posted by doutorenfermeiro : 2/19/2007 02:15:00 PM

Mas não ficamos por aqui...
Há poucos meses atrás sobre a colocação de enfermeiros, em vez de médicos, nas viaturas de emergência médica, disse o Bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes:

«A ser verdade, é inqualificável, porque passaríamos a ter em Portugal cidadãos de primeira e de segunda no que respeita aos cuidados médicos»

Sobre este tema, a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Maria Augusta Sousa, defende que este projecto pode ser «um passo em frente» no serviço de emergência, onde, no seu entender, «ainda muito está por fazer».

Sobre o Saúde 24, diz a Ordem dos Enfermeiros:

"A Ordem dos Enfermeiros endereça ainda uma palavra de grande estima e consideração a todos os enfermeiros envolvidos no Saúde 24 - desde os responsáveis pelo serviço no âmbito da Direcção-Geral da Saúde aos 250 enfermeiros que estão a fazer o atendimento telefónico ao cidadão.
Congratulamo-nos igualmente pelo facto de o coordenador da Unidade de Apoio do Saúde 24 ser também um enfermeiro."


Enquanto que Pedro Nunes diz:

"Se o call center foi criado como um serviço complementar ao sistema de saúde, é uma boa medida mas infelizmente não é isso que, aparentemente, está a acontecer. Há sítios onde as pessoas, em vez de terem um médico, passam a ter um telefone. E os doentes não se observam pelo telefone".

E sobre a prevenção dos médicos e a presença dum enfermeiro durante o período nocturno nos antigos SAP do Distrito de Bragança, considera a Ordem dos Médicos:

"A ordem dos médicos alerta a população do distrito de Bragança para a falta de segurança do novo sistema de emergência nocturna criado pelo Governo, podendo até prever-se a morte de pessoas por deficiente assistência, tal como aconteceu recentemente no Alentejo."

a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros só achou que:

"Não nos passaria sequer, da leitura que fizemos do protocolo, que pudesse estar subjacente uma solução que passava por ter uma porta aberta com apenas uma pessoa", tendo levado esta reclamação ao Ministro da Saúde e proposto a presença de um auxiliar de acção médica o que foi aceite.

Assim não vamos lá!!!
E repito o pensamento do primeiro Post:

"Se te entreteres a atirar pedras contra os cães que te ladram, nunca mais chegas ao fim do caminho".

Se é que todos queremos chegar ao mesmo destino.


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quarta-feira, maio 09, 2007

reclamações sobre os serviços de saúde


Segundo dados coligidos pelos Ministério das Finanças e da Administração Pública, terá havido em 2006, 29.505 queixas apresentadas no “Livro Amarelo” da Administração Pública. Segundo o Diário Digital continua a ser o Ministério da Saúde “a instituição mais visada nas queixas, com valores acima dos 70 por cento das reclamações" representando uma média de 60 participações diárias.

Por ordem decrescente os motivos das queixas terão sido assim alinhados:
1. demora de atendimento
2. outros motivos
3. incorrecção no atendimento
4. negligência
5. pessoal insuficiente
6. escassez de meios
7. instalações inadequadas
8. inflexibilidade do profissional
9. incumprimento de prazos

Uma das razões justificativas para tão grande percentagem de queixas relativas à actividade do sector da saúde, segundo o Ministério da Saúde, está relacionada com a elevada procura diária pela população (cerca de um milhão) dos serviços públicos da saúde.
Uma verdade, sem dúvida.
Mas assim sendo, o que representa então uma média de 60 reclamações numa população de um milhão de utilizadores diários?

A outra será devida a uma maior consciencialização dos cidadãos de que lhes assiste um direito de reclamar pelos “maus serviços” que lhes são prestados.
Assim também deverá ser e é bom que assim seja.

Mas o que o Ministério da Saúde também deve reconhecer, é que aparte a “negligência”, a “incorrecção” e a “inflexibilidade” de alguns profissionais do sector da saúde (motivos de queixa sem dúvida importantes, passíveis de serem corrigidos e minorados por programas de formação, de educação cívica e de monitorização dentro das próprias instituições) todos os outros “motivos de queixa” são consequência directa ou indirecta da política definida pelo próprio Ministério da Saúde e da sua aplicação através da gestão praticada pelas administrações regionais e locais da Saúde.

Que não se sirva o Ministério da Saúde deste relatório, para “incriminar” só os profissionais do sector, se razão alguma existir para o fazer.

Que associe também estas reclamações às consequências negativas resultantes da privatização de serviços, da insuficiência de instalações e de equipamento ou sua modernização, da redução dos quadros de funcionários, das más condições de trabalho, da instabilidade no emprego e da falta de incentivos, de motivação e de investimento no SNS, para que de uma maneira mais "saudável" os profissionais possam exercer a sua profissão e assim melhores serviços públicos possam prestar à população.

Que associe às queixas do “Livro Amarelo”, também as queixas que diariamente duma forma organizada ou individual, vão os portugueses manifestando contra a diminuição da acessibilidade, da equidade e da oferta pública dos serviços de saúde e contra o aumento do preço destes mesmos serviços que “tendencialmente gratuitos” deveriam ser.

Em defesa da sustentabilidade, para este Governo e este Ministério da Saúde, estas queixas ou reclamações, por certo não serão para ser divulgadas em relatórios oficiais e porque escritas não são, inexistentes serão… dirão os nossos governantes.

Mas alguém tem dúvidas de que elas existem?
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terça-feira, maio 08, 2007

o trabalho que "liberta" e dá saúde


Com um colega meu (Cirurgião Geral) conversava há dias sobre a maneira como actualmente os nossos governantes gerem as suas políticas e escolhem os seus “executivos” executantes.

Comentavámos o proteccionismo que é dado a quem escrupulosamente (muitas vezes sem rigor), cumpre ou faz cumprir as directivas superiores; a quem com um profissionalismo muitas vezes dúbio, sem olhar a meios e sem a mínima consciência, contribui com a sua prática para atingir, duma maneira, "cega" os objectivos traçados nos gabinetes ministeriais ou das administrações e desta maneira cair nas "boas graças" dos superiores hierárquicos.

E a propósito conta-me ele esta história verídica e bem recente:

João, (nome fictício) doente na casa dos 50 anos, com incapacidade temporária para o trabalho há já alguns meses, é convocado para uma Junta Médica de verificação de baixa.
A ela comparece no dia 30 de Janeiro de 2007 fazendo-se acompanhar dos MCD realizados, bem como dos relatórios médicos do Médico Assistente e do Cirurgião Geral, neste caso o relator desta história.
E alertou o Cirurgião Geral, no seu relatório, sofrer o João duma neoplasia do colon inoperável, encontrando-se em fase terminal por metastização generalizada.
E assim a referida Junta Médica foi realizada.
Quatro dias depois, dia 4 de Fevereiro, é o João internado pelo Serviço de Urgência no Serviço de Cirurgia por agravamento do seu estado geral, vindo a falecer a 14 de Fevereiro em consequência da “neoplasia do colon metastizada”.
No final de Abril deste ano, recebe a viúva uma notificação da Segurança Social que avisa o já defunto, de que teria sido dado como “apto para o trabalho”, com efeitos a partir do dia 30 de Janeiro deste mesmo ano, data da realização da Junta Médica.

A associação de ideias dá para isto:

Por que “cartilha” e por que livros escolares estarão os nossos políticos e decisores a estudar para assim pensar e decidir?

"Nós acreditamos que o trabalho liberta", terá dito Paulo Portas no 1º de Maio deste ano, na Madeira.

Não fosse esta apologia hipócrita do trabalho através da frase "Arbeit macht frei" que os nazis afrontosamente inscreveram nos portões de Auschwitz, seria levado a pensar que sim, que o trabalho liberta sim, mas o Estado.
Dos gastos com a Segurança Social e não só… é um facto.

Mas desta maneira, não.

Assim como uma outra frase: “Todo o trabalho é assim: dá saúde e alegria, mormente o que se faz ao ar livre”, extraída do livro oficial de Leitura da 3ª Classe da altura do Estado Novo (por acaso o mesmo livro que considera que: “É nossa Pátria todo o território sagrado que D. Afonso Henriques começou a talhar....é o solo abençoado de todo o Portugal, com as suas ilhas do Atlântico -Açores, Madeira, Cabo verde, S. Tomé e Príncipe, as nossas terras dos dois lados de África, a Índia, Macau, a longínqua Timor”), levar-nos-ia a pensar como diz o ditado popular nela baseado que…

Se o trabalho dá saúde, que trabalhem os doentes”.

Será assim que andam a pensar os “nossos técnicos” da Segurança Social?
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segunda-feira, maio 07, 2007

histórias da saúde

Duas es(his)tórias faladas em português :):
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Os seguros de saúde com franquia tal como no seguro automóvel?
No Brasil?



Os planos de saúdes vieram para que???
O paciente está em determinada UTI necessitanto de uma droga (Xigris) e na hora da solicitação, o convênio glosa (nega) quase sempre sem justificar, e perde-se a oportunidade de dimunir a mortalidade daquela vítima da sepse me cerca se 20%.
Oportunidade sim, porque em média temos apenas 48 horas para inciar a droga de acordo com o Protocolo. Após esse período suas vantagen são incertas.Aí o convênio se manifesta dizendo que a janela já se foi, interessante que na janela não podia e depois pode só não vai ser usado porque não tem mais indicação!!!
Recorramos a liminar?!!!
Essa estratégia emergencial irá desmoronar a estrutura vigente e está sendo usada indiscriminadamente porque não se evita ajudando a médico assistente e o paciente na hora certa?
Isso não resolve a longo prazo.
O ideal seria um SEGURO de saúde que permitisse apenas terapêuticas de alto custo e não custeasse consultas e pequenos procementos. Os veículos tem seguros que não hora do maior gasto é utilizado sem questionamentos e pequenos consertos correm por conta do usuário.
Consulta e exames de rotina por conta do paciente e acinaria o seguro na hora do internamento e dos procedimentos de alto custo!!!

Melhora da qualidade de vida do profissional da área de saúde e garantia de drogas e procedimento caros para o paciente, já que o dinheiro investido seria usado com menor frequencia.
O convênio parece que trata a nos médicos como um entrave, questionando sem fundamentação nossas condutas e trata o paciente como um objeto que naquele momento está honerando o gráfico do final do ano.
O convenio que gosa e atrasa o repasse dos gastos; fecha e leva falência hospitais todos os dias.
Os odontólogos tiveram qualidade de vida até o dia em que surgiu o os convênios de odontologia... Depois disso consulta por preços irrisórios e material de baixa qualidade nas bocas desse país.
E já agora, o Saúde 24, como se de um......
objecto se tratasse. ............... .

Uma canata na bolsa
Uma propraganda que corre na cidade oferece um serviço de atendimento médico por telefone e ambulância.
A atriz diz que tem alergia e sempre que vai usar uma medicação liga para empresa que a conecta com um médico que a orienta.
Termina dizendo:
-É como ter um médico na minha bolsa!
Gente, é isso mesmo o que eu ouvi??
Já existia mulher objeto, agora temos o médico objeto também...
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Posts retirados de "O Correiro da Saúde"

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sábado, maio 05, 2007

as reformas do SNS


O Prof. José Manuel Silva, Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos, faz referencia no "TM" ao livro "Redefining Health Care. Creating Value-Based Competition on Results", da autoria de Michael Porter (especialista em estratégia competitiva e profundo conhecedor da Saúde) e de Elisabeth Teisberg e transcreve algumas "frases ideias" nele transmitidas:

1) Embora as propostas de reforma da Saúde difiram, têm isto em comum: todas examinam o sistema actual e perguntam que modificações, impostas de fora, podem efectivamente controlar os custos, que são elevados e aumentam continuamente. Esta abordagem do problema falhará, porque começa com uma falsa premissa. O objectivo do sistema de Saúde não é minimizar os custos mas fornecer valor aos doentes, ou seja, mais saúde por cada dólar gasto.
2) É necessária uma maior liderança dos médicos, agora. A única solução real para o problema nacional da Saúde é aumentar dramaticamente o valor dos cuidados de saúde prestados com o dinheiro que está a ser gasto. Isso nunca será conseguido do exterior, remendando esquemas de pagamento e incentivos. Aumentar o valor dos cuidados é algo que apenas pode ser conseguido pelos médicos.
3) A competição na Saúde é disfuncional quando cada interveniente no sistema ganha, não porque aumenta o valor para os doentes, mas porque rouba valor de outros (diminuir tempos de consulta, esmagar salários, restringir serviços, transferir custos, etc.). Nenhuma destas medidas melhora os resultados da Saúde por cada dólar gasto - de facto, muitas vezes tem o efeito inverso.
4) A competição pelos resultados (melhor saúde por dólar gasto) produziria múltiplos vencedores: os doentes, que receberiam melhores cuidados, os médicos, que seriam recompensados pela excelência, e os custos, que seriam contidos.
5) Um sistema baseado em valor fundar-se-ia em três princípios simples:
a) o objectivo é o valor para os doentes;
b) os cuidados de saúde devem ser organizados em redor de condições médicas e dos seus ciclos de cuidados, não em serviços de especialidades que obrigam o doente a percorrer múltiplos departamentos;
c) os resultados são medidos e divulgados (na cirurgia de by-pass coronário, a mortalidade em New York diminuiu 41% nos primeiros quatro anos de comunicação de resultados).

E compara estas ideias de Michael Porter, com as ideias e a prática seguidas pelo Prof. Correia de Campos nestes dois anos de governação, que se traduzem em:

"esmagar salários, restringir serviços, transferir custos para os doentes, asfixiar instituições, substituir recursos públicos por privados".
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Vale a pena ler mais, aqui

as incompatibilidades no sector da saúde



Foi publicado em DR em 3 de Maio um Despacho n.º 7921/2007 assinado por Correia de Campos que tenta esclarecer dúvidas de interpretação da leitura do Despacho de 15 de Janeiro (nº 725/2007) , relativo à "incompatibilidade do exercício de funções públicas com o exercício efectivo de funções de coordenação e direcção em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde."

E que esclarece ele?

Esclarece que as Administrações das instituições de saúde públicas devem considerar incompatívies, nos termos da lei, o exercício de funções em instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde com o exercício efectivo de funções de coordenação e direcção em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde.
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Até aqui, tudo na mesma.
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Mas recuou uma vez mais CC para criar excepções:
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Podem ser autorizadas acumulações de funções nos casos em que a aplicação deste princípio inviabilize a prestação de cuidados de saúde aos utentes, em estabelecimentos e serviços do Serviço Nacional de Saúde, faça perigar o direito à saúde e ponha em causa o interesse público, autorização esta que cessa quando tal inviabilização ou perigosidade termine.
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Ao mesmo tempo considera que a actividade médica privada praticada em consultórios individuais não é abrangida por esta incompatibilidade.
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Pois é. Assim por ora, está bem melhor.
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A seguir, terminadas as insuficiências, serão as Administrações das instituições públicas de saúde menos condescendentes e a delimitação dos sectores públicos e privados na Saúde será no futuro uma realidade.
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É para isto que este Governo Socialista e o seu Ministério da Saúde tem trabalhado.
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Como para já, os profissionais não vão chegando "para as encomendas", criam-se excepções na lei já que nem mesmo com o encerramento de serviços, a sua concentração ou entrega à exploração privada (de grupos económicos ou das autarquias), a "manta não chega para cobrir o corpo todo" uma vez que quem mais dela precisa e mais interesse nela tem, a vai puxando para si.



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sexta-feira, maio 04, 2007

assim continua o investimento privado na Saúde

.............................................................. Hospital CUF - José Mello Saúde
Jornal de Negócios Online

"A José de Mello Saúde vai investir 60 milhões de euros na criação de um novo hospital com 100 camas no concelho de Sintra, uma unidade que deverá abrir em 2011, anunciou hoje o grupo português de saúde.

A futura unidade hospitalar contará com atendimento permanente, bloco operatório incluindo cirurgia do ambulatório, unidade de cuidados intensivos, hospital de dia e mais de 30 gabinetes de consultas externas, de acordo com um comunicado da José de Mello Saúde."


Em Portugal, a José de Mello Saúde gere actualmente mais de mil camas hospitalares referentes à capacidade dos hospitais CUF Infante Santo, CUF Descobertas e Amadora-Sintra, às quais se associarão brevemente, as relativas a investimentos já a decorrer em Torres Vedras e Porto e das resultantes das PPP em fase de concurso.

Vocacionada que está para as parcerias público-privadas (Braga, Cascais e Loures), estará ela pronta também para "atacar" os "Hospitais de Proximidade" que Correia de Campos projecta ou promete construir por este país fora a exemplo da nossa visinha Espanha?

Como o Ministro da Saúde diz não ter, para já, orçamento disponível para eles, ou se fica pelas promessas ou os entrega a quem alguma experiência vai adquirindo com a construção, equipamento e gestão deste tipo de unidades de saúde.

E a JMS é um bom parceiro, ou não definisse esta empresa como seu objectivo, o de ser líder em Portugal na prestação de cuidados de saúde públicos e privados.

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quinta-feira, maio 03, 2007

as distâncias


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JN faz retrato de uma região que já foi motor económico do país e que é agora a quarta mais pobre da Europa. Última década marcada por mais desemprego, menos riqueza e menor qualidade de vida. Apatia de políticos e empresários e excessivo centralismo de Lisboa justificam cenário negro. Verbas do próximo orçamento de Bruxelas são a última oportunidade.

Falamos de Portugal...
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O que é isto?

"Since 2003, Darfur in Western Sudan has been embroiled in a deadly conflict. Several hundred thousand people have been killed or seriously injured. More than two million people have been displaced and live in displaced-persons camps in Sudan or in refugee camps in Chad; more than 3.5 million people are reliant on international aid for survival."



Desde 2003, o Darfur, no Sudão Ocidental, foi envolvido num conflito mortal. Várias centenas de milhares de pessoas foram mortas ou seriamente feridas. Mais de dois milhões de pessoas foram deslocados e vivem em campos de deslocados no Sudão ou em campos de refugiados no Chad; mais de 3,5 milhões de pessoas dependem da ajuda internacional para sobreviver.António Guterres, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados descreveu a situação no Sudão e no Chad como “o maior e o mais complexo problema humanitário no mundo.


"Deixe bem claro ao mundo que não virará a cara quando milhares de civis continuam a perder as suas vidas", e a violação e outras violências sexuais continuam a ser utilizadas como armas de guerra.»

quarta-feira, maio 02, 2007

cartas para Bastonário da Ordem dos Médicos


Depois de Miguel Leão ter formalizado, a 13 de Março, a sua candidatura a Bastonário da Ordem dos Médicos, chegou a vez de Pedro Nunes também o fazer (como esperado o era), estando prevista a apresentação da sua candidatura, para o dia 30 de Maio.
Dum movimento liderado por Carlos Silva Santos espera-se, do mesmo modo, que saia uma terceira candidatura.


Miguel Leão nasceu no Porto no dia 26 de Setembro de 1960. Divorciado, com uma filha, fez o Secundário no Liceu D. Manuel II, no Porto (…) foi vice-presidente do Conselho Nacional Executivo da Ordem dos Médicos entre 1999 e 2001. (…)
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Pedro Manuel Mendes Henriques Nunes nasceu em Lisboa no dia 17 de Março de 1954. Casado, com um filho, fez o Secundário no Liceu Pedro Nunes. (…) Já nos anos noventa entrou na Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos e em Dezembro de 2004 foi eleito bastonário da Ordem dos Médicos. (…)

Miguel Leão diz:
"Sou um defensor do Serviço Nacional de Saúde nas suas vertentes pública, solidária, humanista, que não discrimine doentes, com uma estrutura de carreiras que defenda uma diferenciação técnica dos médicos."
"Acho que o estilo e a forma de intervenção do senhor ministro não têm contribuído para a paz e serenidade do sistema. E em algumas matérias o Ministério da Saúde não tem demonstrado uma estratégia coerente. E, sobretudo, o que tem acontecido é que se fala muito antes de se fazer e muitas vezes dizer-se que se vai fazer antes de tempo. E para lhe falar em muitas áreas médicas, o senhor ministro tem andado mal."

Pedro Nunes, diz:
"Mais uma machadada no nosso Serviço Nacional de Saúde, que tem vindo a ser, aos poucos, desarticulado, apesar de funcionar muito acima do que se esperaria, com as condições existentes".
"Os médicos não aceitarão ver encerrar um serviço útil e insubstituível para uma população abandonada no interior, pelo único critério de só realizar três ou quatro atendimentos numa noite".
"Encerrar um desses serviços pode ter um violento significado para as populações que dele se servem. E os médicos não o aceitam, porque um desses atendimentos pode ser o filho único de alguém que fica sozinho, pode ser o velho que não consegue ir mais longe".
"Os médicos estão preocupados porque temem a desarticulação do SNS que, mais que a ninguém, a esta geração de médicos se deve".
"Queremos uma nova visão, semelhante à que deu origem ao SNS, ao serviço médico à periferia, aos centros de saúde ou aos hospitais distritais".

E porque se tratam de cartas iguais dentro dum mesmo baralho já usado, baralhadas estas cartas, ganha quem melhor souber jogá-las.

Será que um novo baralho, não viciado, ainda vai aparecer?



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segunda-feira, abril 30, 2007

a desorçamentação da Saúde





















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"atendendo à falta de médicos, o Governo sugeriu aos Municípios que recorram a médicos hospitalares em fim de carreira ou já reformados para que todos os municípios fiquem cobertos". Público
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Isto parece brincadeira.
Mas o resto da notícia, por certo que não o é.
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domingo, abril 29, 2007

o centro Hospitalar Braga/Barcelos

............................... maquete do novo Hospital de Braga (projecto Mello)


Segundo o Presidente do CA do Hospital de S. Marcos de Braga, a criação do Centro Hospitalar Braga/Barcelos está dependente do concurso público do novo Hospital de Braga (PPP) que se encontra em fase final de avaliação das propostas finais, dos dois últimos concorrentes seleccionados (BES e Mello). JN

Pois…
Assim se faz depender do resultado negocial dum concurso público, para uma parceria público-privada, a criação do Centro Hospitalar Braga/Barcelos.

Como dificuldades negociais continuam a existir, para tornar as coisas mais fáceis e já agora, porque não mais claras também, Correia de Campos na sua deslocação a Braga revela ter nomeado o actual Presidente do CA do Hospital de S.Marcos para passar a presidir simultaneamente ao Conselho de Administração do Hospital de Santa Maria de Barcelos enquanto que o Director Clínco passará a ser um clínco do Hospital de S.Marcos e o Enfermeiro Director o que actualmente faz parte do CA deste mesmo Hospital de Braga.
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Esta metodologia e esta escolha foram “secretamente” delineadas com a ARS do Norte, sem que o CA do Hospital de Barcelos nem membros do actual CA do Hospital de S.Marcos tivessem conhecimento prévio.

E no dia em que tal nomeação foi dada a conhecer numa sessão pública, o “nomeado” Presidente Lino Mesquita Machado afirma que com o seu assumir da presidência dos dois CA, se consegue encontrar um "modelo de articulação" dos dois hospitais.
Estranha metodologia a encontrada para este “baile mandado”.
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Primeiro, escolhe-se o mandante, a preceito.
Depois escolhe-se a música.
E os dançantes estão lá para dançar.
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sábado, abril 28, 2007

a desnatação do SNS


Pelas contas do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), entre 400 a 500 médicos deixaram o Serviço Nacional de Saúde (SNS) para se dedicarem em exclusivo ao sector privado, em 2006 e 2007.

Sobre este assunto, a opinião de Carlos Costa Almeida, presidente da Associação Portuguesa dos Médicos da Carreira Hospitalar (APMCH):

"Não é, de modo algum, de espantar que o sector público esteja a perder muitos dos seus melhores médicos para o privado. As instituições privadas multiplicam-se a olhos vistos, vindo ocupar o espaço deixado vazio pela recessão economicista imposta aos hospitais públicos. Por outro lado, o que se vai passando em muitos dos hospitais EPE não convida realmente a lá trabalhar."
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"Muitos dos conselhos de administração nomeados pelo Ministério para esses hospitais utilizaram o poder que lhes foi atribuído não em prol da instituição, mas, sim, desbaratando-o em nomeações de amigos sem a qualidade necessária e, pior, afastando dos lugares de chefia, por motivo de retaliações e pequenas vinganças pessoais, profissionais de prestígio, com provas dadas e que vinham fazendo a gestão clínica dos seus serviços o melhor possível, cumprindo e ultrapassando até o que estava contratualizado."
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"A passagem a EPE foi sentida pelos profissionais não como um «incentivo», mas como uma «punição imerecida», fruto da «desierarquização», dos cortes orçamentais constantes e do «administrativismo». A juntar a isto, preconiza-se o fim das carreiras médicas, mais um incentivo à opção pelo sector privado."

A opinião de Carloz Arroz do SIM:

"É só fazer as contas — o Hospital da Luz tem um quadro de cerca de 200 médicos, que estavam, todos eles, no SNS há dois meses. E se a estes juntarmos os quadros fixos das estruturas dos Hospitais Privados de Portugal (HPP), do Grupo Mello (mesmo sem contar com os médicos do Hospital Amadora-Sintra), e outros, percebemos que há um movimento migratório intenso que até há pouco tempo não se verificava"

"Pela natureza oficiosa dos dados, o cálculo pode estar aquém da realidade. Mas o problema maior, é que os grupos privados não se limitam a ir buscar os profissionais do SNS. Estes grupos vão buscar os melhores em cada área."

"Normalmente, os grupos privados tratam melhor os médicos do que o Estado. Aí, a formação é vista como um investimento e não uma despesa e os contratos individuais oferecem muito melhores condições do que os que são feitos no sector público; com estes, sim, temos tido problemas."

"Os grandes grupos privados da Saúde optam cada vez mais por ter quadros fixos, com médicos a tempo inteiro, e a maioria dos profissionais que decidem «dar o salto» pede a exoneração da função pública ou licenças sem vencimento."

"O que acho preocupante é o Estado estar de portas abertas a deixar sair os seus profissionais. Mas, ao encerrar serviços e ao tratar mal os médicos, é isso que o ministro quer."


E da FNAM, no seu programa de acção:
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"Na acção política que vem desenvolvendo (MS), estão presentes múltiplos aspectos reveladores da sua clara animosidade contra o SNS e as carreiras médicas, nomeadamente:

(...)Utilização do argumento justificativo da falta de médicos para o encerramento das maternidades e urgências, enquanto no último concurso de acesso às especialidades deixou cerca de 200 jovens médicos sem vaga.

(...)Tentativa ilegal de estabelecimento de um tipo de incompatibilidades tão desejadas pelos grupos económicos privados e tendentes a uma acelerada “desnatação” no SNS.

(...)Não abertura de concursos para a entrada dos novos médicos especialistas, mesmo na evidência de exaustão de efectivos a nível da generalidade dos serviços, mantendo inúmeros médicos especialistas em CIT, sem nenhum enquadramento de contratação colectiva."

E como resposta a esta realidade da saída e carência de profissionais do SNS, define a FNAM como seus objectivos:

(...) os médicos não podem continuar a ser os parentes pobres do sistema e que, para que eles possam continuar a cumprir as suas funções com dignidade, eficácia, eficiência e com elevados padrões de qualidade na prestação dos cuidados de saúde às populações, terão de estar criadas as condições estruturais, financeiras e de gestão dos recursos humanos, de acordo com padrões de dignidade e de qualidade europeus.
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(..) Defesa e melhoria contínua das Carreiras Médicas, adaptando-as à realidade actual da prestação de cuidados de saúde e do emprego médico, preservando a sua autonomia e independência técnico-científica e procedendo à sua aplicação independentemente do tipo de vínculo laboral e do estatuto jurídico da unidade de saúde.
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Recusa de medidas tendentes à parasitação dos serviços públicos pelo sector privado e da existência de situações de promiscuidade entre sectores prestadores. Nesse sentido, deve existir a definição de uma política que determine uma progressiva delimitação destes sectores.

Adequação dos numerus clausus das Faculdades de Medicina às necessidades de médicos do País.

Aplicação de uma política de recursos humanos que garanta o acesso de todos os médicos jovens à formação nas especialidades e à sua inserção nas carreiras médicas (...)."





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quinta-feira, abril 26, 2007

33 anos e um dia depois do "25 de Abril"


"Ser fiel à memória de Salgueiro Maia é dizer aqui hoje que não se pode desmantelar o Serviço Nacional de Saúde, não se pode abrir a porta a um sistema de saúde privado para ricos e a um sistema público para pobres", disse Manuel Alegre, durante as comemorações do 25 de Abril em Santarém.
Acrescentou que a melhor maneira de recordar Salgueiro Maia é não nos deixarmos «acomodar», sobretudo na defesa da «dimensão ética e social do 25 de Abril».
SOL

Entretanto…

"A população de Valença abandonou os protestos contra a exclusão do concelho da rede nacional de urgências e começou a “tratar da vida”, aderindo ao Cartão Europeu de Seguro de Doença, que lhe permitirá socorrer-se na Galiza.

Para ontem tinha sido convocada, por SMS e através de cartazes anónimos, mais uma manifestação, que seria a quinta, para exigir a instalação de um serviço de urgência básica (SUB), mas ninguém respondeu à chamada. "Eu já comecei mas é a tratar da minha vida. Já tenho o Cartão Europeu de Seguro de Saúde e, se as Urgências de Valença fecharem, vou a Tui, que fica aqui a dois passos". Primeiro de Janeiro
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Assim nos vamos "acomodando" e nos vão ensinando a esquecer a "dimensão ética e social do 25 de Abril".

Mas ainda há quem ache pouco…
Pelo menos um aviso prévio deveria ter havido.


"A comissão de peritos nomeada pelo Ministro da Saúde para fazer a reforma das urgências, não gostou de ouvir Correia de Campos dizer na rádio que vai manter aberta a urgência do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, ao contrário do previsto na proposta técnica, sem nenhum aviso prévio a quem a redigiu.
A comissão das urgências já pediu uma reunião ao ministro, na qual pretende debater este assunto, mas ainda não tem data para ser recebida. Entre os peritos há quem pondere já a possibilidade se de demitir".
TVI

quarta-feira, abril 25, 2007

as batalhas duma guerra...



Enquanto o Director Clínico do Centro Hospitalar do Alto Ave diz nunca ter recebido directivas da ARS do Norte para dar cumprimento ao protocolo assinado entre o Presidente da Câmara de Fafe e o Ministério da Saúde (ARS do Norte) no sentido de transformar o Serviço de Urgência do Hospital de S.José de Fafe (agora Unidade do CHAA) em Serviço de Urgência Básico (SUB), o Presidente da Câmara afirmou publicamente que esta transformação vai conduzir a uma “melhor qualidade de serviços à população do concelho e não só”. link

Uma certeza:
Hoje, dia 25 de Abril, data prevista para a “reconversão” do clandestino SU de Fafe em SUB, nas mesmas instalações e com os mesmos serviços de apoio (Laboratório e RX), a desempenhar as mesmas funções assistenciais está presente o mesmo número de profissionais, precisamente com o mesmo grau de diferenciação que desde sempre o Hospital disponibilizou para o atendimento urgente às populações de Fafe, Cabeceiras de Basto e Celorico de Basto, nas áreas de Medicina Interna, Cirurgia e Ortopedia.


Sendo assim, nada de novo neste dia está a ser "oferecido".

Mas para o autarca, não.
Ofereceu-se uma mudança de nome. E com esta mudança assim se “melhora a qualidade dos serviços”.
Assim também se legaliza o desde sempre “ilegal e clandestino Serviço de Urgência” da sua cidade.

“Esta batalha foi ganha”. A importante batalha da mudança de nome.

"Agora que venha a próxima batalha".
A da “distribuição de valências no quadro do centro hospitalar”, terá dito o Presidente esperançoso.
Que se informe bem o senhor Presidente da Câmara, porque ao que parece já está algo atrasado.

É que esta batalha já começou.

E começou sem aviso prévio e bem antes das suas regras serem definidas.


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Síndroma de Estocolmo

Hoje, na terceira e última conferência sobre o Modelo Europeu de Farmácia, a manhã começou com um grupo de economistas da saúde austríacas a apresentarem um trabalho sobre os nefastos efeitos da desregulamentação no mercado europeu de farmácias. Tratava-se de um estudo tecnicamente bem feito e que havia sido publicado em várias revistas internacionais de referência.Seguiram-se as intervenções dos representantes dos grupos parlamentares do PSD, BE e CDU (o CDS disse que vinha mas não veio e o PS recusou o convite):

- O PSD, pela voz do deputado Carlos Miranda, desfez-se em frases redondas para dar a sua opinião sobre o tema em debate e ficou-se com a sensação de que este partido não tem qualquer opinião sobre o assunto, optando pelo "nim" a meio caminho entre a tentação populista de bater nos farmacêuticos e a oportunidade política de aproveitar uma medida pouco fundamentada do governo PS para, mesmo concordando, encontrar qualquer coisita para criticar;

- O BE, representado pelo deputado (e médico) João Semedo teve a coragem de dar o peito às balas e assumir perante uma audiência de centenas de farmacêuticos proprietários de farmácias que considerava a liberalização da propriedade "uma boa ideia". No entanto, talvez por se sentir desconfortável na pele de apoiante de uma medida neoliberal que apenas é seguida por cerca de 30% dos países da UE (precisamente os que têm uma tradição mais liberal, como são os casos da Holanda ou Reino Unido, por exemplo), encontrou uma fórmula simpática ("uma boa ideia mal aplicada") para, mesmo assim, não concordar com o governo;

- A CDU, através de Bernardino Soares, conseguiu a primeira proeza da manhã: o mesmo homem que um dia defendeu que a Coreia do Norte é uma democracia acabou por arrancar um estrondoso aplauso a uma plateia muito pouco proletária, aliás antes pelo contrário... a CDU concorda com a ANF nesta matéria, pois entende que as legislações do tipo da existente em Portugal e na maioria dos países europeus são a única forma de evitar a concentração e verticalização do sector, que de outra forma acabará, mais cedo ou mais tarde, nas mãos das multinacionais. É evidentemente uma posição de coerência com os princípios da esquerda conservadora que o PCP representa (e que neste caso estão absolutamente correctos, como tantas vezes aqui defendi).

João Cordeiro foi regando as diversas intervenções com algumas das suas proverbiais farpas e o povo, obviamente, gostava.

"- Boa, João!" disse mais que uma vez o cavalheiro que se sentou ao meu lado.

Depois do intervalo veio Correia de Campos. A tensão instalou-se na sala e multiplicavam-se os sussurros.

Primeiro falou João Cordeiro, que de uma forma algo decepcionante, limitou-se a repetir a cassete das últimas intervenções. Nada de especialmente novo, a não ser a confrontação directa do Ministro com as queixas da ANF.

Foi a seguir que entrou em cena Correia de Campos. LINK

Ao contrário do que esperava, o MS estava visivelmente nervoso perante a adversidade da enorme audiência. No entanto, depois de ajeitar demoradamente o microfone, CC começou a falar e, de uma forma muito linear, foi directamente ao assunto. Sem rodeios ou falinhas mansas, explicou as suas razões e disse o que iria fazer.

Sob o ponto de vista técnico, o discurso foi de uma enorme fragilidade: sem arrojo para defender a sua originalidade legislativa, CC baseou-se num estudo enviezado (o da Autoridade da Concorrência, que de uma amostra de 6 países apenas analisa 2 com leis semelhantes à portuguesa e portanto inverte a proporcionalidade entre o tipo de leis) e em recomendações da Comissão Europeia (não concretizadas legislativamente e que foram alvo de grande contestação por parte de alguns países) para propor um modelo que não é defendido nem pela Autoridade da Concorrência, nem pela Comissão Europeia. No entanto, CC fê-lo com frontalidade, por cima de reacções por vezes disparatadas da audiência e, há que dizê-lo, com alguma elegância.

Foi nesse momento que senti consideração pelo político que ali estava:

CC não precisava de se ter sujeitado a esta prova, até porque já por várias vezes tinha aparecido em cerimónias públicas perante audiências de farmacêuticos. No entanto, fê-lo em nome da defesa intelectual da sua proposta.

Não creio que tenha tido qualquer sucesso em justificar o injustificável. Se existem razões para defender o modelo agora aprovado, seguramente que não serão as apresentadas pelo MS. Contudo, o simples facto do MS se ter prestado a este frete deve ser valorizado.

Aliás, a forma como João Cordeiro encerrou o debate traduziu isso mesmo: apesar de todas as guerras recentes, notei uma estranha forma de amizade entre o Presidente da ANF e CC.

Vladimiro Jorge Silva

o efervescente

25 de Abril

Algum tempo depois, assim como antes...

Agora também.

Não há bandeira sem luta, não há luta sem batalha, sim.

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quinta-feira, abril 19, 2007

esvaziar de sentido


"A responsabilização do dirigente como gestor de uma dotação orçamental é um mérito em si, pois só dando poder se pode responsabilizar. Mas o director-geral não pode ser apenas o gestor do orçamento, tem de ser também o gestor das pessoas. Porque não se pode ter a autoridade de premiar, promover e contratar e demitir-se de motivar, orientar, potenciar equipas e melhorar a produtividade. .”

Estas foram palavras escritas por Pedro S. Guerreiro no Jornal dos Negócios e que transcrevi aqui no Raio em “o gestor de pessoas onde está?”, em Março deste ano.


Referia-me à necessidade de informação e dialogo que deveria existir, por parte do indigitado e posteriormente empossado CA do CHAA, no pressuposto de que o potenciar de recursos e a melhoria da produtividade do Centro Hospitalar que à data se tinha constituído, passaria pela motivação dos profissionais de ambas as Unidades integradas no Centro Hospitalar (os Hospitais da Senhora da Oliveira e de S.José de Fafe)

Nada disto até aquela data tinha acontecido já que o “sigilo” era a palavra de ordem.
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Passaram entretanto 7 semanas e que foi feito?
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A primeira preocupação de membros do CA ou de seus “delegados responsáveis” foi, no que à Unidade de Fafe diz respeito, o esvaziamento de serviços com a transferência “abusiva” de material de escritório e a mobilização “compulsiva” de funcionários administrativos para a Unidade de Guimarães.
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Como dum parente pobre se estivesse a tratar, mostra o CA a intenção de eliminar ou reduzir ao mínimo a prestação de Serviços Complementares da actividade assistencial (Central de Esterilização, Laboratório de Patologia Clínica, para já) colocando em risco uma actuação segura e com qualidade da mesma actividade assistencial.

E quem dá estes pareceres, fá-lo sem consultar os ainda responsáveis dos serviços da Unidade de Fafe.

Falam, sem qualquer estudo prévio, em controlo de custos, mas esquecem a qualidade e a segurança dos serviços a prestar.

E quem assim decide são os profissionais a quem foi delegada pelo CA do CHAA as funções de coordenação, profissionais estes já a exercer funções no “irmão mais rico”- o ex Hospital da Senhora da Oliveira.

Acenando com a “acreditação total do CHAA” impossível de ser atingida com a anexação do “irmão pobre e velho” Hospital de S.José de Fafe, desinveste-se na Unidade, desmotivam-se os profissionais ao mesmo tempo que se aponta e retoma como solução a promessa de construção dum novo Hospital em Fafe, com 30 camas (contra as 98 actualmente existentes) que reunindo as condições para acreditação, possa contribuir para uma pretensa melhoria dos serviços prestados pela Unidade de Fafe.

Assim os autarcas ficarão contentes.

Esquece-se assim o excelente nível de qualidade assistencial, de rentabilização de recursos humanos e de gestão praticados nos mais de 17 anos de actividade do Hospital de S.José de Fafe tentando desta maneira retirar-lhe a razão da sua existência como Hospital.

Nem com o pedido expresso do corpo clínico da Unidade de Fafe, este método de trabalho incorrecto e desmotivador, prepotente e não dignificante dos profissionais da Unidade de Fafe, foi alterado.

Extracto de documento, aprovado pelos DS da Unidade de Fafe, apresentado ao DC do CHAA a 5 de Abril de 2007:

“(…)foi manifestada pelos Directores de Serviço, preocupação e reparo sobre a metodologia que foi adoptada para a integração da Unidade de Fafe no Centro Hospitalar, no que aos Sectores Administrativos, de apoio aos Serviços Clínicos e de Serviços de Instalação e Equipamento diz respeito.
Compreendendo a dificuldade e complexidade que representa a criação do Centro Hospitalar vêm de extrema importância que, neste período transitório, seja dada particular atenção a uma informação atempada, por parte dos órgãos decisórios, para uma correcta integração dos profissionais nas novas estruturas organizativas do Centro Hospitalar, enquanto o seu Regulamento Interno não for elaborado e aprovado superiormente.

(…) Qualquer proposta de alteração a ser introduzida seja dada a conhecer previamente ao Gestor do Centro de Responsabilidade da Unidade de Fafe que deverá notificar os adjuntos do Director Clínico e de Enfermagem desta Unidade, e deles recolher opinião quando interferirem directa ou indirectamente com as áreas de acção médica e de enfermagem da Unidade.

(…) Vêm como de importância relevante a elaboração dum projecto de Regulamento Interno do CHAA e a sua análise participativa por parte dos sectores profissionais, através das suas Direcções representativas, por forma a ser submetido dentro do prazo legal à aprovação superior e assim contribuir para uma estabilização organizativa interna do Centro Hospitalar. 5 de Abril de 2007".


A prepotência do “mais forte” subsiste.
O método mantém-se.
Guimarães pensa.
Guimarães decide.

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Como alguém em tempos disse:
“a memória da instituição, tantas vezes coincidente com a memória das pessoas que fizeram a instituição, tem, indiscutívelmente de ser, o menos beliscada possível”.

Assim também acho dever ser, mas nem sempre podemos exigir que a memória dos novos/antigos dirigentes, seja igual à dos elefantes.

Como também disse António Lobo Antunes:
"Os leitores são umas putas, amam-nos e depois deixam-nos."



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quarta-feira, abril 18, 2007

afinal o SU do Curry Cabral não fecha


Não fecha, porque:

"O que o Curry tem de muito bom é fazer a chamada “ortopedia a quente”, quer dizer a fractura está ainda recente e em vez de estar a arrefecer o doente e operar só daí a uma semana, faz-se a intervenção logo na hora. E isso é muito bom e isso não se pode destruir."Correia de Campos

Fonte TSF

Correia de Campos


E porque, para Manuel Delgado, "a rentabilidade da urgência e os níveis de eficiência do serviço é demonstrativo da sua qualidade".
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Diz-se o mesmo mas por palavras diferentes.
Rentabilidade para um.
Uma questão de temperatura, para outro.
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Ainda bem que assim vai ser, pelo menos até à abertura do novo Hospital de Loures.

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