quarta-feira, julho 11, 2007

serão assim tantos?

Primeira operação com anestesia pelo éter - 16.10.1846
Robert C. Hincley, 1893 - Boston Medical Library

Será o número de licenciados em Medicina que actualmente exercem actividade no nosso país, exagerado, suficiente ou deficitário?

Há os que consideram haver excesso de médicos, fundamentando esta opinião no ratio de 3.42 médicos/1000 habitantes (segundo dados da
OMS referentes a 2003) que coloca Portugal no topo a nível mundial e que, quando comparado com os restantes países europeus, apenas é ultrapassado na Europa Ocidental, pela Suiça (3.61), Itália (4.20), Grécia (4.38) e Bélgica (4.49) e por alguns países da Europa de Leste, com ratios entre 3.50 e 4.55 referidos à Rússia, Bielo-Rússia, Lituânia, Georgia, República Checa ou Bulgária.
Consideram assim estarmos francamente afastados (por excesso) do valor considerado como ideal pela própria OMS ( 2.50 médicos por mil habitantes), valor este que países como Chipre (2.34), Albânia (1.31), Polónia (2.45), Turquia (1.35), Eslovénia(2.25) e Reino Unido (2.30) não conseguem alcançar.

Há os que consideram ser a população médica suficiente mas estar mal distribuída geograficamente pelo país, alicerçando esta opinião pela constatação (objectiva ou subjectiva) da existência na Carreira Hospitalar de deficit nos Hospitais Públicos do interior (particularmente nalgumas especialidades) e o seu excesso nos Hospitais Centrais (das grandes cidades do litoral) e de uma maneira inversa, no sector dos Cuidados Primários de Saúde, quando analisam o ratio existente (tendo por base os 1500 habitantes por Médico de Família) nas regiões do interior do País quando comparadas com as do litoral.
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Mas também há os que afirmam ser deficitário, apontando como prova as contratações de médicos estrangeiros pelas Administrações Regionais de Saúde e Hospitais EPEs, realizadas para colmatar as deficiências de população médica nos seus serviços.

O que não está suficiente e cabalmente demonstrado é se este ratio é real ou sobrevalorizado baseado em registos desactualizados; qual a sua estabilidade a curto e médio prazo; qual a sua “qualidade”, isto é, a repartição do seu número pelas várias especialidades médicas; a sua relação com a sua distribuição geográfica pelas instituições de saúde e zonas do país; a fase de preparação pós-graduada em que esta população se encontra; a percentagem dos que exercem actividade duma forma activa e contínua, em exclusividade no SNS, em acumulação com actividade privada e em exclusividade na medicina privada e qual o contributo que cada uma destas formas laborais dá para a resolução dos problemas de saúde da população.

Estudo, como o realizado pela Professora Paula Santana do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Coimbra e que o Jornal “O Primeiro de Janeiro” resumidamente apresenta algumas das suas conclusões, poderá dar resposta a algumas destas dúvidas quando afirma que:

"O SNS poderá vir a ter sérios problemas a partir de 2013 devido à idade avançada dos médicos em algumas especialidades".

"Apesar de previsivelmente até 2011 não se verificarem problemas adicionais aos já existentes, relativamente aos médicos de Medicina Geral e Familiar, a partir de 2013, a geração dos 50-54 anos começa a atingir o limite de idade, sendo que este grupo representa hoje 2.729 médicos (40 por cento dos efectivos nesta carreira médica".


Que os Ministérios da Educação e da Saúde, a Ordem e os Sindicatos Médicos se sintam na obrigação de consultar, divulgar e colocar à discussão estudos como este, e porque não também incentivar a realização de outros, por forma a que as políticas de gestão dos recursos humanos, deste ou de qualquer outro sector profissional, possam ser melhor perspectivadas e geridas, definido que seja o modelo de saúde e o papel de intervenção do Estado na condução da política de saúde nacional e na sua regulação e controlo da oferta.


E já agora, porque não começar-se já a pensar que em 2017, a população portuguesa estará reduzida a 7.500.000 habitantes?



terça-feira, julho 10, 2007

fazer leis é o mais fácil...

Pouca divulgação foi dada à aprovação por unanimidade em 5 de Julho de 2007, pela Assembleia da República, da CARTA DOS DIREITOS DE ACESSO AOS CUIDADOS DE SAÚDE PELOS UTENTES DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE.

Prevê esta lei agora aprovada:
1. Que através de portaria, o MS anualmente defina e dê a conhecer os tempos máximos de espera (discriminados por patologia ou grupos de patologia) para o atendimento nos centros de saúde, nos cuidados domiciliários ou nas consultas externas hospitalares assim como para a realização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica, de internamento ou de cirurgia programada.

2. Que cada instituição de saúde prestadora de cuidados, publicamente e anualmente, dê a conhecer os seus tempos de espera enquadrados dentro dos tempos definidos pelo Governo, devendo informar circunstanciadamente os doentes da metodologia adoptada sempre que esses prazos não se verifiquem poder ser cumpridos pela instituição.

3. Que o MS apresente anualmente, à Assembleia da República, um relatório sobre a situação do acesso dos portugueses aos cuidados de saúde nos estabelecimentos do SNS, relatório que será objecto de parecer por parte da Comissão Parlamentar de Saúde.

4. O reconhecimento do direito à reclamação por parte dos doentes perante o incumprimento dos tempos de espera máximos, devendo o MS, no prazo de 180 dias, aprovar o regime sancionatório por infracção ao disposto nesta Lei.

O que ressalta de mais abrangente nesta Lei agora aprovada, para além da definição (por ora de forma gradual?) dos tempos de espera por patologia, é o alargamento às Consultas (dos Cuidados Primários às Hospitalares) bem como aos Meios Complementares de Diagnóstico e Tratamento, da monitorização desses mesmos tempos para a sua efectivação, monitorização esta que se encontrava até à data, através do SIGIC, limitada às listas para tratamento cirúrgico.

É de todos conhecido que se encontram “escondidas” nos Centros de Saúde e Unidades de Saúde Familiares, volumosas e bem atrasadas listas de doentes para serem observados pelas especialidades Hospitalares, listas que pela sua importância teriam mais que justificação para já terem sido enquadradas num programa especial de recuperação e de resolução, como já vem sendo feito para os tratamentos cirúrgicos.

Frequentes vezes chegam à Consulta Hospitalar doentes com consultas solicitadas pelos Centros de Saúde, com vários meses de atraso, em que a situação clínica que motivou o pedido se “auto resolveu” ou já teria sido observada e tratada por outros serviços, nomeadamente privados, mas que por “desconhecimento” ou por “segurança” o doente decide nela comparecer a pensar numa recidiva e assim poder ficar com “lugar marcado” ou continuar o tratamento então iniciado.

Mas da mesma forma preocupante é a ausência, na maior parte das Unidades Hospitalares, de uma triagem correctamente realizada, centralizadora e coordenada das Consultas Externas solicitadas que mesmo sem definição de tempos de espera máximos por patologia, conseguisse atribuir níveis de prioridade, analisadas as informações clínicas (quantas vezes ininteligíveis, escassas ou ausentes) e os exames subsidiários solicitados pelos médicos assistentes (que na maior parte dos casos, só acompanham o doente quando à consulta chega ou já estão “fora de prazo”).

Será na perspectiva da solução de parte destes problemas que o ALERT P1 está a ser instalado nas instituições prestadoras de cuidados e já a ser aplicado nalguns CS e HH públicos, software que contempla a definição de prioridades para a marcação de consultas em função de critérios clínicos protocolados e que simultaneamente permite uma avaliação em tempo real de todo o processo que medeia desde o pedido, à marcação e à efectivação da Consulta, fazendo ao mesmo tempo uma gestão dos recursos humanos e técnicos disponíveis na instituição.

Uma excelente ajuda este ALERT P1 poderá dar à implementação desta CARTA DOS DIREITOS DE ACESSO AOS CUIDADOS DE SAÚDE PELOS UTENTES DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE agora aprovada.

Mas se a Lei 27/99 (Programa especial de acesso aos cuidados de saúde) aprovada pela mesma Assembleia da República, obrigava o Ministério da Saúde a informar a Assembleia do estado das listas de espera para cirurgia de dois em dois meses (o que nunca terá sido cumprido por este e pelos anteriores Governos) será que estas palavras de Carmen Pignatelli,

"Fazer leis é o mais fácil … o difícil é implementar"

"Conseguem imaginar o esforço que vai ser necessário para pôr estes sistemas em marcha no terreno? São milhares de pessoas que vão ter de passar por formação"

quando se referia à "complexidade" inerente à implementação desta Carta e a só dispor o Ministério da Saúde de 6 meses para a regulamentar, prenunciam alguma intenção?
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segunda-feira, julho 09, 2007

tal como na saúde...

Serão necessárias provas melhores para demonstrar que opções por planos ou projectos, fundamentados em longos e aprofundados estudos prévios, analisados e testados como que por controlo à distância em agradáveis gabinetes e que finalmente são colocados à “discussão pública exaustiva” sob a forma de relatórios muito bem elaborados por credíveis e experimentados peritos, podem conduzir a catástrofes?




Mas há quem considere o contrário... já que isto só prova, no terreno, de que a OTA oferece condições ideais para lá ser construído um Aeroporto Internacional.


domingo, julho 08, 2007

a que irá conduzir o "degelo"?

A Gronelândia já teve florestas e borboletas

A Gronelândia (Terra Verde) merece afinal o seu nome. A investigação de núcleos de gelo, de uma equipa internacional que acaba de publicar as conclusões na revista Science, revelou rastos de ADN de borboletas e de traças que habitavam numa floresta de pinheiros e abetos. A ilha era verde há 450 mil anos e o material genético recuperado poderá ser o mais puro e antigo jamais visto.
DN
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E agora, muita água.
Mas gelo (ainda) muito também...

Ordem do Norte quer investigar bastonário (da "Ordem do Sul")
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O Conselho Regional do Norte emitiu ontem um comunicado saindo em defesa do médico do Porto, Miguel Leão, depois de a estrutura nacional da Ordem ter votado a favor da apresentação de uma queixa-crime no Ministério Público contra aquele clínico, por uso indevido de dinheiro do organismo para despesas com a sua campanha às eleição de bastonário. Os dirigentes do Norte contra-atacam e anunciam que querem ver investigadas também as despesas feitas pelo próprio bastonário, Pedro Nunes, bem como os restantes órgãos da OM, do Centro e do Sul. DN
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sexta-feira, julho 06, 2007

uma história real



"Quando depois do almoço com a família, em casa, acabava de arrumar a cozinha, eu e os meus filhos ouvimos um enorme alarido que vinha dum aglomerado de casas umas boas três centenas de metros daqui.
Eram gritos de pessoas e um apitar de buzinas de automóveis e de uma sirene de ambulância que, da zona onde sabia viver o senhor António (nome fictício), me chegavam aos ouvidos.

Da janela de minha casa adivinho, pela estrada estreita que passava por entre casas e quintais, uma ambulância que a subia a toda a velocidade.
Ficamos todos atentos e os meus vizinhos, que entretanto pelo grande alarido também foram despertos, comentam de que “não deve ter sido acidente porque não ouvimos qualquer barulho”.

Porque finalmente a ambulância parou junto da casa do senhor António, um senhor octogenário, paralisado e acamado há 5 meses por uma hemorragia cerebral, pensamos:
Sim deve ter sido para ele o socorro pedido. Talvez quem sabe, tivesse falecido…

Dez minutos depois, ainda nós comentávamos a infelicidade do idoso e a situação em que ele e os seus familiares se encontravam, quando novo alarido daquela zona se ouve, ao mesmo tempo que outra ambulância ainda afastada, se aproxima do local a grande velocidade.
Tememos que um acidente grave tivesse então ocorrido, pelo que a nossa curiosidade nos fez ir até lá ver o que se estava a passar. A correr, rapidamente lá cheguei com mais duas vizinhas minhas, atravessando os campos duma quinta nas traseiras de minha casa. E quando lá chegamos, vejo um bombeiro muito descontraído, no meio da rua, de luvas calçadas, chamando a atenção das pessoas que por ali já estavam, para um jipe dos bombeiros que se aproximava a abrir caminho para um carro do INEM que nessa altura também chegava.

Acidente não teria sido, mas sim um agravamento do estado de saúde do Sr. António, como muito preocupada uma sua vizinha nos contou.

E assim todos nós confirmamos e nos afastamos do local, enquanto a ambulância com o octogenário seguia à frente em direcção ao Hospital, logo seguida pelo carro do INEM e do jipe vermelho dos Bombeiros da vila perto da aldeia onde vivo.

E comentava eu com as minhas vizinhas:
Quanto não estaremos nós a gastar com tudo isto?

Há cerca de 10 anos, o meu irmão de 40 anos, quando vivia na Alemanha, teve um enfarte do coração. Chamaram uma ambulância a casa que rapidamente lá chegou. Durante o transporte até ao Hospital mais próximo, precisou de ser reanimado, porque parou de respirar, e pelo que me contou a minha cunhada, não teria havido tão grande aparato como este de hoje.

No dia seguinte, hoje, vim a saber que o Sr. António está internado no Hospital da cidade e que ainda respira…
Afinal valeu a pena, mesmo com todo aquele aparato.
contador da história identificado


Esta é uma história real, posso afirmá-lo, que assim me foi assim contada ontem.

E como esta, quantas mais diariamente ficarão por contar?

Assim como para contar haveria tantas outras que infelizmente já sucederam e por certo com mais ou menos frequência continuarão a suceder, nas quais a resposta dos serviços de saúde públicos de emergência (INEM) não se fez ou faz sentir com a mesma rapidez ou com a mesma disponibilidade com que neste caso, ao que parece, se fez sentir - salvaguardadas as proporcionalidades em termos de gravidade das várias situações, quantas vezes sub ou sobrevalorizadas pelos vários intervenientes.

Lembrei-me, a este propósito, de procurar no Relatório de Primavera 2007 algo que me pudesse esclarecer.

Algo que os colaboradores do OPSS tivessem eventualmente proposto ao analisarem a rede de emergência pré-hospitalar, já que muitas “luzes e sombras” também têm existido associadas ao plano de reestruturação da rede de urgências, ao encerramentos de SAPs e a esta rede de emergência.
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E… praticamente nada encontrei sobre este importante sector assistencial, ao folhear as perto de 200 páginas deste Relatório.


Como lá é dito, “a imagem de encerramentos e a percepção de retracção dos serviços públicos e da protecção social na saúde” ter-se-á devido ao facto do processo de reestruturação, intervenção e requalificação das infra-estruturas de saúde se ter iniciado duma forma “muito fragmentada e não inserida numa visão global das infra-estruturas locais públicas”.

Sim, mas não só no campo dos cuidados primários, hospitalares e continuados como também no campo da emergência médica na qual o Instituto Nacional de Emergência Médica é parte imprescindível. E o nosso Ministério da Saúde bem como o OPSS a ele deveriam ter dado a devida atenção em igualdade à que é dada ao financiamento do SNS, aos cuidados de saúde primários, à rede hospitalar, à espera cirúrgica, à Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, às Farmácias e aos Medicamentos.

Para além dumas veladas críticas ao se ter dado “inicio à reestruturação da rede de urgências sem se começar pela implementação dos Serviços de Urgência Básica” e a uma “deficiente gestão da comunicação com as populações por parte do Ministério da Saúde no processo de encerramento dos SAP e das urgências hospitalares, acompanhada por processos de decisão onde, por vezes, fica a impressão de que as questões técnicas podem ser relegadas para segundo plano”, nada sobre como está a ser desenvolvido o plano estratégico de implantação nacional do INEM, seus constrangimentos e sua capacidade instalada, o funcionamento do CODU, o papel da rede nacional de Bombeiros, o funcionamento das redes de referenciação de doentes agudos, as acções de formação dirigidas para a população para correctamente utilizarem os Serviços de Emergência, nada disto parece ter sido considerado importante ser analisado,

E se este sector parece não estar a ser entendido pelo Ministério da Saúde como uma “prioridade política”, devê-lo-ia ter sido entendido como tal, pelos colaboradores deste Observatório dando-lhe, no seu Relatório, a importância que ele deveria merecer.

Porque neste sector particular também a “pouca sensibilidade social” também se tem feito sentir.
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quinta-feira, julho 05, 2007

as Carreiras Médicas

Primeiro transplante renal em 22/12/1954. Joel Babb, 1996 The Harvard Medical Library, Cambridge, U.S.A


Há dias em “O SIM vai de férias? ” comentava o facto de um sindicato médico, em particular o Sindicato Independente dos Médicos, ter recusado o convite da Ordem dos Médicos para participar numa reunião juntamente com a Federação Nacional dos Médicos, para análise e discussão das Carreiras Médicas.

Foram na altura dados a conhecer os quatro argumentos link que Carlos Arroz, dirigente do SIM, utilizou para justificar tal atitude do seu sindicato:

1. “ser tarde de mais”
2. “ter falta de confiança na FNAM”
3. “Não lhe parecer oportuno os parceiros médicos darem o sinal de que estão muito ansiosos”
4. “Não querer favorecer nenhum dos candidatos a bastonário”

Considerei estranha esta atitude de Carlos Arroz de afastamento (que não de boicote, já que a referida reunião ter-se-á realizado) da discussão de tão importante diploma que se impõe rever e que está nas perspectivas não só do Governo como também (pelo menos deveria estar) de ambos os Sindicatos e da Ordem dos Médicos.

O nomear das reais intenções desta tomada de posição, por parte deste dirigente sindical, reservo-o para os que objectivamente desejam que a falta de motivação e de unidade dos médicos exista, esfumando-se assim uma oposição activa à perspectiva de destruição ou extinção das Carreiras Médicas como parte parte integrante e garante da qualidade do exercício profissional médico no âmbito dum Serviço Nacional de Saúde "social", forte e competitivo que se deseja.

Será que alguém pretende excluir ou não ver contemplado o que no preambulo do Decreto-Lei 73/90 de 6 de Março é apontado como tendo sido este diploma das Carreiras Médicas o “resultado do diálogo com organizações representativas dos médicos, revelando a eficácia do espaço de comunicação criado pelos mecanismos legais de negociação e participação”?

Será que pretendem alhear-se de contribuir com “propostas de alteração, objecções e comentários, de natureza substancial e formal”?

Ou será que já não entendem serem as Carreiras Médicas importantes como garantia de “incentivo e transparência ao exercício da profissão médica no Serviço Nacional de Saúde, para além de propiciar maior e melhor aproveitamento das instituições e dos seus recursos e que contenha clareza de princípios e de normas”?

Como diz o Prof. José Manuel Silva só me resta com ele corroborar em “Um profundíssimo lamento

“Desejável seria, de uma vez por todas, que os dirigentes das várias associações médicas soubessem definir uma condigna escala de prioridades, transmitir uma verdadeira imagem de união e identidade, e trabalhar em conjunto pelo benefício do colectivo, a única forma de fazer frente aos inimigos dos médicos, da qualidade e independência técnica e deontológica da Medicina e da nobreza, coerência e pendor social do Serviço Nacional de Saúde. Mais do que essencial, é vital que assim aconteça!”
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quarta-feira, julho 04, 2007

relatório de Primavera 2007 (II)

Fonte: RR



O Governo “não fala mais das taxas moderadoras” Carmen Pignatelli

Está tudo dito...
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P.S. Mas não resisto, às 23:00 horas a colocar isto aqui....

no local apropriado...

Carmen Pignatelli

relatório de Primavera 2007

RELATÓRIO DE PRIMAVERA 2007

Hoje, pelo que tenho lido na imprensa diária, finalmente vou concordar com alguma coisa.

Mas esta concordância reporta-se, não a nenhuma medida proposta nem a nenhuma crítica hoje aceite pelo Ministério da Saúde, mas ao conteúdo genérico de um Relatório sobre o actual estado da Saúde no nosso país, elaborado pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde.



O DOCUMENTO FOI HOJE APRESENTADO:


Taxas moderadoras
Encerramento de SAPs
Reestruturação da Rede de Serviços de Urgência
Listas de Espera para Cirurgia
Unidades de Saúde Familiares
Cuidados Continuados
Política do medicamento/Farmácias
Saúde Pública
Preocupação social
Contenção orçamental

(...) link




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AS MUDANÇAS PARA AMANHÃ:

Aguardam-se ou esquecem-se?





terça-feira, julho 03, 2007

a sustentabilidade do SNS, certa ou errada?

tereza costa rego


"A dívida do Serviço Nacional de Saúde aumentou 14,6 por cento em 2006, para os 1,1 mil milhões de euros. Já o prazo de pagamento aos credores subiu para 3,8 meses, segundo a Conta Geral do Estado.
De acordo com o relatório de finanças públicas hoje divulgado pela Direcção-geral do Orçamento e citado pela «Lusa», a dívida do SNS cresceu 147 milhões de euros, embora este valor possa estar enviesado porque os dados não se encontram consolidados (pode haver algumas duplicações de dívidas).
A maior componente dessa dívida é relativa a «outros credores», entre os quais se encontram as dívidas às administrações regionais de saúde, às farmácias e aos médicos e serviços convencionados, num total de quase 793 milhões de euros."
Agencia Financeira
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Preocupante é esta citada dívida, assim como pouco preocupantes seriam as palavras de Correia de Campos ao dizer que relativamente à situação financeira do SNS, este será o terceiro ano consecutivo que, com praticamente o mesmo orçamento nominal (e menor orçamento real), iremos cumprir boas contas, sem pôr em causa a qualidade dos cuidados de saúde. Tal tem sido conseguido com uma gestão muito exigente, e rigorosa, que é essencial à sustentabilidade do SNS” CC a 22-06-2007 em “Que sistema de saúde para Portugal”- Portal da Saúde.
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... não se sabendo que, na senda da estratégia já habitual deste governo, com a divulgação desta insuspeita análise (porque de governamental se trata), assim se prepara a opinião pública para a inevitabilidade de no futuro virem a ser aplicadas as medidas apontadas no Relatório para a Sustentabilidade do SNS.
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Ou deveremos nós confiar nesta outra "análise/afirmação" de que "o Governo reitera que a actual situação financeira do SNS é equilibrada e que, durante o seu mandato, não vai criar um novo imposto ou efectuar alterações às isenções das taxas moderadoras, que abrangem 55 por cento da população" ? Portal da Saúde 08-06-2007
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Em que ficamos então?
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segunda-feira, julho 02, 2007

contradições

Para além das gafes ou dos lapsos… as “políticas cegas de comparticipação" de vacinas e os seus custos não fazem parte dos planos deste governo …



Assembleia da República, 18 de Junho de 2007
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Mas...
Os benefícios fiscais custaram 910 milhões de euros ao Estado no ano passado, menos 21.4% que em 2005. RFM

E o Estado também perdeu mais de 500 milhões de euros em 2006, em dívidas fiscais prescritas, mais de metade delas em sede de IVA. RFM


Que raio de saúde a nossa…
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os sistemas de informação na saúde

Foto de Zifra


Um relatório do Ministério da Saúde (MS) revela que os doentes com cancro esperam em média por uma cirurgia 3,5 meses, que chega a atingir mais sete meses em dois hospitais do país. Os autores dizem que os casos deviam ser resolvidos em 15 dias e propõem que as cirurgias, em vez de se realizarem em 76 hospitais, passem a ser feitas em apenas 20.
Contactada pelo PÚBLICO, a secretária de Estado adjunta da Saúde, Carmen Pignatelli, diz que desde que recebeu o relatório o tempo de espera para estes doentes já decaiu. "Alertámos os hospitais e neste momento o tempo médio de espera é de 1,4 meses", defende a secretária de Estado. Em apenas alguns meses? "Os hospitais já estão a alterar comportamentos e serão alvo de auditorias aos procedimentos."
Público



A saber:

Relatório solicitado pelo MS ao SIGIC (desconhece-se quando), é entregue em Março de 2007 e reporta-se a dados referentes a Outubro de 2006 (atraso de 6 meses) …

A ser verdade que o tempo de espera médio para a resolução cirúrgica de patologias do foro oncológico tão rapidamente se tenha reduzido de 3,5 para 1,4 meses, é de louvar o esforço das equipas de profissionais que para isso contribuem.

Assim sendo, pela base assim cai a credibilidade dos relatores, ao proporem no seu relatório que as intervenções cirúrgicas oncológicas “em vez de se realizarem em 76 hospitais, passem a ser feitas em apenas 20”.

Estaremos perante uma “mania” (na continuidade das Maternidades, dos Serviços de Urgência e dos Centros Hospitalares) ou uma intenção deliberada de ”propor, só por propor” para deste modo ir abrindo caminho (pretensamente fundamentado e porque duma opinião de “peritos” se trata) a mais encerramentos ou impedimentos, sem que alternativas sólidas sejam acauteladas, considerando só a economia de custos e o (não provado) acréscimo de qualidade técnica dos serviços a prestar, esquecendo-se de que a um tratamento oncológico, como tratamento multidisciplinar considerado, atenção particular deve ser dada, neste caso também, à distância geográfica, mesmo que para isso custos associados possam estar envolvidos.

Por certo que estes factores são passíveis de serem avaliados pelos actuais registos informáticos do SIGIC.

Estranho é que as onerosas actuais ferramentas informáticas do SIGIC e a suas numerosas equipas de profissionais nele envolvidas, local e centralmente, demorem 6 meses a fornecer ao MS dados referentes a pouco mais de 4000 doentes inscritos em Outubro de 2006 e a tal conclusão e proposta de actuação (se é que mais algumas houve) tenham chegado.

Recorda-se que na tentativa de resolver este problema da celeridade da informação, o MS terá já investido 2,5 milhões de Euros só para dar continuidade ao investimento nas ferramentas informáticas que foram adquiridas em 2004 e 2005 no âmbito do SIGIC.

Alguém está a lucrar com este investimento.
Para já, o Ministério da Saúde e os doentes não estão certamente.





sábado, junho 30, 2007

jobs for the boys na saúde

foto de James Hicks
Depois de Vieira do Minho...
Neste caso, nada a dizer…(?)
Muda o Conselho de Administração, mudam os colaboradores, claro.
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"Horácio Barra ocupa, há menos de um mês, o lugar de Consultor Jurídico do Hospital de Barcelos.
O presidente da Comissão Concelhia do Partido Socialista foi empossado no dia seis de Junho, cerca de um mês depois de o novo Conselho de Administração do Hospital de Barcelos (EPE) ter tomado posse.
O lugar anteriormente ocupado por um advogado com escritório no Porto foi entregue a Horácio Barra no início deste mês, a convite do próprio Conselho de Administração (CA) do Santa Maria Maior. Em apenas um mês, Lino Mesquita Machado já conseguiu colocar ao serviço da unidade hospitalar, em lugar de destaque, o responsável do Partido Socialista (PS) local.

O presidente do CA, ouvido pela Voz do Minho, recusa a ideia de “favorecimentos” e garante que agiu no “interesse do Hospital”.
Certo é que Horácio Barra foi um dos dois barcelenses que esteve ao lado do ministro da Saúde no dia em que Correia de Campos anunciou os nomes que viriam a integrar o CA do Hospital de Barcelos. Recorde-se que o anúncio foi feito em Braga, a 27 de Abril, no dia em que se comemorava o Dia do Hospital de S. Marcos e que Horácio Barra e Manuel Mota foram os dois barcelenses convidados para a cerimónia. A Voz do Minho

Para recordar:
Nos finais de Abril, Correia de Campos comunicou a exoneração do CA do Hospital Santa Maria Maior, EPE, de Barcelos tendo a ARS do Norte escolhido para seu presidente, o actual presidente do CA do Hospital de S.Marcos, SPA, de Braga, assim como para Director Clínico e Enfermeiro Director, respectivamente, uma médica de Medicina Interna deste mesmo Hospital de S.Marcos e o enfermeiro que fazia parte do CA do Hospital de Braga (tudo “malta de confiança").
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Em Barcelos, há advogados "competentes" para escolher e nomear... médicos e enfermeiros com os mesmos atributos é que não.
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Daí que se compreenda a tarefa difícil com que a nova Directora Clínica se depara na procura de "voluntários" para ocupar os cargos de direcção dos serviços clínicos, que da mesma forma pretende renovar.
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sexta-feira, junho 29, 2007

para memória futura

Foto retirada de "Saude da Beira Interior"

XIU.......


"Faça como o ministro e desapareça daqui. Fuja, está num SAP". A frase, escrita junto de uma fotocópia de uma entrevista publicada no JN, em que o ministro da Saúde dizia que nunca iria a um serviço de atendimento permanente por falta de condições, é de autor desconhecido, mas motivou o afastamento da directora do Centro de Saúde onde foi afixada, em Vieira do Minho. Por não ter procurado averiguar quem e por que fez aquilo, violando "o dever de lealdade com o ministro", justifica a Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN). JN

As declarações:

O DEMISSOR CONHECIDO

Dr. Correia de Campos

O NOMEADO SEM QUERER

Dr. Ricardo Armada


O AUTOR DESCONHECIDO

Dr. Salgado Almeida

O DEMITIDO A SABER

Drª. Celeste Conceição



XIUUUUU.....
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Como é possível?

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pressa de justificar o quê?



Algo estranho e confuso se passa com a informação prestada aos cidadãos nos Portais do Governo e da Saúde que a pressa não pode justificar.

Isto porque no Portal do Governo é apresentada uma nota do Gabinete do Ministro da Saúde sobre o Crescimento da Consulta Externa e Cirurgia em cinco especialidades nos Hospitais do SNS-2004-2006”, fazendo o encaminhamento para um documento em formato
PDF com 57 páginas e 310 KB.

Aberto este documento aparece apenas uma única página com duas tabelas referentes ao estudo realizado sobre Consultas e Intervenções Cirúrgicas dos referidos Hospitais.

Na esperança de melhor informado ser, fui até ao Portal da Saúde e aqui encontro a mesma nota do Gabinete do Ministro com as mesmas tabelas anexadas que completam 3 páginas (e não 57) no mesmo formato de documento (PDF) . Nota - Crescimento da Consulta Externa e Cirurgia em 5 especialidades nos Hospitais do SNS - 2004-2006 - Adobe Acrobat – 34 Kb

Esquecendo estes lapsos, que qualquer um tem, algo confuso deve estar o Gabinete do Ministro da Saúde, já que o que esta nota pretende contradizer é a existência duma diminuta produtividade das “especialidades referidas na comunicação social como sendo alvo de crescente privatização”.

Louva-se a atitude do Ministério da Saúde em nos manter informados sobre como está o nosso SNS.

Assim sendo:

“Entre 2004 e 2006, as consultas hospitalares, para o total do SNS, cresceram 9,8%, com as 1ªs consultas a crescerem 8,8% nesse período”.

Mas… como a nota também o refere, parece que nas especialidades alvo da “cobiça dos privados” e do “abandono por parte do SNS”, estes mesmos indicadores apresentam valores inferiores aos da média geral do SNS e como tal assim parecem comprovar o que a acusada “comunicação social” tem referenciado.

Já na avaliação da evolução do crescimento das intervenções cirúrgicas, aqui, sim nada abona a favor das notícias publicadas, já que nas quatro especialidades alvo de cobiça se “verifica um aumento da produção do SNS no período, e superior ao da média do SNS (excepto para o caso particular da obstetrícia): Oftalmologia com 13,7% nos 2 anos em análise, Ginecologia/obstetrícia com 6,7%, Estomatologia com 24,3% (mas um número total de IC muito reduzido) e Ortopedia com um crescimento de 11,9%.”

Bom seria que nos fossem fornecidos dados referentes à produção normal e à produção acrescida realizada no âmbito do SIGIC e saber qual foi, destas duas produções, a que mais contribui ou contribuiu para esta evolução modestamente positiva de crescimento do número de intervenções cirúrgicas.

É que à mulher de César não basta ser….
Ou terá sido só a pressa de justificar?.


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quinta-feira, junho 28, 2007

medicamentos fora de prazo, não... os outros, sim


"Medicamentos fora de prazo não são utilizáveis para ninguém e portanto não podem pensar que algum dia eu pudesse pensar nisso." Correia de Campos


Correia de Campos - TSF

Claro que sim.
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Não estava nem estou a ver um Ministro da Saúde pensar e muito menos propor que medicamentos fora de prazo pudessem ser “dados aos pobres”.
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O que não entendo, isso sim, é que este mesmo Ministro da Saúde, aponte como solução a “oferta aos pobres” dos medicamentos que ainda dentro do prazo se encontrem.
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Preocupado que está com o desperdício no SNS e consciente de que tal como ele “toda a gente sabe que há desperdício de medicamentos”, esperar-se-ia se uma outra tomada de posição pública de um Ministro de um Governo que se afirma pretender governar.


Ao invés de arranjar pequenos remédios para grandes males, esperar-se-ia a aplicação de grandes remédios para grandes males.

E estes “grandes remédios” não serão por certo “dar aos pobres” o que outros não consomem ou são obrigados a não consumir, mas sim diminuir a possibilidade de que a “gaveta da mesa de cabeceira ou da cozinha” de medicamentos excedentes ou fora de prazo fique cheia.

Mais lógico me parecia que Correia de Campos dissesse que estaria a pensar:
Aplicar o disposto no Artigo 47º do
Decreto-lei 235/2006

Artigo 47.º
Dispensa de medicamentos em unidose

1 - As farmácias instaladas nos Hospitais do Serviço Nacional de saúde podem dispensar medicamentos ao público em unidose.

2 - A dispensa de medicamentos referida no número anterior é regulamentada por portaria conjunta dos membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia e da saúde.

3 - Aos medicamentos destinados à dispensa em unidose nas farmácias instaladas nos hospitais do SNS não se aplica o disposto no artigo 104.º do DL 176/206 de 30 de Agosto. (necessidade de rotulagem e de folheto informativo a fornecer ao doente)

às farmácias de todo o país (mas com necessidade de rotulagem e de folheto informativo a fornecer ao doente);

Alternativamente, introduzir no mercado “embalagens contendo as unidades ajustadas às necessidades terapêuticas mais comuns, obrigando a Indústria Farmacêutica a produzi-las, as Farmácias a dispensá-las e os médicos a prescrevê-las”.
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Criar e obrigar a aplicar um Formulário Nacional de Medicamentos do Ambulatório do Serviço Nacional de Saúde, contemplando receituário "agudo" e "crónico".
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E porque não também, já agora, como diz o
Efervescente, “agora que os Relatórios secretos estão na moda, alguém sabe o que é que aconteceu ao trabalho do Infarmed sobre desperdício de medicamentos?”

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"cão de parar" bem português



Retirei do Movimento de Utentes da Saúde este comentário lá publicado em 14 de Fevereiro de 2007 que ainda bem a propósito e com plena actualidade aqui transcrevo.

Aconteceu!

Inúmeras vezes me tenho perguntado se, nessas famigeradas comissões técnicas que pululam nos gabinetes governamentais, não existirá gente sem "tapa-olhos" laterais.
Eminências pardas, que debitam asneira acima da velocidade do som porque, tantas vezes, ainda os ministros não peroraram as suas diatribes televisivas e já essas "máscaras" passaram pelo nariz do "pagode" os seus dedos em riste. Então nos "ministérios da doença" e da "deseducação" é fartar vilanagem. Ainda se, ao menos, fossem simpáticos(as) como a menina do gaz...
Pois, o sr. Paulo Kuteev Moreira, um dos peritos da (horrivel!) Comissão para a Sustentabilidade do Financiamento do Serviço Nacional de Saúde, vulgarmente conhecida por CSFSNS (veja-se a quantidade de S's da sigla! Como é que aquilo pode fazer algo de direito?) resolveu bater com a porta e apontar una centelhazinha de humanidade que, parece ser predicado inexistente no currículo daqueles personagens.
"Distanciamento conceptual em relação às ideias e consequentes recomendações para a sustentabilidade do SNS" é a razão da demissão. Por outras palavras mais simples: o senhor, afinal, não vê só cifrões e teve um rebate de consciência.
Ainda bem!Mas, para ter chegado a este ponto, e depois de ter participado na "desgraça" que já foi feita até agora, quão pesada e sinistra deve ser a "refeição" que ainda está para nos ser servida pelo "ministério da doença"!
É isto que me assusta.
Quando um técnico (?) escolhido atinge o limite da resistência e sai borda fora é porque estamos mal e ainda pior vamos ficar.
Mas... alegrai-vos oh pacientes!"Água mole em pedra dura, tanto dá até que fura" e parece que o "muro", que eles querem fazer crer ser monolítico, abriu uma brecha. Uma e talvez pequenina, mas abriu! Isto quer dizer que vale a pena lutar, deixar as "pantufas" em casa e resgatar o Serviço Nacional de Saúde, para TODOS, às garras deste neoliberalismo bacoco.
Jorge Loureiro

E se dúvidas sobre o relatório existiam na altura da demissão de Paulo Kutev da famigerada Comissão de Peritos, elas, ao longo das semanas se iam desvanecendo e se iam tornando conhecidas e confirmadas por declarações na imprensa e exposições em conferências públicas, do próprio presidente da Comissão e por afirmações de intenção proferidas por Correia de Campos, prontamente desmentidas por José Sócrates, tão perigosas se mostravam ser para a modelagem da opinião pública.
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“Ameaçado” pelos seus próprios camaradas de partido e por toda a oposição, Correia de Campos sente-se aparentemente obrigado a publicar o relatório que há uns dias atrás dizia não o fazer, por não ser o momento oportuno.
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Estratégias diferentes reveladoras de divergências, ou uma estratégia única e bem definida, simuladora de indefinição e de incoerência, para atingir um objectivo único?

O de preparar, parar, recuar, para depois atacar, qual “cão de parar” do tipo perdigueiro português.
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quarta-feira, junho 27, 2007

sem ideias...


“Uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de S. Mamede de Infesta, Matosinhos, esteve retida, ontem de manhã, no parque de estacionamento do Instituto Português de Oncologia (IPO) durante quase duas horas por causa de 15 cêntimos. JN


Tal retenção deveu-se ao facto da referida ambulância ter ultrapassado o período de 30 minutos grátis de estacionamento e os bombeiros não terem dinheiro disponível para pagar os 15 minutos que excederam o referido período grátis.
A assessora de Comunicação do IPO considera que os 15 cêntimos exigidos pelo estacionamento é bastante inferior ao valor pago pelo Instituto Português de Oncologia do Norte aos bombeiros, pelos serviços de emergência prestados (pudera…).

Solução da Assessora de Comunicação do IPO:
Saía a ambulância do parque de estacionamento do IPO, dava a volta ao quarteirão e voltava a entrar no parque. Assim teria um novo período de 30 minutos grátis…

Sempre seria preferível, já que perdoar um “pecado” (que os bombeiros foram forçados a praticar) não faz parte do Regulamento de Estacionamento do IPO do Porto.

Como o Regulamento é para cumprir e aquela solução pelos Bombeiros não foi pensada, que interessam as despesas inerentes a uma facturação de 15 cêntimos que a Contabilidade do IPO se vê obrigada a processar, se eles (Bombeiros) os 15 cêntimos terão que pagar?

Pessoas sem ideias, que só delapidam o erário público…


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terça-feira, junho 26, 2007

bom negócio


"A cidade de Mirandela deverá dispor dentro de pouco mais de um ano da primeira clínica para doentes renais do Distrito de Bragança, o segundo projecto de saúde privado anunciado para a cidade transmontana.
(…)A autarquia afiança que os doentes não suportarão encargos financeiros ao recorrerem a esta clínica, apesar de ser privada, na medida em que terá acordos com o Serviço Nacional de Saúde."
Diário Digital
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A propósito de mais este (o segundo) empreendimento privado na saúde a ser instalado em Mirandela com o apoio e financiamento da autarquia local (PSD);
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depois de encerrada a Maternidade e eliminada a actividade cirúrgica de Urgência durante a noite no Hospital de Mirandela;
depois de ler o que Miguel Sousa Tavares escreveu no Expresso:
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"O desvario dos socialistas"

Alguma coisa deve estar tremendamente confusa na cabeça dos socialistas e do engenheiro José Sócrates. Eles não perceberam que não são nenhuma comissão liquidatária dos dinheiros e património públicos em nome dos ‘superiores interesses da economia’

(…) Os nossos socialistas ‘modernos’ têm dois fascínios fatais: as obras públicas e os interesses privados. A simbiose que daqui resulta é a pior possível. O Estado, empenhado em mostrar grande obra a qualquer preço, contrata com os grandes interesses privados tudo e mais alguma coisa: as estradas, as telecomunicações, o ensino, a saúde, a defesa. E dá de si tudo o que tem para dar: terrenos e dinheiros públicos, património e paisagem, empreitadas e fornecimentos, concessões e direitos de toda a espécie. A confusão de funções, de papéis e de interesses entre o público e o privado que daqui resulta é total e perturbante."
Expresso.


apetece-me dizer:


Se um diz mata, o outro diz esfola….

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segunda-feira, junho 25, 2007

a altura ideal

Afinal só por solicitação da Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República e com base no requerimento dos Senhores Deputados do Partido Socialista, é que Correia de Campos decidiu transformar, o "ultra-secreto e sobejamente já conhecido nas suas linhas gerais" Relatório para a Sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, em documento público, assim de todos conhecido.
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O relatório final e seus anexos podem ser vistos aqui e aqui.

Mas para quê discuti-lo publicamente agora, se o controlo orçamental do SNS está assegurado não justificando assim neste mandato (segundo palavras de Correia de Campos) quaisquer alterações ao sistema de isenções das taxas moderadoras, assim como está excluida a criação de qualquer novo imposto?

Excelentes amigos tem o Ministro da Saúde no seu partido e no Parlamento que bem souberam esperar pela altura ideal para mostrarem a “indignação” e a sensação de “traição” que representa o facto de os jornalistas terem conhecimento do Relatório, sem que a eles Correia de Campos tenha dado conhecimento prévio.

E vão eles agora discutir o Relatório e esperar que uma vez mais seja reafirmado que tudo está muito bem no SNS e que nenhuma daquelas duas “barbaridades” são para aplicar.

As outras... vamos então lá discuti-las.

Quanto mais não seja, como diz João Semedo, para que saibamos que destino vai dar o Ministro da Saúde a todas as recomendações que no Relatório são mencionadas.



João Semedo - RR

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