quarta-feira, junho 27, 2007

sem ideias...


“Uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de S. Mamede de Infesta, Matosinhos, esteve retida, ontem de manhã, no parque de estacionamento do Instituto Português de Oncologia (IPO) durante quase duas horas por causa de 15 cêntimos. JN


Tal retenção deveu-se ao facto da referida ambulância ter ultrapassado o período de 30 minutos grátis de estacionamento e os bombeiros não terem dinheiro disponível para pagar os 15 minutos que excederam o referido período grátis.
A assessora de Comunicação do IPO considera que os 15 cêntimos exigidos pelo estacionamento é bastante inferior ao valor pago pelo Instituto Português de Oncologia do Norte aos bombeiros, pelos serviços de emergência prestados (pudera…).

Solução da Assessora de Comunicação do IPO:
Saía a ambulância do parque de estacionamento do IPO, dava a volta ao quarteirão e voltava a entrar no parque. Assim teria um novo período de 30 minutos grátis…

Sempre seria preferível, já que perdoar um “pecado” (que os bombeiros foram forçados a praticar) não faz parte do Regulamento de Estacionamento do IPO do Porto.

Como o Regulamento é para cumprir e aquela solução pelos Bombeiros não foi pensada, que interessam as despesas inerentes a uma facturação de 15 cêntimos que a Contabilidade do IPO se vê obrigada a processar, se eles (Bombeiros) os 15 cêntimos terão que pagar?

Pessoas sem ideias, que só delapidam o erário público…


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terça-feira, junho 26, 2007

bom negócio


"A cidade de Mirandela deverá dispor dentro de pouco mais de um ano da primeira clínica para doentes renais do Distrito de Bragança, o segundo projecto de saúde privado anunciado para a cidade transmontana.
(…)A autarquia afiança que os doentes não suportarão encargos financeiros ao recorrerem a esta clínica, apesar de ser privada, na medida em que terá acordos com o Serviço Nacional de Saúde."
Diário Digital
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A propósito de mais este (o segundo) empreendimento privado na saúde a ser instalado em Mirandela com o apoio e financiamento da autarquia local (PSD);
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depois de encerrada a Maternidade e eliminada a actividade cirúrgica de Urgência durante a noite no Hospital de Mirandela;
depois de ler o que Miguel Sousa Tavares escreveu no Expresso:
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"O desvario dos socialistas"

Alguma coisa deve estar tremendamente confusa na cabeça dos socialistas e do engenheiro José Sócrates. Eles não perceberam que não são nenhuma comissão liquidatária dos dinheiros e património públicos em nome dos ‘superiores interesses da economia’

(…) Os nossos socialistas ‘modernos’ têm dois fascínios fatais: as obras públicas e os interesses privados. A simbiose que daqui resulta é a pior possível. O Estado, empenhado em mostrar grande obra a qualquer preço, contrata com os grandes interesses privados tudo e mais alguma coisa: as estradas, as telecomunicações, o ensino, a saúde, a defesa. E dá de si tudo o que tem para dar: terrenos e dinheiros públicos, património e paisagem, empreitadas e fornecimentos, concessões e direitos de toda a espécie. A confusão de funções, de papéis e de interesses entre o público e o privado que daqui resulta é total e perturbante."
Expresso.


apetece-me dizer:


Se um diz mata, o outro diz esfola….

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segunda-feira, junho 25, 2007

a altura ideal

Afinal só por solicitação da Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República e com base no requerimento dos Senhores Deputados do Partido Socialista, é que Correia de Campos decidiu transformar, o "ultra-secreto e sobejamente já conhecido nas suas linhas gerais" Relatório para a Sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, em documento público, assim de todos conhecido.
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O relatório final e seus anexos podem ser vistos aqui e aqui.

Mas para quê discuti-lo publicamente agora, se o controlo orçamental do SNS está assegurado não justificando assim neste mandato (segundo palavras de Correia de Campos) quaisquer alterações ao sistema de isenções das taxas moderadoras, assim como está excluida a criação de qualquer novo imposto?

Excelentes amigos tem o Ministro da Saúde no seu partido e no Parlamento que bem souberam esperar pela altura ideal para mostrarem a “indignação” e a sensação de “traição” que representa o facto de os jornalistas terem conhecimento do Relatório, sem que a eles Correia de Campos tenha dado conhecimento prévio.

E vão eles agora discutir o Relatório e esperar que uma vez mais seja reafirmado que tudo está muito bem no SNS e que nenhuma daquelas duas “barbaridades” são para aplicar.

As outras... vamos então lá discuti-las.

Quanto mais não seja, como diz João Semedo, para que saibamos que destino vai dar o Ministro da Saúde a todas as recomendações que no Relatório são mencionadas.



João Semedo - RR

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domingo, junho 24, 2007

o SIM vai de férias?


Soube através do TempoMedicina isto:

"O SIM anda há dois ou três anos, desde o tempo de Luís Filipe Pereira, atrás da Ordem e da FNAM para tentar falar sobre carreiras médicas. Neste momento, julgamos que é tarde de mais"

É esta a argumentação que Carlos Arroz, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), utiliza para justificar a ausência do seu sindicato no encontro realizado no dia 19 de Junho para discutir as carreiras médicas, convocado pelo o Bastonário da Ordem dos Médicos e no qual só esteve presente a Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

Mas não se fica Carlos Arroz por este argumento de tipo “perrice”.

Apesar de considerar ser necessário disciplinar as Carreiras Médicas “pela diversidade de instituições laborais, com características diferentes, que hoje existem” acha melhor que os parceiros médicos não dêem muito ”nas vistas” e não se proponham andar com a “carroça à frente dos bois” já que a mudança que se perspectiva nunca será para melhor. Até pode suceder que Carmen Pignatelli se esqueça das Carreiras Médicas e fique tudo como está, que está bem melhor assim do que se perspectiva...

Se tal não suceder, segundo Carlos Arroz, “devemos aguardar serenamente pela iniciativa governamental, uma vez que é ao Governo que compete legislar” e também sereno, até ao fim do ano, parece ir o SIM ficar, já que como “não participa nas eleições da Ordem dos Médicos e não quer favorecer nenhum dos candidatos” acha melhor meter férias e assim durante meio ano descansar.

Estranha atitude dum Sindicato Médico.
Estranhas palavras dum dirigente sindical quando com a SRN da Ordem dos Médicos e o Sindicato dos Médicos do Norte tem havido entendimentos e encontros bem recentes.

Uma consistente ajuda para a desejada “acalmia social” no período que se aproxima da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.
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sábado, junho 23, 2007

coerência

Felizmente que a tradição na China já não é o que era , mas…




















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Na China milenar, até há meio século atrás eram os próprios pais que desde tenra idade das suas filhas, através da aplicação de ligaduras progressivamente mais apertadas e ao longo do crescimento com a obrigação do uso de sapatos extremamente apertados, conduziam a que um pé considerado normal viesse a satisfazer os conceitos chineses tradicionais de “beleza erótica” ao ser transformado num pé deformado e pequeno, semelhante a um casco e a que apelidavam de Lotus Dourado.

Para os homens chineses, um pé assim era considerado como o máximo da feminilidade, como um “objecto” de desejo erótico que “mordiscavam, acariciavam e chegavam a enfiá-lo totalmente na boca” durante o acto sexual.

Entretanto, no ocidente, os pais, os médicos e sociedades ortopédicas sempre se preocuparam com as deformidades congénitas dos recém-nascidos em particular com os “pés botos”, deformidades que afectam 1 a 8 por cada 1000 crianças nascidas.

Com o objectivo de tornar o pé do bébé funcional, indolor e com aspecto mais "normal", para que possa andar e correr sem problemas e poder usar sapatos da mesma forma "normais", são as crianças submetidas desde o nascimento a tratamentos prolongados através de gessos, talas muito esquisitas e botas ortopédicas, tratamentos que se podem considerar como autenticas "torturas", para não falar das não raras e múltiplas operações a que os seus pés têm de ser submetidos.






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Mas quando adultos, e enquanto a China abandona a tradição, nas civilizações ditas civilizadas, as mulheres ainda continuam a auto torturar-se com o uso de sapatos considerados "normais", estreitos, de bicos pontiagudos e de saltos bem altos já que a elevação do calcanhar também faz o pé parecer mais curto e assim serem entendidos como "mais femininos".

E depois lá voltam as talas, as operações e os gessos.







Métodos diferentes para objectivos idênticos ou falta de coerência?



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"geografias" para visitar

Faro Luso



O álbum "Geografias" assinala o regresso de Júlio Pereira ao bandolim, um instrumento que acompanha o músico desde a infância e que neste disco se conjuga de forma inédita com a guitarra portuguesa.
Muito Bom
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sexta-feira, junho 22, 2007

boa ideia



A propósito da revelação contida no relatório “secreto” de que mais de 92% das consultas de estomatologia são privadas e de que a Medicina Dentária quase não existe no Serviço Nacional de Saúde, estas declarações confirmam o que já se sabia e apontam as razão para que tal suceda:


”O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas afirmou à TSF não estar espantado com o facto de 92 por cento das consultas nesta especialidade serem feitas em clínicas privadas. Orlando Silva diz que há falta de vontade política para contratar médicos dentistas para o Serviço Nacional de Saúde e que os centros de saúde públicos até têm equipamentos, mas não existem médicos dentistas” TSF


Não consta que o Dr.Orlando Silva (Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas) tivesse feito parte da comissão de peritos redactores do relatório sobre a sustentabilidade do SNS, mas deve tê-lo lido e arranjado através da sua leitura, uma boa solução...

"A introdução de taxas moderadoras devidamente actualizadas deveria subsidiar em muito esta contratação de médicos dentistas e uma parte da consulta poderia ser paga directamente pelos utentes. Actualmente temos um leque de pessoas, cerca de 85 por cento isentas do pagamento de taxa moderadora o que nos parece aberrante, porque não podemos ter mais de metade da população portuguesa isenta do pagamento de taxas moderadoras".


Vamos lá aproveitar então a disponibilidade e o interesse dos dentistas, a capacidade instalada nas instituições do SNS e porque não também a enorme oferta de serviços privados a convencionar já que as 21.138.000 arcadas dentárias dos 10.569.000 portugueses de todos eles irão necessitar.

Nem que para tal Correia de Campos tenha que antecipar o que antes de 2009 diz não estar com intenções de aplicar...




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quarta-feira, junho 20, 2007

prioridades na saúde


“Uma mulher de 54 anos sofreu, ontem, uma paragem cardíaca e teve de ser assistida por elementos do INEM em pleno Centro de Saúde de Viana do Castelo. Apesar das tentativas dos médicos daquela unidade, e perante a falta de um desfibrilhador, a reanimação foi conseguida apenas pelos elementos da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do INEM chamados ao local.

(…) o director da Sub-Região de Saúde de Viana do Castelo admitiu que aquele Centro de Saúde, situado no centro da cidade, "não dispõe" de desfibrilhador por se encontrar próximo do hospital da cidade. "Como o hospital está a dois quilómetros, a prioridade é chamar o INEM".DN

De facto, nem todas as situações de paragem cardio-respiratória, exigem um desfibrilhador, mas algumas dele necessitam.

Esta situação necessitou.

Estava esta doente num Centro de Saúde com médicos e enfermeiros disponíveis e bem perto também, todo o staff do Centro Hospitalar do Alto Minho.

Uma equipa do INEM estava operacional, disponível e bem perto do local...

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"O choque eléctrico é um factor fundamental porque muitas vezes não é uma paragem cardíaca mas sim o ventrículo que deixa de contrair e com o choque eléctrico pode recuperar rapidamente." Prof.Dr.Manuel Carrageta, presidente da Fundação de Cardiologia

Desfibrilhador Automático Externo, Powerheart AED G3 Automatic - preço unitário de 2.200,00€ + IVA (a título de exemplo, passo a publicidade)


Qual será a prioridade das prioridades?

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terça-feira, junho 19, 2007

a sustentabilidade do SNS


Era insustentável de facto...

E o Efervescente deu uma ajuda ao divulgar o que o jornalista Carlos Enes descobriu.

E para os distraídos, os incrédulos ou para consulta do documento que de secreto já nada tinha, aqui está.
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"Apesar do documento estar disponível ao público, contactado pela Renascença, o Ministério da Saúde insiste que só o coloca em discussão pública quando considerar oportuno e recorda que nenhuma das recomendações avança até 2009." RFM
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Portanto, para o Ministério da Saúde continua em segredo.
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segunda-feira, junho 18, 2007

paciência

Entre duas interpretações da mesma melodia com as mesmas palavras do mesmo poeta, as cinco conclusões da intervenção de Correia de Campos a 14 de Junho na Assembleia da República.

Paciência - Lenine


Primeira Conclusão: a Saúde dos Portugueses tem melhorado generalizadamente, certamente por razões diversas, parte delas ligadas ao contexto socio-económico – cultural e uma parte devido à acção dos serviços públicos de saúde, o SNS. O SNS continua a cumprir o seu papel.
Segunda Conclusão: os Portugueses continuaram a ter cada vez melhor acesso aos cuidados de saúde, quando a análise se faz de forma global o que não exclui dificuldades localizadas, em regiões de menor densidade de médicos de família por habitante como são as zonas do litoral e sobretudo a periferia das grande cidades e margem sul do Tejo.
Terceira Conclusão: as reformas da qualidade (maternidades e urgências) estão a produzir os efeitos esperados: melhores e mais seguros serviços ao dispor dos cidadãos, com melhorias do atendimento diurno e transporte rápido nas situações agudas nocturnas.
Quarta Conclusão: ao contrário do clamor levantado pela esquerda conservadora contra as taxas moderadoras, elas têm cumprido a sua missão moderadora, tantas e tão generosas são as isenções previstas, as quais se manterão inalteradas. E quanto ao preço dos medicamentos, o silêncio da oposição da esquerda conservadora é bem a demonstração da sensível redução de encargos para o cidadão, directa ou indirectamente através de melhores contas do SNS que evitam desastrosos endividamentos futuros.
Quinta Conclusão: o Governo está a cumprir, como se esperava, o seu Programa de Saúde.

Intervenção do Ministro da Saúde, Correia de Campos, na Interpelação ao Governo, Assembleia da República - 14.06.2007.



Paciência - Mafalda Veiga e João Pedro Pais


"Paciência"
Lenine e Dudu Falcão

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

E o mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára (a vida não pára não)

Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (tão rara)

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara (a vida não pára não... a vida é tão rara)
A vida é tão rara.
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domingo, junho 17, 2007

a prepotência do poder dos privados na saúde

"señores abriéndose paso con prepotencia"
retirado de
Pancho Martinez

De passagem por Pics and Docs encontrei este depoimento dum médico em defesa dum Director de Serviço demitido das suas funções pela Administração do Hospital Amadora Sintra, na sequência da negociação do Acordo de Empresa, “conjuntamente com uma dezena de outros Directores de Serviço”.

"O caso do nosso colega Francisco Carneiro é notável.
Médico de bom trato, tecnicamente considerado pelos seus, humanamente reconhecido pelos doentes, dedicado à causa pública (42 h em exclusividade), líder nato pela postura equilibrada, corajoso, opinativo e irreverente...

A sua irreverência "notou-se" nas guerras da revisão do Acordo de Empresa.
Tomou posição e fez, muitas vezes, pender a luta de que resultou um bom AE.
Ficou na lista negra.

Afastado da direcção de serviço viu o seu novo Director, com menor graduação, querer determinar o que tecnicamente deveria ou não fazer. Com a conivências de outros licenciados menores que ocupam transitoriamente a direcção clínica, lambendo a manutenção da sua posição nas mãos de uma administração encabeçada por um antigo mestre de obras sujas do João Cordeiro, o Francisco Carneiro foi frito e enxovalhado publicamente.

Só que... distinto, com toque aristocrata, financeiramente independente, resolveu saltar da frigideira e dizer chega.

Toneladas de processos e três meses de afastamento, culminaram numa "reintegração" humilhante, para dinamizar a investigação, para o que passou a dispor de uma sala de 3 por 3, quase sem janela, uma secretária e uma cadeira e um livro de cirurgia de 1974.

O caso, que se vai arrastar longamente na justiça, vai acabar mal para a administração do Amadora Sintra.

Todos os médicos estão a ser julgados no caso Francisco Carneiro. Tornemo-lo exemplar.

Um abraço ao Francisco.

Autor identificado"


Embora com desconhecimento das razões objectivas que estiveram por detrás desta demissão, considero este testemunho, de apoio a um colega, a um profissional da saúde, importante ser divulgado não só como “aviso” mas acima de tudo como demonstrativo da solidariedade que deve existir com quem luta contra a prepotência, o protagonismo individual, o compadrio e a procura do lucro fácil e que mesmo contra o poder (sabe-se como) instituído não vacila perante a ameaça porque sabe que a força da razão é mais forte que a razão da força.


E porque não me custa a aceitar o que neste depoimento e no Post é referenciado, não resisti à sua divulgação aqui neste sítio, esperando que outros contributos possam alicerçar (ou não) esta minha/nossa crença.

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sexta-feira, junho 15, 2007

as Vendas Novas do nosso país



"A reabertura do SAP, que passa a funcionar 24 horas por dia, tal como acontecia antes do ministro da Saúde o mandar encerrar, a 28 de Maio, surge na sequência de uma providência cautelar interposta pelo município." TVI

Assim que teve conhecimento da decisão do Tribunal de Beja, o ministro Correia de Campos ordenou por despacho a reabertura imediata do SAP. Mas a tutela acrescenta que vai de imediato preparar um recurso da decisão judicial.

"Numa reacção à decisão, o Ministério da Saúde, através da assessora de imprensa do ministro, Helena Marteleira, sublinha que "cumpre a lei e as decisões dos tribunais." Diário Digital

Afinal o Ministério da Saúde parou, não para pensar mas simplesmente para cumprir uma ordem do Tribunal e de imediato interpor recurso de tal decisão.

Desconhecendo-se embora as razões que irá invocar (interesse público?) para alicerçar o seu recurso, uma coisa parece certa.
O Ministério da Saúde está a dar um passo atrás para de seguida dar mais dois à frente.
Às “cegas e no escuro”…

Para que estes passos não sejam aparentemente dados “às cegas” e a exemplo do que anteriormente e com crescente frequência tem acontecido (como é de sua obrigação),
Correia de Campos determina que a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde deve "averigúe todas as circunstâncias associadas ou associáveis" a mais esta morte. Público

Mas pelo que tudo parece indicar no “escuro” continua o Ministério da Saúde a querer continuar a aplicar a metodologia de encerrar serviços como este de Vendas Novas e de muitos outros por este país fora.

Mais uma vez, e bem a propósito, repito:

"Nunca é tarde de arrepiar caminho"

Assumamos, como cidadãos, as falsas informações, o uso indevido, os nossos egoísmos, os nossos erros.

Assumam também, as estruturas públicas responsáveis pela saúde, os erros resultantes de decisões precipitadas, fundamentadas em análises incorrectas (ou inexistentes) das características da sociedade, das várias regiões do país e das suas estruturas locais de saúde, persistindo na paranóica ideia de que a sociedade portuguesa e o nosso país são iguais a tantos outros em que o exemplo que se pretende seguir já deu provas de eficácia e segurança.

Ninguém contesta a importância dum serviço de apoio médico emergente em todo o país.

Ele deve continuar a ser uma prioridade do Ministério da Saúde.

Mas devem os seus responsáveis directos e indirectos assumir as suas responsabilidades em estudar e adaptá-lo ao local ou região, em formar profissionais e equipar os serviços, em informar e formar a população, e só depois, testado o sistema quanto à sua eficiência, à sua fiabilidade e segurança dos doentes a quem ele se dirige, corrigidos os excessos e os defeitos, o aplicar e substituir por ele, criteriosa e complementarmente, o que actualmente existe e que menos bons serviços estará a prestar à população. link
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quinta-feira, junho 14, 2007

parar para pensar (II)

16:45
O ministro Correia de Campos diz que o novo modelo de saúde em Vendas Novas é mais eficaz do que aquele que funcionava antes do encerramento das urgências permanentes que funcionavam no centro de saúde local e apresentou esta localidade como um exemplo da «associação positiva com os novos serviços oferecidos nos locais onde o SAP nocturno cessou». Portugal Diário
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21:32
O ministro da Saúde ordenou a reabertura, já a partir de sexta-feira, do serviço nocturno no Atendimento Permanente de Vendas Novas. RFM
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Será o início de um parar para repensar ou um passo atràs para dois (ainda mais cegos) à frente?
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dia nacional de luta contra a dor

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9º DIA NACIONAL DE LUTA CONTRA A DOR

O Dia 14 de Junho foi instituído oficialmente como “O DIA NACIONAL DE LUTA CONTRA A DOR”, por despacho ministerial e publicado em Diário da República a 26 de Maio de 1999.

Assim, hoje comemora-se o “9º O DIA NACIONAL DE LUTA CONTRA A DOR”, que será um motivo de reflexão sobre a importância de uma abordagem específica da Dor na nossa Comunidade.

Os Profissionais de Saúde das Unidade Hospitalares estão atentos e convictos que a Dor pode e deve ser minorada, dada a actual disponibilidade de novas tecnologias e novos fármacos para o controlo de síndromes álgicos, independentemente da sua etiologia: como a dor oncológica, a musculo - esquelética, a neuropática ou a associada à SIDA.

Será por isso importante, dinamizar a articulação entre as Unidades Hospitalares e as Unidade de Medicina Familiar, para permitir que os utentes beneficiem de uma abordagem específica e atempada da dor e se programe de modo regular a continuidade dos protocolos iniciados nessas Unidades Hospitalares.


Laurinda Lemos *


*Chefe de Serviço de Anestesiologia
*Directora do Serviço de Anestesiologia da Unidade de Fafe do CHAA
*Responsável pela Consulta da Dor Crónica da Unidade de Fafe do CHAA
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A situação actual:
"Em Portugal, há poucos hospitais portugueses com unidades dedicadas à dor. Além disso, é ainda insuficiente a comparticipação dos fármacos mais eficientes no alívio da dor intensa. São eles os opióides.
A sua comparticipação fica-se pelos 40%, mas na generalidade dos países europeus chega perto dos 100%. O cenário pode estar prestes a mudar, uma vez que o Infarmed está na fase final de avaliação de uma proposta que visa nivelar a ajuda do Estado à existente noutros países." RR
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quarta-feira, junho 13, 2007

parar para pensar...


"O município alentejano de Vendas Novas atribuiu esta quarta-feira ao governo a responsabilidade política pela morte de uma mulher, devido «à ausência de assistência médica necessária e em tempo útil», na sequência do fecho das urgências da cidade."

"A ARS do Alentejo reserva-se o direito de responsabilizar o presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas pelas afirmações demagógicas que tem vindo a proferir. Repudia ao mesmo tempo o aproveitamento desta situação dramática para os mais diversos fins".


Não será, uma vez mais, altura de parar para repensar?
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"A Morte saíu à Rua" Link
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.LLinki

terça-feira, junho 12, 2007

os privados na saúde que se cuidem


Segundo o Portal da Saúde, afinal o sector público da saúde em Portugal está bem e recomenda-se...

Os concursos PPP (Parcerias Público-Privadas) já lançados para hospitais de substituição ou novos hospitais do SNS (Serviço Nacional de Saúde), na região de Lisboa, significarão, a médio prazo, um aumento de 961 camas públicas e um aumento líquido de 530 camas,

enquanto que,
no sector privado, os dois investimentos hospitalares lançados, ou em vias de arranque, na região, representam um aumento de 362 camas privadas, mas não são ainda antecipáveis os efeitos de ajustamento que ocorrerão no sector.

Sendo assim,
o crescimento de capacidade hospitalar planeado para o SNS é, em qualquer cenário, muito superior ao que se antecipa para o sector hospitalar privado.

E não nos devemos esquecer de que para além disto,
em termos económicos, é muito provável que venham a dar-se ajustamentos no mercado hospitalar privado, com encerramento de camas noutras unidades privadas (e sua maior especialização produtiva), ou eventuais fusões.

É importante estar-se atento já que a competitividade em saúde se mede em "número de camas".
O sector privado que se cuide que com este Ministro da Saúde não haverá tréguas…

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sem palavras...





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segunda-feira, junho 11, 2007

a saúde materno-infantil na região Norte


"Apesar das dúvidas, críticas e alertas, o Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN) vai avançar. Não como uma unidade independente, mas integrado num centro hospitalar - que reúne o Hospital Santo António, a Maternidade Júlio Dinis e o Hospital Maria Pia - e para o qual já existe um plano prévio de negócios para os primeiro três anos, aprovado pelos conselhos de administração e pela Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN)." JN
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Muito confuso parece ser este projecto que inicialmente se projectava ser um Centro Materno-Infantil e que nos dias de hoje, segundo a ARS do Norte e os CA dos Hospital de Santo António e da Maternidade Júlio Dinis/Hospital Maria Pia será incluído no âmbito de mais um Centro Hospitalar, desta feita do Norte, a constituir ainda este mês de Junho.

E quais vão ser os investimentos necessários?
43,5 Milhões de Euros.

Verba destinada a obras no Hospital de Santo António - 4 milhões de Euros - e no Hospital Militar do Porto - 2 milhões de Euros - que transitoriamente irá dar apoio ao futuro Centro Hospitalar do Porto enquanto as obras e a construção do novo edifício na Maternidade de Júlio Dinis não estiverem concluídas, o que está previsto suceder no ano de 2010, obras estas que ascenderão a 37,5 milhões de Euros.

Aquilo que segundo muitos técnicos deveria ser concentrado num único espaço, que desse apoio e assistência ao pré-puerpério, ao parto e à puérpera, ao recém-nascido e à criança, duma maneira centralizada e especializada a toda a Região Norte do país, ir-se-á repartir assim por três locais:

- o espaço da actual Maternidade de Júlio Dinis,
- o edifício Central do Hospital de Santo António e
- o edifício do CICAP.

Distanciados entre si por uns aparentes “poucos” 200 a 500 metros lineares, por se tratarem de edifícios localizados em pleno centro da cidade, difícil será de contabilizar o tempo necessário para se processarem eventuais transferências de doentes entre os vários edifícios assim como organizar e orientar o apoio das várias especialidades médicas, cirúrgicas, de diagnóstico e de apoio técnico intervenientes no campo materno-infantil.

E isto porque:

1. no espaço da Maternidade, ficarão instalados os internamentos de Obstetrícia e Ginecologia, uma Unidade de Neonatologia (até aos 28 dias) e a aqui serão realizadas as respectivas cirurgias (obstétricas e ginecológicas) bem como as Consultas Externas de Pediatria.

2. no Hospital de Santo António, realizar-se-á a Cirurgia neo-natal (dentro dos 28 dias),

3. no edifício do CICAP está prevista ser realizada a Cirurgia de Ambulatório Pediátrica.

4. o internamento pediátrico (a partir dos 28 dias) ficará sedeado no Hospital de Santo António, assim como será neste Hospital que serão efectuadas as cirurgias pediátricas.

5. as Unidades de Cuidados Intensivos (Adultos e Pediátricos) ficarão localizadas no Hospital de Santo António…

Sollari Allegro (Presidente do CA do HSA) diz que com a criação deste Centro Hospitalar do Norte, "fica assegurada a segurança das grávidas na altura do parto. Qualquer complicação é transportada para o hospital de Santo António já que a distância entre as duas unidades é diminuta."

Mas Octávio Cunha (director do Serviço de Neonatologia do HSA, desagradado com o projecto, diz:
"Primeiro, vão encerrar a maternidade onde foram investidos 1,5 milhões de euros nos blocos de partos, que são magníficos e onde foi reconstruída a Unidade de Cuidados Intensivos. No Hospital de Santo António, também foram feitos investimentos e agora decidem que os partos das duas instituições devem ser feitos no mesmo sítio, na Maternidade. Depois vai-se gastar mais uns milhões para demolir e criar um serviço para quatro mil partos."

E enquanto tecnocraticamente Sollari Allegro considera que “na prática, vão ser concentrados serviços e distribuídos pelas duas unidades, contando também para tal com a legislação que permite a mobilidade de funcionários públicos.”, Octávio Cunha é da opinião ser este projecto “um projecto sem alma, apenas uma concentração sem qualquer ideia de prestação de cuidados de saúde à criança do Norte do país”.
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Profissionais médicos, com visões bem diferentes da saúde materno-infantil para a região Norte.
Qual deles com mais razão?
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domingo, junho 10, 2007

causas básicas das maleitas do SNS


Um Post publicado no SaudeSA da autoria do É-Pá : “SNS – a luta pelas causas sociais, porque a morte saiu à rua”, exemplarmente complementado com a música, a voz e o poema do José Afonso que homenageia um pintor assassinado por pugnar por “causas sociais”, foi objecto de um comentário da autoria do Aidenós, também publicado como Post pelo Xavier -“as ameaças ao SNS”.

Considera o É-Pá que a actual política de saúde no nosso país, se resume numa palavra: “desconstruir”.

Desconstruir como sinónimo de “instabilizar, inviabilizar, fragmentar, destroçar, não completar, demolir”…

Penso que mais sinónimos não serão necessários para descrever como, com a actual política de saúde, pretendem os responsáveis do MS orientar o SNS por forma (dizem) a darem solução a muitos dos problemas que reconhecidamente todos nele encontramos.

Pretendem no entanto, e em boa verdade, resolver unicamente o problema da sustentabilidade dum sistema que eles próprios reconhecem não ser sustentável como bem social (consumidor, mas criador de bem estar), afastando assim das suas linhas programáticas a defesa dos princípios da solidariedade e da equidade, estrategicamente expurgando a saúde da responsabilidade do Estado que da mesma forma deverá ser expurgado do epíteto “Social”em todos os outros sectores.

E se o Aidenós refere, no seu comentário ao Post do É-Pá, ter dificuldades em encontrar coerência e consistência nas mensagens por ele transmitidas nem encontrar nelas “propostas nem objectivos de defesa do SNS”, vale bem a pena rever aqui como "resposta" ao Aidenós, a excelente análise feita pelo É-Pá quanto às “causas básicas das maleitas do SNS” com a qual, estou certo, muitos como eu perfilham.
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sábado, junho 09, 2007

o negócio com a saúde


Seis clínicas privadas na zona de Lisboa já solicitaram às autoridades sanitárias licenças para poder realizar interrupções voluntárias da gravidez no âmbito da nova lei do aborto, noticia este sábado o semanário Sol.

"Quando 80% dos médicos de grandes hospitais de Lisboa e do Porto se declaram objectores de consciência contra o aborto legal, revelando uma estranha e clara dessintonia entre a classe médica e a sociedade como um todo, o Governo tem de tomar algumas atitudes, se quiser pôr em prática a vontade expressa nas urnas. Deve estabelecer com rigor quais os serviços públicos de saúde em condições de realizar o que as utentes do SNS requererem, verificar as incapacidades e encontrar alternativas. tem também de fiscalizar as objecções apresentadas, para que não desagúem em negócio privado." DN



Objecção de Consciência:
“Podemos definir este direito como uma posição subjectiva, protegida constitucionalmente, que se traduz no não cumprimento de obrigações e no não praticar de actos impostos legalmente em virtude de as próprias convicções do sujeito o impedirem de as cumprir, sendo que estes actos e incumprimentos estão isentos de quaisquer sanções” Francisco Pereira Coutinho

Bem a propósito, seria altura do Ministério da Saúde, de regresso das suas curtas férias, dar também orientações para ser fiscalizada a produção normal vs produção acrescida e contratualizada com entidades privadas, no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), no sentido de avaliar se alguma objecção existe para que tão grande diferença de números de produtividade se observe.
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