“(...) O Presidente da Ordem não é detentor de nenhuma forma de poder absoluto, apenas lhe competindo, o que é muito, se o souber e o quiser fazer, ser a voz nacional da Ordem dos Médicos.
Pelo facto da Ordem dos Médicos ser a única organização médica que, obrigatoriamente, filia todos os médicos, o Presidente da Ordem deve procurar a conciliação de interesses, a união de esforços e a promoção de consensos, identificados pelo mínimo múltiplo comum de todos os médicos.”
“(...) Não quero esconder-lhes que algumas das minhas convicções se encontram à direita do espectro político. Mas quero sublinhar também que, no que se refere ao Serviço Nacional de Saúde, considero inaceitáveis quaisquer transformações que ponham em causa a sua vertente essencialmente pública, universal e não discriminatória ou que destruam, de forma directa ou indirecta, o mais importante factor de coesão social da sociedade portuguesa.”
“(...) Foi este Serviço Nacional de Saúde que garantiu, em boa parte graças a existência de carreiras médicas, resultados em saúde absolutamente extraordinários. É por isso que considero imprescindível a concertação estratégica da Ordem dos Médicos com os Sindicatos e Associações Socio-profissionais.Esta concertação é a formula adequada para garantir a existência de uma estrutura de carreira médica em todos os sectores de actividade, que garanta a evolução e a diferenciação técnica de cada médico, que permita uma estruturação de serviços que assegure a qualidade do exercício profissional e da formação médica durante e após o internato, que salvaguarde a liberdade de circulação entre sectores através da atribuição e reconhecimento de títulos de diferenciação equivalentes e que premeie o mérito e o desempenho.”
“(...) É com base nestas convicções que entendo as relações da Ordem dos Médicos com o poder político, seja qual for a sua cor partidária. Ao Presidente da Ordem cabe-lhe, como porta-voz do governo da Ordem, isto é, do Conselho Nacional Executivo, actuar com clareza, transparência, oportunidade, democraticidade, rigor e, sobretudo, com firmeza. Com clareza, para que os médicos, os poderes e a sociedade percebam o sentido, o alcance e a determinação das posições da Ordem dos Médicos. Com transparência, informando os médicos das propostas que veicula em nome da Ordem ou sobre as quais a Ordem é consultada. Com oportunidade, intervindo por antecipação e em tempo útil. Com democraticidade, negociando apenas aquilo para que está mandatado pelo CNE.”
“(...) Impõe-se, pois, que todos os meios informativos da Ordem dos Médicos, nomeadamente a sua Revista, sejam instrumentos de intervenção socio-profissional. Quero por isso garantir-vos que não utilizarei estes meios nem como instrumentos de propaganda pessoal, nem como livro de crónicas nem tão pouco como álbum fotográfico.”
“(...) As relações com os poderes económicos emergentes na área da saúde devem constituir uma preocupação primeira da Ordem dos Médicos. A ausência de carreiras médicas, a proliferação de contratos de trabalho de natureza individual, o consequente crescimento da precariedade laboral e o aparecimento de novos modelos de financiamento dos cuidados de saúde, tem vindo a confrontar e, em variados casos, a afrontar os médicos, com modelos de assalariamento degradantes e condições mais ou menos restritivas de exercício profissional.”
“(...) Perante quaisquer modelos que não assegurem a equidade e a qualidade a que os doentes tem direito nem a liberdade de exercício profissional, torna-se indispensável uma intervenção firme da Ordem dos Médicos que garanta o cumprimento de regras assistenciais que preservem a qualidade da medicina e da assistência aos doentes e que sejam universalmente aplicadas a todos os serviços de saúde, seja qual for a sua natureza jurídica ou o respectivo modelo de gestão.”





















