segunda-feira, abril 16, 2007

já não há pachorra!!!



O Ministro da Saúde, Correia de Campos, publicou (13.04.06) no Jornal de Notícias um artigo de opinião sob o título “Ideias feitas sobre a interioridade”.

Serve a prosa para tentar provar que, em relação a três situações, o interior está beneficiado em relação ao litoral: relação médico de família/população; frequência dos SAP e consultas no período nocturno.

Conclui o ministro: “Poderá este modelo continuar? Será ele sustentável? Será ele justo, equitativo, na comparação com o país todo?”

Pois bem, senhor ministro. O modelo não é justo.

Não se entende se esta prosa, na sequência de outras, indicia uma cruzada contra o Interior. Não se entende porque razão se agitam friamente números para justificar o injustificável. É, ou não, verdade que a desertificação do Interior só pode ser travada com políticas positivas e dinamizadoras de fixação de população? É que se agitamos números à luz da economia, da poupança, das estatísticas, existirão outras áreas em que rapidamente se conclui que não vale a pena!

A política de saúde para o Interior do País tem que ter em conta as características especificas da região. E essa é uma opção política que não pode ser disfarçada com a exibição de números.

Ora, o senhor ministro, ao invés de tentar provar que o Interior é beneficiado, deve afirmar claramente qual a sua política para o Interior. E actuar, sobretudo actuar, coisa que até agora, no que à Beira Interior diz respeito, não fez. Nada.

Onde está o Centro Hospitalar da Beira Interior (hospitais de Castelo Branco, Covilhã, Fundão e Guarda), anunciado há mais de um ano?

Porque não decidiu a questão dos blocos de partos e “passou” a decisão para o CHBI que não criou?

De facto, se existem “ideias feitas sobre a interioridade”, o senhor ministro venha até cá explicar, a quem aqui vive, quais são. E nós responderemos.

Já agora, senhor ministro, porque razão a Beira Interior nunca fez parte do seu roteiro de visitas?
Saude na Beira Interior


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domingo, abril 15, 2007

as palavras irlandesas

Quando a música e a imagem são apelativas, para que servem as palavras?
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"When The Stars Go Blue"
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Dancin' where the stars go blue
Dancin' where the evening fell
Dancin' in your wooden shoes
In a wedding gown
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Dancin' out on 7th street
Dancin' through the underground
Dancin' little marionette
Are you happy now?
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Where do you go when you're lonely
Where do you go when you're blue
Where do you go when you're lonely
I'll follow you
When the stars go blue
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Laughing with your pretty mouth
Laughing with your broken eyes
Laughing with your lover's tongue
In a lullaby
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Where do you go when you're lonely
Where do you go when you're blue
Where do you go when you're lonely
I'll follow you
When the stars go blue
The stars go blue, stars go blue
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sábado, abril 14, 2007

recuo de excepção do Ministério da Saúde


“O Ministério da Saúde retrocedeu e criou um regime de excepção para o funcionamento dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) no distrito de Bragança. Ao contrário do resto do país, onde os SAP vão passar a encerrar após as 22 horas, em Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Torre de Moncorvo, Vimioso e Vinhais, aquele serviço vai manter-se aberto entre as 22 e as oito horas, durante a semana, e entre as 20 e as oito, ao fim-de-semana, com um médico de prevenção à chamada e um enfermeiro em presença, para atendimento de casos graves. A nova modalidade entra em vigor no dia 27”JN

Mais um acordo com os autarcas, que mesmo de “gravata preta” e “pressionados” o assinaram.
Mais uma alteração ao previsto.
E mais uma modalidade temporária.
Poder-se-á considerar estarmos perante sinais ténues de “preocupação” pelas consequências duma decisão que já se revelou extemporânea mas que insistentemente se persiste em manter.
Mas o médico de “prevenção à chamada” já existe? Se existe, quais os seu deveres, qual a sua segurança, qual a sua remuneração? Ao abrigo do DL 73/90 no que respeita ao regime de trabalho ou contratado? Foram avaliados os custos-benefícios desta alteração?


E tudo isto mediaticamente é uma vez mais dado a conhecer, ao mesmo tempo que a ARS do Norte ou quem de direito, a 10 dias do prometido dia (25 de Abril) do lançamento de algumas das novas, também temporárias, estruturas de Serviço de Urgência Básico (Fafe e Santo Tirso), nada ainda tenha superiormente definido em termos de competências nem tão pouco dado orientações, aos Centros Hospitalares recém criados, relativas ao garante de meios técnicos (radiologia, análises) e humanos (número e diferenciação) para a sua concretização.
Será que estes protocolos são só para ficar registados como “declarações de intenção”?
Quem terá o poder ou a obrigação de os regulamentar?
Se às ARS compete fazê-lo, então que se apressem sob pena de os foguetes encomendados e as fanfarras contratadas servirem só, quanto mais não seja, para comemorar o dia que para muitos talvez já não fizesse sentido comemorar.

E como tudo parece ir ficar como está…
Ao menos que a memória do 25 de Abril assim seja lembrada.

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quem concorda com a venda de medicamentos fora das Farmácias?

Concorde-se ou não com a política do MS sobre o medicamento e sua comercialização, concorde-se ou não com as posições da ANF, IF, da OF ou da OM sobre esta mesma política, atente-se neste Post retirado do Impressões de um Boticário de Província.
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Progresso
A venda de medicamentos fora da Farmácias é um orgulho para este Governo. Era preciso melhorar a acessibilidade ao medicamento e (em vez de abrirem Farmácias) abriram Parafarmácias.
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Os Angolanos parece que não concordam:

Medicamentos nas FarmáciasMSP - Impressões de um Boticário de Província

Eu também não concordo...

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parabéns ao Saúde SA

Porque aqui sobre "saúde" se desabafa.

Porque o SAÚDE SA é por todos considerado de consulta obrigatória.

Porque, com o Xavier e os seus colaboradores, o Que Raio de Saúde a Nossa muito tem aprendido.

E porque aparentemente simples é esta maneira de fazer história...

History of Drums

"Performed by Jay Webler,at a local Atlanta private school, during a teacher recital. The "History of Drums" is a solo that goes from Baby Dodds to Steve Gadd, with Gene Krupa, Buddy Rich, Elvin Jones, Max Roach, etc. in between. This was a solo that I developed when, at the insistance of Rebecca,(one of my 5 children, who thought it would be a neat, I entered a local contest. I won the contest and have since gone back into full time private teaching."

Parabéns, Xavier, por estes três anos de história do "nosso" Saúde SA.

sexta-feira, abril 13, 2007

confuso ou bem claro?


O Ministro da Saúde disse há dois dias:
“Foi pena não termos integrado a ADSE em 1974 ou 75 no sistema de trabalhadores por conta de outrem. Agora é um pouco mais difícil mas podemos fazer aquilo que fizeram outros países que têm também a ADSE. Em Espanha, por exemplo, a ADSE foi contratualizada a sua gestão, abriu-se um concurso público internacional e houve uma ou duas companhias de seguros de doença que gerem a ADSE espanhola. Isso também se pode fazer em Portugal”.

E no dia seguinte, o Gabinete do Ministro da Saúde:
"esclarece que não tem qualquer conhecimento de que o Ministério das Finanças tenha a intenção de privatizar a ADSE e que o ministro Correia de Campos, na entrevista realizada pela SIC Notícias, apenas se terá limitado a dar exemplos do que acontece com sistemas idênticos de saúde noutros países europeus, nomeadamente na nossa vizinha Espanha".

Pelos vistos, foram só exemplos, mas “isso também se pode fazer em Portugal”.
O Sr. Ministro quer mas…
Só falta os outros quererem.
Está esclarecida a confusão.
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quarta-feira, abril 11, 2007

serão já pérolas da nova assessoria de imprensa?




Retirado do Saúde na Beira Interior , aqui está um excelente Post lá publicado.

As Pérolas do Marketing Comunicacional

O Ministro da Saúde, Correia de Campos, inaugurou uma nova estratégia comunicacional. Em plena época festiva pascal, escreveu uma cartinha (com data de 7 de Abril) “às ARS com informação dirigida aos cidadãos”, lê-se no portal do ministério. Mas, o mais surpreendente, é mesmo a apresentação gráfica da dita carta. Um fundo multicores e um enquadramento de “esguelha”.
Presume-se que esta metodologia não tenha surgido do nada. Certamente obedece a uma estratégia de marketing amplamente estudada, com o objectivo de melhorar a imagem de senhor ministro da saúde.
Se é assim, resta aguardar pelas próximas peças da campanha. Certamente pérolas desperdiçadas. É que as questões da saúde vivem-se no dia a dia, as decisões pesam, as opções têm consequências.
Não se resolvem colorindo a realidade!
Saúde na Beira Interior

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se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé



"As ambulâncias de socorro vão reduzir de três para dois os membros da tripulação, ao abrigo de uma portaria hoje publicada e que pretende adequar a legislação a uma realidade já vigente em Portugal.
Para além de redefinir o número de tripulantes das ambulâncias de socorro, a portaria, determina que um dos elementos seja simultaneamente o condutor e que o outro deve ter, pelo menos, o curso de tripulante de ambulância de transporte." Diário Digital


Esta Portaria nº 402/2007 dos Ministérios da Administração Interna e da Saúde, vem então tornar legal a pratica ilegal denunciada por Vítor Almeida (Presidente da Associação Portuguesa de Medicina de Emergência) segundo o qual, o INEM violava a lei ao não equipar devidamente as suas 270 ambulâncias, ao mesmo tempo que a tripulação das ambulâncias de socorro que deveriam contar com três técnicos, frequentes vezes eram tripuladas só por dois, contrariando assim o estipulado pela Portaria nº1147/2001 .
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Assim sendo as ambulâncias de socorro terão a partir de agora, segundo a lei, o mesmo número de técnicos que as de transporte, fundamentando o Secretário de Estado da Administração Interna e o Secretário de Estado da Saúde esta redefinição do número de tripulantes, "nas boas práticas, internacionalmente definidas e na análise de custo-benefício."
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sábado, abril 07, 2007

será altura de nivelar? (II)

Transcrevo aqui palavras escritas em de Setembro de 2006 por José António Saraiva, que bem podem responder à pergunta:
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“será altura de nivelar?”
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quando se coloca a hipótese de deslocar médicos de MGF do interior para o litoral.

Por isso, neste momento, o caminho certo não era fechar maternidades, enviando as grávidas para as grandes cidades ou para Badajoz: era, pelo contrário, favorecer a natalidade, procurando inverter a situação actual.
O caminho certo não era fechar serviços na província: era, pelo contrário, fazer tudo para que as pessoas não fugissem do interior, fixando-as nos locais onde vivem, facilitando-lhes a vida, promovendo o emprego.
Tudo isso custa dinheiro? Pois custa.
Mas é preciso saber onde poupar e onde investir – e, nesta altura, o combate à diminuição de nascimentos e a luta contra a desertificação do interior do país são dois objectivos onde é preciso gastar.
O povoamento do território, quando foi feito, custou caro; mas alguém põe em causa o dinheiro gasto?
Acresce que uma das missões do Estado é dar à sociedade os sinais certos.

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Ora dificultar os nascimentos, dificultar a vida no interior, acabar com postos de trabalho nas vilas e pequenas cidades, são tudo sinais errados – que dão a entender que o Governo está resignado com os desequilíbrios que existem e até os favorece e estimula.
É preciso dizer mais?” JAS – Set.2006


Trata-se efectivamente dum problema social, de equidade e de universalidade a que o SNS está obrigado a dar resposta.
Não se trata dum problema financeiro, mas político.
Não se trata de controlar despesas mas de definir uma estratégia.
Trata-se de “dar à sociedade os sinais certos e não os errados”.

Mas no que à Saúde diz respeito, os sinais certos deverão ser dados não somente quantitativamente mas qualitativamente. Deverão ser ponderados os diferentes níveis de acessibilidade e de oferta, de poder económico, de nível educacional e familiar das populações do interior e do litoral.

Os sinais certos deverão ser orientados para um planeamento que impeça a desertificação do interior e evite a progressiva “litoralização” do País.

Isto terá sido feito desde 2001 com os incentivos à fixação de profissionais de saúde no interior deles carenciado, proposto pelo Ministério da Saúde de Manuela Arcanjo.

“O Ministério da Saúde divulgou na quinta feira, 5, o pacote de incentivos para a fixação de médicos nos hospitais, centros de saúde e serviços mais carenciados do País, onde o Interior apresenta os maiores índices.
Subsídios de fixação, residência e deslocação são algumas das regalias a juntar a outras de natureza não pecuniária: garantia de transferência escolar dos filhos, preferência na colocação do cônjuge e prioridade na participação em acções de formação profissional.
Tudo isto, se o médico permanecer no local para onde foi transferido por um período mínimo de cinco anos.
Manuela Arcanjo, ministra da Saúde, refere que a necessidade deste regime decorre de uma constatação óbvia: a deficiente distribuição geográfica dos profissionais de saúde.”

Decorridos 6 anos o que mudou?
Uma coisa é certa.
A política social, do mesmo partido do Governo, essa, sem dúvida alguma que mudou...
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Será preciso dizer mais?
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sexta-feira, abril 06, 2007

será altura de nivelar?


"Criámos a noção de que o interior não tinha médicos de família, mas é precisamente o contrário; é no litoral que há carência."


Disse isto, Correia de Campos na Comissão Parlamentar da Saúde, quando explicava algumas das suas das medidas "controversas", como fecho de maternidades, dos Serviços de Urgência e dos SAPs.


E para resolver esta situação de deficiente cobertura de médicos de MGF no litoral, porque os incentivos à admissão de licenciados na Carreira de Medicina Geral e Familiar tardam a dar os seus frutos, apostar-se-à na "passagem de médicos para o regime de mobilidade especial da Função Pública”, deslocando-os assim do interior para o litoral do território…


“Nivelar por baixo” a relação médico/doente é do que se trata.
Estica-se a manta para cobrir a cabeça e ficam os pés a descoberto, tentando-se arranjar um bom par de meias de lã (porque não remendadas) para os aquecer durante o inverno, já que no interior do país esta estação do ano costuma ser bem fria.

Espera-se que a História, mais tarde, não venha a considerar como tendo sido penalizante para o país (do interior ao litoral) esta política de “medidas avulsas”, descoordenadas e sem uma visão global e integrada, deste Ministério da Saúde.


Entretanto, para a ajudar a toda esta “baralhada” a Comissão Nacional para a Reestruturação dos Serviços de Saúde Mental vem lançar mais achas para esta fogueira ao concluir no seu Relatório perliminar que:
"A actual rede de cuidados psiquiátricos funciona mal e tem graves problemas de acessibilidade". A comissão propõe que se criem "unidades de internamento em todos os hospitais centrais, ou, pelo menos, uma por distrito (...) e ainda em todos os novos hospitais a construir, de parceria com os privados". Dá conselhos à tutela: "que a grande maioria dos cuidados se faça a partir das Unidades de Saúde Familiar (USF) e dos “novos” centros de saúde.” Semanário


E já agora, como que para “compor” um pouco toda esta trapalhada, o Conselho de Ministros na sua ultima reunião de 5 de Abril, aprovou um Decreto-Lei onde prevê manter “o regime especial de contratação de pessoal no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (...) nomeadamente no que concerne à prestação dos cuidados de saúde.”Portal do Governo

quarta-feira, abril 04, 2007

a medicina e o telefone

O ministro confirmou que é a 25 de Abril que vai começar a funcionar o centro de atendimento telefónico destinado a encaminhar os doentes a nível nacional, que acolherá, a 18 de Abril, a linha de saúde pública e, a 21, a linha pediátrica «Dói, dói, trim, trim».

Em Vila do Conde, onde ainda não existe nenhuma USF, o ministro fez um apelo veemente aos médicos: «Organizem-se! Alarguem os vossos horários, dêem os vossos números de telemóvel aos doentes».

em TM 1.º CADERNO de 2007.06.020712381C30507MF13D


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segunda-feira, abril 02, 2007

"taxas moderadoras" então para quem?


Três artigos do DN de hoje, assinados por três jornalistas diferentes, abordam o tema das novas taxas moderadoras que segundo os autores e o conteúdo das notícias as consideram como "co-pagamentos de actos médicos".

De maneira nenhuma. Não se trata de uma taxa moderadora, mas de um co-pagamento. C.Sakellarides

O beirão obstinado que teima em ser rei da impopularidade no Governo
Parece ser sina dele: volta agora a suscitar polémica com a entrada em vigor das novas taxas moderadoras por internamento e cirurgia. Adivinham-se novas quedas nos próximos barómetros de popularidade.
"Quem tem dinheiro, se calhar não faz diferença, mas quem não tem... Já viu bem? É mais uma razão para as pessoas se deixarem ficar doentes em casa"

Difícil para uns é aceitar o termo “co-pagamento”, antes preferindo e defendendo dever continuar a ser considerado como uma “taxa moderadora”.

Numa primeira fase da sua criação considerada moderadora do consumismo, dirigida ao “consumidor” e numa segunda fase (a da sua institucionalização) também dirigida ao “prestador de serviços”.

Contraditória é esta defesa de moderação quando, com a isenção de mais de 50% da população utilizadora do SNS (prevista no Artº.2 do DL 173/2003 e segundo palavras de CC) a ela escapa (precisamente o grupo populacional que em valores absolutos mais recorre aos serviços do SNS - população de baixo poder económico ou portadora de doenças crónicas entre outros), deixando assim a “moderação” para os restantes, que da mesma forma e em valores absolutos, menos utilização fazem dos mesmo serviços.

O que está em causa é uma coisa bem diferente desta pretensa moderação e também não serão as “migalhas” com elas arrecadadas que fundamentam a sua actual existência.

É o que André Macedo no DE através da sua pergunta sugere que se defenda:

“No fim do ano, esta nova taxa permitirá ao Estado recuperar nove milhões de euros. Como é evidente, nove milhões num orçamento de 8,9 mil milhões não resolve nada, são migalhas, mas evidencia o princípio que importa discutir: num sistema de saúde estatizado, com cobertura universal, a pressão do Governo sobre os custos é suficiente para viabilizar o SNS durante quantos mais anos?”

Isto é:

O questionar um SNS “estatizado”, “universal” e geral, tendencialmente gratuito, que garanta o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados de saúde (Constituição da República).

E como que respondendo à questão, vamos sendo preparados através de decisões e atitudes políticas economicistas que subalternizam as políticas sociais, as encaminham para o “esquecimento” e assim vão transformando o SNS num serviço desvirtuado de todos os seus princípios.

Desvalorizando-se o que de bom realiza:
“Há mais e melhores médicos. Há mais e melhores enfermeiros. Há mais tecnologia disponível e melhores equipamentos. Em 2005, realizaram-se 32 milhões de consultas nos centros de saúde. A nossa taxa de mortalidade infantil é das mais baixas da Europa. Há farmácias em todo o país.”

E valorizando-se o que de pior ou menos bem tem gerido:
Os gastos, o desperdício, a produtividade, as listas de espera.

Para estes, como para André Macedo, a manter o SNS com os seus princípios fundamentais “Até pode haver saúde para todos, como diz a Constituição, mas será uma fraca saúde que começará a não dar confiança a ninguém”.
E para que tal não suceda, sugere-se atenção ao esperado relatório da Comissão de Peritos encarregada de estudar alternativas ao actual modelo de financiamento do SNS, que segundo parece aponta para a criação de seguros complementares de saúde e de Fundos destinados à Saúde.

Assim, sim.

Até pode haver o direito à saúde para todos, baseado num “SNS” consagrado numa qualquer Constituição.
Será um fraco “SNS” para todos, que começará a não dar confiança aos mais ricos, mas que só os mais pobres a ele se verão obrigados a ter que recorrer.
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domingo, abril 01, 2007

as palavras e a realidade


Não é mentira do 1º de Abril…

“Um serviço de medicina e enfermagem ao domicílio a preços reduzidos vai estar disponível a partir de segunda-feira na Maia, numa iniciativa pioneira em Portugal promovida por quatro juntas de freguesia daquele concelho dos arredores do Porto,” Portugal Diário

… é pura realidade.


É o reflexo antagónico das palavras de Correia de Campos ainda ontem proferidas na RTPn no programa “Mais Saúde”:

“o sector privado vai continuar a ser complementar do Serviço Nacional de Saúde e não competitivo com ele.”

Olha para o que eu digo e não olhes para o que eu faço.
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sábado, março 31, 2007

novos impostos sobre a doença

................................................................................. Goya - "Doença e crise"

Os impostos sobre os doentes, como o prometido, entram em vigor no dia primeiro de Abril.
Não é partida do “Dia das Mentiras” até porque a portaria (
395-A/2007) que actualiza o valor das “taxas moderadoras” e cria dois outros impostos sobre os “internamentos” e as “cirurgias de ambulatório”, foi publicada hoje em DR entrando em vigor precisamente no dia 1 de Abril.

Refere no seu preâmbulo, ser necessária a revisão das taxas tendo em atenção a taxa de inflação verificada em 2006, corrigindo assim os valores praticados até à data. (portaria nº219/2006)

E quais foram os aumentos?

Consultas Externas (aumento médio) – 2,8%
Serviço domiciliário – 4,7%
Urgência (aumento médio) – 3,0%
Análises de rotina (18 análises) – 8,5%
ECG (12 derivações)– 43% ???
Rx simples – 0%
TAC – 2,9%
RMN – 3,0%
Ecografia – 3%
Endoscopia – 3,2%
Etc, etc, etc…

Com raras excepções, pela positiva e pela negativa, os aumentos foram bem aproximados da taxa de inflação de 2006 (3,1%). Mas que dizer dos salários que aumentaram 1,5%?

É que, é com este aumento salarial que os trabalhadores têm que suportar um superior aumento do custo de bens que deveriam ser considerados essenciais (ou de saúde não se estivesse a falar).
Não “alivia” ninguém ouvir dizer-se que “as novas taxas, bem como as que estão em vigor, deverão ser gratuitas para os utentes isentos, o que representa mais de metade dos utilizadores do serviço”, quando ao mesmo tempo se comunica que estes aumentos representam um acréscimo de 1,5 milhões de Euros que entram nos cofres do SNS, à custa dos doentes.

E se de um internamento hospitalar a uma cirurgia, de umas análises a um ECG está o Ministério da Saúde a falar, porque insiste Correia de Campos e a sua equipe em falar de taxas moderadoras quando a dita moderação, ou falta dela, a outros (aos requisitantes) diz respeito?

Bom senso e consideração, por quem de cuidados médicos necessita, deveriam existir. E se tais sentimentos não existem, em particular por parte de quem tem obrigação social de os ter, então apelos à solidariedade ou à compreensão para sacrifícios pedidos, porque necessários, não poderão ter entendimento e aceitabilidade.

Com estes aumentos e estes “novos impostos sobre o internamento e sobre as cirurgias, sub-repticiamente, ano após ano, com a ameaça da “sustentabilidade do SNS”, o princípio consagrado na Constituição da República que determina que o SNS é tendencialmente gratuito, a bem curto prazo será substituído, na próxima revisão Constitucional, por “tendencialmente pago”, sempre e sempre com os mesmos argumentos.

E um aviso mais é feito em “Memórias para esquecer” sobre este tema e sobre o encerramento de serviços de saúde:

"Coincidência?!?
Ainda acreditam nisso?!
E acham o quê?
Que é também coincidência os aumentos das TAXAS MODERADORAS que entram hoje em vigor?
Meus amigos, as taxas aumentam, simplesmente para que fiquem mais próximas dos valores dos PRIVADOS, para que vocês pensem duas vezes entre fazer os 30 ou 40 ou mais Quilómetros que AGORA os separam do hospital mais próximo ou irem ao privado que nasceu, caído do céu mesmo no meio da vossa Vila ou Cidade...
Abram os OLHOS!!!"

E bem é preciso abrir os olhos.

quinta-feira, março 29, 2007

quem protege os ratos do SNS?

Erro ou realidade?

Na página do JN de hoje (edição online) referente à notícia “Ministro da Saúde em diálogo com municípios” aparece em maiúsculas e a vermelho no topo dessa mesma página:

"É INACEITÁVEL QUE SE PROTEJA UM RATO E SE VIOLE AQUILO QUE ESTÁ CONSTITUCIONALMENTE CONSAGRADO" aqui

Sobre a violação do que está constitucionalmente consagrado, no que ao Serviço Nacional de Saúde diz respeito, já muitos se têm apercebido de que se trata.

Agora, qual será o “rato” que estão a proteger e quem o está a proteger?

Mas afinal o rato é outro… É o rato-de-cabrera.
“O rato-de-cabrera está a ser usado como desculpa para impedir o avanço da ligação viária entre Outeiro e Vimioso, distrito de Bragança.” JN
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a "efervescente" importância dos cuidados materno-infantis

O Colega Vladimiro, do O efervescente, a dissertar sobre os custos das cesarianas, na SIC. Muito bem.



quarta-feira, março 28, 2007

a pressão financeira e a qualidade dos cuidados de saúde


Retiro, do texto publicado pelo TMOnline de 27.03.07 que resume o que se passou num debate sobre “Sistemas de Saúde e qualidade dos cuidados oferecidos aos cidadãos” realizado na Ordem dos Médicos do Norte aquando da apresentação do “nascimento” da Sociedade Portuguesa para a Qualidade em Cuidados de Saúde, a preocupação da Drª Susana Parente (Anestesiologista do Hospital de S.Francisco Xavier) quando confrontada com a análise feita por Maggie Somekh sobre o “Passado, Presente e Futuro do NHS” link
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"Precursor de algumas medidas agora espelhadas no Serviço Nacional de Saúde português, o National Health Service (NHS), do Reino Unido, debate-se actualmente com alguns problemas que, acreditam os especialistas, deverão vir a fazer-se sentir em Portugal nos próximos anos.
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Daí que as explicações de Maggie Somekh sobre o «Passado, Presente e Futuro» do NHS tenham deixado algo inquietos os parceiros portugueses.

Desde logo, a falência do modelo dos Primary Care Trusts, que estão a ser reduzidos para metade, e a competitividade entre hospitais potenciada pela abertura do mercado à iniciativa privada chamaram a atenção dos clínicos nacionais.

«Alguns hospitais não sobreviveram», contou Maggie Somekh, que falou ainda da dificuldade da partilha de experiências profissionais entre instituições concorrentes.
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Positivo no que toca à redução de custos, o outsourcing de serviços de limpeza e de catering poderá ter contribuído para a disseminação da infecção hospitalar.
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De resto, as preocupações para o futuro anotadas pela representante britânica não divergiram muito das entretanto enumeradas por Susana Parente no que toca ao sistema português. A especialista mostrou-se preocupada com a possibilidade de as pressões financeiras levarem à redução de pessoal e, consequentemente, ao encerramento de camas e ao aumento das listas de espera, conduzindo assim a uma pressão para altas precoces e a maiores possibilidades de reinternamento, bem como com a fragmentação entre serviços da esfera pública e privada e a possibilidade de o sector privado vir a tomar conta dos serviços de saúde comunitários."

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terça-feira, março 27, 2007

bloco operatório da Unidade de Fafe do CHAA




"O bloco operatório do Hospital de Fafe está encerrado há uma semana devido a uma avaria no sistema de ar condicionado. Na última terça-feira foi detectada uma instabilidade na temperatura ambiente do bloco e a direcção clínica entendeu suspender todas as cirurgias que estavam agendadas até que a situação se resolva."JN

Na realidade, o BO da agora denominada Unidade de Fafe do Centro Hospitalar do Alto Ave suspendeu a sua actividade no dia 20 de Março em virtude de avaria no compressor do chiller do sistema de ar condicionado, com o consequente descontrolo das temperaturas exigíveis para a prática de cirurgias.

A reparação, a cargo do SUCH e sob a supervisão do Serviço de Instalação e Equipamentos do CHAA, com os inconvenientes óbvios para os doentes dos serviços cirúrgicos desta unidade, tarda a ser realizada.
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"Urgências" e "horas extraordinárias", para outros técnicos que indirectamente interferem no tratamento dos doentes, parece não existirem...

Trata-se dum sistema de ar condicionado, instalado, aquando do “reinado” de Leonor Beleza/Costa Freire, no restaurado Hospital de S.José de Fafe já nos finais da década de 80. Caduco já nesta data, obsoleto nos dias de hoje assim permanece.

Apesar de insistências e pedidos vários para a sua substituição, por parte dos anteriores CA (a candidatura a financiamento através do Programa Operacional Saúde XXI em 2006 - não foi contemplada), assim permaneceu a funcionar deficitariamente, ao longo dos já 17 anos de actividade cirúrgica contínua no Hospital de S.José de Fafe.

Será que a Unidade de Fafe, agora fazendo parte dum Centro Hospitalar, vai ter por parte do actual CA, da ARS do Norte e do MS, uma aposta diferente em termos de investimento na qualidade, na segurança e na modernização das suas instalações?

Porque os doentes e os profissionais desta Unidade o merecem, assim todos esperamos.
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sábado, março 24, 2007

dia do estudante

"Hoje não são muitos os que recordam as razões que identificam o dia 24 de Março com os estudantes. Para as compreendermos temos que recuar à crise académica de 1962 e às causas das lutas estudantis desde o início do século.

(...)De tudo isto ficou a memória e a data: 24 de Março, escolhida pela Assembleia da República quando em 1987 fixou o Dia do Estudante. E que bom que é poder assistir à manifestação livre das reivindicações dos estudantes, quer se concorde ou não com todas elas, num ambiente democrático de respeito pelos seus direitos, liberdades e garantias."Rui Grilo




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sexta-feira, março 23, 2007

ToKyo 84

Keith Jarrett playing. Footage from "Keith Jarrett: Last Solo". Tokyo '84 Encore



Sem palavras.
Só para se ouvir e ver...

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