
Sabe-se entretanto, que os partidos da oposição representados na Comissão Parlamentar da Saúde da AR, requereram a presença, pela segunda vez, da Comissão de Técnicos que elaborou o referido relatório no sentido destes ali responderem a questões que acham dever ser respondidas antes da apresentação final do novo relatório. Este requerimento teve a abstenção dos deputados do grupo parlamentar do Partido Socialista, que tomaram esta posição de voto (viabilizando assim o requerimento da oposição) em virtude de um deputado socialista ter colocado dúvidas sobre as opções apresentadas pela Comissão de Técnicos, ouvidas as “reclamações e contribuições públicas”, as concordâncias e as discordâncias.
Ao mesmo tempo que sucedem, mais ou menos mediaticamente difundidas, tomadas de posição públicas de desagrado pelas propostas apresentadas é confrontada a opinião pública com uma série de medidas que contribuirão para um reforço da desertificação do interior do país e dos pequenos centros populacionais e simultaneamente com a realidade dum sistema público de assistência médica urgente com deficiências que sempre existiram e que se prevêem agravadas (nesses mesmos locais) com a proposta apresentada.
Altera o Ministro da Saúde o Despacho nº 727/2007 que determina quais as especialidades médicas e cirúrgicas a estarem presentes nos SUPs e nos SUMCs conduzindo, com as alterações apresentadas, ainda a uma maior centralização do acto médico em algumas especialidades.
Aguarda-se ainda a definição do grau de preparação exigido aos profissionais (médicos e enfermeiros) que irão constituir os SUBs.
Desconhece-se o que está a ser feito no sentido de apetrechar o INEM com VMERs suficientes para dar resposta ao aumento das solicitações decorrentes das alterações propostas ou a propor. Locais existem com estruturas e equipamento disponíveis, mas sem profissionais devidamente preparados para os utilizar.
O que é de lamentar é que quem apoiava as medidas apresentadas, hoje, se aproveitem desta instabilidade e desta “desordem” para obter o seu protagonismo.
A Ordem dos Médicos que em tempos declarava, através do seu Bastonário, estar de acordo com as medidas propostas de reestruturação dos SU “embora pouco ambiciosas”, hoje considera-as perigosas ao dizer um seu dirigente que "não se podem fechar urgências por razões económicas e depois logo se vê”. À afirmação do Bastonário de que “os portugueses devem perder o hábito de ter sempre um médico atrás de cada árvore” contrapõe hoje a OM com o aviso de que consequências gravosas para os doentes podem decorrer de encerramentos de SU, sem nexo.
Mudam-se os tempos…mudam-se as vontades.
Aguarda-se responsabilidade e respeito pela preservação da saúde ou da vida das pessoas, no que à assistência médica em geral e à de urgência em particular, diz respeito, por parte de quem tem o poder de decidir.






















