sábado, janeiro 06, 2007

novo hospital de Fafe já com terrenos disponíveis

Justiça de Fafe e Folclore

A autarquia de Fafe, através do seu Presidente da Câmara e da sua Assembleia Municipal escusam-se a oficialmente tomar posição sobre o futuro do Serviço de Urgência do Hospital de S.José de Fafe e quando os autarcas da oposição questionam o Presidente da Câmara, sobre as diligências que está a fazer ou teria feito na defesa da manutenção dum SU na cidade, não as revela, mas em declarações à imprensa local e regional fá-lo:

"o concelho não pode aspirar a mais do que ter um Serviço de Urgência Básico e será esse que defenderemos com toda a veemência se bem que nesta altura não tenhamos a certeza de que o vamos ter".

E mais à frente, como que a propósito …
"Já foi feita uma verificação técnica do terreno onde nós achamos que será mais adequado instalar o hospital". JN


São estas as palavras do Presidente da Câmara de Fafe.

Não sabe com certeza (ou diz não saber) o que Fafe vai ter em termos de Serviço de Urgência, mas sabe no entanto que o futuro do “novo Hospital de Fafe” já está assegurado uma vez que “terreno já existe” para ele.

Aqui está a prendinha de Ano Novo prometida aos elementos do CA do Hospital de Fafe pela ARS do Norte aquando duma visita relâmpago ao Hospital, em Novembro de 2006 e que dada ao Presidente da Câmara de Fafe, bem poderá servir de “moeda de troca” para o encerramento do Serviço de Urgência:

“Pediram-nos (os elementos do CA da ARS Norte) para esperar por esse dia e logo depois saberiam os responsáveis, os serviços os profissionais que aqui trabalham e a população de ... (pequena cidade do interior), o que lhes ia acontecer… poderão ter, quem sabe, uma prendinha de Ano Novo no sapato, a qual este CA está profundamente empenhado em oferecer.A prenda dum Novo Hospital em ... (pequena cidade do interior).
Que Hospital... depois eu contarei.”
link

Um Hospital de Proximidade como o de Lamego e Amarante, com o objectivo de reduzir a pressão no hospital de referência e que disponha:
1. duma Consulta Externa diferenciada, sem lista de espera
2. de cirurgia de ambulatório geral com o apoio de Hospital de Dia e apoio domiciliário.
3. de MCDT com ligação directa ao Hospital de referência
4. duma unidade de cuidados continuados e de convalescença de doentes intervencionados na área de agudos do Hospital de referência.

Mas sem Serviço de Urgência...

Será que esta prenda se baseou em estudos da relação custos/benefícios para a população, da oferta/procura e variações demográficas locais previsíveis, da localização geográfica, dos investimentos humanos e materiais necessários, dos prazos de concretização do projecto, de enquadramento num Centro Hospitalar ainda não constituído?

Honesta pareceria ser a proposta não fosse ela ter aparecido numa altura em que se aguarda o relatório final sobre a reestruturação da rede nacional de Serviços de Urgência e estarem suspensas as acções conducentes à criação do Centro Hospitalar de Guimarães-Fafe.

Que boa prendinha de Ano Novo deu a ARS do Norte ao Presidente da Câmara de Fafe.
De prendinhas destas, com intenções desconhecidas, é que eu não gosto nada, mas dá uma grande ajuda ao Sr.Presidente da Câmara de Fafe.


quinta-feira, janeiro 04, 2007

"guerras para proveito dos que se conhecem"


O Presidente da Mesa da Assembleia Regional do Norte da Ordem dos Médicos, médico, Miguel Leão contra o Presidente do CA da ULS de Matosinhos, médico, Nuno Morujão. RTP

"O presidente da Mesa da Assembleia Regional da Ordem dos Médicos/Norte, Miguel Leão, anunciou que vai propor a condenação pública do médico Nuno Morujão por ter impedido o acesso da OM/Norte ao Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos."

Esta condenação pública decorrerá numa Assembleia Regional da OM/Norte e será feita "junto dos órgãos de comunicação social e dos médicos portugueses".

E porquê?

Porque a Delegação Norte da Ordem dos Médicos (OM/Norte) foi impedida, a 28 de Dezembro, pelo Conselho de Administração presidido por Nuno Morujão, de usar as instalações do Hospital de Matosinhos, para debater com os clínicos daquela unidade de saúde a introdução de um controlo de assiduidade por impressão digital, a coberto duma "legitimidade jurídico-formal".

Segundo Miguel Leão:

"Esta atitude é estranha e susceptível de várias interpretações, dado o facto do bastonário da Ordem dos Médicos ter sido autorizado a realizar uma reunião naquele hospital sobre o mesmo tema um dia depois de ter sido recusado o acesso ao Conselho Regional do Norte"
"Esta atitude de Nuno Morujão é censurável por si e pela dualidade de critérios que evidencia" além de pôr em causa o "bom-nome e o prestígio" da secção regional do Norte da OM.
"Que a comparência, na passada terça-feira, do ministro da Saúde no Hospital Pedro Hispano revela a magnitude dos problemas da instituição"

Na moção que vai apresentar na assembleia regional da OM/Norte, Miguel Leão afirma ainda que Nuno Morujão teve a conivência do Director Clínico, médico Joaquim Pinheiro já que este terá declarado que:

"Não podemos dispensar profissionais em dois dias consecutivos, numa altura de grande pressão para o serviço hospitalar, para debater o mesmo assunto com duas estruturas da mesma organização".

E como a OM/Norte critica a medida de controlo de assiduidade por considerar que reduz a actividade médica a "um exercício essencialmente burocratizado".

E como a OM/Norte está zangada com o Bastonário da Ordem dos Médicos.

E como os médicos não se entendem nestas "questiúnculas" de protagonismo e de luta pelo "poder".

E porque à Ordem dos Médicos interessa manter estas "questiúnculas" e vá-se lá saber porquê, não interessa o controlo digital de assiduidade para os médicos.

E porque se não és por nós, és contra nós".

O Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, em Assembleia Geral Extraordinária através do seu Presidente da Mesa, o médico Miguel Leão, vai propor a condenação pública do Médico Nuno Morujão.

Como deve estar contente Correia Campos.... com o médico contra médico!

Senhor Ministro Correia Campos...

Para quê remendos com leis de incompatibilidades restritas?

Para quê proibições restritas a acumulações de funções médicas dentro do SNS?

Para quê pensar em horários médicos de 20 horas semanais?

Para quando a dignificação do acto médico no SNS?

Para quê ameaças de "se não estiverem bem, saiam do SNS"?

Para quando a separação das águas públicas e privadas no SNS?


Coragem, Senhor Ministro Correia Campos.




quarta-feira, janeiro 03, 2007

a ausência do Sr.Presidente da Assembleia Municipal de Fafe


A propósito da ausência do Presidente da Assembleia Municipal de Fafe numa sessão extraordinária convocada (ao abrigo do seu regimento) para o dia 21 de Dezembro para analisar a proposta de encerramento do SU do Hospital de Fafe, sinto-me na obrigação de aqui apresentar a explicação dada pelo Dr. Laurentino Dias (também Secretário de Estado do Desporto):

"Estive ausente do país e quando cheguei e tomei conhecimento do pedido, telefonei ao primeiro requerente que não pôde ser contactado e depois liguei ao segundo subscritor avisando-o que tinha marcado uma assembleia ordinária para o dia 29 onde o assunto do Hospital constava da ordem de trabalhos"JN

Explicação dada e bem pensada se calhar...

Mas nada disse relativamente ao incumprimento do Regulamento da AM que o obrigava à convocação da referida Assembleia.
Não justifica também a ausência de todos os outros deputados da AM do Partido Socialista.

E porque faltou também à continuação desta reunião ordinária, marcada para 2 de Janeiro já do ano de 2007, em que o assunto do Serviço de Urgência ia ser abordado?

A resposta a estas perguntas, se houve esquecimento, aqui são relembradas para que todos os fafenses saibam quanto o seu Presidente da AM e “filho das terras de Fafe, se interessa e tem consideração pelos seus conterrâneos.



.

terça-feira, janeiro 02, 2007

puxão de orelhas


Duma maneira imprevista, logo no primeiro dia útil do ano de 2007, Correia Campos desloca-se ao Hospital Pedro Hispano para ter uma reunião com o CA da ULS de Matosinhos e com os Directores de Serviço demissionários daquele Hospital.

Em causa estaria a tomada de posição dos médicos face ao controlo de assiduidade através de impressão digital, posição esta dada a conhecer precisamente no último dia útil do ano de 2006.

Que puxão de orelhas terá dado Correia Campos aos membros da ARS do Norte que o acompanharam nesta visita?

Desconheço se o terá dado ou não, mas lá que mereciam, mereciam.

Não é admissível que um Ministro da Saúde se tenha que deslocar a mais de 300 Km do seu Ministério, para em pouco mais de uma hora, aparentemente resolver um problema que à ARS competiria resolver.

E como diz ter resolvido?

Reconhecendo haver por parte dos profissionais um desconhecimento das implicações técnicas do sistema tendo o próprio CC esclarecido “todas as dúvidas duma forma muito prática”.
Falando em horários flexíveis e em gestão mais aperfeiçoada e mais justa dos recursos humanos.
Alargando também o período experimental até fins de Fevereiro.
E alertando que o sistema é para ser aplicado a todas as instituições públicas da saúde.
Assim...

Pedagogia, diálogo e motivação seria o pretendido por CC.
Será que o conseguiu depois da ARS do Norte e o CA da ULS ter deixado extremar tanto as posições?

Talvez Correia Campos não tenha puxado as orelhas aos elementos da ARS do Norte e ao CA da ULS, a julgar pelos sorrisos destes aquando da despedida.

Puxão de orelhas terá dado CC aos médicos da ULS através dos seus Directores de Serviço presentes:
Dizendo desconhecer, qual avestruz, os seus pedidos de demissão.
E que quem não quisesse aceitar este sistema de controlo, tinha as portas abertas para sair do SNS (no caso dos Internos de Especialidade, aconselhando-os a irem realizar a sua aprendizagem noutro país, que não o nosso).
Zangado estava Correia Campos na conferencia de Imprensa…

Será que resolveu o diferendo?
Sinceramente fiquei sem saber.

E pronto de novo regressou a Lisboa.

E lá foi “a correr” para apresentar a “criação dum novo hospital no concelho de Sintra, a ser construído e gerido pelo mesmo grupo privado que for responsável pela direcção da já existente unidade de Amadora/Sintra.”
E nesta altura e neste local ainda teve tempo para comunicar que:
"Tem intenção de alterar este ano o regime de trabalho dos médicos, com retribuição baseada no desempenho.
Segundo o governante, os médicos poderão optar por dois novos regimes de horários de trabalho nos serviços públicos de saúde (40 horas semanais ou 20 horas semanais), e o seu salário vai ser "acrescido de incentivos pelo desempenho realizado".RTP
Que boa altura, sem dúvida...
.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

não há lugar a desistências


1º Post do ano 2007

Dia de repouso para retempero de energias gastas.

Perspectiva-se para 2007 um ano de “cinto apertado” não para todos os portugueses mas para uma grande, imensa maioria.


Foto de Alexandre Van de Sande - Ron Mueck - in bed

.
.
As medidas económicas apresentadas no Orçamento do Estado para 2007 o prognosticam.
Os aumentos dos preços já efectivos assim o comprovam: a alimentação, os transportes, a electricidade, a educação, a saúde…
O trabalho precário e os contratos a prazo aumentam para diminuir virtualmente a taxa de desemprego.
As empresas multinacionais encerram e levam consigo todo o investimento público nelas realizado.
O Governo escudando-se na reforma da administração pública (que é necessária) fá-la com a criação de novos Institutos, de novas comissões e gabinetes, de novas mega-empresas que ainda aguardam enquadramento legal e na aplicação de novos/antigos modelos empresariais para as empresas públicas.
Mas também actuando sobre os seus trabalhadores diminuindo os seus efectivos e contratando precariamente outros, diminuindo o seu poder de compra, a sua estabilidade e as suas condições de trabalho.

Exige-lhes produtividade para combater o desperdício mas esquece-se de os formar e de os motivar para isso.

Exige-lhes compreensão para o esforço que lhes é pedido mas retira-lhes as garantias que os motivam no dia a dia do trabalho.

Obriga-os a passarem por dificuldades mas esquecem-se de que os seus membros também por elas devem passar.

Mas tenho a esperança de que no ano de 2007 a Figura do Ano possa vir a ser a figura que um comentador do Saúde SA proporia para 2006:

"Todos quantos com grande dedicação e valia trabalham no SNS e não desistem"

e não podemos de facto desistir, já que:

(…) são as adversidades que nos fazem avançar e das adversidades, podemos retirar vantagens, a par da motivação e formação, que nos fazem dar saltos qualitativos!

Vamos ser:
pró activos;
organizados;

Sentirmo-nos motivados e motivar (não esquecer o efeito pigmaleão e o poder do elogio);
adaptáveis;
críticos;
saber avaliar e sermos avaliados.”
"naoseiquenome usar" em Saude SA
.
Assim conseguiremos....
.

domingo, dezembro 31, 2006

grande 2007

foto de B.K.Bangash Bangash

GRANDE 2007
(com um pouco de ingenuidade infantil, porque não?)
.

figura do ano 2006


“O SNS, tal como a escola pública, a justiça, a protecção e segurança social, é um pilar fundamental, uma trave mestra do estado social em que nos habituamos a viver e em que pretendemos continuar a viver”.

"O SNS é indiscutivelmente o melhor serviço público de que os portugueses dispõem".
João Semedo


A Frente de Blogues da Saúde, decidiu eleger como Figura do Ano 2006, o Dr. João Semedo, médico, deputado do Bloco de Esquerda pelo círculo eleitoral do Porto, presidente do Conselho de Administração do Hospital Joaquim Urbano, pertencente às Comissões Parlamentares de Assuntos Europeus e Comissão de Saúde, pela sua coragem, competência e empenho na defesa do Serviço Nacional de Saúde.

Para João Semedo o SNS precisa de ser orientado no respeito por alguns princípios básicos que recolhem largo consenso. Necessita também de vontade e determinação políticas na aplicação dessas linhas orientadoras, às quais devemos atribuir toda a prioridade na distribuição dos recursos.

Valorização da informação para a saúde, promoção de modos e práticas de vida saudável, reforço da prevenção da doença (e dos sinistros rodoviários e do trabalho, por exemplo), desenvolvimento da área da saúde pública e da comunidade, expansão da rede de cuidados primários e a mudança do seu paradigma, mudança no modelo organizativo e funcional dos hospitais públicos, maior atenção no capítulo da formação dos profissionais (em número e em competências) e as condições que lhes assegurem continuidade e estabilidade no exercício das suas actividades, uma gestão do SNS mais autónoma da estrutura ministerial, mais descentralizada e com mais capacidade de articulação entre os diferentes níveis e agentes envolvidos na prestação de cuidados, que aproxime o planeamento e a decisão das regiões e dos cidadãos.

Correia de Campos não só está a comprometer a natureza geral e universal do SNS como está a transformar o tendencialmente gratuito em tendencialmente pago. Correia de Campos tem em mira a introdução de pagamentos directos na saúde, o que significa uma profunda rotura no compromisso social em que se alicerça a Constituição e a nossa democracia e que, a concretizarem-se, rasgam a essência do estado social em que temos vivido.

João Semedo não partilha da ideia que o SNS necessite de salvação. Certamente que com outras políticas poderia estar em melhor situação. O SNS não fracassou nem está à beira do abismo. O SNS é indiscutivelmente o melhor serviço público de que os portugueses dispõem. E para que assim continue, há duas condições básicas: garantir o seu financiamento de acordo com as necessidades reais, recusando a ditadura dos cortes orçamentais, e gerir com rigor todos os meios colocados à disposição do SNS, não apenas os financeiros mas, igualmente, os recursos humanos e técnicos.
Quanto aos Hospitais é frequente dizer-se que precisam de novos instrumentos de gestão, de incorporar na sua gestão os modelos desenvolvidos na gestão privada. Não depende disso qualquer evolução determinante para os hospitais. A principal mudança decorrerá da capacidade dos hospitais implementarem modelos organizativos e funcionais que tenham no seu centro o serviço aos utentes, o respeito pelas suas expectativas e necessidades. Mais que qualquer outro instrumento de gestão, importado à pressa e ao sabor das modas, se colocarmos o cidadão, o utente se quiserem, no eixo da vida e da gestão de um hospital, mais facilmente concretizaremos as mudanças necessárias nos nossos hospitais públicos.

Quanto à "reorganização da oferta de cuidados de saúde", João Semedo considera que não pode acontecer o que Correia de Campos pretende fazer com as urgências: fechar 14 urgências hospitalares (a prazo, fecharão os respectivos hospitais ou passarão a hospitais de retaguarda para cuidados continuados), desclassificar outras 16 e transformar 24 SAPs em SAPs mais, devido ao impacto que tudo isto vai ter sobre as urgências que continuarão abertas e que já hoje estão a rebentar pelas costuras, com tempos de espera que, na maior parte dos casos, nos envergonham. Segundo JS trata-se de uma decisão irresponsável, tanto mais que é tomada num contexto em que o ministério tem vindo a encerrar muitos SAPs e pretende continuar a fechar mais, sabendo nós que para muitos portugueses os SAPs - apesar das suas limitações, são o único e último recurso de que dispõem quando a doença lhe bate à porta.

João Semedo deixa uma reclamação ao ministro da saúde, António Correia de Campos: não descaracterize o SNS, defenda as suas características fundamentais, não obrigue os portugueses a pagar mais pela saúde do que já pagam por via dos seus impostos.
Xavier - "saudeSa"



sábado, dezembro 30, 2006

o poder anti-democrático na autarquia de Fafe e o encerramento do Serviço de Urgência


A orientação da política em geral e em particular a da saúde e do poder local deve ir ao encontro dos interesses colectivos, com uma participação activa dos partidos sim, mas sem que os interesses partidários subjuguem os interesses colectivos.


Mas todos sabemos que assim não é.


E quando a hegemonia partidária (por força da maioria) é cega, prepotente e antidemocrática, então mais se faz sentir a subjugação do colectivo ao partidário.


É isto que se passa em Fafe ao nível da sua autarquia:


Com o estudo teórico de que resultou a proposta de requalificação da rede de Serviços de Urgência (que me dispenso aqui de reanalisar), prevê-se que seja encerrado o Serviço de Urgência do Hospital de S.José de Fafe.


Associações locais, grupos de cidadãos e Instituições e algumas autarquias do concelho, já exprimiram a sua posição contra tal perspectiva de encerramento.


Até o Sr.Presidente da Câmara de Fafe exprimiu muito velada e dubiamente a sua posição:

- “de que tudo fará para que os fafenses não vejam piorada a acessibilidade e qualidade da assistência médica”

- que o serviço de urgência de Fafe só serve para os fafenses irem “ buscar uma guia de marcha de transferência para Guimarães”

- “não sou contra a reestruturação de serviços, contra a racionalização de custos. Sou contra qualquer medida que seja economicista.

Palavras dum Presidente da Câmara do Partido Socialista.


Descontentes com a actuação do seu Presidente da Câmara – Dr.José Ribeiro - que com o mandato da Assembleia Municipal (AM) para “acompanhar todas as iniciativas relativas ao encerramento do SU, junto do Ministério da Saúde” nenhuma informação tem dado sobre as reuniões havidas, todos as forças partidárias da oposição na Assembleia Municipal decidiram, com base no seu Regimento, solicitar ao seu presidente - Dr. Laurentino Dias (Secretário de Estado do Desporto do actual governo) - que convocasse uma assembleia extraordinária para “fazer o ponto da situação daquilo que tem sido feito por parte da autarquia a favor da manutenção do SU em Fafe”.


A resposta do Dr. Laurentino Dias ao requerimento foi o “indeferimento” alegando que no dia 29 de Dezembro estaria programada uma AM ordinária em que esse assunto iria ser abordado.


Perante esta “ilegal” recusa, um grupo de 25 Deputados da AM decidiu formalizar, ao abrigo do mesmo Regulamento, a sua convocatória para o dia 21 de Dezembro, com o mesmo objectivo – “O encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de S.José de Fafe”.


E o que sucedeu?


A totalidade dos membros do Partido Socialista representados na AM não compareceram, nem mesmo o seu Presidente da Mesa pelo que a Assembleia não se realizou por falta de quórum.


No dia 29 de Dezembro, antepenúltimo dia do ano de 2006, realizou-se a Assembleia Municipal Ordinária que por falta de tempo não completou a Ordem de Trabalhos onde, no seu segundo ponto tinha programado: “O Serviço de Urgência do H.S.José de Fafe”.


Mas antes da Ordem do Dia o seu Presidente da Mesa foi alvo de protestos de todos os partidos representados com excepção, óbvia, do Partido Socialista.link


E a sessão continua já no ano de 2007…


Não se exige de ninguém que pense e analise os problemas da mesma forma.


Não se pede que a maioria ceda aos interesses da minoria.


Só se considera que usar a “ilegalidade” para impedir o debate de ideias duma forma democrática e deliberadamente não comparecer e aconselhar os restantes deputados municipais a fazer o mesmo, de forma a impedir a realização do mesmo, é no mínimo:


Um comportamento deselegante e antidemocrático, nada aconselhado a um Secretário de Estado do Governo do nosso país.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

controlo de assiduidade electrónico dos médicos


Dezanove dos 25 directores de serviço do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, apresentaram a sua demissão em resposta à decisão do Conselho de Administração de controlar a sua assiduidade por impressão digital JN


Segundo o SIM, "em Circular Informativa da Secretaria Geral do Ministério da Saúde, datada de 27 de Dezembro, são instruídos os responsáveis das instituições do SNS para cumprirem o determinado no DL 259/98 no relativo aos métodos de controle da assiduidade dos profissionais e bem assim dar seguimento às recomendações do recente relatório da então ainda denominada Inspecção Geral de Saúde."


O rastilho parece ter sido ateado.
Quem o acendeu?
Quem está a alimentá-lo?
Quem quererá apagá-lo?

Porquê nesta precisa altura a instrução da Secretaria Geral do Ministério da Saúde?
Qual o interesse do bastonário da Ordem dos Médicos de apoiar, tão prontamente, os Directores demissionários num processo estritamente laboral?
E se o SIM reafirma "não pôr em causa a legitimidade da adopção de mecanismos mecânicos ou electrónicos de controle da assiduidade dos médicos, cumpridas que sejam as formalidades legais previstas na Lei 67/98" como se compreende tanta polémica?
Para que serviu o regime experimental de um mês adoptado na ULS de Matosinhos?
Estudaram-se formas de consenso para que com este novo controlo de assiduidade dos médicos, não viessem a ser os doentes os mais prejudicados?
Os responsáveis dos Serviços Clínicos e a Administração da ULSM que fizeram?
Porque acabam “as boas vontades” com a instituição dum controlo electrónico?

Será só o controlo de assiduidade que está em causa?

Bom fim de ano 2006 esperado!
Um melhor 2007 perspectivado!
A união faz a força e com forças de igual sentido mais facilmente se alcança o objectivo.
O pretendido enfraquecimento do SNS.


.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

apelo do MUS



Tal lá como cá
Nas Beiras como no Minho interior
e que não seja preciso lembrar o poeta brasileiro:

"Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim"
(...)
Chico Buarque

Apelo do Movimento de Utentes da Saúde

No SaúdeSA foi publicado um apelo feito pelo Movimento de Utentes da Saúde (MUS) aos órgãos de comunicação social e "às forças vivas locais, órgãos e partidos políticos, profissionais de saúde e às próprias populações, no sentido de exigirem um amplo e transparente debate sobre as alterações porventura em curso nos serviços públicos de saúde, antes de eventuais alterações que ponham em risco a qualidade e proximidade de cuidados, atendendo às especificidades locais e não só às vias rápidas ora existentes, a fim de evitar futuros factos consumados".

Refere o MUS ser pretensão do Governo "integrar num único centro hospitalar os hospitais de ambas as Sub-regiões (Guarda, Seia, Covilhã, Fundão e Castelo Branco) com o objectivo de concentrar especialidades médicas e cirúrgicas, (num ponto de vista de complementaridade), que hoje estão distribuídas pelos vários hospitais, sendo, como exemplo, os serviços de obstetrícia com um único bloco de partos a localizar só num deles" o que a consumar-se, irá piorar a acessibilidade e a qualidade dos serviços assistenciais aos doentes em geral e mais especificamente às grávidas desta vasta e progressivamente deserta e "desiquilibrada" zona do interior do país.

O mesmo considera relativamente ao encerramento de serviços de atendimento permanente de centros de saúde no período nocturno e ao processo de requalificação das urgências hospitalares que o MS prevê concretizar no início do próximo ano de 2007.

Repito “tal como por aqui” os mesmos problemas... as mesmas preocupações...

.

o nascimento de Mariana


"(…) Mariana nasceu ontem, duas semanas antes do previsto, às 12.30 horas, com a ajuda de um revisor da CP, um enfermeiro de Coruche que se encontrava entre os passageiros e um responsável pela restauração." JN

Aqui, não há lugar à defesa da existência duma Maternidade por perto ou a acções de protesto contra o encerramento de alguma das muitas Maternidades encerradas há bem pouco tempo, já que bem perto da Estação de comboios de Vila Nova de Gaia, existe um Hospital com um Serviço de Urgência que alguns exigem que seja "Polivalente" ao contrário do previsto "Médico-cirúrgico".

Tão pouco o INEM pode ser criticado, já que segundo o jornalista do JN teria chegado (com o meu espanto) três minutos depois… pese embora o parto já se ter consumado.

Haverá sim aqui, mais um forte argumento para o Governo de José Sócrates se apoiar na defesa intransigente da necessidade dum TGV em Portugal...

Talvez com este comboio de alta velocidade cheguem rapidamente a uma qualquer Maternidade onde possa vir a ter "apeadeiro" o TGV, potenciais parturientes que venham a necessitar de cuidados de obstetrícia.

terça-feira, dezembro 26, 2006

controlo de assiduidade na ULS de Matosinhos



"A pedido dos médicos seus associados e na sequência da pretensão do CA da ULS de Matosinhos em implementar um controle de assiduidade e presença através de dados biométricos (impressão digital), o Sindicato Independente dos Médicos promoveu uma reunião de trabalho com o Conselho de Administração da ULS de Matosinhos" link

E no seu comunicado, com data de 20 de Dezembro, publicado na sua página da Internet refere:

"O SIM, não pondo em causa a legitimidade do sistema de controle com a qual o CA pretenderá contornar a incapacidade de algumas chefias na gestão dos recursos humanos e em simultâneo mostrar que é pioneiro em Portugal, manifestou ao CA da ULS registar a existência de irregularidades formais no processo e a sua preocupação pelas implicações da medida sobre a eficiência e produtividade do desempenho médico que se irá inevitavelmente repercutir na actividade assistencial."


Se por um lado o SIM não questiona a legitimidade do sistema de controlo, por outro lado, prognostica que com ele, a eficiência e a produtividade da ULS de Matosinhos vão ou poderão ser afectadas, propondo por tal a sua suspensão.

E prognosticam-na em que base?

Segundo o SIM "os médicos vão começar a usufruir de um horário de saída e a terem que programar os actos médicos em conformidade com o mesmo".


Ironicamente diria que o médico (como qualquer funcionário) também usufrui dum horário de entrada e do mesmo modo, a programação dos actos médicos (como sempre foi e nada impede que o possa e deva continuar a ser) deve ser realizada para o período de trabalho que medeia entre a entrada e a saída.

Não me parece, da mesma forma correcto, esgrimir argumentos (caso se aplique este sistema de controlo) com uma inevitável exigência do "cumprimento de prerrogativas legais como o gozo de folgas compensatórias por trabalho em dia de descanso semanal"
já que estas prorrogativas sempre existiram e há que as salvaguardar.

Se estas prorrogativas não são "utilizadas" é porque a "boa vontade e dedicação" ao Serviço/Instituição existe (muitos serão os casos) e assim sendo não se vê motivo para que elas não continuem a existir ou então porque (nalguns casos também) existem "telhados de vidro" contra os quais esta "utilização" é ou pode ser arremessada tornando-a assim diminuída na sua força legal.


Parecem-me ser argumentos pouco ou nada valorizáveis para contrariar qualquer metodologia de controlo da assiduidade seja ela qual for.

Contudo, a esmagadora maioria dos Directores de Serviço/Departamento do Hospital Pedro Hispano terão afirmado
"não entenderem como as novas regras assegurarão um funcionamento eficaz dos serviços, que não foi acautelado o impacto na gestão de recursos humanos nem as particularidades próprias dos vários serviços, que não houve reunião atempada do Conselho Médico onde a medida pudesse ter sido questionada eficazmente".


Aqui, sim.

Há que dar valor e importância a estas afirmações assim como faltam aqui afirmações sobre a importância das responsabilidades individual (chefias incluídas) e do grupo (Serviço).

Mas tratou-se dum regime experimental, este que foi instituído na ULS de Matosinhos e como experimental devia ter sido assumido.

Durante este período deveria ter havido diálogo com as chefias intermédias e estudado formas de adaptação do sistema ao funcionamento dos Serviços e vice-versa, acautelando-se assim o "impacto na gestão dos recursos humanos".
Mas estas exigências de diálogo, a avaliação do sistema e as propostas de formas adaptativas, deveriam ter partido do próprio sector em causa – o sector médico.


E como estas exigências e a sua concretização, são importantes em qualquer processo de mudança que se queira eficaz e mobilizador, seria de bom tom que o CA da ULS de Matosinhos mantivesse o "regime experimental" até que estes pressupostos sejam concluídos, por forma a que a "perspectiva de demissão generalizada das chefias médicas intermédias e de agudização da conflituosidade interna" não ponham "em causa a eficácia e celeridade do atendimento dos doentes servidos pela ULS de Matosinhos".

Na ULS de Matosinhos ou em qualquer outro Hospital em que um sistema de controlo de assiduidade se pertenda instituir.

.

interregno nas festas



Depois de três dias de paralisação com um estranho repouso (talvez não merecido) de horas seguidas, presos à gastronomia habitual destas épocas, segue-se uma semana de trabalho de três dias para alguns, igual a tantas outras, para outros.

Um interregno nas festas já que o 2007 aí está quase a chegar.

Balanços serão feitos mas a unanimidade não existirá.

“a economia, as contas públicas e o emprego estão a melhorar “passo a passo” em Portugal” José Sócrates

Uns satisfeitos, outros nem por isso.

"O Governo, consciente de que os ouvidos, olhos e demais sentidos, estão muito mais sensibilizados para o que é “light”, vai legislando e reinando como se o país fosse um feudo em que não há lugar para ouvir os cidadãos". Nassalete Miranda


Tal como alegria ou desilusão das crianças ao receberem as prendas de Natal …

“Quero dirigir-me em particular aos idosos com menos recursos, porque são esses que verdadeiramente mais precisam da nossa solidariedade. O Governo continuará a fazer tudo o que está ao seu alcance para lhes dar condições para uma vida digna livre da pobreza, como não pode deixar de ser numa sociedade que se quer respeitar a si própria e que tem a ambição de ser mais justa” José Sócrates

comparada com a hipocrisia das prendas trocadas e comentadas “entre os adultos”.

“a interrupção voluntária da gravidez é o regresso ao tempo dos ‘expostos’, dos meninos da roda dos mosteiros da Idade Média, onde eram abandonados os recém-nascidos indesejados”. D.João Miranda, substituto do bispo do Porto
.

domingo, dezembro 24, 2006

FESTAS FELIZES 2007 EXTRAORDINÁRIO
.

sábado, dezembro 23, 2006

Segundo o Primeiro de Janeiro, “a Clínica Saúde Atlântica - Estádio do Dragão vai oferecer cuidados médicos gratuitos à população mais necessitada da cidade do Porto” estando já convencionada com o SNS e com agencias seguradoras no âmbito de seguros de saúde.

Que estudos terão feito a Sonae Capital e Espregueira Mendes para se dedicarem a tanta benevolência?

Há um ditado popular que diz:
“Se queres bom alhal, semeia-o pelo Natal”
É a altura. Não a do Natal mas a desta Legislatura.

Sabemos que algo está a mudar para que a despesa em saúde suportada pela iniciativa privada esteja a aumentar, neste caso também em despesas não reembolsáveis.

É estranho.
Também sabemos que é competência do Estado, “Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade”.(Artigo 64.º- 3.d - CRP)

Será que estão a ser previstas as contrapartidas futuras que a sociedade portuguesa possa vir a ter quando as despesas da iniciativa privada, começarem a ser selectivas?

Que papel ficará destinado ao SNS que progressivamente se vai afastando de responder, através do SNS “universal e geral” e ”tendencialmente gratuito “, por forma a assegurar o direito à saúde dos cidadãos?

Sim.
Há que semear para colher!
Há que dar e dar, para em troca receber!

De “cabazes e sopas de Natal a consultas e tratamentos gratuitos” já ouvi falar há muitos anos atrás e não creio que a fome, as dificuldades económicas e as doenças dos mais pobres tenham desaparecido, antes pelo contrario.

E falamos nós de uma “unidade médica de referência em Portugal que pretende constituir um contributo significativo para a consolidação da aposta da Câmara Municipal na afirmação do Porto como Cidade da Ciência”

Que raio de Ciência a nossa!
.

Ontem, foi o jantar de Natal do Serviço de Ortopedia do Hospital S.José de Fafe.


Estiveram presentes todos os médicos do Serviço, a quase totalidade dos enfermeiros, auxiliares de acção médica também.

17 anos de existência a duas semanas de se consumarem.
Dum nada, a um serviço com provas dadas.
Elogios ao esforço e dedicação de muitos, senão de todos.
Alvo de inveja.
De cobiça também.

Dia 22 de Dezembro, de lembrança triste que todos recordaram.
Ironia das datas e dos anos que passam.
Pelo colega, pelo profissional, pelo Homem, pelo poeta.
O Serviço de Ortopedia – Dr.António Antão, do Hospital de S.José de Fafe ficará para sempre.

Tudo recordaremos.
Tudo mostraremos.
Tudo faremos.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

a certeza das palavras


"Mais de 90% dos doentes que recorrem às urgências têm alta, o que significa que não eram assim tão urgentes"


"Pode não ser a solução ideal mas é melhor que a actual"

"A libertação dos anestesistas das urgências poderá diminuir as listas de espera das cirurgias"

"Catorze serviços vão mesmo fechar mas em sua substituição mais centros de saúde terão consultas abertas"


António Marques – Presidente da Comissão Técnica de Apoio ao processo de Requalificação dasUrgências
JN

Palavras de quem sabe o que diz, baseado na prática e na evidência.
Palavras dum médico, formado médico num Hospital Central, especializado em anestesiologia num Hospital Central, director dum serviço num Hospital Central, mas perfeito conhecedor da realidade nacional e dos Hospitais Distritais.
Tal como CC.
Tal pai, tal filho.

.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

consensos sem pressões na proposta da rede de Urgências

Já a terminar o ano de 2006 foi hoje ao Parlamento, para no âmbito da Comissão Parlamentar da Saúde da AR, a Comissão Técnica de Apoio à Requalificação da Rede de Serviços de Urgência apresentar os seus argumentos aos deputados.

Contou, segundo parece, com argumentos contra, dos deputados da oposição.
Mas desconhece-se, pela notícia, se os deputados da maioria tomaram posição a favor e se assim sucedeu se o exprimiram de forma voluntária e sem pressões. Público

De uma coisa estamos certos.
A de que a Comissão e o seu Presidente em particular, nunca teriam sido pressionados pelo Executivo, "existindo antes consensos que resultaram do debate, nomeadamente com as Administrações Regionais de Saúde e com a Direcção-Geral da Saúde ".
Estes consensos aqui assumidos e já de todos conhecidos terão sido alcançados no pressuposto de que algo deveria ter que mudar, de que algo teria que ser feito para que os cortes orçamentais impostos ao sector da saúde fossem aplicados.

Aos encerramentos das Maternidades e dos SAP, haveria que dar seguimento aos encerramentos dos Serviços de Urgência Hospitalares e no futuro a encerramento de Serviços em unidades hospitalares com base na criação de Centros Hospitalares.

A isto não se chama “pressão” do executivo. Chamar-lhe-ia antes “condicionalismos de consenso” com as ARS e DGS, para que a aceitação de qualquer proposta por parte do executivo fosse viável.
São coisas bem diferentes.
Assim todo o trabalho foi realizado livre de pressões, mas com estes “condicionalismos consensuais” a imporem as regras do estudo que se pretendia realizar.
As regras da distância quilométrica, do tempo de deslocação, da população, do número de atendimentos, etc., etc. baseados em critérios de realidades bem diferentes das nossas e algumas delas bem discutíveis, com a agravante de todo este trabalho ter sido realizado no “quentinho ou no fresquinho dos gabinetes com ar condicionado” duma qualquer grande cidade do país.

Mas assim foi feito e só nos resta esperar para ver qual a nova proposta que a comissão vai apresentar e que segundo Cármen Pignatelli ,“não coincidirá exactamente com a primeira”.

E em finais de Janeiro, se tudo correr bem, todos ficaremos a saber o resultado dos “consensos” ditos técnicos que estiveram em jogo.

.

preocupações contraditórias


A preocupação justa do Ministério da Saúde:

"De acordo com os dados divulgados em Setembro, a despesa em medicamentos estava a crescer a dois dígitos em quatro unidades Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa (15%), IPO do Porto (13%), Hospital Joaquim Urbano, no Porto (10,4 %) e Hospital S. Teotónio, em Viseu (10%).
Quanto aos medicamentos que representam a maior fatia de gastos dos hospitais destinados ao tratamento do cancro, infecção pelo VIH e auto-imunes, o seu peso na despesa registou um crescimento de 5,8%." JN


em contraponto com a preocupação, porque não também justa, de Carmen Pignatelli:

"O objectivo é acrescentar saúde à vida e vida aos anos"

(aquando da assinatura de protocolos, com instituições particulares de solidariedade social do Norte, no âmbito da rede nacional de cuidados paleativos e continuados). Diário Digital


É caso para se dizer de que lado devemos ficar?
.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Saúde na Beira Interior na Frente de Blogs de Saúde

Saúde na Beira Interior passa a integrar a Frente de Blogs de Saúde, actualmente constituída pelos Blogs:
Além de informar e refletir sobre o estado da saúde na região, acreditamos que a partilha de informação e a análise crítica do que acontece no País no âmbito do SNS, poderá certamente representar uma mais-valia e ponto de encontro de sinergias. (Saúde na Beira interior)
.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

projectos dos Centros Hospitalares adiados

Aquilo que ontem eram uma certeza a curto prazo, hoje são projectos adiados.
Os projectos de criação de todos Centros Hospitalares estão adiados.
Adiados por CC.

Para melhor serem estudadas as implicações sociais (nos cidadãos e nos profissionais) que com a criação destes Centros irão ocorrer?
Para avaliação da capacidade instalada e da resposta actual que é dada em função da procura?
Para avaliação dos resultados em termos de qualidade da produtividade instalada?
Para que a discussão inter-institucional seja lançada?
Para envolver os profissionais, autarcas e associações locais no processo de mudança proposto?
Para incentivar a rentabilização dos serviços instalados por forma a que sendo integrados, o sejam já com uma rotina de produtividade consolidada?
Para que baseados na análise dos custos/ganhos de eficácia e eficiência, sejam tomadas as decisões?

Quer-me parecer que não.

CC estará à espera dos diplomas legais que os possam institucionalizar.
Estará à espera da institucionalização da ESAP (Empresa de Serviços Partilhados da Administração Pública) que também aguarda por diplomas legais ou dum reforço orçamental para o seu ministério, para saldar as dívidas dos EPE a integrar em Centros Hospitalares?

Estará à espera que a desmotivação e a insegurança, com a consequente diminuição de produtividade, se instale, para com mais razão poder concretizar o que pretende?

Para não correr o risco de me considerarem ingénuo, não quero pensar que tenha sido o SaudeSA o responsável por este adiar.


Mas com uma certeza convicta considero importante que se contribua, através deste meio de discussão, para um aclarar de conceitos sobre os riscos e benefícios, os ganhos e os custos, a proximidade e o afastamento, a qualidade e a quantidade da "centralização" ou "dispersão" dos serviços de saúde no ambito dum SNS.

domingo, dezembro 17, 2006

Centro Hospitalar Guimarães - Fafe (II)

O que se passa com o previsto, senão já constituído, Centro Hospitalar provavelmente “do Alto Ave” é o mesmo que poderá vir a suceder a tantos outros por aí fora.

Existe uma declarada ausência de diálogo inter-institucional e inter instituições-ARS locais. Mas o mais grave é que esta ausência de diálogo é fomentada pela própria autoridade local da Saúde, neste caso a ARS do Norte.

Se não se olhar à capacidade e à produtividade existente em determinadas áreas assistenciais existentes.
Se se der prioridade aos “cortes” com o objectivo de diminuir despesas em vez de analisarem as despesas em função da produtividade alcançada individualmente.
Se se der maior importância à concentração de serviços sem se compreender que o somatório da produtividade individual não vai ser o mesmo quando integrados os profissionais num único serviço.

Em resumo:
Quando o pensamento de JEG do CA HSJ que com todo o a propósito “Saudepe” transcreve no seu comentário em Saúde SA, não é considerado, particularmente quando define a instituição ou o serviço como um “conjunto de pessoas que, embora trabalhando em equipa, concorrem paralelamente para o mesmo fim”, se este conjunto é desmembrado, extirpado da sua unidade e do seu entendimento colectivo, então as despesas, a insatisfação e a desmotivação dos profissionais, ainda serão maiores e a produtividade qualitativa e quantitativamente será seriamente afectada.

Os objectivos são claros e até poderiam ser os correctos, estivessem a ser seguidas as metodologias preconizadas pelo Ministério da Saúde Francês, segundo um relatório elaborado a partir dum estudo feito a seu pedido - “L’Evaluation de la securité, de la qualité e de la continuité dês soins chirurgicaux dans les petits hôpitaux publics en France (Avril 2006) ” e enviado à ARS do Norte pela Chefe de Gabinete de CC.

Neste documento propõem-se 10 medidas exigíveis para que da sua análise/cumprimento os serviços cirúrgicos de Hospitais de pequena dimensão possam ser considerados aptos a desempenhar a sua actividade cirúrgica.


1. Avaliação de custos e qualidade da actividade cirúrgica (readmissões, transferências, transfusões sanguíneas, infecção nosocomial, admissão urgente/programada do doente.
2. Classificação dos Serviços cirúrgicos (cumprimento das normas cirúrgicas, profissionais preparados e em número suficiente, continuidade de serviço 24/24 horas).
3. Avaliação e optimização dos meios humanos no bloco operatório.
4. Avaliação de 2/2 anos da qualidade operatória.
5. Reformulação dos contratos com cirurgiões e anestesistas.
6. Recrutamento para formação de Internos de Cirurgia estrangeiros (de alto nível) da UE por forma a garantir que no futuro todos os doentes sejam tratados de forma idêntica aos tratados por cirurgiões formados em França.
7. Organização do circuito de recepção e transferência de doentes inter-hospitais para que este circuito se realize de forma harmoniosa.
8. Formação dos autarcas, políticos regionais e população para a compreensão da problemática da “qualidade” em Hospitais de proximidade, em associação com os cirurgiões, anestesistas e directores desses Hospitais.
9. Promover a conversão de pequenos hospitais em hospitais de “proximidade” se durante um ano não for possível reunir as condições exigíveis de cirurgia de “excelência”, sem contudo se descurarem as iniciativas necessárias para manter em funcionamento, com esse nível exigível, a actividade cirúrgica.
10. Ter em conta as particularidades da região com a intervenção activa dos responsáveis políticos, associações de utilizadores e associações médicas nacionais para a sua avaliação/decisão.



Podemos concluir o mesmo das unidades que se pretendem agrupar, dos serviços que se pretendem extinguir dos novos que se pretendem criar em Portugal.

Sem uma análise cuidadosa, sem uma avaliação criteriosa dos custos, da qualidade e da quantidade produzida pelos serviços ou unidades que se pretendem extinguir; sem dar a possibilidade às instituições/serviços a possibilidade de se prepararem e de se comprometerem a cumprir o que lhes é minimamente exigido em termos de qualidade e quantidade, podemos estar a incorrer num grave erro.


É esta a metodologia que os franceses estão a adoptar e não a que, pelo menos abertamente, os portugueses insistem em não utilizar.

Métodos diferentes para objectivos iguais em realidades diferentes.



sonho e realidade



Bom…

Ontem e hoje.

Dias diferentes. Ontem alheamento, hoje procura da realidade.

E a realidade de hoje voltei a encontrá-la (e que triste realidade) num local que a todos aconselho.

O Blog do “Médico Explica Medicina a Intelectuais” e em particular, pensar no que o autor em:
Maria de Belém: O Exemplo Deve Vir De Cima. nos interroga, na sua parte final.

É mesmo assim.
.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

centro hospitalar Guimarães - Fafe



Coloquei aqui no “Que Raio de Saúde a Nossa” em 21 de Novembro um post com o título “prendinha de Ano Novo para pequena cidade do interior do país?a propósito da visita que membros do CA da ARS do Norte fizeram ao Hospital de S.José de Fafe:
(…)
Mas ainda houve tempo para dar a conhecer aos distintos membros da ARS a desmotivação pela ausência de apoio, de perspectivas e de diálogo, num tempo de mudança que se aproxima com a integração desta Unidade de Saúde no secreto Centro Hospitalar que vai ser criado dentro de pouco mais que um mês.Fiquei entretanto a saber que a falta de diálogo sobre a criação deste centro Hospitalar se deveu por um lado a dificuldades que não quiseram revelar (alheias à vontade do CA da ARS) e por outro lado acharam por bem não o promover para não criar alarmismos e falsas expectativas. Uma vez mais, é muito estranho.Pediram-nos para esperar por esse dia e logo depois saberiam os responsáveis, os serviços os profissionais que aqui trabalham e a população de ... (pequena cidade do interior), o que lhes ia acontecer…

E pelos vistos o pedido para esperar por esse dia está a ser consumado, já que decorridas quatro semanas, continuam os profissionais de ambos os Hospitais sem saber o que vai ser o Centro Hospitalar, quais as suas perspectivas e quando e como é que ele se vai constituir. Deste modo se estão a evitar “alarmismos” e “falsas expectativas”.

Não é caso inédito mas como é possível que:

A imprensa Nacional tenha conhecimento de quem vai ser o futuro Presidente do CA sem que o despacho ministerial da constituição do referido Centro Hospitalar tenha sido exarado e que indique nomes “quase certos” para fazerem parte do referido CA. Jornal de Notícias

Que o actual Presidente do CA do Hospital Senhora da Oliveira de Guimarães convoque o seu Director Clínico, acabado de regressar de férias, para o confrontar com o facto de que “seria o único elemento que não deveria fazer parte da futura orgânica do Centro Hospitalar Guimarães-Fafe, que deverá estar formalmente constituído em Janeiro.” Diário do Minho

E tudo isto se passa ou se vai passando sem que "ninguém saiba". Os "ninguém" que mais deveriam e necessitariam saber, por forma a se sentiriam estimulados e motivados para os desafios da mudança que se pertende para melhor.
Já chega de secretismo, de alarmismo da população, de fomento quase que "deliberado" da desmotivação dos profissionais da saúde de ambas as unidades Hospitalares, da falta de diálogo e de clareza de objectivos.

Palavras anónimas, em resumo, de alguém que está bem a par deste e de outros temas da saúde:

"Nem sei quem será mais responsável por esta falta de diálogo e de articulação. Sei que quem sofre é o doente, quer pela exigência da adaptação à mudança e aos respectivos serviços de que pode usufruir (ora passar a, ora deixar de), quer pelo ambiente que se gera mesmo ao nível interno, com o descontentamento dos profissionais a ficar mais evidenciado.
O lamentável é a forma como é conduzido.
Isto era expectável, já que está inserido nas estratégias políticas conhecidas."

quinta-feira, dezembro 14, 2006

seguradoras à espreita

A actual política de Correia Campos de destruição progressiva do SNS e o aproveitamento que as instituições privadas se preparam para dela retirarem os seus lucros, é analisada num artigo de opinião de Maria João Gago hoje publicado no DN.

Vale a pena lá ir e ler.

Diz a autora que "a maioria das principais empresas seguradoras que disponibilizam seguros de saúde está ou admite vir a criar produtos que respondam ao facto de o Estado estar a reduzir os apoios concedidos, seja através da diminuição dos benefícios concedidos seja através do aumento e criação de novas taxas de utilização do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ".

Segundo as Companhias de Seguros, com esta tendência de aumento e criação de novas taxas, de descomparticipação de medicamentos, da eliminação de sub-sistemas e da diminuição das despesas do Estado com os funcionários públicos, associada à crescente incapacidade de resposta do SNS face às necessidades dos cidadãos ir-se-á presenciar um aumento da procura de seguros de saúde.

Assim, a Tranquilidade, do grupo Espírito Santo, a Multicare e a Medis, a Fidelidade/Mundial e a Império/Bonança do grupo CGD, todas elas em linhas gerais propõem-se lançar uma campanha de promoção de "seguros de grupo" em detrimento dos "individuais" à medida das necessidades identificadas, segundo afirmam.
Com este mesmo objectivo também a Vitória, a Axa e a Lusitânia, do grupo Montepio, estarão atarefadas no estudo de propostas a fornecer a variados grupos profissionais.
E conclui Maria João Gago que os preços vão subir, já que:

"O aumento da apetência do mercado - visível não só nos seguros de grupo mas também entre clientes particulares - vai traduzir-se num aumento dos prémios cobrados aos segurados, como já admitiu publicamente o presidente da Associação Portuguesa de Seguradores. Para as seguradoras, a subida dos preços será um reflexo do agravamento dos encargos com os cuidados de saúde e também da maior utilização do seguro.De acordo com os dados da Axa, a inflação dos serviços hospitalares é de 8,2%, a dos serviços médicos e para doentes ambulatórios é de 2,6%, enquanto a dos serviços de medicina dentária ascende a 2,3%. Por isso, é natural que a MultiCare admita rever preços acima da inflação anual (cerca de 3%), enquanto a Médis garante que os subirá abaixo da inflação médica. A Victoria reconhece que este produto é "caro", enquanto a Generali admite um aumento mais significativo a partir de 2008."

Haverá ainda dúvidas?

reduções arbitrárias


Reduzir arbitrariamente o preço dos medicamentos em 6% é fácil e poupa inclusive o trabalho intelectual de procurar um valor racional e cientificamente fundamentado.No entanto, como MPA muito bem refere e eu próprio já o escrevi em diversas ocasiões, é uma medida que não pode ser repetida indefinidamente, pois é susceptível de originar perversões (no comportamento da IF) bastante mais custosas do que o problema que inicialmente se pretendia resolver.

Além disso, não ataca a verdadeira questão, o que o Xavier aliás explica muito bem no seu texto.

Esta medida serve apenas para criar uma bolsa de ar que permita a CC sobreviver ao próximo défice. No entanto, não tenho a certeza que o consiga, pois a questão dos 6% não é a mais importante neste caso (recordemo-nos que anteriormente embora CC também tenha reduzido os preços em 6%, para além de ter descomparticipado ou reduzido comparticipações de centenas de medicamentos, as poupanças para o SNS foram inferiores a 3%...).

Se verificarmos as alterações introduzidas à forma como se calculam as margens de lucro, observa-se que a redução para a IF foi muito inferior a 6% (embora só a IF saiba quanto, pois a sua margem de lucro em cada produto é desconhecida). No entanto, a IF surge publicamente como credora e como sector atacado por CC. Nesse sentido, sentir-se-á com legitimidade politica para exercer as habituais manobras criativas que permitam repor o lucro supostamente (à luz da opinião pública...) perdido.

Por exemplo, se nem todos os produtos proporcionam a mesma margem de lucro, é possível direccionar as acções de promoção de vendas para os mais interessantes sob esta perspectiva. Do mesmo modo, é também possível promover a prescrição de embalagens de maiores dimensões e manter esgotadas ou com stocks muito reduzidos as de menor dimensão...Sejamos claros: sem uma intervenção sobre a prescrição (nos moldes referidos pelo Xavier e por MPA) CC não tem qualquer hipótese de enfrentar a IF.

E na ânsia de irritar a ANF (o que aliás conseguiu) CC introduziu discretamente uma alteração na forma de calcular as margens de lucro que favorece ainda mais a IF.

Ou seja, CC apostou mais uma vez no cavalo errado: atacou quem actualmente tem pouca capacidade de interferência nos gastos com medicamentos e poupou ou favoreceu ainda mais os responsáveis pelo actual estado de coisas.

O estranho de tudo isto é que o país aplaude e reage como se o Ministro estivesse de facto a fazer alguma coisa de significativo...

Vladimiro Jorge Silva