terça-feira, janeiro 23, 2007

os enfermeiros e o Hospital de Santa Maria, EPE







No site do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses foi publicado um Comunicado à Imprensa onde os Enfermeiros dão a conhecer parte dos dados de execução orçamental referentes a 2006 apresentados pelo Hospital de Santa Maria, EPE, no seu primeiro ano de actividade como EPE.

Dados que revelam, na sua globalidade, um lucro de 4,7 milhões de Euros devido a uma redução na despesa global de 8,4%.

Esta redução de despesa, ter-se-á devido a uma redução de 27,9% da despesa com fornecimentos externos, a um aumento da actividade em 15,5% e a uma redução substancial de gastos com pessoal.

Porque o sector de enfermagem é um sector importante, pela sua dimensão e crescente especialização há que prestar atenção aos dados que aqui por eles são apresentados:

Em 2005 o Hospital tinha 1562 Enfermeiros
Em 2006 acabou o ano com 1398

Em 2005 foram admitidos 337 Enfermeiros
Em 2006 foram admitidos 139.

Em 2005 saíram 242 Enfermeiros
Em 2006 saíram 302.
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Em 2005 o número de horas de enfermagem em falta por semana era de 1234
Em 2006 foram 6368 horas em falta.

Em 2005 a carência de Enfermeiros em tempo completo era de 35 Enfermeiros
Em 2006 foi de 182 Enfermeiros.

Em 2005 os Enfermeiros realizaram 14845 horas extraordinárias
Em 2006 realizaram 22873 horas extraordinárias.

Em 2005 foram 58 as reclamações dos utentes
Em 2006 as reclamações subiram para 98.

Em 2006 os Enfermeiros viram o direito ao gozo dos seus feriados ser trocado por alguns “euros” sendo assim impedidos de os gozarem como qualquer trabalhador.

Em 2006 não foi permitido aos Enfermeiros faltar na véspera de provas de avaliação.


E conclui o Comunicado à imprensa que:

“O Hospital de Santa Maria, EPE, não dignifica a Enfermagem, desrespeitando e desvalorizando mesmo o seu trabalho.
Estaremos perante uma nova forma de escravatura?"

Verdades, por certo, que convirá ocultar...

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in memoriam de António Antão (1954-2005)

Políptico de S.Vicente de Fora

Nuno Gonçalves




A minha pátria era uma cerejeira florida
mas mãos terrosas e simples do meu povo,
protegida enxada a enxada, flecha a flecha,
em cada flor despedia no fundo das batalhas,
ou talvez no jeito rude de disparar um arco.

E quando as espadas pousaram vencedoras
no coração da minha pátria independente,
surgiu um tempo de mar e de viagens,
um tempo de embarcar as naus da fantasia
e procurar o sonho das ilhas encantadas
nos confins intermináveis do medo e da aventura.

E a minha pátria era então feita de barcos,
de longas esperas ansiosas,
de notícias de terras onde os pássaros
cantavam ainda as primeiras melodias
que tinham aprendido comos deuses benignos e suaves
dos instantes iniciais da criação.

Mas onde estão as espadas invencíveis do meu povo,
onde estão as veias que se abriram generosas
para que estes homens pudessem ostentar
estas frontes ponderosas e seguras
de donos da glória do mundo e do meu povo?

Onde estão os olhos marinheiros do meu povo,
os braços que do mar trouxeram a riqueza e o esplendor
que as mãos destes homens avidamente açambarcaram,
deixando o meu povo desarmado,
olhando as suas mãos cheias de nada?

Onde está o meu povo anónimo e imenso,
na sua própria vitória derrotado nau a nau,
carregando o ouro e o perfume delicado da pimenta
para que estes homens graves e profundos
pudessem ser pintados neste friso como heróis?


António Antão ........................................
(poema não editado, escrito em 14 de Abril de 1997)



Dr. António Antão - Ortopedista co-fundador do Serviço de Ortopedia do Hospital de S.José de Fafe (5 de Janeiro de 1990), falecido a 23 de Janeiro de 2005.

Nasceu neste nosso país.
Pelo seu povo ele vive.
Profissional incansável e dedicado, reconhecido por todos os que o conheceram e com ele privaram.
António Antão, dois anos decorridos, deixa sempre na lembrança a imagem dum incomparável amigo, humilde na sua imensa cultura, sempre disponível e desprendido dos seus sucessos já que os fez também sucessos dos outros.

Um abraço de todos.
Até sempre.

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segunda-feira, janeiro 22, 2007

solicitação ao Sr.Ministro da Saúde



Através de despacho de 05 Janeiro 2007, o ministro da saúde, considerou que: "o exercício de funções dirigentes em entidades privadas prestadoras de cuidados de saúde, por profissionais de instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), independentemente da sua natureza jurídica, é passível de comprometer a isenção e imparcialidade, com o consequente risco de prejuízo efectivo para o interesse público, conforme genericamente admitido no n.o 2 do artigo 20.o do Estatuto do SNS, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 11/93."

Dez dias depois, o ministro da saúde declarou aos órgãos de informação que os médicos que queiram continuar a trabalhar no sistema público de saúde e, ao mesmo tempo, exercer cargos de direcção no privado podem fazê-lo, se assegurarem apenas 20 horas semanais nos serviços públicos.
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Como trabalhadores do SNS e cidadãos, vimos por esta forma solicitar ao senhor ministro da saúde, António Correia de Campos, tendo em atenção o conteúdo do despacho n.º 725/2007 de 05.01.07, publicado na 2.ª série do DR n.º 10 de 15.01.07, uma explicação sobre a forma como pretende salvaguardar a isenção e imparcialidade sem risco de prejuízo para o interesse público, relativamente aos médicos que queiram continuar a trabalhar no sistema público de saúde e, ao mesmo tempo, exercer cargos de direcção no privado, com a redução do horário semanal de trinta e cinco para vinte horas.
Xavier - Saúde SA



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domingo, janeiro 21, 2007

ainda sobre as 20 horas semanais


Poderá alguém explicar o inexplicável?

Como é que a “possibilidade de comprometer a isenção e imparcialidade com risco de prejuízo para o interesse público” deixa de existir ou é atenuada com a redução do horário semanal de 35 para 20 horas?
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É evidente que o médico (com ou sem funções de direcção em instituição privada ou no SNS) que tenciona “desviar” o doente do SNS para a sua clínica privada para a realização de MCD ou tratamentos com argumentos de listas de espera longas, facilidade de acompanhamento de familiares, “sigilidade” do acto terapêutico, comparticipações/convenções, etc., fá-lo-á quer detenha cargos de chefia ou não, quer tenha um horário semanal de 35 ou 20 horas.
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Do mesmo modo nada o impedirá de continuar a utilizar o SNS (onde continua a trabalhar) para dar resposta, nas mesmas situações, às dificuldades que ele ou os seus doentes possam ter para a resolução do seu problema de saúde.

Dá-se particular relevo ao “desvio” do doente do sector público para o privado mas o sentido inverso também deve ser considerado.
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E é este aspecto que justifica o “apego em se manterem laboralmente ligados” ao SNS dos que tanto criticam a capacidade e a qualidade do SNS e os baixos vencimentos que nele auferem.
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Dá jeito ter a reforma e a segurança social asseguradas para uma eventualidade. Dá jeito "experimentar" novas técnicas ou aprender a realizá-las no SNS para depois as aplicar nas instituições privadas, agora com maior segurança.
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Dá jeito, ter a possibilidade de solicitar MCD, realizar pequenas intervenções medico/cirúrgicas, pedir apoio institucional de outras especialidades, realizar intervenções de maior dificuldade/complexidade (consequência ou não de insucessos privados), quando a onerosidade para o doente privado ou o risco de “não correr bem” a intervenção, estão em causa. .

E existe sempre maneira, por estar dentro do sistema, de ultrapassar as dificuldades e a burocracia organizacional.

Daí que só se possa entender esta inflexão de CC por medo de ameaças de “Não o vamos tolerar. Se escolher ir por aí, não vai longe” por parte de quem pretende perpetuar esta situação de promiscuidade.

Felizmente uma minoria mas que transformará em maioria (de facto) se continuar a existir por parte do MS uma política de menosprezo do SNS, uma ausência de dignificação das carreiras dos profissionais de saúde e em particular uma subvalorização do acto médico em termos de qualidade e remuneração que desobrigue os médicos a procurar um 2º emprego, a recorrer a horas extraordinárias e a trabalho noutras instituições do SNS para “compor “ o seu vencimento.
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Dignifiquem-se as carreiras médicas, dos técnicos superiores e de enfermagem e impeça-se o pluriemprego que a promiscuidade e o risco de prejuízo para o interesse público acabarão e a produtividade e a qualidade no SNS irão aumentar.


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sábado, janeiro 20, 2007

4 "horitas" por dia.... não custa nada



Há dias, a propósito da alteração da regulamentação da justificação da doença dos funcionários públicos aprovada pelo Governo, comentei:

“Quer-me cá parecer que o nosso governo está a diminuir a velocidade deste cruzeiro para pensar”.

E agora eu acrescentaria também “... para pensar e voltar atrás, ao cais donde partiu, para traçar uma rota mais consentânea com os interesses dos turistas que nos camarotes da classe executiva do paquete vão instalados”.

E quem tiver a curiosidade de ouvir a gravação aqui apresentada só perderá 28 segundos… para saber porquê:



Pode-se ouvir outra vez sim.

Mas quem não quiser ouvir outra vez a voz do comandante do navio , aqui está escrito:

Entendemos perfeitamente que há muitos profissionais que têm a sua vida organizada ou estão no pico da sua força física e capacidade de acção e que pretendem durante um período de tempo fazer mais trabalho no sector privado. Pois bem passam ao horário de 20 horas, sua utilidade para o hospital – 4 horas por dia – será absolutamente bem utilizada e todavia eles poderão até inclusive ter responsabilidade de chefia lá fora. Esta é a nossa intenção.”

é verdade são palavras de Correia Campos, capitão do Cruzeiro do SNS...

Contentes parecem ter ficado os turistas da classe executiva do cruzeiro, embora demonstrem ainda um pouco de mal estar com o enjoo que a primeira parte da viagem lhes provocou.

Mas não há como uns anti-eméticos para resolver o problema.

Pedro Nunes continua a criticar o despacho sobre as incompatibilidades, acusa Correia de Campos de agir com base em critérios puramente economicistas mas opinião sobre as 20 horas semanais não formula (quem cala consente).

Declaradamente a favor parece ser a Federação Nacional dos Prestadores de Cuidados de Saúde que da mesma forma acusa Correia de Campos de provocar instabilidade no sector mas ao contrário de Pedro Nunes acredita que esta nova opção de horário de trabalho pode resolver o problema.

Pois é resolve o problema.

O problema do enjoo...


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sexta-feira, janeiro 19, 2007

que lições a tirar?

................................... ...............................Braga - Avenida Central e Arcada


A requalificação da Rede de Serviços de Urgência Hospitalares proposta pela Comissão Técnica pressupõe que a rede de emergência pré e inter-hospitalar esteja funcionante, por forma a promover o transporte correcto e em tempo útil para o Serviço de Urgência mais adequado.

“Defende-se o investimento na emergência pré e inter-hospitalar como forma de promover o transporte correcto e em tempo útil para o Serviço de Urgência mais adequado (não necessariamente o mais próximo e nunca para instituição de saúde não vocacionada e/ou preparada para situações urgentes”
In Relatório da Proposta da Rede de Serviços de Urgência – pág.36


A propósito dum acidentado que teve de ser socorrido pelos bombeiros de Vila Verde (a 15Km do centro da cidade de Braga – local do acidente) por não haver disponibilidade de nenhuma das três corporações de Bombeiros da cidade nem tão pouco do INEM local em socorrer o sinistrado:

Palavras de responsável do INEM:
“A ausência de capacidade de resposta a emergências em Braga é dramática”
"há um maior conhecimento do terreno e portanto, uma maior operacionalidade do INEM. Mas para trás, há erros assumidos, críticas, guerras e mal-entendidos que podem ter deixado mácula.”
"o sistema integrado de emergência médica funciona mal".
"Há vários momentos em que, como ontem, não há disponibilidade em termos de socorro”

Afirmações do Presidente do Serviço Nacional de Bombeiros, Hercílio Campos:
"se estavam indisponíveis (as ambulâncias) é porque estavam a ser precisas";
"o que cada quartel faz com as suas ambulâncias é com eles"; “se alguém tem alguma suspeita sobre o uso que lhe está a ser dado, que investigue e intervenha".

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A propósito do ocorrido há 10 dias em Odemira:
A lição a tirar deste lamentável acidente foi a passagem em revista das circunstâncias de baixa densidade populacional e longa distância que condicionam a capacidade de resposta do SNS em situações de urgência/emergência naquela região do País. Os esforços do Ministério da Saúde devem concentrar-se na melhoria da situação, a qual está já a mudar rapidamente (...).”
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O que sucedeu em Braga sucederá em muitos outros locais do país, felizmente sem a gravidade com que se revestiu o sucedido em Odemira.

Em Braga, na Avenida da Liberdade, não existe “baixa densidade populacional” nem uma longa distância que condicionam a capacidade de resposta”.

Que lições então a tirar?
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quinta-feira, janeiro 18, 2007

unanimidade na AR hoje


Gostava de ter visto isto:


Com palmas e risos em todas as bancadas da oposição, o Parlamento aprovou, por unanimidade, um projecto de resolução do PS que recomenda ao Governo a adopção de medidas para a expansão do consumo de genéricos.


A votação desta resolução teve lugar pouco depois do fim da discussão de uma interpelação do PCP ao ministro da Saúde, Correia de Campos, sobre as políticas no seu sector - debate em que o membro do Governo foi criticado por todas as bancadas da oposição.


Logo após a votação do projecto de resolução, vários deputados do PCP, Bloco de Esquerda, PSD e CDS-PP soltaram gargalhadas e começaram a bater palmas à aprovação da iniciativa dos socialistas, entendida pelas bancadas da oposição com o uma crítica à actuação do Ministério da Saúde.


Perante as manifestações de apoio das bancadas da oposição ao projecto de resolução do PS, deputados socialistas começaram depois, timidamente, a bater algumas palmas também.”
RTP hoje



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atestados médicos, não! ... declarações sim!



O Conselho de Ministros de hoje, aprovou um Decreto-Lei “que altera o actual regime sobre a justificação da doença e respectivos meios de prova aplicável aos funcionários e agentes da administração pública, previsto no Decreto-Lei n.º 100/99, de 31 de Março”.

Este Decreto-Lei n.º100/99, estipula que:
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Pelo que se depreende do comunicado do Conselho de Ministros de 18 de Janeiro, a justificação da doença e respectivos meios de prova dos funcionários públicos e agentes da administração pública passa a estabelecer-se através de um único meio de prova idóneo a saber:


"Uma declaração emitida pelas entidades competentes do Serviço Nacional de Saúde, por médico privativo dos serviços que dele disponham, por médico de outros estabelecimentos públicos de saúde e por médicos que tenham acordos com qualquer dos subsistemas de saúde da Administração Pública."

Então qual a diferença?
Deixa o atestado médico de fazer prova da falta por doença, mantem-se a “Declaração de Doença” (que herda o mesmo valor àquele atribuído) mas só se emitida por médico ligado directa ou indirectamente ao SNS.

Não vislumbro assim como é que o Governo consegue “uma aproximação do regime estatutário da função pública ao regime geral de protecção social na eventualidade da doença”.

Mas...
Aguarde-se a publicação do diploma.

Quer-me cá parecer que o nosso Governo está a “diminuir a velocidade deste cruzeiro”, para pensar...

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quarta-feira, janeiro 17, 2007

requalificação da rede de serviços de urgência




Aproxima-se o fim do mês de Janeiro, altura em que Correia Campos prometeu dar a conhecer o relatório final sobre a Requalificação da Rede de Serviços de Urgência.

Sabe-se entretanto, que os partidos da oposição representados na Comissão Parlamentar da Saúde da AR, requereram a presença, pela segunda vez, da Comissão de Técnicos que elaborou o referido relatório no sentido destes ali responderem a questões que acham dever ser respondidas antes da apresentação final do novo relatório. Este requerimento teve a abstenção dos deputados do grupo parlamentar do Partido Socialista, que tomaram esta posição de voto (viabilizando assim o requerimento da oposição) em virtude de um deputado socialista ter colocado dúvidas sobre as opções apresentadas pela Comissão de Técnicos, ouvidas as “reclamações e contribuições públicas”, as concordâncias e as discordâncias.

Ao mesmo tempo que sucedem, mais ou menos mediaticamente difundidas, tomadas de posição públicas de desagrado pelas propostas apresentadas é confrontada a opinião pública com uma série de medidas que contribuirão para um reforço da desertificação do interior do país e dos pequenos centros populacionais e simultaneamente com a realidade dum sistema público de assistência médica urgente com deficiências que sempre existiram e que se prevêem agravadas (nesses mesmos locais) com a proposta apresentada.

Altera o Ministro da Saúde o Despacho nº 727/2007 que determina quais as especialidades médicas e cirúrgicas a estarem presentes nos SUPs e nos SUMCs conduzindo, com as alterações apresentadas, ainda a uma maior centralização do acto médico em algumas especialidades.
À medida que os meses vão passando, mais se acentua a falta de coordenação entre INEM e Bombeiros fazendo reacender “lutas antigas”, jogos de interesses e protagonismo inaceitáveis.

Casos como o de Odemira (que não é o único como refere o Presidente da Associação Portuguesa de Medicina de Emergência (APME)) são prenunciadores das consequências duma reestruturação feita no papel, longe da realidade e sem coordenação dos sectores envolvidos - Cuidados Primários, SAPs, Hospitais Públicos, INEM, Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil e Ministério da Saúde.

Os SAPs vão sendo encerrados por aqui e por ali sem que alternativas de qualidade sejam previamente criadas. Os Cuidados Primários, um dos “ex libris” de CC, continuam sem dar a resposta que lhes é pedida pelo Ministro.
Aguarda-se ainda a definição do grau de preparação exigido aos profissionais (médicos e enfermeiros) que irão constituir os SUBs.

Desconhece-se o que está a ser feito no sentido de apetrechar o INEM com VMERs suficientes para dar resposta ao aumento das solicitações decorrentes das alterações propostas ou a propor. Locais existem com estruturas e equipamento disponíveis, mas sem profissionais devidamente preparados para os utilizar.

Para ajudar aos críticos da proposta, até um “apagão” por uma hora da linha urgente “112” ocorreu exigindo medidas para que situações idênticas não se repitam.

O que é de lamentar é que quem apoiava as medidas apresentadas, hoje, se aproveitem desta instabilidade e desta “desordem” para obter o seu protagonismo.

A Ordem dos Médicos que em tempos declarava, através do seu Bastonário, estar de acordo com as medidas propostas de reestruturação dos SU “embora pouco ambiciosas”, hoje considera-as perigosas ao dizer um seu dirigente que "não se podem fechar urgências por razões económicas e depois logo se vê”. À afirmação do Bastonário de que “os portugueses devem perder o hábito de ter sempre um médico atrás de cada árvore” contrapõe hoje a OM com o aviso de que consequências gravosas para os doentes podem decorrer de encerramentos de SU, sem nexo.

Os autarcas como o Presidente da Câmara de Fafe que considerava o SU do Hospital de Fafe como um “serviço para ir buscar uma “guia de marcha para o Hospital de Guimarães”, quando confrontado com a oposição dos seus eleitores (manifestada, entre outras maneiras, com a apresentação de documento contra o encerramento do SU entregue hoje na Assembleia da República e assinado por cerca de 5600 assinaturas) agora declara publicamente que “não aceito que não haja um serviço de urgência em Fafe” e que o seu encerramento “não me passa pela cabeça”.

Mudam-se os tempos…mudam-se as vontades.

Aguarda-se responsabilidade e respeito pela preservação da saúde ou da vida das pessoas, no que à assistência médica em geral e à de urgência em particular, diz respeito, por parte de quem tem o poder de decidir.



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o ataque da OM. CC que se cuide...


"A Ordem dos Médicos (OM) denunciou esta terça-feira que existem profissionais estrangeiros a realizar partos e outras urgências obstetrícias em hospitais públicos portugueses sem a necessária especialização. A acusação foi lançada em conferência de imprensa e já teve reacção." Portugal Diário


"É inacreditável que num país europeu, no século XXI, numa colocação de internos que é feita da mesma forma todos os anos possa haver uma justificação informática para tentar explicar um atraso de um mês no início da especialidade", criticou José Manuel Silva, Presidente da SRC da OM."Diário de Notícias


"A Ordem de Médicos denunciou hoje a falta de segurança em alguns Serviços de Urgência em hospitais. Um dos exemplos apontados foi o não cumprimento de normas nas equipas de neurocirurgia do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental."RFM


E mais ainda virá!
Adalbertos, Boquinhas e Morujões que se cuidem....

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terça-feira, janeiro 16, 2007

a rede de Serviços de Urgência


No Diário da República Nº 10 de 15 de Janeiro de 2007, é publicado um Despacho nº 727/2007 assinado por Correia Campos no qual são feitas alterações ao Despacho nº 18 459/2006 onde são definidas as características da rede de serviços de urgência, bem como os níveis de resposta que a integram.

Estas alterações reportam-se às alíneas c), d) e e) do nº2.:


c) Nos Serviços de Urgência Polivalentes (SUP), com a contemplação de mais três valências que o anterior despacho não contemplava – Cirurgia maxilo-facial, Gastroenterologia (com endoscopia) e Pneumologia (com endoscopia) - salvaguardando que “nos locais onde exista mais de um serviço de urgência polivalente, os cuidados de saúde a prestar no âmbito destas três novas valências, bem como nas de cirurgia vascular, cardiotorácica e cirurgia plástica e reconstrutiva, possam ser assegurados por um único SUP”;
d) Nos Serviços de Urgência Medico-Cirúrgicos (SUMC) salvaguarda que nos locais onde exista mais de um SU com as especialidades referidas no Despacho anterior, à excepção da medicina intensiva, as restantes especialidades possam ser asseguradas por outros SUMC da região;
e) Nos Serviços de Urgência Básicos (SUB), com a introdução dum termo “como valor indicativo” quando se refere á possibilidade deste serviço estar “sediado numa área de influência que abranja uma população superior a 40.000 habitantes (como valor indicativo).

Quem ler o Despacho de 12 de Setembro de 2006 e perguntar o porquê deste novo de 15 de Janeiro de 2007 (com os aditamentos e as correcções nele apresentadas), poderá dizer que é um aperfeiçoamento técnico do anterior.

Sem dúvida que assim pode ser considerado.

Mas o que é estranho é que estas alterações tenham sido apresentadas depois do jogo ter terminado.
O jogo da análise do relatório apresentado pela nomeada comissão de técnicos para o estudo da requalificação da Rede de SU.
Faz transparecer que se adaptam os regulamentos às exigências que foram feitas e que se protegem e se tentam justificar as alterações (ainda não reveladas) à proposta inicial.

Esperemos então pela decisão final de Correia Campos, prometida para o fim de Janeiro deste ano.
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segunda-feira, janeiro 15, 2007

incompatibilidades

E agora?
Resta-nos esperar para ver...

domingo, janeiro 14, 2007

(...) se por ventura alguma coisa de errado funcionou...

............................................................. INEM assegura assistência ao Rally

Transcrevo aqui, na íntegra e sem comentários, a notícia apresentada em Portugal Diário hoje:

"Sete horas para chegar ao hospital"

"Um homem de 54 anos, que sofreu um acidente de viação esta segunda-feira em Odemira, demorou sete horas a chegar ao hospital, acabando por morrer. Segundo a TSF, o INEM enviou para o local do acidente uma ambulância sem qualquer apoio médico.
Posteriormente, a vitima foi levada para o Serviço de Apoio Permanente de Odemira, onde esteve duas horas, mas não recebeu a assistência médica apropriada porque a unidade não dispõe de médios para socorrer uma vítima politraumatizada e com lesões cranioencefálicas, como era o caso.
Depois disso, foi chamada uma viatura médica de emergência e reanimação do INEM, estacionada no hospital de Beja, que demorou uma hora a chegar ao local e outra para tentar estabilizar a vítima, explica a TSF.
Foi então decidido evacuar o ferido por helicóptero para o hospital de Santa Maria, em Lisboa, mas, dada a gravidade das lesões, o helicóptero teve de voar a baixa altitude e a reduzida velocidade, tendo o indivíduo acabado por morrer.
Em declarações à rádio, Nelson Pereira, director dos serviços médicos do INEM, afirmou que as equipas envolvidas no socorro fizeram o que os meios disponíveis lhes permitiram.
Após averiguar o ocorrido, Nelson Pereira disse que a actuação dos seus profissionais, «em três momentos diferentes», decorreu «dentro da normalidade».
«Evidentemente que lamentamos sempre que estas situações ocorram», mas «se nos referirmos ao facto de que Odemira é, infelizmente, como algumas zonas do país, deficitária em termos de acessibilidades a cuidados de saúde diferenciados, em determinadas especialidades, é possível que situações destas aconteçam, referiu Nelson Pereira.
Nelson Pereira justificou que para o local foi enviada uma viatura sem apoio médico, porque «em Odemira não existem viaturas com apoio médico». Em todo o distrito de Beja, o maior do país, apenas existe uma viatura de emergência médica, que estava a 100 quilómetros do local.
No entanto, Nelson Pereira adiantou que esta situação pode mudar num futuro próximo, já que «está a ser equacionada, há algum tempo atrás, a possibilidade de ter outras unidades no distrito». «O sistema duplicou o número de unidades nos últimos três anos e vai continuar com certeza a alargar a sua actividade», explicou.
O ministro da Saúde, Correia de Campos, disse à TSF que está «interessado em conhecer» o sucedido e acrescentou que irá «necessariamente actuar procurando conhecer o que se passou» e perceber «se por ventura alguma coisa de errado funcionou»."


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sábado, janeiro 13, 2007

os difíceis caminhos do SNS

. foto por: szincza szincza

Não está a ser nada fácil a vida do Ministro da Saúde no início deste ano de 2007.

E a sua vida já estava difícil há meses atrás com as medidas que fez aprovar, com as dificuldades que enfrentou para a sua aplicação e pelas vozes discordantes que se fizeram ouvir (encerramento de Maternidades, novas taxas de internamento e cirurgia, aumento das listas de espera para cirurgia e do preço dos Medicamentos, dívidas às Farmácias e Indústria Farmacêutica, falhanço na constituição das USF, proposta de nova Rede de Serviços de Urgência Hospitalares e encerramento de SAPs).

Com o despoletar, nos últimos dias de Dezembro de 2006, duma tomada de posição dos Directores de Serviço do Hospital Pedro Hispano a propósito do controlo electrónico da assiduidade, com o falhanço informático da colocação dos médicos do Internato Complementar, com a criação, por Decreto-Lei, de novos Centros Hospitalares, culminando com a divulgação pela imprensa, das propostas preliminares resultantes dum estudo realizado por uma comissão de peritos (escolhida pelo MS) para estudar o actual modelo de financiamento do Serviço Nacional de Saúde, perspectiva-se um ainda maior agravamento das dificuldades em todas as frentes a que Correia Campos tem chegado.

Se estivermos atentos, todas as medidas até agora aprovadas e propostas, têm uma finalidade comum:

A contenção de gastos em saúde, controlo do desperdício e o aumento da produtividade. Importante sem dúvida, para manter o que é definido pelo também já gasto slogan da “sustentabilidade do sistema”.

Mas esquece-se sempre Correia Campos que um dos elementos que mais pode contribuir para a dita “sustentabilidade”, são os Profissionais da Saúde.

Sem eles ou contra eles, não haverá medidas “necessárias” nem gestores competentes que consigam manter o SNS com qualidade, produtivo, competitivo e actuante.

Medidas desgarradas, sem complementaridade e sentido, ora “mexendo” nos Cuidados Primários ora nos serviços Hospitalares e nos médicos em particular, sem preocupações de análise das consequências que delas possam advir, criam insegurança e dúvidas nos cidadãos, desmotivação e da mesma forma, insegurança nos profissionais da saúde.

A coberto da criação de EPE e Centros Hospitalares (e da reforma da Administração Pública) é impedida a abertura de concursos para preenchimento de vagas (enquanto instituição SPA) condicionando o aumento de produtividade que é exigido, ao mesmo tempo que a gestão dos recursos humanos é feita na base de contratos individuais, sem planeamento ou controlo por parte das ARS, sujeitos à lei da concorrência, deixando para plano secundário a negociação e definição dum acordo colectivo de trabalho para os Hospitais EPE e o seu planeamento nacional e institucional.

Preocupado o MS com as horas extraordinárias, com o cumprimento dos horários e com a falta de médicos para assegurarem os Serviços de Urgência gastam-se energias durante semanas a fio, para se aprovarem alterações consensuais, mas muito pontuais, ao diploma das Carreiras Médicas, envia para publicação um despacho ministerial que alarga o regime de incompatibilidades e lembra a aplicação da lei de 1999 de controlo de assiduidade, esquecendo-se ou deixando para outra altura a revisão do Decreto Lei 73/90 sobre as Carreiras Médicas.

Com o objectivo de melhor gerir os recursos humanos e as instituições de saúde, criam-se Centros Hospitalares sem qualquer tipo de diálogo prévio com os profissionais neles envolvidos, evidenciando assim um alheamento completo por quem importantes contribuições pode dar para melhoria de funcionamento dessas instituições. A escolha do Director Clínico e Enfermeiro Director é feita na base de amizades e em completo secretismo, com critérios de escolha por mérito, capacidade e conhecimento da realidade discutíveis, como tal fomentadora de mais desmotivação e instabilidade.

Prometem-se novos Hospitais, muitos de proximidade, sem serem revelados estudos (a existirem) da sua viabilidade e rentabilidade futuras em termos de investimento público, equipamento e profissionais necessários versus variação demográfica e aproveitamento máximo da capacidade das estruturas já instaladas (caso dos novos Hospitais de Proximidade previstos para Lamego, Amarante e Fafe).

Nada, mas mesmo nada, tem feito ou propõe que seja feito para dignificar os profissionais, a sua formação, as suas carreiras, a sua estabilidade as suas condições de trabalho (baixos salários, congelamentos na progressão, contratos precários) contrapondo com uma futura “avaliação de desempenho” que tarda em ser concertada e regulamentada) contribuindo assim para a sua desmotivação e perda de brio profissional.


Orgulha-se Correia Campos de pela primeira vez ter conseguido aproximar-se muito perto do objectivo assumido: o de cumprir o orçamento para a saúde.
Mas fê-lo (a ser verdade), à custa de medidas que penalizam o doente, o cidadão, as instituições públicas e seus profissionais ao mesmo tempo que protege (através de convenções) e indirectamente incentiva o florescer da iniciativa privada que se aproveita das insuficiências que o SNS progressiva e aceleradamente começa a demonstrar, conduzindo a insatisfação de parte da população que vê no “privado” a sua tábua de salvação.

Caminhamos assim para um sistema de saúde de tipo americano.


Um SNS (com poucos recursos) para os pobres e um SSPC (Serviço de Saúde Privado Comparticipado) para os mais ricos.
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sexta-feira, janeiro 12, 2007

aviso a todos os médicos

Reproduziu o sítio do Nortemédico, desde o dia 2 de Janeiro, a convocatória para uma conferência de imprensa a realizar por Miguel Leão (Presidente da Mesa da AG da SRN da Ordem dos Médicos) com a finalidade de divulgar a moção que ele próprio iria apresentar à Assembleia Regional, “com vista à apreciação do comportamento do Dr.Nuno Luís da Silva Morujão impedindo a realização de uma reunião promovida pelo CRN da Ordem dos Médicos” que teria lugar no dia 28 de Dezembro de 2006 no Hospital Pedro Hispano de Matosinhos.

A conferência de imprensa foi realizada e os jornais divulgaram as opiniões e as críticas que o Dr.Miguel Leão nela expôs.

A Assembleia Regional da SRN da Ordem dos Médicos ter-se-á realizado às 21:30 horas do dia 10 de Janeiro de 2007.

E hoje, dois dias depois da realização desta Assembleia, procuro no Nortemédico informações sobre o resultado da referida reunião. Eis quando deparo na caixa "Comunicados da SRN da OM" com:







Sendo assim, como médico inscrito na SRN da Ordem dos Médicos,nunca tendo cumprido o dever deontológico (Artº 123) de remeter ao Conselho Regional da Ordem dos Médicos exemplar do contrato ou contratos celebrados por mim com as instituições públicas de saúde (e algumas já foram) vejo-me na obrigação moral de avisar todos os colegas que ainda não o tenham feito, para terem a atenção do que nesta nota de imprensa é proposto pelo Presidente do CRN da OM ao colega Dr. Joaquim Pinheiro (Director Clínico do Hospital Pedro Hispano) por não ter cumprido tal requisito deontológico.

... e continuei à procura de informações sobre a Assembleia Geral e nada encontrei.

Nem um comunicado nem uma convocatória de conferência de imprensa...

Amanhã ao portal da Ordem dos Médicos-SRN voltarei.

Mas pela imprensa de hoje vim a saber que:

A AG ainda não aprovou a moção apresentada pelo presidente Miguel Leão;
Que “há diligências formais em curso” que deixaram a moção pendente;
Que há informação adicional sobre o caso em que o administrador hospitalar impediu o acesso de uma delegação da OM/Norte, mas não especificou o que esteve em causa para que a votação fosse adiada por tempo indeterminado.
Primeiro de Janeiro

E também que:


Em carta enviada a Nuno Morujão, o bastonário Pedro Nunes diz "lamentar a situação criada pelo senhor presidente da Assembleia Regional" e que "não faz qualquer sentido personalizar num colega", ainda que presidente dum CA, o ónus de uma situação que, entende, "se deve inteiramente a disfunções resultantes da inacreditável falta de solidariedade institucional que alguns imaginam poder servir os seus desígnios de cariz eleitoral e ambições pessoais" - recorde-se que Miguel Leão é um potencial candidato a Bastonário.
O DN tentou obter uma reacção de Leão, mas o médico esteve incontactável.”
O bastonário Pedro Nunes admite actuar disciplinarmente contra Miguel Leão, um dos dirigentes da Ordem dos Médicos, no Porto. Tudo porque Leão propôs a "condenação pública" do Presidente do Conselho de Administração (CA) do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos DN

É caso para dizer..."valha-nos Deus".


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quinta-feira, janeiro 11, 2007

a dança das cadeiras vai recomeçar


Foi aprovado hoje em Conselho de Ministros um Decreto-Lei que cria mais sete unidades de saúde públicas com estatuto empresarial.Decreto-Lei que cria a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejo, E.P.E. e aprova os respectivos estatutos

Seis destas EPE serão constituídadas como Centros Hospitalares com excepção do Hospital Espírito Santo de Évora que permanece isolada como instituição.Portal do Governo

1. Hospital do Espírito Santo de Évora;
2. Centro Hospitalar de Lisboa Central, que integra os Hospitais de São José, do Desterro, dos Capuchos e ainda o Hospital Dona Estefânia e o Hospital de Santa Marta;
3. Centro Hospitalar de Coimbra;
4. Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, que integra o actual Centro Hospitalar de Vila Real/Peso da Régua, E.P.E., o Hospital Distrital de Chaves e o Hospital Distrital de Lamego;
5. Centro Hospitalar do Médio Ave, que integra o Hospital Conde de São Bento, de Santo Tirso, e o Hospital S. João de Deus;
6. Centro Hospitalar do Alto Ave, que integra o Hospital da Senhora da Oliveira, de Guimarães, e o Hospital de S. José, de Fafe;
7. Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, que integra o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia e o Hospital Nossa Senhora da Ajuda-Espinho.
Também nesta reunião do Conselho de Ministros foi aprovado um outro Decreto-Lei que cria a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejo E. P. E., que integra o Hospital Dr. José Maria Grande, de Portalegre, o Hospital de Santa Luzia, de Elvas, e os centros de saúde do distrito de Portalegre.

A dança das cadeiras vai começar.
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quarta-feira, janeiro 10, 2007

o trabalho nos Serviços de Urgência


Sob o título “É impossível trabalhar assim !” no Médico Explica Medicina a Intelectuais é apresentado um Post com a transcrição dum artigo publicado no Tempo Medicina assinado pelo Prof. José Manuel Silva (Presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos).

O autor do Blog não faz qualquer tipo de comentários.

E fá-lo bem, porque a evidência dos factos que nele são relatados (que ocorrem no SU dos HUC como em qualquer outro SU dos Hospitais do país) ocorridos num qualquer dia do mês de Dezembro, de Agosto ou do ano, são tão conhecidos dos doentes, dos médicos, dos enfermeiros, dos técnicos superiores e dos MCD, dos auxiliares de acção médica e também das Administrações Hospitalares e Regionais e do Ministério da Saúde, que dizer mais seria difícil.

Refere-se o autor do artigo às condições técnicas e humanas em que os profissionais da saúde ( em particular os médicos) actuam nos Serviços de Urgência Hospitalares.

E os comentários também estão bem explícitos no artigo em questão:

“Quem fecha serviços de atendimento permanente nos centros de saúde sem alternativas efectivas, quem pretende encerrar serviços de Urgência sem uma reforma profunda do sistema de Saúde, quem desorganiza serviços de Urgência com a contratação de empresas de mão-de-obra médica desligada da respectiva instituição, quem não cuida de criar mecanismos de assistência aos idosos que dispensem o recurso sistemático à Urgência hospitalar, quem não investe a sério em verdadeiros cuidados paliativos, quem se preocupa mais com o orçamento do que com os doentes, quem não tem conhecimento suficiente para introduzir reformais racionais e não racionamento cego, quem não dimensiona os recursos técnicos e humanos de forma dinâmica em função das necessidades, quem não resolve os constrangimentos ao fluxo de doentes, quem concede populares tolerâncias de ponto sem cuidar de mecanismos de compensação e rotatividade (só para as greves é necessário assegurar serviços mínimos?), etc., etc., etc., quem governa deficientemente que assuma integralmente as suas responsabilidades!”

Vale a pena ler na íntegra este excelente artigo em “Médico Explica Medicina a Intelectuais”.
Parabéns ao autor do Artigo e do Blog.
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doutores médicos/doutores enfermeiros


Que dizer a este comentário que um “doutorenfermeiro” colocou num post no SaudeSA a propósito da proposta de formação duma Plataforma de defesa do SNS, quando se referia aos médicos “que em pleno século XXI, se acham reis e senhores de tudo”?

Numa classe que faz da escassez de profissionais a sua arma de arremesso, formar mais médicos, abrir mais faculdades, e inundar o país de profissionais seria uma boa forma de regular e equilibrar o mercado, estimulando a competição e a fluidez laboral, acabando definitivamente com todos os problemas. E que ninguém duvide que quase todos os problemas têm a sua raiz primária nesse ponto: a falta de médicos. Nos países onde não existe falta de médicos, ninguém levanta poeira, pois a porta da rua está sempre aberta.

Os médicos até se tornam ridículos nas suas argumentações desesperadas, como aquela acerca do recente episódio no Pedro Hispano, em que referiam que encostar o dedo num vidro diminuiria a sua produtividade. Às vezes pergunto-me, será que a estupidez desce pelos estetoscópios ou já nascem assim?

Cada um que responda como quiser, mas foi assim que respondi:

Não será com propostas de “formar mais médicos, abrir mais faculdades, e inundar o o país de profissionais” nem tão pouco com respostas a perguntas do género “será que a estupidez desce pelos estetoscópios ou já nascem assim?” que o problema da classe médica (dita corporativa) deve ser analisado e “tratado”.

Os médicos, como qualquer outro grupo profissional da saúde são imprescindíveis também, num qualquer Serviço Nacional de Saúde.

Apontar os “erros” do passado (dum corporativismo de classe) e do presente (do salve-se quem puder portanto já não tão corporativista) à classe médica na sua generalidade é errado, porquanto os valores que transparecem para a opinião pública são os valores vinculados por quem pretende perpetuar esses mesmos erros enquanto fomentadores de privilégios injustificados nos dias de hoje.

Com a instituição das Carreira Médicas, na década de 80, deu-se o início à transformação duma medicina “individualizada e personalizada” para um acto médico “mais colectivo e mais intersectorial” que fez mudar muito as mentalidades dos médicos actuais mas que infelizmente se vem perdendo.

A muitas reivindicações dos médicos há que dar ouvidos (a outras não), assim como às dos enfermeiros, e dos restantes profissionais da saúde, ou não fossem todos funcionários públicos enquanto trabalhadores do SNS.

Umas mais prioritárias que outras. Mas por certo muitas delas justas.

É este espírito “do colectivo” (que ainda existe) que é necessário fomentar.

Colectivo não só de classe mas “inter-classes” em que todos os profissionais da saúde são participantes no acto de tratar ou de realizar a profilaxia em Saúde.

Só com este espírito de forte unidade entre todos os sectores conseguiremos defender o nosso SNS, deixando as críticas não construtivas à generalidade duma classe que fazem transparecer um objectivo bem claro:

O de conseguir para si (ser individual), o protagonismo e os privilégios de classe que pretende serem retirados a outra classe.

Assim não…"



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segunda-feira, janeiro 08, 2007

Ordem dos Médicos pede a revogação de despacho sobre incompatibilidades


Segundo o jornal Público a Ordem dos Médicos (OM) solicitou hoje ao Provedor de Justiça que recomende ao ministro da Saúde, António Correia de Campos, a revogação do despacho sobre a incompatibilidade do exercício de funções de coordenação e direcção em instituições privadas prestadoras de cuidados de saúde por profissionais de instituições integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), por ser “ilegal”.

A determinação ministerial surgiu após a auscultação de vários directores de hospitais em Lisboa que se tinham deparado com a saída de vários profissionais para grupos privados de saúde o que segundo o Ministro da Saúde seria “passível de comprometer a isenção e imparcialidade, com o consequente risco de prejuízo efectivo para o interesse público”.

Assim, segundo o parecer jurídico da OM, para “apurar como é que o interesse público poderá ser afectado negativamente, torna-se necessária uma avaliação casuística”, enquanto o “despacho em causa faz uma afirmação genérica”,“susceptível de ser aplicado a um número indeterminado e indeterminável de pessoas e a um número indefinido de casos”.

“E tendo características normativas”, sublinha o parecer, “a sua elaboração e aprovação não seguiu as formalidade previstas na lei, designadamente o disposto no artigo 112º da Constituição, que assim também se mostra violado”.

Embora o parecer sustente que “são de prever consequências gravosas para os médicos” da aplicação do despacho por parte das direcções dos hospitais e administrações regionais de saúde, adianta que a OM não pode intervir directamente e que “cada médico terá de, por si próprio, desencadear os meios de defesa adequados à sua situação específica”.

Independentemente das razões que o parecer jurídico aponta contra a legalidade do despacho ou as que assistem à interpretação por parte do MS do que pode ser considerado como “comprometimento da isenção e imparcialidade” ou de “prejuízo efectivo para o interesse público” fica demonstrado que
só com uma total separação entre o sector público e privado se afastará este interesse desmedido por uma ligação laboral ao SNS por parte de quem nele vê uma tábua de salvação para muitos interesses instituídos.



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contabilidade Analítica dos Hospitais do SNS – 2005



Está disponível, no site do IGIF, o Relatório de Contabilidade Analítica de 2005 dos Hospitais do SNS.
Trata-se duma importante publicação que anualmente nos é dada a conhecer e onde, ao longo de mais de 600 páginas, se apresenta o “tratamento automático dos dados enviados electronicamente pelos Hospitais do SNS” no que respeita a dados contabilísticos e assistenciais, sob a forma de Grupos Económicos de Hospitais.

Estes “Grupos Económicos” de Hospitais, foram determinados em função de vários factores avaliados (Escala/Diferenciação, Complexidade não ajustada pelo Casemix, Básico/Intermédio e outros) e tem por finalidade permitir uma correcta comparação entre os HH do mesmo grupo.

Merece este documento uma análise comparativa detalhada e desta análise retirarmos os ensinamentos devidos.

Certo estou de que as diferenças de resultados entre Hospitais do mesmo Grupo e não só, resultam duma real actividade assistencial ou da “habilidade” de gestão financeira de uns ou da inabilidade de outros.

Esta relativa ausência de “fiabilidade” dos dados aqui apresentados a que somos “obrigados” analisar, resulta da ausência de critérios uniformes nacionais de contabilidade finaceira dos HH do SNS e/ou à ausência de auditorias a esta mesma contabilidade.

Deve-se em suma, à ausência dum real e eficaz Sistema de Informação na Saúde que urge implementar para que com a fiabilidade que é exigida, estes relatórios possam dar um contributo ainda mais importante à gestão Clínica, Administrativa e Financeira das Instituições de Saúde nacionais.
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