quinta-feira, novembro 09, 2006

contradições de quem tem dificuldade em assumir responsabilidades

Considero importante dar a conhecer as posições dum médico com reconhecidas responsabilidades na área de Cuidados Primários da cidade de Fafe, sobre a proposta de encerramento do Serviço de Urgência do Hospital local, posições estas que foram expressas no jornal “Correio de Fafe” de 3 de Novembro de 2006.
Para quem não sabe o Dr. Raúl Cunha, é médico há já cerca de três dezenas de anos, natural e residente no Concelho de Fafe, foi durante muitos anos Director do Centro de Saúde de Fafe, é membro da Assembleia Municipal de Fafe pelo Partido Socialista e seu representante eleito para a Comissão de Saúde e é coordenador da única Unidade de Saúde Familiar do concelho, recentemente inaugurada com pompa e circunstância por CC.
Diz ele no referido jornal local que a Comissão criada para a reavaliação da rede de SU é “tão competente” que até merece elogios do bastonário da Ordem dos Médicos já que é composta por elementos “de reconhecida capacidade e competência nesta matéria”.
E pergunta:
Então porque será que a Comissão tão competente propõe para Fafe uma solução (encerramento do SU) que levanta tanta agitação? O que realmente temos no Hospital?” Um SU em que “os doentes poli traumatizados graves são enviados para Guimarães”, “um SUMC que nunca existiu enquanto tal” e que a Comissão pretende encerrar.
Então Fafe deve “ficar sem um local onde se possa recorrer em situações de menor gravidade 24 horas por dia?” Não, Fafe “deverá ter é um Serviço de Urgência Básico que sempre foi.”
Afirmando que no momento ainda nada se tenha modificado ao nível do SACU do Centro de Saúde nem deverá ser modificado, já que “tem que ser dada resposta ao nível dos Centros de Saúde e o hospital deve ser reservado para as situações verdadeiramente urgentes.” Mas ao mesmo tempo revela que o que modificou foi o “horário de funcionamento que foi encurtado”.
Esperando que garantido um SUB no Hospital “este continue a receber os doentes da mesma forma e não vejamos de novo regressarem as lamentações da ineficácia do Centro de Saúde e do abuso dos cidadãos ao recorrerem a serviços vocacionados e montados para prestarem outro tipo de cuidados. Quero acreditar que não estejamos a assistir a uma manipulação inqualificável da população de Fafe o que seria verdadeiramente intolerável. Parece-me que se está a fazer uma agitação em torno duma ameaça que não o é verdadeiramente”
Termina no seu artigo com desejos de esperança de com estas reformas que estão a ser feitas na área da saúde nos torne “num País verdadeiramente desenvolvido e Europeu” e que dê “aos Fafenses mais e melhor saúde que é o que realmente a todos nos deve interessar.”

Foi isto que em resumo se leu no Correio de Fafe de 03 de Novembro de 2006-11-09
Quantas contradições.
Quantas dificuldades em defender o que é indefensável.
Quantas dificuldades em defender o que é defensável.
Quantas dificuldades em assumir responsabilidades.

na defesa do SU em Fafe


Resposta dos médicos do Hospital de S.José de Fafe às contradições, às dificuldades em defender o indefensável e o defensável e de assumir as responsabilidades...

SOBRE O SERVIÇO DE URGÊNCIA DO HOSPITAL DE S. JOSÉ DE FAFE

Uma Resposta Necessária

Resolveu o Dr. Raul Cunha, em artigo publicado “Jornal Correio de Fafe” de 03/11/2006, dar a sua opinião sobre o assunto que neste momento tem sido objecto de discussão no nosso Concelho, e não só, o encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de Fafe.

É de louvar esta participação, não só por ser o Dr. Raul Cunha, um profissional da saúde com largos anos de experiência, como pelo facto de ser o representante eleito da Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Fafe, portanto com a acrescidas responsabilidades quando a Sociedade Fafense se encontra a discutir pelas formas mais diversas este problema que tem levantando fundadas preocupações em sectores amplos do nosso Concelho.

Mas por estas mesmas razões, é pena que só agora o Dr. Raul Cunha traga a público este “Contributo para o Debate” , como lhe chamou, pois a verdade é que os Fafenses se encontram a discutir este assunto à quase um ano, não sendo conhecida nenhuma posição relevante do Dr. Raul Cunha, durante estes meses para esta discussão.

Para fundamentar as posições que defende, o Dr. Raul Cunha socorre-se de argumentos já amplamente ouvidos a outro nível, de que o estudo efectuado propõe o encerramento de várias Urgências, entre os quais a de Fafe, é feito por um leque de pessoas de reconhecida”capacidade e competência” , a que se junta a voz do Sr. Bastonário da Ordem dos Médicos, que afirmou recentemente que se tivesse que ser ele a escolher uma Comissão para esse efeito, escolheria exactamente essas pessoas por serem as mais competentes, capazes, etc, etc, etc.

Mas o que o Dr. Raul não consegue explicar, “porque é que a solução proposta por uma Comissão tão competente levanta tanta agitação?”, como é que tal estudo que propõe o encerramento de várias Urgências Hospitalares, tem sofrido críticas generalizadas dos mais diversos sectores políticos e profissionais.

E para defender a sua posição, o Dr. Raul Cunha deturpa a realidade em alguns aspectos essenciais.

Como ponto prévio, gostaríamos de dizer que os Médicos do Hospital de S. José de Fafe, porque são pessoas responsáveis, e defensores acérrimos do SNS, estão perfeitamente de acordo com as motivações e o desígnios do estudo sobre a Reestruturação das Urgências feito pela Comissão de Técnicos. O mesmo não podemos dizer do seu conteúdo, que está cheio de omissões e erros de avaliação, situação que já tivemos oportunidade de denunciar no lugar certo e em tempo útil.

Assim sobre a posição do Dr. Raul Cunha poderemos dizer.

Em primeiro lugar, ao analisar a actividade no Serviço de Urgência no Hospital de Fafe diz que, e citamos” no Hospital de Fafe é feita uma primeira avaliação dos casos, e sempre que se trata de uma situação mais grave, é encaminhada para o Hospital de Guimarães”.

Esta afirmação, provinda de um Médico que inclusive já trabalhou na Urgência do Hospital de Fafe, só pode revelar ignorância ou má fé; ignorância se desconhecer (o que nós não acreditamos) que o nosso SU se tratam patologias bem graves, muitas delas verdadeiras emergências médicas, e com essa intervenção se salvando muitas vidas, pois não seria possível que chegássem com vida ao Hospital de Guimarães se não fossem atendidos na Urgência de Fafe; e ignorância (o que também não acreditamos) por desconhecer que a grande maioria desses doentes (96%) não são transferidos depois de tratados em Fafe para Hospital nenhum, mas ficam internados na nossa Instituição com a excepção lógica dos doentes que necessitam de Unidades Especiais, como a Unidade Coronária ou a Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente. Alias, e só a título de exemplo o Hospital de Famalicão, quando tem um doente a necessitar de UCIC ou de UCIP, transfere esses doentes para Guimarães, o que em qualquer caso representa uma pequena percentagem desses casos denominados graves. Diga-se para complemento da informação que em cada 100 doentes que recorrem ao SU do Hospital de Fafe, só são transferidos para outras Unidades Hospitalares, Guimarães, Braga ou S. João no Porto, 4% desses mesmos doentes.

Em segundo lugar, o Dr. Raul Cunha afirma que esta “Comissão pretende encerrar um Serviço de Urgência Médico-Cirúrgico que nunca existiu enquanto tal” . Falso, Sr. Dr. Raul Cunha, esta Comissão propõe o encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de Fafe “tout court”, e não a criação de um Serviço de Urgência com outras características, vulgo SUB na terminologia da referida Comissão, que ninguém sabe na verdade o que seja; quem são os médicos que a compõe? Clínicos Gerais? Médicos indiferenciados? Médicos Hospitalares?, já agora um SUB de um Centro de Saúde como Montalegre que está previsto é igual a um SUB de um Hospital idêntico ao de Fafe como é o caso de Valongo?; O Trabalho da Comissão de Técnicos é completamente omisso quanto a isso.

Com esta solução proposta pela Comissão, acontece que entre Vila Real e Guimarães, não está prevista a criação de nenhum Ponto de Urgência, pelo que uma população de aproximadamente 120 000 pessoas para tratar qualquer problema de saúde por menor que seja, ter-se-à que deslocar a um Hospital Polivalente como Vila Real, ou então a um Hospital Médico-Cirúrgico como o de Guimarães. Em qualquer das situações a maioria dessa população fica a uma distância desses ponto de urgência que ultrapassa largamente o tempo de socorro proposto pelo estudo da Comissão de Técnicos. E querem convencer-nos que isto é lógico, poupa recursos, beneficia as populações e é feito por uma comissão altamente competente!

Em terceiro lugar, o Dr. Raul faz um apelo para que todos os responsáveis (“TODOS”, escreve ele), unam esforços para desfazer equívocos (quais?) e “garantir a Fafe o atendimento que tem desde 1992 com Serviço de Urgência Básico a funcionar 24 horas/dia”.

Desta forma se pretende escamotear a denúncia feita por todos aqueles que têm seguido com preocupação o problema do encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de Fafe, de que, mesmo que ele não seja encerrado, mas sim transformado em Serviço de Urgência Básico, o que representará sempre uma desvalorização dos Cuidados de Saúde prestados à população de Fafe e Concelhos vizinhos, pois muitos dos actos praticados neste momento na Urgência de Fafe, deixam de poder ser realizados, nomeadamente Urgências Médicas, Ortopédicas ou Cirúrgicas, pela falta de Médicos com capacidade técnica para tal.

Em quarto lugar, o Dr. Raul Cunha tem se esquecido, do esforço que esta Instituição e os seus Profissionais têm feito ao longo dos anos, com várias denúncias feitas à Tutela, para garantir um Serviço de Urgência a funcionar 24 horas/dia, o que não tem impedido que este Hospital conforme a Tutela tem reconhecido, mantém indicadores de actividade a que podemos intitular de “excelentes”.

Em quinto lugar, entendemos que a construção de um novo Hospital neste Concelho, que nós Médicos desta Instituição veríamos com bons olhos, possa estar neste momento a ser um mero pretexto para desviar a atenção das pessoas sobre o problema de hoje e mais premente que é a Urgência em Fafe; senão, vejamos o que está a acontecer em Braga com o Hospital Central (esse sim essencial), cuja obra há anos espera o seu início.

Em sexto lugar, as suspeições levantadas pelo Dr. Raul Cunha, sobre “manipulação das populações”, ou “os doentes” continuarem a ser tratados da mesma forma, quando o actual SU se transformar num SUB (para o que parece o Dr. Raul Cunha já terá uma garantia formal!), não merecem de nós qualquer comentário por raiarem os limites da provocação e da falta de ética.

Como aspectos positivos desta contribuição do Dr. Raul Cunha neste Debate, apenas dois factos:

Considerar que o problema do Hospital de Fafe, é um problema polémico, a exigir debate, desta forma e aparentemente, contrariando as posições do Sr. Presidente da Câmara Dr. José Ribeiro.
O facto do Dr. Raul Cunha ter concluído tal como nós, que a Comissão de Técnicos afinal não é tão competente quanto isso, pois enquanto a Comissão propõe o fim da Urgência em Fafe, o Sr. Dr. Raul Cunha propõe a criação de um Serviço de Urgência Básica.

Os Médicos do Hospital de S. José de Fafe,
Hospital S.José de Fafe, 08 de Novembro de 2006
(assinado)

greve nacional inferiorizada ...

CC desesperado depois de ter anunciado
esta medida
(por erro da tipografia, onde se lê "S.N.C.F." deverá ler-se "S.N.S.")



"Hospitais vão marcar consultas consoante a gravidade dos casos" é este o título da notícia ontem publicada no DN ver aqui

Até que enfim se ouve algo de positivo desta equipa do Ministério da Saúde.
Sem nenhum saudosismo, posso dizer que esta metodologia que agora se pretende aplicar é o que antigamente, e não há muitos anos atrás, se aplicava.
Quem melhor que os médicos hospitalares pode avaliar a prioridade clínica ( e digo “clínica” e não da “cunha”) para em tempo útil poder ser agendada uma consulta e gerir, em função dessas prioridades e do número de pedidos, a mesma consulta?
Mas para isso são necessários vários pressupostos.
Uma correcta identificação do doente, uma sucinta e legível história clínica da doença e antecedentes e uma documentação com MCD protocolados por especialidades.

Força CC apoiado…

Se calhar com esta medida, ainda vai fazer com que os funcionários públicos condescendam e deixem de aderir à greve nacional marcada para hoje…

terça-feira, novembro 07, 2006

masoquismo é o que se pode chamar


O Tribunal de Contas assinala que "nos dois primeiros exercícios de funcionamento (2003 e 2004) os resultados líquidos globais dos hospitais SA revelaram-se negativos", tendo o défice económico crescido 82%, como resultado do agravamento da despesa total do exercício. Uma tendência que prosseguiu. Apesar do ano de 2005 não constar do período auditado, o Tribunal refere já que ascendeu a 20 o número de hospitais SA com resultados negativos, no ano passado, "aumentando em relação a anos anteriores".


É isto que se pode ler na notícia publicada nos jornais púlicos de hoje . Ver aqui

Nada diferente do que já anteriormente tinha sido apurado e por puro masoquismo se pretende dissimuladamente perpetuar.

De quem é a responsabilidade?

segunda-feira, novembro 06, 2006

está tudo dito - Elogio a António Arnaut


Que mais dizer se muito de tudo é dito neste excelente Post colocado em Hospital?Amato Lusitano

Com a devida vénia ao autor Benjamim Formigo, não resisto a divulgá-lo aqui.


PARA ONDE VAI A SAÚDE EM PORTUGAL?


OPINIÃO - Publicado 3 Novembro 2006 - Benjamim Formigo


Em tempos idos tive o grato prazer de acompanhar quase no dia-a-dia a actividade do então ministro da Saúde António Arnault no caminho que levou à criação do Serviço Nacional de Saúde, abrindo as portas aos decretos das carreiras médicas e de enfermagem e à descentralização das congestionadas urgências dos hospitais para os centros de saúde.

Uma comparação com a metodologia e as motivações de António Arnault com o que hoje se passa seria qualquer coisa absurda.

Na altura havia empenho em satisfazer as disposições constitucionais sobre a matéria, ouvindo os agentes da saúde, mesmo as criticas que alguns faziam, hoje o único objectivo é satisfazer os critérios do défice. Ou pelo menos parece.

Se não acreditasse nas boas intenções do ministro quase arriscaria que além dos critérios do défice a privatização da saúde é o objectivo último do Governo.

Na Saúde existe uma questão de fundo que os Governos não podem perder de vista. Sem dinheiro não há Saúde. Por outras palavras: ou o Estado cumpre a sua missão Constitucional relativamente ao Direito à Saúde, e paga, ou o cidadão tem de ter meios financeiros para pagar no sector privado aquilo que o Estado lhe pretende negar.

Mas pior do que isso é o facto de haver uma ideia tão generalizada quanto errada que os serviços de saúde privados têm mais qualidade que os do Estado. Perante essa ideia generalizada não é difícil ao Estado, melhor dizendo ao Governo deixar subliminarmente entender que com privatizações "ganha você e ganha o país".

O erro tem sido ao longo de décadas explorado por quantos pretendem ver esquemas convencionados de medicina e enfermagem, pelos grupos que exploram clínicas privadas ou laboratórios privados.

Seria curioso que se tornasse publico quantas empresas são as reais proprietárias de laboratórios de análises clínicas ou de centros operadores de meios complementares de diagnóstico. Seria curioso e talvez surpreendente.

Portugal estava em 12º lugar no "ranking" mundial da qualidade dos serviços de saúde. Sem perceber nada de futebol, devo confessar, parece-me ser uma máxima neste negócio desportivo que não se toca em equipa vencedora.

Então qual o motivo por que os serviços de saúde em Portugal estão a tornar-se uma amálgama de unidades, centros hospitalares, esquemas semipúblicos ou semiprivados, completamente descontextualizados da filosofia subjacente ao Serviço Nacional de Saúde de António Arnault?

Honestamente só encontro uma explicação, a mesma de resto que encontro para o não suprimento crónico, agora já agudo das vagas hospitalares e do sistema se saúde público. Muitos hospitais e centros de saúde funcionam com 20 por cento ou mais de lugares de médicos e enfermeiros por preencher. Recorre-se à ilegalidade das horas extraordinárias programadas para evitar meter mais pessoal e reduzir os horários acrescidos. Corta-se no pagamento dos serviços de urgência aos médicos com a alegação de que aqueles que não trabalham em regime de exclusividade têm um ordenado inferior.

A verdade é que na urgência os médicos não têm regime de trabalho diferenciado. Ninguém faz banco a tempo parcial ou a tempo completo. Mas ainda assim poupam-se uns tostões para o défice. Em relação às urgências era lógico pagar-se em função da diferenciação profissional, ou seja, por igual tempo de urgência o preço hora só variaria pelo nível do profissional.

Não é admissível substituir médicos da Instituição por contactos de empresas, a preços escandalosos e de qualidade ignorada.

Devia imperar o bom senso e a racionalidade.

Por outro lado as urgências deviam ser em número e distâncias adequadas (nem de menos nem de mais). Além disso, se os cuidados primários e os horários hospitalares funcionarem bem as urgências serão menos.

Se se está a promover a privatização de serviços, será bom atentar no que sucedeu na Grã Bretanha. O exemplo mais completo de um bom SNS até a Sr.ª. Thatcher o ter tornado na amálgama que hoje é.

Se não se exigir melhor medicina, segurando os melhores profissionais com prémios pelo desempenho, então os privados agradecem a formação dada aos seus novos profissionais, os contribuintes não poderão ficar agradecidos.Será que o Estado gasta menos? É difícil responder pois algumas das despesas serão transferidas para a Segurança Social.

Todavia não haja grandes dúvidas: o SNS, tal como existia e ainda subsiste, é a única garantia de qualidade do contribuinte. Uma situação aguda de risco de vida numa clínica privada não encontra, nem se vislumbra que encontre nos tempos mais próximos, uma resposta tão eficiente quanto a que o hospital do Estado, mesmo em edifícios degradados, oferece.

Nenhum médico ou enfermeiro sabe responder qualitativamente se não tiver experiência hospitalar e/ou de saúde pública. Não é no sector privado que esse conhecimento e essa prática se adquirem. Sempre foi no sistema estatal, mesmo quando este não tinha ainda reconhecimento internacional.

Será que o Estado tem proveito cortando horários acrescidos, contratando pessoal de enfermagem sobretudo, mas também médico, a termo certo? Efectivamente tem. Os horários acrescidos contam no tempo de serviço e reflectem-se na reforma; o contrato a termo certo não implica continuidade. Mas só não implica continuidade para o trabalhador da saúde que muda de local e não adquire direitos, o Estado continua a pagar a outros contratados.

Mas também é verdade que for falta de organização a maioria dos médicos só trabalha nos serviços hospitalares de manhã.

A verdade é que mesmo com vagas por preencher, e muitas, os serviços funcionam. Por que são serviços prestados por seres humanos, profissionais conscientes, a outros seres humanos que têm necessidade de atendimento.

Nem sempre tudo corre bem, é uma verdade. Por vezes ocorre negligência ou ignorância, também é verdade. Como é verdade que os profissionais da saúde estão sujeitos a pressões inexistentes na maioria das profissões; os horários prolongam-se para além do aceitável para quem lida com vidas humanas. Sabe-se que a probabilidade de erro aumenta com o excesso de tempo de trabalho, mas pagar horas extra é mais barato que ter pessoal.

Nas Urgências hospitalares, para suprir as faltas, contratam-se os serviços de empresas que a própria secretária de Estado reconhece publicamente não saber se estão ou não qualificadas e se o pessoal destas "manpower" da saúde está ou não inscrito nas respectivas ordens e capacitado para exercer as funções em que são colocados (Diário de Noticias – on line – de 1 de Novembro de 2006).

Reestrutura-se o sistema hospitalar de Lisboa sem a auscultação dos médicos responsáveis. Quanto à exigência de taxas moderadoras para internamento dificilmente se sustenta como uma medida inteligente.

Afinal quem paga as decisões são os contribuintes que podem muito bem ser vítimas delas. A medicina privada tem um lugar nas sociedades. Mas tem de existir um serviço de referência suportado pelos contribuintes. As únicas perguntas que ocorrem nestas linhas escritas tão desordenadamente quanto as decisões na Saúde são quem toma essas decisões e para onde vai a Saúde em Portugal?

domingo, novembro 05, 2006


Por tudo o que disse, por tudo o que foi dito e por quase tudo que estão a fazer…
Eu vou fazer greve.

as minhas desculpas Senhor Ministro CC

Ontem comentei um post em Saúde SA sobre “Aumentar a Automedicação” dizendo que:

“Então não é que CC e sua equipa sabe fazer bem as contas?Comunica aos cidadãos, com toda a pompa e circunstância, a intenção de diminuir em 6% o PVP dos medicamentos (resta saber se de todos) mas depois, pela calada... diminui a taxa de comparticipação do Estado e aumenta a lista dos não comparticipados.É que com o avanço tecnológico em que tanto este governo investe, consegue saber CC, através da informática, o perfil terapêutico medicamentoso nacional e assim onde e como baixar os preços e onde baixar ou anular a comparticipação estatal. Senão veja-se a listagem dos princípios activos a que se propõe CC retirar a referida comparticipação.A informática a bem das finanças públicas e contra o desamparado doente.”

Mas depois de abrir o link publicado no JN e analisar com mais cuidado a lista dos medicamentos que vai engrossar a já volumosa lista dos não comparticipados pelo MS, só tenho que me penitenciar pelo erro de análise que na altura fiz.
É que não deve ter sido por razões economicistas que CC elaborou este acréscimo à lista já existente mas sim por três ordens de razões:

Senão vejamos:

1. Investir na prevenção

Betadine solução ginecológica, Candid, PanFungex, GynoDaktarin – drogas do grupo dos anti-sépticos e anti-fúngicos ginecológicos que poderão ser evitadas se se investir no uso do preservativo e na moralização da sociedade portuguesa no sentido de diminuir ou acabar de uma vez com as relações extra-matrimoniais e promíscuas. O mesmo se pode aplicar à utilização abusiva do Acaril Bial pela mesma ordem de razões.
Otoceril – dar valor à actividade que os Ministros do Trabalho e da Economia estão a desenvolver, no sentido de obrigar os trabalhadores portugueses a não fazerem “cera” assim evitando a necessidade da utilização do Otoceril para a retirar do canal auditivo externo.

2. Tratar a doença através da eliminação da causa ao invés de tratar os sintomas

Brufen, Aspegic, Lisaspin,Panasorbe, Paracetamol, Zemalex, Voltaren Emulgel – drogas do grupo anti-inflamatórios não esteroides - para quê utilizá-las com o objectivo de diminuir as cefaleias se estas são provocadas pelas notícias diárias que os portugueses recebem da necessidade de mais e mais apertarem o cinto?
Proclor e Eugastrim 10 – drogas do grupo de protectores gástricos frequentemente usadas para tratar a pirose (azia) ou enfartamento gástrico se estes sintomas que os portugueses apresentam aparecem e persistem quando ouvem falar em mais uma medida do MS em particular ou do Governo em geral?

3. Manter por razões óbvias alguns dos sintomas para o “bem-estar” de alguns:

Viru Merz – para quê usar este anti-herpético eficaz, se com herpes labial se torna muito mais difícil erguer a voz contra as medidas anunciadas pelo MS?
Microlax – para quê usar este laxante intestinal se o “medo” do futuro com que os portugueses se debatem já dá para desanuviar os intestinos?
Pipermel – para quê utilizar este anti-parasitário intestinal se há que proteger os “parasitas” que pululam na administração pública em actividades temporárias e com rendimentos assegurados?
Cecrisina, Calcium, Cálcio Sandoz, Cobaxid, VE 150, Vitamina C Retard, C Nergil, Sandocal – grupo de medicamentos vitamínicos e minerais que podem perfeitamente ser substituídos por uma alimentação correcta, exercício físico e leite… muito leite para prevenir a osteoporose (ver o excedente de produção leiteira em Portugal, apesar das cotas europeias).
Broncopulmo, Mucodrenol, Tosseque – para quê mobilizar a expectoração com estes mucolíticos se está demonstrado que a transmissão das doenças víricas (gripe, HV1, etc) se transmitem via aérea?

Afinal tinha-me enganado…
As minhas desculpas Senhor Ministro CC

sábado, novembro 04, 2006

falta de médicos no serviço de urgência

Sobre a falta de médicos do quadro do SNS para prestarem SU, bom… CC ateou o fogo sem se aperceber de que a “floresta estava a secar” e agora pretende apagá-lo à custa de diplomas legais que “ilegalmente” controlem a actividade privada empresarial já que lhe estão a faltar os meios usualmente utilizados para apagar fogos florestais – a água, a viaturas terrestres e aéreas e acima de tudo os bombeiros sapadores.

É que os contratos que se propõe impedir são realizados entre os CA que CC nomeou e entidades privadas empresariais. Estas empresas são contratadas pelos CA para assegurar o atendimento de urgência numa determinada especialidade, com um determinado número de médicos e com os médicos que elas próprias dispõe nos seus "quadros". Assumindo as empresas a responsabilidade laboral e profissional sobre o trabalho por eles praticado (não têm assim que prestar contas ao MS se é o médico A ou B).Como poderá então CC impedir que o médico que não está em regime de exclusividade, seja "assalariado" duma empresa e esta realize um contrato com os CA de Hospitais EPE?

Os juristas que me esclareçam…

sexta-feira, novembro 03, 2006

engenharia genética e biomedicina



"Alexandre Quintanilha nasceu em Lourenço Marques (Maputo) no mesmo dia em que foi lançada a bomba atómica sobre Nagasaki. O seu percurso académico foi cumprido em Joanesburgo (África do Sul), onde concluiu um doutoramento em Física Teórica. Sobre essa etapa, Alexandre Quintanilha diz frequentemente que se tratou de um "desafio que impus a mim mesmo para comprovar se conseguia superar o doutoramento mais complexo de todos. Quando percebi que afinal deveria ser mesmo esperto, mudei de área e dediquei-me à Biologia".

in National Geografic, Portugal - Ficheiros secretos

quinta-feira, novembro 02, 2006

os 7 artigos "correctos" do orçamento 2006 para a saúde



Artigo 135.º
Pagamentos no âmbito do Serviço Nacional de Saúde
(…)
2- O Estado ou o Instituto de Gestão Informática e Financeira da Saúde (IGIF), em representação das administrações regionais de Saúde (ARS), pode celebrar negócios jurídicos, mediante autorização dos Ministros responsáveis pela áreas das finanças e da saúde, através de concurso público, procedimento por negociação com ou sem publicação prévia de anúncio, que envolvam a sub-rogação de instituições de crédito ou sociedades financeiras nos créditos de terceiros decorrentes do fornecimento de medicamentos e Maios complementares de diagnóstico e demais serviços de saúde, incluindo as operações acessórias e instrumentais da gestão e pagamento de dívidas.
(…)

O IGIF é um dos institutos que na reforma do sector público está condenado à extinção… é altura de aproveitar e fazer negócios, claro.
Está correcto !!

Artigo 137.º
Contratos-programa no âmbito do Serviço Nacional de Saúde
1- Os contratos-programa a celebrar com os hospitais integrados do Serviço Nacional de Saúde ou pertencentes à rede nacional de prestação de cuidados de saúde são autorizados pelo Ministro da Saúde e podem envolver encargos até um triénio.

Contratos e encargos por três anos na esperança do Governo ficar até ao fim da legislatura.

Está correcto !!

Artigo 138.º
Medicamentos comparticipados
1- Os preços de venda ao público (PVP) dos medicamentos comparticipados, aprovados à data da entrada em vigor da presente lei, são reduzidos em 6%.

Baixa o PVP mas diminui a comparticipação… Tudo deve diminuir.
Está correcto também !!

Artigo139.º
Taxa moderadora
1-São criadas taxas moderadoras para acesso às seguintes prestações de saúde, no âmbito do Serviço Nacional de Saúde:
) Taxa de € 5 por dia de internamento até ao limite de 10 dias;
) Taxa de € 10 por cada acto cirúrgico realizado em ambulatório.
2- Estão isentos do pagamento das taxas moderadoras referidas nos números anteriores os utentes referidos no artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 173/2003, de 1 de Agosto.

Sobre isto, já quase não vale a pena falar.
Correcto para os que estão isentos, sim !!

Artigo 140.º
Convenções
1- O crescimento da despesa das convenções celebradas pelo Serviço Nacional de Saúde é fixado em 0%, em relação à despesa verificada em 2006.
2- Para o cumprimento do disposto no número anterior são adoptados mecanismos de variação de preços em relação inversamente proporcional ao crescimento da quantidade.

Aumentar a despesa à custa do aumento de produção, não!!! Que fique claro que quanto mais produzires menos ganhas…
Está correcto !!

Artigo 141.º
Alteração ao Decreto-Lei n.º 118/92, de 25 de Julho
O artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 118/92, de 25 de Julho, com a redacção que lhe foi introduzida pelo Decreto-Lei n.º 129/2005, de 11 de Agosto, passa ater a seguinte redacção:
Artigo 2.º […]
1- […]:
- Escalão B - a comparticipação do Estado passa de 70% para 69% do preço de venda ao público dos medicamentos;
- Escalão C - a comparticipação do Estado passa de 40% para 37% do preço de venda ao público dos medicamentos;
- Escalão D - a comparticipação do Estado passa de 20% para 15% do preço de venda ao público dos medicamento.

Se o PVP diminui, não deve também diminuir a comparticipação do Estado? Todos por igual devem beneficiar...

Também está correcto !!

Artigo 142.º
Produtos farmacêuticos e de consumo clínico
1- O Governo implementa as medidas administrativas necessárias para fixar os preços máximos, em valor inferior em 6% em relação aos preços praticados em 2006, dos produtos farmacêuticos e produtos de consumo clínico, com impacto financeiro relevante, a adquirir pelos estabelecimentos integrados no Serviço Nacional de Saúde, independentemente da sua natureza jurídica.
2- As medidas referidas no número anterior são válidas para todos os procedimentos concursais.

Boa atitude sim Sr. Ministro. Se a inflação prevista para 2006/2007 é só de 2,5% , baixar os preços máximos a pedir pelas empresas em 8,5% até que nem é um sacrifício por aí além...

Correcto !!

Artigo 143.º
Taxa sobre a comercialização de produtos cosméticos e de higiene corporal
A percentagem da taxa sobre a comercialização de produtos cosméticos e de higiene corporal prevista na alínea a) do n.º 1 do artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 312/2002, de 20 de Dezembro, é fixada em 1,5% no ano de 2007.

Assim CC protege a beleza externa dos portugueses. Só 1,5% de taxa até que nem é muito.
Pode-se considerar correcto também !!

quarta-feira, novembro 01, 2006

rede nacional de serviços de urgência (II ou mais)


Escrevi na 2ªfeira passada, "Quer tenha sido alargado ou não, esta poderá ter sido a última vez que antes da decisão final aqui escrevo sobre o assunto.", referindo-me à possibilidade do prazo de discussão pública do relatório de requalificação da rede nacional de serviços de urgência ser alargado.
E foi mesmo verdade. Foi alargado até ao fim do mês de Novembro.


“Devido ao elevado interesse suscitado pela proposta” e aos pedidos de informação adicional sobre o assunto, como é comunicado no Portal da Saúde

Não resisti assim a dizer mais qualquer coisa sobre o assunto já que é de louvar a atitude do Ministério da Saúde em assim proceder.

Embora desconhecendo-se se o “elevado interesse” significa “oposição massiva” ou se os “pedidos de informação adicional, as reuniões com a Comissão Técnica e os esclarecimentos sobre o prazo” significam dificuldades ou ausência de alternativas qualificadas que o Ministério tem para concretizar o proposto, agora que ateou o "fogo" compete ao Sr.Ministro apagar o"fogo" que sempre existiu nas Urgências Hospitalares.
Mas se o pretende fazer que o faça não duma maneira isolada, mas enquadrada em toda a problemática do SNS (que diz não querer alterar), para que os "remendos na manta" do atendimento urgente não provoquem "falta de pano" no campo da prevenção e do tratamento das doenças dos nossos cidadãos.

Lembra-se que até hoje nenhum estudo foi dado ao conhecimento público sobre o impacto orçamental que vai existir com a reorganização das estruturas de atendimento pré-hospitalar e dos Serviços de Urgência propostos, nomeadamente os novos SUBs e SUPs, no que respeita a equipamentos, formação e afectação de meios humanos necessários para dar resposta correcta e atempada aos objectivos que se propõem no Relatório.

Isto parece ser um exemplo objectivo de como se não deve contruir uma casa pelo telhado, apesar de haver "arquitectos" que a tal se proponham.

segunda-feira, outubro 30, 2006

rede nacional de serviços de urgência



Termina amanhã o prazo dado pelo Ministro da Saúde para discussão pública do relatório de requalificação dos serviços de urgência, elaborado pela comissão de técnicos criada para o efeito. Muito timidamente pareceu-me ter ouvido o Sr. Ministro dizer que o prazo foi alargado até meados do mês de Novembro.

Quer tenha sido alargado ou não, esta poderá ter sido a última vez que antes da decisão final aqui escrevo sobre o assunto.

Muitos contributos deverão ter chegado ao Gabinete Ministerial durante este mês de Outubro que a serem tidos em conta poderão melhorar o proposto mapa de requalificação.

Alguns desses contributos, espero, serão tidos em conta e justificada a sua aceitação com a clareza de argumentos que se exige.
Mas outros também serão aceites com uma fundamentação de difícil entendimento ou recusados com base numa justificação que se aceita ou que jamais será dada.
Espero que assim não suceda.

Baseado no Artº64 da Constituição da República Portuguesa:

Exige-se do Sr. Ministro o cumprimento do nº 4. “O serviço nacional de saúde tem gestão descentralizada e participada” dando assim ouvidos a essas opiniões que duma maneira “participada” as expõem, a seu pedido.

Exige-se do Ministro da Saúde uma decisão responsável e coerente com os princípios de equidade que diz defender e que constam nº 3.b) “Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde”.

Exige-se do Sr. Ministro que baseado nº 3d) “Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o serviço nacional de saúde, por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade” defina se pretende manter o regime de comparticipação que o Estado, através do seu Ministério, tem para com as instituições privadas que actualmente prestam assistência médica de urgência em hospitais locais (Misericórdias e Fundações) e não fazem parte da proposta do mapa de requalificação de Serviços de Urgência nacional.

Exige-se do Sr. Ministro uma fundamentação clara e compreensível das decisões que vão ser tomadas, desprovida de pressões político/partidárias, de interesses privados ou pessoais e baseadas não em princípios economicistas (como sempre o afirmou), mas sim no princípio duma igual acessibilidade aos cuidados médicos, independentemente da zona do país em que residem.

Exige-se finalmente do Sr. Ministro que a sua decisão, o faseamento da sua aplicação no tempo, as alternativas já asseguradas e a assegurar sejam dadas a conhecer ao país em geral e em particular aos mais directamente atingidos – as populações locais e instituições públicas de saúde e seus profissionais.

É que já chega de vozes mentirosas e de silêncios hipócritas, de ocultação e de deturpação, de premeditação ou de ignorante intenção.

Já chega de instabilidade e de desmotivação. É que assim ,Sr. Ministro, pode estar a conduzir o SNS para um caminho que não é o que defende:

“Comparando com semestre homólogo do ano anterior, estamos a produzir mais 2,2% de primeiras consultas, mais 13% de cirurgias ambulatórias e até mais 3% de cirurgias regulares e, naturalmente, menos 1,7% de internamentos e a obter a estabilidade nas urgências (+0,4%). Consumimos menos 2,7% em medicamentos mas muito mais em vacinas: mais 33%. Contivemos em 0,4% a factura de meios de diagnóstico comprados ao sector privado, mas ampliámos a sua produção nos hospitais. Realizámos menos 1,5% de consultas nos SAP e mais 1,3% de consultas regulares nos centros de saúde. Menos partos em pequenas maternidades sem as condições necessárias e mais partos nas maternidades com mais recursos e maior garantia de qualidade.” Intervenção do Ministro da Saúde nas Comissões Parlamentares de Economia, Finanças e Saúde a 10 de Outubro de 2006

o do aumento de produção e de diminuição activa, consciente e colaborante dos gastos com a saúde por parte de todos, cidadãos, dirigentes e profissionais da saúde.

sábado, outubro 28, 2006

Nova Unidade de Saúde com S.U. em Cabeceiras de Basto


No site Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto dá-se a conhecer que brevemente, em Junho de 2007 , vão os cabeceirenses ter uma nova Unidade de Saúde com internamento, ambulatório e Serviço de Urgência 24 horas por dia. Segundo o seu Presidente da Câmara esta unidade é fruto dum protocolo que foi assinado aquando duma recente visita do Ministro Correia Campos a Cabeceiras de Basto dando assim autorização para que a obra se iniciasse já em Novembro deste ano de maneira a estar pronta a funcionar dentro de 8 meses.

Optimo...
Numa altura em que o Sr.Ministro CC apergoa a necessidade de contenção de gastos com a saúde, de racionalizar e rentabilizar as estruturas físicas e humanas e se discute publicamente a rede de requalificação de urgências a nível nacional, conseguir o Presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto que o mesmo ministro, assine um acordo para que a nova unidade de saúde disponha dum Serviço de Urgência a funcionar 24 horas, é de louvar.

A concretizar-se o que se afirma, compreende-se o porquê da zona de Basto não ter sido contemplada com uma Urgência Básica pela comissão de peritos, ao propor o encerramento da Urgência de Fafe.
A ser verdade, poderá assim provar-se a isenção, a qualidade técnica e a seriedade do trabalho dos membros da comissão de peritos de requalificação das urgências e o porquê do Presidente da Câmara de Cabeceiras de Basto não ter tomado publicamente posição sobre a proposta de encerramento do Serviço de Urgência do Hospital de Fafe que desde 1989 dá assistência aos seus munícipes.

Esperar para ver...

que bom é pagar as taxas...

Segundo o jornal Sol desta semana,
"Correia de Campos explica que a sua medida difere da proposta de Santana Lopes: agora «não se pretende um co-financiamento do SNS». E diz que o valor a pagar pelo doente no internamento não cobre sequer o custo da sua alimentação.
Como justifica a introdução das novas taxas?Trata-se, apenas, do alargamento do actual regime, que aplica taxas moderadoras aos actos e a serviços de saúde, mesmo quando são subsequentes a decisão médica, como segundas consultas, meios complementares de diagnóstico e comparticipação nos medicamentos. A aplicação de taxas, ainda que com valores simbólicos, torna a relação médico/paciente mais exigente, do ponto de vista do utente, e mais responsável do ponto de vista do prestador médico."


pela positiva:

  • medida diferente da proposta por Santana Lopes
  • valor simbólico das taxas
  • não se tratar dum co-financiamento
  • iguais às que já existem (segundas consultas, meios complementares de diagnóstico, comparticipação nos medicamentos)
  • valor nem chega para pagar a alimentação do doente
  • torna a relação médico/doente mais exigente por parte do doente e mais responsável por parte do prestador de cuidados

pela negativa:

  • NADA !

Por isso não há motivos para reclamar.

Temos finalmente um ministro que olha por todos nós (ricos e pobres).

sexta-feira, outubro 27, 2006

que preocupação a do sr. ministro CC


Que coisas estranhas continuam a ser ditas pelo Sr. Ministro da Saúde…

Segundo noticia o jornal Público de hoje em reunião conjunta das comissões parlamentares de Economia, Finanças e Saúde realizada hoje, CC terá afirmado que "Vamos fixar as condições para os médicos que optem por não prestar serviço extraordinário no Serviço Nacional de Saúde tenham impedimento de o prestar através de outras empresas".

Se foi este Ministro que com o mesmo objectivo revogou o despacho que previa que o valor da hora extraordinária fosse igual independentemente do regime de trabalho dos médicos o que fez com que os médicos ameaçassem uma greve às horas extraordinárias,
Se foi este mesmo ministro que como medida de contenção de gastos retirou do quadro legal a ilegalidade da obrigação dos médicos realizarem mais 12 horas semanais de Serviço de Urgência, sempre que necessário,
Se foi este o ministro, quando confrontado com esta revogação, afirmou ter a certeza de que não iria haver falta de médicos para assegurar os Serviços de Urgência Hospitalares,
Se foi este o Ministro que confiou nas declarações de alguns Administradores Hospitalares que corroboraram a mesma opinião de que a qualidade dos serviços de atendimento se manteria sem custos acrescidos,
Se foi este ministro que nomeou ou mantem em funções as Administrações hospitalares que fazem esses contratos “chorudos “ com empresas prestadoras de serviços médicos do SNS e de outros países/continentes.

Porquê só agora é que este mesmo Ministro, depois de ter feito esta caga…, (com as minhas desculpas…) vem dizer que está preocupado com o problema e só agora reconhece as dificuldades que ele próprio criou, quando afirma “não é fácil identificar o que são serviços contratados [a empresas privadas porque não há pessoal médico suficiente para assegurar as urgências] e o que são serviços substitutivos [contratados para colmatar a recusa de alguns clínicos em fazerem horas extra nas urgências]".
Não serão ambos os serviços (contratados e substitutivos) necessários pela mesma razão? Pela falta de médicos?

Será que a preocupação do Sr. Ministro só agora apareceu pelo facto de Bernardino Soares o ter denunciado na reunião parlamentar?

E o Sr. Ministro só agora está preocupado?
É que os contratos “chorudos” que actualmente as administrações fazem com essas empresas já há muito tempo (desde o aparecimento dos primeiros Hospitais modelo SA) os fazem a título individual com médicos que não têm possibilidade de ter acesso à Carreira Hospitalar pelo facto de não serem abertos concursos para preenchimento das vagas do quadro.

Sr. Ministro, não se descarte da responsabilidade do congelamento dessas admissões na função pública, já que é essa a política do seu governo.

Pois é Sr. Ministro… “não se fazem omoletas sem ovos” e o que o Sr. Ministro está a querer impedir, pelo facto de os seus cozinheiros terem que comprar os ovos mais caros, é que as omotetas sejam feitas.

E quem são os prejudicados?
Em primeiro lugar os doentes que sofrem com os tempos de espera, com o aumento dos preços dos serviços assistenciais, com a progressiva degradação dos serviços que lhes é imposta com esta política.
E também os profissionais da saúde que com o seu esforço redobrado continuam a manter vivo e a defender o Serviço Nacional de Saúde.

Basta de demagogia e diga-se claramente ao Povo Português o que realmente se pretende - Acabar com o SNS e dar a essas empresas e a muitas outras, a liderança do sistema de saúde de todos nós ou só de alguns.

quinta-feira, outubro 26, 2006

que Presidente da Câmara de Fafe têm os fafenses...


Ontem à noite, enquanto no Serviço de Urgência do Hospital de S. José de Fafe ia dando a minha contribuição para a observação e tratamento de doentes dos concelhos de Fafe, Cabeceiras e Celorico que a ele recorriam, ia ouvindo nos intervalos, a Rádio local que em directo transmitia um debate sobre "o Serviço de Urgência em Fafe", numa sala de cinema local.
Sabia que a Associação Cívica "Fafe Presente" teria convidado para estarem presentes como apresentadores das suas posições sobre o assunto, para além dos Presidentes dos Conselhos de Administração dos Hospitais de Fafe e Guimarães, o Director do Centro de Saúde local, o Coordenador da Sub-região de Saúde de Braga e o Presidente da Câmara de Fafe.
Estavam de facto reunidas as condições, para os que podiam estar no local do debate ou a ouvir pela rádio (como era o meu caso), passassem 2 horas e meia escutar os argumentos a favor e contra o proposto encerramento desse Serviço na cidade.
Mas... espanto! (talvez só para alguns...)
Quando o Presidente da associação cívica, na abertura do debate, anuncia a ausência do Coordenador da Sub-região de Saúde que se delegou no Director do Centro de Saúde de Fafe, por certo que quem se pôde sentar nas cadeiras do Estúdio Fénix notou mais uma cadeira vaga que estava destinada, na mesa da presidência, ao Sr. Presidente da Câmara (e nada foi dito sobre a sua injustificada ausência excepto um lamento).

Ter-se -à pensado...

"Se calhar foi o que ele fez de melhor..."
"O que é que um presidente da câmara tem a ver com a Saúde ou com as urgências de Fafe se até são clandestinas?"
"Quando os convidados que se vão sentar ao seu lado são todos ligados ao sector da saúde e só ele não, o que iria ele lá dizer?"
“Até porque se lhe tinham dito que esse assunto do "encerramento das Urgências em Fafe", era um assunto que o Ministro da Saúde, que é do seu partido, tinha intenção de levar para a frente…"

Mas enganou-se o Sr. Presidente da Câmara.
Se lá tivesse estado presente, teria como companheiro do "sim" ao encerramento da urgência, o Administrador do Hospital de Guimarães que nas suas primeiras palavras demonstrava que o seu Hospital estava preparado para "aguentar" com os cerca de 5000 doentes por ano, já que era esse o número que pelas suas contas esperaria como acréscimo. Argumentou a favor do "sim" com a expectativa de uma melhor qualidade assistencial que seria prestada aos fafenses e a uma melhor rentabilização do pessoal e das estruturas da saúde, já que a crise actual assim o exigia.

Mas decorridas algumas intervenções dos Directores do Hospital e do Centro de Saúde e de alguns dos presentes no debate, por certo que o Sr. Dr. José Ribeiro (Presidente da Câmara de Fafe) se voltaria a arrepender de lá ter ido...

É que até o Sr. Presidente do Hospital de Guimarães, no fim do debate tinha mudado de opinião, admitindo publicamente sentir-se preocupado com o encerramento do Serviço de Urgência de Fafe, cujas populações de Fafe, Cabeceiras, Celorico e por arrastamento também as de Guimarães e Vizela, a consumar-se o encerramento e sem alternativas, iriam sofrer um agravamento da qualidade da assistência médica de urgência pela sobrecarga de trabalho que iria ser pedida ao seu Hospital.
O Sr. Presidente do Hospital de Guimarães por certo teria feito mal as contas e avaliou mal os concelhos que pretendia arrecadar para melhorar financeiramente o seu Hospital, uma vez que pelos dados demográficos, populacionais e estatísticos oficiais apresentados pelos presentes no debate, bem feitas as contas, não seriam só mais 5.000 mas 35.717 doentes (ou perto de 55.000 como se prevê para o ano de 2007 com o encerramento do SAP em Fafe) que teriam, a ser encerrado o SU de Fafe, de ser socorridos no Serviço de Urgência do Hospital de Guimarães.
Nº entradas no SU Guimarães em 2005: 104.926
Nº entradas no SU Fafe em 2005: 35.717
(Fonte: Business Plan 2007/2009 - Centro Hospitalar Guimarães-Fafe)

E assim o Sr. Dr. José Ribeiro, Presidente da Câmara de Fafe, perdeu uma oportunidade para aprender alguma coisa sobre como vai, como deveria ir e como se propõe que vá a saúde dos seus munícipes.

Saíram da Reunião os fafenses (e não só) com a força da razão pelo lado deles.
Mas a força da razão, infelizmente às vezes só tem valor quando está na mão dos mais poderosos.
E apesar do poder das suas autarquias estar nas mãos dos “súbditos” desse mesmo poder, os fafenses, os cabeceirenses e os celoricenses são abandonados pelos seus presidentes a troco de desconhecidos interesses político/partidários talvez esses sim "interesses corporativos".

E transcrevo palavras de Dr. João Semedo, deputado à AR e presidente do CA do Hospital Joaquim Urbano proferidas hoje em “Saúde SA”:

"O que não pode acontecer é o que Correia de Campos pretende fazer com as urgências: fechar 14 urgências hospitalares (a prazo, fecharão os respectivos hospitais ou passarão a hospitais de retaguarda para cuidados continuados), desclassificar outras 16 e transformar 24 SAPs em mais SAPs, sem medir o impacto que tudo isto vai ter sobre as urgências que continuarão abertas e que já hoje estão a rebentar pelas costuras, com tempos de espera que, na maior parte dos casos, nos envergonham. É uma decisão irresponsável, tanto mais que é tomada num contexto em que o ministério tem vindo a encerrar muitos SAPs e pretende continuar a fechar mais, sabendo nós que para muitos portugueses os SAPs - apesar das suas limitações, são o único e último recurso de que dispõem quando a doença lhe bate à porta."

quarta-feira, outubro 25, 2006

encerramento de serviços de urgência e a posição da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna

Por se revelar de extrema correcção a análise sobre o assunto do encerramento das urgências hospitalares. vale a pena ler a exposição enviada ao Ministro da Saúde pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna a17 de Outubro de 2006.

Consulte-a aqui

terça-feira, outubro 24, 2006

encerramento de serviços de urgências


Apesar de CC, com insistência, afirmar que não são princípios "economicistas" que vão determinar o encerramento de Serviços de Urgência mas sim os de "rentabilização de pessoal e de serviços", não deve o Sr. Ministro da Saúde esquecer os gastos indirectos com a saúde que acrescem com esse encerramento.

Só um exemplo:

"O que um ortopedista, sozinho, consegue resolver num Serviço de Urgência que a Comissão Técnica de Apoio ao Processo de Requalificação das Urgências pretende encerrar, como é o caso do Serviço de Urgência do Hospital de S.José de Fafe"

1. Os acidentes escolares são, como sempre o foram, frequentes no dia a dia das nossas escolas.
2. Por força da "pressão" dos encarregados de educação por um lado e da "auto-defesa" dos professores e directores das escolas por outro, verifica-se cada vez mais, nos dias de hoje, um afluxo enorme de crianças aos Serviços de Urgência hospitalares durante o período de funcionamento das Escolas.
3. É norma (e o dever obriga) que cada criança seja acompanhada à consulta de urgência por um auxiliar de acção escolar.
4. A maior parte destes traumatismos são de muito pequena ou média gravidade, mas que não invalidam a necessidade de serem diagnosticados e tratados pela especialidade de Ortopedia.
5. A quase totalidade destas crianças é tratada "conservadoramente", isto é, sem necessidade de apoio anestésico ou cirúrgico e com a actuação de um único ortopedista.
6. Pela triagem de Manchester que se encontra em funcionamento na quase totalidade dos Serviços de Urgência Hospitalar, a maioria destas situações traumáticas são passíveis de ter tempos de espera superiores a 2 horas particularmente em Hospitais considerados já nos dias de hoje detentores de Serviços de Urgência Médico-Cirúrgicos.
7. Em Serviços de Urgência como a do Hospital de S. José de Fafe, o acidente escolar depois de triado, observado e tratado, rapidamente liberta o auxiliar e o aluno para regressarem às suas actividades escolares e de acção educativa.

Encerrado um serviço de Urgência numa cidade com população de 53.000 habitantes dos quais 35% tem idades entre os 0 e os 24 anos obrigará a que no futuro, por cada acidente escolar:
a) Tenha que deslocar, pela mesma ordem de razões, a um Hospital com Serviço de Urgência Médico – Cirúrgico mais perto (15 km por exemplo), para além da criança sinistrada, um auxiliar de acção escolar para a acompanhar.
b) Tenha que ser requisitada ambulância para o transporte.
c) Tenham que aguardar depois da triagem, mais de 2 horas para observação, acrescido do tempo para a realização de exames complementares e tratamentos, para além da criança, o auxiliar de acção escolar, os Bombeiros e a ambulância.
d) Tenha que ser contabilizado o tempo de deslocação (ida e volta) dos profissionais e aluno envolvidos.

Assim, por cada acidente escolar devem ser apurados:

· Gastos com os serviços de bombeiros ( kilometragem e tempo de serviço e de espera)
· Tempo dispendido pelos auxiliares de acção educativa (ponderar o pagamento de trabalho extraordinário se o acidente se deu perto do fim do seu horário de trabalho bem como o prejuízo para a Escola fruto da sua ausência prolongada).
· Tempo que o aluno "perdeu" com a ausência da sua actividade escolar com repercussão na sua aprendizagem.
· Tempo de deslocação e gastos do encarregado de educação ou familiar, que avisado do acidente, pondera visitar o aluno no local do atendimento.

Tudo isto multiplique-se por 10 ou 15 que é o número médio diário de acidentes escolares em Fafe… e faça as contas senhor Ministro!

domingo, outubro 22, 2006

ao que podemos chegar...

Concretizada a política e as medidas do nosso Ministério da Saúde todos iremos ficar tão saudáveis, tão saudáveis que alguém vai ter que “fazer pela vida”…

tratar sida, cancro e hepatites nas Farmácias?

  • E assim, as farmácias poderão passar a administrar medicamentos "poderosos, agressivos, essenciais e dispendiosos" para tratamento de HIV, cancro e hepatite.
  • Deixa de haver assim uma "responsabilidade entregue exclusivamente aos hospitais do Serviço Nacional de Saúde" para esta responsabilidade ser partilhada pela ANF.
  • Não se trata de esvaziar nem de retirar atribuições ao SNS já que as Farmácias são parte "integrante e importante no SNS".
  • Isto "representa uma revolução organizativa com elevado potencial de poupança e que representa economia directa para os cidadãos".

Mais umas tantas de CC que não podem ser verdade...


Mas que assessores terá o Sr.Ministro da Saúde de Portugal? Serão médicos ou economistas?
Por favor, não queiram fazer com as doenças transmissíveis o que fizeram com a Tuberculose em Portugal com a extinção dos SLATs (estruturas que centralizavam o rastreio, a profilaxia e tratamento da tuberculose) e que muito contribuíram para a quase erradicação da doença em Portugal enquanto existentes.

Por idênticos princípios de actuação perante as doenças (Sida, Tuberculose ou Hepatite) exige-se uma organização e responsabilização que só podem existir em estruturas prestadoras de cuidados médicos com profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) com conhecimentos clínicos e epidemiológicos sobre as doenças. Não são por certo as Farmácias, com os Farmacêuticos ou técnicos de Farmácia que melhor darão resposta a esta exigência.


É que nem com objectivo de poupar dinheiro consigo entender esta medida…

Só se for por:

"O Correio da Manhã cita hoje fontes do sector que indicam que esta possibilidade é uma contrapartida negociada com os farmacêuticos para que estes tenham assinado o Compromisso com a Saúde em Maio."(in Publico.pt)